Por Gabriel Prats*

 

Durante anos, atuei em bancos de investimento globais, estruturando transações complexas que movimentaram bilhões de dólares e moldaram setores estratégicos da economia. Essa experiência me permitiu enxergar de perto um aspecto fundamental da inovação: nenhuma ideia, por mais transformadora que seja, prospera sem acesso a capital.

O ecossistema de inovação é movido por ciência, mas sustentado por finanças. Startups e scale-ups enfrentam um caminho árduo para transformar descobertas em negócios sustentáveis, e é nesse ponto que a expertise em captação de recursos e estruturação financeira faz toda a diferença.

Ao longo da minha trajetória, percebi que há três fatores críticos para o sucesso na intersecção entre finanças e inovação:

  1. Clareza na tese de investimento – Investidores precisam compreender rapidamente o problema que a empresa resolve, o tamanho do mercado e o diferencial competitivo. Traduzir ciência em uma narrativa de negócios sólida é um dos maiores desafios para empreendedores técnicos.
  2. Estruturação eficiente da operação – Transações bem-sucedidas exigem planejamento jurídico, regulatório e estratégico. Isso envolve desde a escolha do veículo societário até a forma de governança e compliance.
  3. Alinhamento entre investidores e fundadores – Mais do que dinheiro, investidores aportam visão, rede de contatos e capacidade de execução. O “capital inteligente” é o que acelera empresas inovadoras para além das fronteiras locais.

Hoje, na Nortian Biotech, coloco em prática esse aprendizado. Ao lado do time de cientistas e engenheiros, ajudo a traduzir tecnologia em projetos que dialogam com o mercado de capitais, atraem investidores estratégicos e conquistam o apoio de governos locais. Recentemente, conquistamos investimentos significativos e apoio institucional nos Estados Unidos para expandir nossa capacidade produtiva e gerar empregos em setores de alta tecnologia.

Esse movimento deixa clara uma mensagem: inovação só se sustenta com a ponte entre ciência e finanças. O Brasil, com sua base científica robusta e vocação empreendedora, tem uma oportunidade única de ocupar uma posição de protagonismo global nesse cenário.

O desafio é criar um ambiente que una empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas em torno de um objetivo comum: transformar conhecimento em impacto econômico, social e ambiental.

Assim como aprendi nos bancos de investimento e agora vivencio no empreendedorismo em biotecnologia, sei que o futuro será construído por aqueles que dominarem essa arte: mobilizar capital para acelerar inovação.

*Gabriel Prats é formado em Administração pela FGV e possui experiência prévia em Investment Banking, com passagens pelo Credit Suisse e Morgan Stanley.

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