Mais da metade das pessoas (53%) que procuram cursos online tem como objetivo desenvolver habilidades relacionadas ao desenvolvimento profissional, diz um relatório de Insights da Hotmart, plataforma líder no mercado de infoprodutos, ao qual o Empreendabilidade teve acesso.
Apesar de as redes sociais serem percebidas como espaço fértil para creators e influencers de lifestyle, esportes e saúde, a busca maior é por cursos de ensino voltado ao desenvolvimento profissional. “O principal objetivo de quem compra um conteúdo digital é desenvolver habilidades profissionais ou de complementação de renda”, informa o relatório.
Em segundo lugar, vem o crescimento pessoal (23%), melhorias em saúde e bem-estar (11%), o aprendizado de algo novo por hobby (6%) e outros motivos (4%).
O critério mais utilizado para adquirir um curso é a autoridade e credibilidade do professor, apontado por 19% dos respondentes. O certificado do curso é apontado como importante por apenas 3% do público que participou da pesquisa.
Os demais critérios são: flexibilidade de horário (17%), preço (13%), Escopo e profundidade do conteúdo (12%), qualidade da plataforma de entrega (9%), possibilidade de assistir offline (9%) e suporte (5%).
O relatório também aponta que, no ano passado (2022), o número de pessoas que comprou produtos digitais foi quase o triplo do que em 2019, ano antes da pandemia.
Os dados corroboram uma pesquisa do Google em parceria com a empresa de ensino Pearson, divulgado no início do ano, que aponta que 80% dos brasileiros já preferem cursos online para qualificação profissional. Enquanto outro levantamento, da consultoria americana de infoprodutos Thinkific, diz que a taxa de crescimento do aprendizado digital no mundo é de 32% nos próximos anos, até 2026.
Para o Empreendabilidade, que vem observando esse mercado de infoprodutos e cursos digitais como oportunidade de empreendedorismo, esses dados sinalizam que há espaço para professores e profissionais qualificados lançarem cursos digitais.
“As pessoas veem em profissionais qualificados aprendizados mais relacionados à prática, enquanto os cursos oferecidos por instituições acadêmicas acabam se concentrando mais no lado teórico”, aponta Ricardo Meireles, fundador do Empreendabilidade e pesquisador do assunto.
O marketing digital ainda toma mais atenção de quem quer criar um curso do que o material didático. O relatório do Hotmart indica que a busca por profissionais de didática para desenvolver o conteúdo do curso está em 7º lugar. Os seis primeiros profissionais mais buscados são de gestão de tráfego, copywriting, edição de vídeo, design, estratégia de vendas e gestão das redes.
Para Meireles, esse dado mostra que ainda há a percepção de que fazer um curso digital é gravar, publicar e vender. Porém, para temas mais profundos é necessário adaptar a didática. “A tecnologia facilita o microlearning e uma jornada mais efetiva de aprendizado com exercícios e relacionamento com o aluno. Com isso, é possível criar cursos específicos para plataformas digitais para os assuntos mais densos e complexos”, explica.
“Ainda vemos muitos cursos de profissionais maduros com aquele formato de ”Telecurso’. Por isso, de olho neste espaço, estamos lançando um produto direcionado a profissionais experientes, de forma a ajudar essas pessoas a empreender da melhor forma com cursos digitais. A criação de infoprodutos de LTV (Long Time Value) é outra questão que vemos como desafio“, afirma Meireles.