Do Investment Banking à Inovação: O Papel da Captação na Construção da Nova Economia

Por Gabriel Prats* Durante anos, atuei em bancos de investimento globais, estruturando transações complexas que movimentaram bilhões de dólares e moldaram setores estratégicos da economia. Essa experiência me permitiu enxergar de perto um aspecto fundamental da inovação: nenhuma ideia, por mais transformadora que seja, prospera sem acesso a capital. O ecossistema de inovação é movido por ciência, mas sustentado por finanças. Startups e scale-ups enfrentam um caminho árduo para transformar descobertas em negócios sustentáveis, e é nesse ponto que a expertise em captação de recursos e estruturação financeira faz toda a diferença. Ao longo da minha trajetória, percebi que há três fatores críticos para o sucesso na intersecção entre finanças e inovação: Clareza na tese de investimento – Investidores precisam compreender rapidamente o problema que a empresa resolve, o tamanho do mercado e o diferencial competitivo. Traduzir ciência em uma narrativa de negócios sólida é um dos maiores desafios para empreendedores técnicos. Estruturação eficiente da operação – Transações bem-sucedidas exigem planejamento jurídico, regulatório e estratégico. Isso envolve desde a escolha do veículo societário até a forma de governança e compliance. Alinhamento entre investidores e fundadores – Mais do que dinheiro, investidores aportam visão, rede de contatos e capacidade de execução. O “capital inteligente” é o que acelera empresas inovadoras para além das fronteiras locais. Hoje, na Nortian Biotech, coloco em prática esse aprendizado. Ao lado do time de cientistas e engenheiros, ajudo a traduzir tecnologia em projetos que dialogam com o mercado de capitais, atraem investidores estratégicos e conquistam o apoio de governos locais. Recentemente, conquistamos investimentos significativos e apoio institucional nos Estados Unidos para expandir nossa capacidade produtiva e gerar empregos em setores de alta tecnologia. Esse movimento deixa clara uma mensagem: inovação só se sustenta com a ponte entre ciência e finanças. O Brasil, com sua base científica robusta e vocação empreendedora, tem uma oportunidade única de ocupar uma posição de protagonismo global nesse cenário. O desafio é criar um ambiente que una empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas em torno de um objetivo comum: transformar conhecimento em impacto econômico, social e ambiental. Assim como aprendi nos bancos de investimento e agora vivencio no empreendedorismo em biotecnologia, sei que o futuro será construído por aqueles que dominarem essa arte: mobilizar capital para acelerar inovação. *Gabriel Prats é formado em Administração pela FGV e possui experiência prévia em Investment Banking, com passagens pelo Credit Suisse e Morgan Stanley.
Excelência Operacional na Indústria Farmacêutica, Um Caminho Estratégico para a Performance Sustentável

Por Luiz Girard Governança de Processos como Alavanca Estratégica A gestão orientada por processos não é apenas uma ferramenta da qualidade; é uma capacidade empresarial. Em diversas organizações de diferentes setores — da indústria farmacêutica à foodtech e tecnologia médica — liderei esforços para arquitetar e formalizar fluxos críticos que regem as operações de ponta a ponta, desde o fornecimento e logística de entrada até a distribuição final e aprovação regulatória. Essas estruturas permitiram não apenas padronização e agilidade, mas também total transparência durante auditorias de terceiros (ex.: FDA, ANVISA, EFSA). Quando os KPIs estão incorporados à rotina diária e aos sistemas de gestão visual, a responsabilidade sai do papel e se torna prática. Times de alta performance prosperam com clareza — e a clareza começa com disciplina de processo. Certificações: De Obrigação Regulatória a Vantagem Competitiva Alcançar certificações globais como ISO 9001, FSSC 22000, GMP e Halal vai além de uma exigência regulatória — é um investimento estratégico. Conduzi jornadas completas de certificação e recertificação em empresas com ambições internacionais, alinhando especificações técnicas com metas de negócios e maturidade operacional. Quando integradas ao DNA organizacional, as certificações se tornam vetores de cultura. Elas reduzem a variabilidade, institucionalizam as melhores práticas e aumentam a atratividade da empresa nas cadeias globais de fornecimento. A conformidade, quando gerida proativamente, se torna um motor de valor — não uma limitação. Cultura Kaizen: Melhoria Contínua com ROI Mensurável A aplicação de metodologias Lean Manufacturing e Kaizen em equipes multidisciplinares gerou consistentemente resultados expressivos em OEE(Eficiência Global dos Equipamentos), redução de lead time e aumento da produtividade. Em um dos casos, nossa equipe melhorou a eficiência de uma máquina crítica em 5% e eliminou 80% dos gargalos de layout por meio de eventos Kaizen estruturados. Ao contrário do senso comum, Kaizen não é sobre grandes ideias — é sobre disciplina contínua. A inovação incremental, incorporada ao ritmo operacional, é o que torna a excelência duradoura. Os melhores sistemas são aqueles que sobrevivem às transições de liderança — e isso exige enraizamento cultural. Liderando a Transformação Digital das Operações A Indústria 4.0 não é uma tendência — é uma necessidade. Implementei plataformas digitais de manufatura como MES (Manufacturing Execution Systems), manutenção preditiva via IoT (ex.: Tractian), e dashboards em tempo real que integram qualidade, produção e logística. Essas ferramentas reduzem o tempo de inatividade, aumentam a rastreabilidade e aceleram a análise de causa raiz. No entanto, ferramentas digitais sozinhas não geram transformação — equipes empoderadas sim. A tecnologia amplifica aliderança; não a substitui. Quando combinada com uma base operacional sólida, a digitalização se torna um multiplicador de força. Da Execução à Estratégia: O Papel da Liderança A transformação operacional exige mais do que ferramentas técnicas — exige liderança estratégica. Ao longo da minha carreira, atuei como COO e CEO em contextos onde a performance industrial estava diretamente ligada a resultados de negócios, como prontidão para M&A, expansão de mercado e credibilidade da marca. Em todos os ambientes — seja em uma startup escalando uma tecnologia de neuromodulação, ou em uma planta industrial tradicional buscando recertificação GMP — os princípios da excelência operacional permanecem válidos: clareza de propósito, responsabilidade em todos os níveis e execução incansável. Considerações Finais O futuro da fabricação farmacêutica e de ingredientes está na interseção entre excelência de processos, agilidade digital e liderança multifuncional. As operações devem evoluir de centros de custo para centros de valor. Excelência não é um destino — é um hábito, formado por disciplina, estratégia e cultura. Sobre o Autor Luiz Girard é um executivo industrial com mais de 30 anos de experiência em operações, cadeia de suprimentos, reestruturação de negócios e liderança estratégica em multinacionais e startups. Sua trajetória abrange setores como farmacêutico, dispositivos médicos, foodtech, soluções ambientais e manufatura. Atuou como CEO e COO de organizações de alto impacto, liderando projetos transformacionais em ambientes altamente regulados com ganhos mensuráveis em eficiência, conformidade e expansão de mercado. É certificado como Six Sigma Black Belt, Engenheiro de Processos Kaizen e vencedor do prestigiado prêmio TPM concedido pelo JIPM do Japão. Girard possui formação em Administração de Empresas e Engenharia Industrial pela Universidade de São Paulo, além de ter realizado treinamentos executivos com líderes globais como C.K. Prahalad e Peter Drucker. Fluente em inglês, italiano e espanhol, liderou projetos internacionais em toda a América Latina e Europa. Além da atuação corporativa, presidiu associações setoriais influentes como o Instituto Paulista de Excelência em Gestão (IPEG) e a ABETRE, promovendo a excelência operacional, governança corporativa e sustentabilidade. Seu histórico combina visão estratégica com execução prática, entregando consistentemente excelência operacional em ambientes complexos e de alta exigência.
Planejamento financeiro, o combustível silencioso por trás das empresas bem-sucedidas

Por: Carolina Inocencio Martins Ao falarmos sobre o sucesso de uma empresa, é comum que os créditos sejam atribuídos à inovação, à qualidade do produto, à identidade da marca ou ao carisma do fundador. Porém, existe um alicerce silencioso — mas extremamente fundamental — que, na maior parte das vezes, determina se um negócio terá ou não uma trajetória promissora: o planejamento financeiro. Assim como uma casa precisa de alicerces firmes para ser construída, uma empresa dificilmente alcança o topo com um crescimento sólido e sustentável sem uma gestão financeira bem estruturada desde o seu nascimento. A gestão financeira, aliada ao planejamento estratégico, a uma equipe qualificada, à compreensão do mercado em que se está inserido, ao posicionamento de marca claro e à eficiência dos processos internos, é parte essencial da construção de uma base forte. Muito além do controle de caixa Muitas pessoas — sejam empresárias ou apenas entusiastas do empreendedorismo — ainda associam o planejamento financeiro apenas ao controle de fluxo de caixa ou à redução de custos. Na prática, esse planejamento vai muito além: ele funciona como um verdadeiro mapa estratégico, cujo objetivo é orientar a tomada de decisões, mitigar riscos e permitir que oportunidades sejam aproveitadas com mais segurança. Empreender sempre envolverá incertezas. Elas podem estar relacionadas ao comportamento do consumidor, a obstáculos operacionais, a novas regulamentações, ou mesmo a fatores externos como crises econômicas ou políticas. São justamente essas incertezas que, muitas vezes, tornam operações inviáveis e levam negócios à falência. No entanto, é o planejamento financeiro que transforma essas incertezas em riscos calculados. A gestão financeira fornece respostas claras para perguntas como: O que acontece se o faturamento previsto não se concretizar? Como lidaremos com atrasos de pagamento de clientes? E se as taxas de juros subirem e encarecerem o crédito? Em quanto tempo este projeto trará retorno? Temos reserva para cobrir de 3 a 6 meses de operação? Posso contratar mais pessoas agora ou devo esperar? Finanças como motor do crescimento Empresas que projetam receita, custos e lucros de forma realista — no curto e no longo prazo — conseguem crescer com mais consistência desde cedo. Ao manterem um controle rigoroso do fluxo de caixa, reservas para emergências, capital de giro saudável e monitoramento de KPIs como margem líquida, EBITDA, CAC, LTV, entre outros, não apenas sobrevivem aos primeiros anos (os mais desafiadores), como também conseguem investir em tecnologia, expandir operações, montar boas equipes e até atravessar crises macroeconômicas sem grandes prejuízos. A regra é simples — e como dizia Peter Drucker, pai da administração moderna: “O que é medido, é gerenciado.” Ou seja, quem compreende suas finanças toma decisões melhores. É como ter um GPS no meio da Mata Atlântica: oferece direção e segurança em um ambiente incerto, complexo e cheio de armadilhas. O reflexo disso é uma empresa com menos desperdícios, mais investimentos bem alocados e alta capacidade de adaptação — evitando o crescimento baseado em “achismos”. A cultura da saúde financeira Ter uma boa saúde financeira não é resultado de uma ação pontual — é o produto de uma cultura construída dia após dia, com base em pilares sólidos: Projeções realistas de receitas e despesas; Análises periódicas dos dados da empresa; Gestão de capital de giro; Disciplina orçamentária; Criação de reservas para momentos de crise; Clareza sobre o ponto de equilíbrio; Cultura de longo prazo. Empresas que adotam essa cultura conseguem inovar com mais segurança, reinvestir com consistência, captar crédito de forma mais barata e atrair investidores com mais facilidade. Isso porque elas demonstram responsabilidade e maturidade financeira — características cada vez mais valorizadas no mercado. O futuro pertence aos financeiramente preparados “Success is where preparation and opportunity meet.” — Bobby Unser Essa frase do lendário piloto resume o que toda empresa precisa entender: não basta ter uma boa ideia ou encontrar uma grande oportunidade — é preciso estar financeiramente preparado para colocá-la em prática. Em um cenário econômico e político instável, empresas com um bom planejamento financeiro não apenas resistem às turbulências — elas usam esses momentos como trampolim para crescer. Startups, franquias inovadoras, indústrias ou pequenos negócios locais: todos os casos de sucesso têm algo em comum — uma mentalidade financeira estratégica adotada desde cedo, ou, no mínimo, desenvolvida ao longo do caminho com disciplina e visão. E aqui está a boa notícia: nunca é tarde para começar. Seja você um empreendedor iniciante ou experiente, ou um colaborador comprometido com o crescimento da empresa em que trabalha, fortalecer a gestão financeira é uma das decisões mais inteligentes que se pode tomar. Porque, no fim das contas, empreender com responsabilidade financeira não é apenas manter as contas em dia — é construir uma estrutura robusta, uma visão de futuro e um legado com solidez.
O empreendedorismo na indústria também tem muita sede por inovação, apesar dos desafios do setor no mundo

*André Albuquerque, empresário, Forbes Under 30 na categoria Indústria em 2021 Quando pensamos em inovação e empreendedorismo, é comum que os holofotes se voltem para o universo das startups digitais. Entretanto, há um movimento igualmente transformador acontecendo longe dos aplicativos e das telas — dentro das fábricas, dos centros de pesquisa e das plantas industriais ao redor do mundo. A indústria, muitas vezes percebida como um setor tradicional e resistente a mudanças, tem demonstrado, na prática, um apetite crescente por inovação. Essa transformação é movida tanto por necessidade quanto por oportunidade. Em um cenário global marcado por disrupções logísticas, pressão por sustentabilidade, novas demandas de consumo e avanço tecnológico, o setor industrial vem sendo desafiado a se reinventar. Empreendedores com visão estratégica estão enxergando na indústria um campo fértil para inovação aplicada, onde é possível unir produtividade e tecnologia, escalabilidade e sustentabilidade. — Inovar na indústria, no entanto, exige um conjunto de competências distintas: é necessário combinar o domínio técnico com a capacidade de liderança, a sensibilidade para identificar tendências com a disciplina para transformar ideias em processos concretos, rentáveis e claro apostar em algo que pode ser ainda muito pouco ou nada falado e comentado. Nos últimos anos, vimos crescer iniciativas industriais que exploram fronteiras da ciência de alimentos, bioeconomia, automação e inteligência artificial. São soluções que surgem da conexão entre pesquisa, tecnologia e espírito empreendedor — e que, ao contrário do senso comum, têm saído não só de grandes corporações, mas também de líderes visionários que construíram negócios industriais do zero, mesmo diante de altos custos de implantação, regulamentações rígidas e a necessidade de longo prazo para maturação de projetos. A indústria tem seus próprios tempos e exigências, mas também oferece algo raro no mundo dos negócios: a capacidade de escalar com solidez, de gerar impacto concreto na sociedade e de transformar estruturas inteiras de mercado. É nesse ambiente que o empreendedorismo ganha um novo significado — não apenas como forma de criar algo novo, mas como forma de regenerar e modernizar setores inteiros da economia. O cenário internacional mostra que os países que mais avançam economicamente são justamente aqueles que investem em inovação industrial. As novas foodtechs, as fábricas inteligentes, as empresas orientadas por dados e a sustentabilidade são exemplos disso. A indústria do futuro será cada vez mais integrada, transparente e voltada à geração de valor de forma ética e responsável. Como alguém que tem acompanhado de perto essa evolução, posso afirmar que o setor industrial é um dos espaços mais desafiadores — e também mais recompensadores — para empreendedores determinados a deixar um legado. A sede por inovação na indústria é real, e os resultados alcançados por quem se compromete com essa jornada mostram que, sim, é possível transformar ideias em soluções transformadoras e relevantes, mesmo em setores considerados conservadores e “antigos. O empreendedorismo industrial está mais vivo do que nunca. E seguirá sendo peça-chave para moldar o futuro que queremos ver.
Artigo do Empreendabilidade engaja discussão sobre inovação em Salvador a partir de benchmark brasileiro

“Salvador tem todo o potencial para acelerar inovação e fazer uma transformação digital de 40 anos nos próximos 4”, conclui o artigo de Ricardo Meireles, fundador do Empreendabilidade, publicado no Startups.com.br. Para o pesquisador, que aponta que a jornada de inovação de cidades passa por 5 fases, Salvador está na terceira etapa da jornada de transformação digital. A cidade possui uma estrutura institucional consolidada, com órgãos e programas de fomento à inovação, além de uma infraestrutura operacional que inclui iniciativas como o Hub Salvador, o Parque Tecnológico, e o SENAI-CIMATEC. O governo municipal, em parceria com o Sebrae, o governo Estadual e outros atores desempenha um papel importante na construção de um ecossistema de inovação. Para avançar à próxima etapa, a sugestão do Empreendabilidade é de seguir estratégias já testadas e aprendidas por outras cidades, como Florianópolis. Os próximos passos seriam: Realizar eventos transformadores: Criar um evento de referência que conecte Salvador ao ecossistema nacional de inovação, como foi o Startup Weekend para Florianópolis, atraindo players de destaque. Ativar espaços e recursos existentes: Ampliar a utilização de hubs e parques tecnológicos, promovendo eventos recorrentes, competições de startups e iniciativas colaborativas, com ampla divulgação midiática para gerar engajamento. Fortalecer relações com o mercado: Estabelecer parcerias estratégicas com aceleradoras, fundos de investimento e empresas consolidadas, desenvolvendo soluções direcionadas para setores chave. Elevar relevância nos rankings: Melhorar indicadores de inovação e promover casos de sucesso locais para aumentar a visibilidade da cidade como um polo tecnológico. Descentralizar a educação digital: Investir em formação de empreendedores locais, incentivando o desenvolvimento de startups, ensino de habilidades como programação e growth, e soluções práticas para problemas reais. Essas ações criariam uma abertura para investimentos e novos negócios, além de colocar Salvador no radar do ecossistema nacional e internacional. Contudo, o maior obstáculo é a questão cultural. Implementar uma mentalidade empreendedora e inovadora entre a população é um processo lento, mas essencial para garantir o sucesso sustentável das ações propostas. No caso de Florianópolis, o cenário era parecido: a economia tradicional e pouco voltada à inovação se transformou em um case para municípios que buscam fomentar o empreendedorismo e a tecnologia. Segundo Meireles, as fases são: Gatilho inicial: A base da mudança foi lançada com a oferta de cursos de tecnologia, formando os primeiros profissionais da área. Estruturação institucional: Organizações como ACATE e CERTI passaram a liderar iniciativas de inovação, conectando governo, empresas e sociedade. Infraestrutura operacional: Foram criadas estruturas funcionais, como hubs de tecnologia e espaços para eventos, evitando desperdício de recursos. Atração do ecossistema: Eventos, incentivos fiscais e parcerias tornaram a cidade convidativa para empreendedores e investidores. Consolidação: Finalmente, Florianópolis passou a ser reconhecida nacional e internacionalmente como um polo de startups. “Florianópolis abriu o caminho. Para outras cidades, agora é seguir o playbook”, finaliza. Leia o artigo original aqui: https://startups.com.br/artigo/o-caso-florianopolis-um-playbook-para-cidades-acelerarem-a-inovacao/
As empresas poderiam manter os profissionais mais velhos? O que isso tem a ver com o gap de qualificação profissional?

As empresas já são responsáveis por programa de trainee, manter empregos, gerar receita e entregar resultados. Nisso, os profissionais mais velhos, com o avanço da tecnologia, acabaram ficando em segundo plano. Mas, em contrapartida ao mundo estar ficando mais rápido e digital, os profissionais mais velhos entregam algo que um jovem ainda não tem: experiência. Uma pesquisa da consultoria PwC mostra justamente que essa bagagem que o profissional mais experiente carrega é interessante do ponto de vista das grandes lideranças (veja nossa matéria)! Essa informação foi um dos insights que identificamos em uma pesquisa que fizemos e que estampou as páginas das principais notícias de 2022. A pesquisa mostra que essa experiência pode ajudar os mais experientes a empreender. Mas, tem outro aspecto que observamos, que é de que o profissional mais experiente também ser um MENTOR, e, naturalmente, apoiar o desenvolvimento dos profissionais mais novos. Aliás, olha só, as empresas desperdiçam muito dinheiro em treinamentos de capacitação que não tem retorno efetivo. Ou seja, elas investem na capacitação, mas as pessoas não aplicam o que aprenderam. Temos visto um boom de plataformas de treinamento, que oferecem cursos EAD de capacitação profissional, vendem certificados, muitas seguem o Hype oferecendo cursos sobre os novos temas, né, de Inteligência Artificial, Diversidade, ESG etc. Mas, novamente, pense comigo: esse curso ajuda a gerar alcance para a informação, ESCALA. Claro que isso é importante. Mas, já é mais que comprovado, a maior parte do aprendizado profissional vem da prática. A teoria 70: 20: 10 O Modelo 70-20-10 de aprendizagem e desenvolvimento é uma fórmula comumente usada na educação profissional para descrever as fontes ideais de aprendizagem. Afirma que os indivíduos obtêm 70% do seu conhecimento a partir de experiências relacionadas com o trabalho, 20% a partir de interações com outras pessoas e 10% a partir de eventos educacionais formais. Apesar de ter sido criado na década de 1980 por três pesquisadores do Center for Creative Leadership, uma instituição educacional sem fins lucrativos em Greensboro, Carolina do Norte, o modelo é muito atual e serve como uma matriz para organizações que buscam maximizar a eficácia de seus programas de aprendizagem e desenvolvimento. Onde esses assuntos se cruzam? Com a falta de profissionais capacitados sendo apontada como o maior risco para o futuro dos negócios pelos CEOs, por que as empresas não mantêm seus profissionais mais velhos, que ao longo da vida reuniram tanto aprendizado, para que eles possam treinar e capacitar os mais jovens? Olha só a ideia que o EMPREENDABILIDADE vem apresentando para as empresas clientes: Preste atenção aos profissionais mais velhos que podem oferecer justamente aquela força de conhecimento que a empresa precisa para capacitar os mais jovens; Em vez de sair contratando palestrantes, especialistas e outros profissionais para oferecer treinamentos para cada área, monte um banco de talentos interno primeiro, para só então buscar as fontes externas; Entenda o tipo de conhecimento que seus profissionais vêm buscando e estruture o processo de conhecimento de forma que isso faça parte do dia-a-dia e que os próprios talentos troquem informação entre si; Estabeleça uma matriz de conhecimento, uma rotina de mentoria direcionada a atender os verdadeiros gaps de conhecimento de cada área para a realização das suas atividades e do desenvolvimento dos profissionais; Sim, você pode construir uma plataforma, como uma Universidade Corporativa, e ela pode ser bem interessante. Mas, o mais importante é as pessoas aprenderem entre si Claro, a cultura organizacional é muito importante, e assim a cultura de aprendizado também estará integrada a ela Em resumo: coloque em prática na empresa o aprendizado do dia-a-dia e aproveite as experiências internas. Caso queira obter uma proposta de consultoria, entre em contato conosco!
O Brasil precisa adotar o “bootstrap” – entenda o que é

A situação é a seguinte, em 6 passos: 1 – A pessoa teve uma ideia “genial”. 2 – Amigos, familiares, cônjuges acharam muito baana. 3 – A pessoa contratou alguém, investiu alguma coisa, alugou uma sala/comércio. 4 – Fez um curso com um guru da felicidade que lhe disse para usar as redes sociais para vender. 5 – Investiu mais um pouco no que ele chamou de “escalar” (anotem), mas não vende 6 – A pessoa se deu conta de que ninguém quer comprar o negócio que era “genial” A tal ideia genial frustrada pode acontecer em qualquer área de atuação. Toca para o Bootstrap (o Brasil precisa adotar esse termo): – Napter (se você não conhece, deveria conhecer) – Easytaxi (os caras faziam todo o processo de chamar o taxista por celular, montaram o app…) – Infoprodutor que começu gravando com um blackberry – Amazon com sua cultura “Day One” Bom, acho que você já entendeu. Não precisa de dinheiro para colocar um negócio de pé. Precisa IDENTIFICAR UM PROBLEMA, UMA DOR, E PROPOR UMA SOLUÇÃO QUE TENHA INTERESSE DE COMPRA. 42% das startups falham porque o negócio não interessa ao mercado. O mesmo acontece com qualquer negócio, não só startups. O processo antigo de se abrir uma empresa não serve mais: você tirava o CNPJ, urgia uma leva de custos. Você alugava um espaço sem saber se teria clientes. Você investia em marketing só porque alguém falou que tinha que investir… Não à toa, o primeiro estágio é um fosso… COMO SUPERAR O FIRST STAGE? “Não se apaixone pela solução. Se apaixone pelo problema”. Pesquise – Entenda – Entregue – Volte – Corrija – Teste de novo – Mude – Entregue – Comece de novo O que temos feito aqui nas consultorias: definimos 1 para tudo: 1 problema, 1 público alvo, 1 entrega… Estamos testando agora, por exemplo, um novo sistema de apps web (esses aplicativos que são plataforma, que você não precisa baixar). Está disponível gratuitamente uma versão beta (piloto, teste, chame como quiser) do que fazemos nas consultorias com “candidatos a empreendedores”. Uma dessas consultorias foi a que resultou no Café Academy – a Edtech que criamos junto com o Café com Comprador – e em outra que acabamos de finalizar, que resultou na pivotagem do público (testamos o ICP e com novo nicho o negócio começou a decolar, está em teste dos primeiros clientes de fato). Para quem quiser saber mais, segue o link: app.empreendabilidade.com.br A gente fala, a gente faz: essa plataforma estará em constante transformação para atender às necessidades do mercado. Excelente primeiro passo, todos os dias.
Enquanto falta qualificação, há espaço para profissionais experientes empreenderem com cursos digitais

Ao nos depararmos com os dados da falta de qualificação profissional no Brasil, em vez de sentir pena e nos perguntarmos por que isso acontece, é fácil entender porque o termo “Educators”, os “creators” de conteúdo instrutivo, é pouco conhecido por aqui. Sob o ponto de vista de um empreendedor, esse problema representa uma grande oportunidade. Ora, a escassez de mão de obra qualificada impacta diretamente na economia, produtividade e no cotidiano das pessoas no que diz respeito não apenas ao trabalho, mas à forma como você é atendido nos lugares, os processos lentos e tudo o mais o que vemos. O fator é humano. Por outro lado, graças à internet nunca foi tão fácil ter acesso à educação. O número de brasileiros que compram produtos digitais mais que triplicou depois da pandemia, passando de 6,5 milhões para 20,3 milhões – dados do Hotmart. Segundo um levantamento do Google em parceria com a empresa de educação Pearson, 80% dos brasileiros preferem comprar cursos online para qualificação profissional, contra 20% que ainda escolhem os cursos presenciais. Ou seja, o modelo já está testado. Mas, acontece que o meio digital está tomado pelo marketing. Não somos contra o marketing: as narrativas, argumentos de venda e fábulas sedutoras não foram criadas agora. Elas são úteis para gerar valor percebido, para as vendas. Mas, o exagero é nocivo. Nas últimas semanas conversei com 20 profissionais experientes – que têm mais de 40 anos, posições de liderança nas suas atividades, bagagem pessoal e profissional comprovada – e que têm interesse em empreender com cursos digitais, e esse foi um dos fatores de objeção a lançar um curso. Esses “imigrantes”, que vêm de gerações pré-5G e “não-nativos-digitais”, entendem que oferecer conteúdo como forma de instrução para outras pessoas vai além do super marketing de apelo: “ganhe 1 milhão”, “conquiste milhões de clientes em 7 dias”, “fórmula mágica para você emagrecer em 1 mês”. Está em jogo o valor real do conhecimento. Além disso, a transição para o empreendedorismo digital pode ser intimidante para os profissionais com vasta experiência em áreas complexas, principalmente se feita da forma como é mostrada em vídeos de 15 segundos. No entanto, o digital é realidade. Desenvolvemos uma metodologia aqui no Empreendabilidade que estamos testando, justamente para atender a esse público. A jornada envolve: A construção do perfil e comunicação buscando autoridade nas redes (3C: Conhecimento, Conteúdo, Curso) – o aculturamento do empreendedorismo com cursos digitais, curadoria de conhecimento e presença digital; A didática adequada ao meio virtual (3D: Design da Didática Digital) – design instrucional para transformar conhecimento em conteúdo didático O trabalho para posicionamento e venda do curso (GTM: Go To Market) – com identificação do público-alvo, narrativa simplificada, definição da entrega final, escolha de formatos (vídeo, texto, atividades, complementos), garantia de aprendizado eficaz etc. Com isso, resolvemos essas dores e estimulamos o empreendedorismo nos cursos digitais. Se você é um profissional experiente e se encaixa neste perfil, entre em contato que queremos te ajudar nesta jornada.
Seja diligente

Muitas teses corporativas surgiram na pandemia “madura” – período que eu mesmo determinei para definir o momento após o susto inicial dos primeiros meses de vírus, do “fique em casa” e dos sentimentos turbulentos de um “novo normal” e pensamentos catastróficos. Junto ao retorno (lento) da lucidez e ao aparecimento de uma certa consciência das mudanças que realmente seriam perenes, a “great resignation” surgiu e arrefeceu. Mas, outro termo ganhou vitrine, principalmente relacionado ao perfil de trabalho das novas gerações: o “quiet quitting”. A discussão chegou a um dos valores essenciais para as coisas darem certo: a diligência. E isso nos preocupa. A impressão é que ninguém quer se responsabilizar: pelo trabalho, pelo relacionamento, pelas consequências de seus próprios atos. A ideia desse artigo veio, inclusive, de um papo com uma pessoa para a qual ofereço consultoria em um novo negócio. Ela tem sócios, mas é quem bota a mão na massa. Todos querem participar do resultado, mas poucos assumem o trabalho para chegar até lá. Já afastou algumas delas, mas o padrão se repete: todo mundo quer a obra pronta. O cuidado e atenção aos detalhes – coisa que essa pessoa é craque – é uma caraterística muito comum em qualquer empreendimento. De novo, volto ao escritor Steven Pressfield: a guerra da arte é FAZER a arte. Volto a Leonardo da Vinci: procrastinou, ou fez no tempo dele? A diligência não é apenas uma qualidade desejável. É um fator imperativo para o sucesso: seja de um relacionamento, de uma empresa, de uma realização pessoal. Não se trata apenas da execução metódica e precisa de tarefas. Vai além disso: o cuidado com qualquer coisa que você esteja fazendo é evidente quando a coisa fica pronta. No documentário Arnold, da Netflix, o fisioculturista-ator-político Exterminador do Futuro Mister Universo começa o primeiro episódio contando com detalhes o cuidado com o qual a sua mãe dobrava as roupas, limpava o piso da casa. Isso é diligência. Quando eu falo que o comportamento empreendedor tem mais a ver com como a pessoa faz as coisas do que o fato de abrir uma empresa, diligência faz parte disso. Quando a pessoa gosta de algo, quer atingir um resultado com muita vontade, ela é diligente. Além de tudo, é muito mais confiável uma pessoa que cuida, que trata com zelo, que dá atenção, do que quem faz o contrário. Fuja de quem faz quiet quitting. Seja diligente. Dá certo.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: final (6/6)

Escrevendo essa série de artigos me veio à mente a tese das startups: “comece feio, mas comece.” Se a primeira versão está finalizada, você demorou demais para começar – frase comum no meio da inovação, principalmente para contradizer o processo burocrático vivido dentro das empresas, que costumam querer impor algo já pronto em vez de ir testando e melhorando o produto. Esse conceito é interessante, pois reúne tudo o que foi dito anteriormente: desde a tese de Pressfield de “fazer”, não pensar em fazer. Para se tornar um profissional, pratique. Saia da teoria. O que incomoda na decisão daquele que sonha empreender e que não coloca em prática é que ele sequer está testando. Aparenta querer algo pronto, e, por isso, muitas vezes, terceiriza o seu sonho. Voltando a Da Vinci e sua Monalisa, não estaria ele praticando (mesmo que mentalmente), enquanto não entregava a obra? Em todo o caso, o melhor é sempre começar. Todo dia será dia um, se você entender que está sempre partindo de um ponto para melhorar. E, se você quiser de verdade, não importa quanto tempo dure, ficará pronto. Melhor demorar melhorando, do que nunca começar.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: quem quer de verdade, faz (5/6)

Aqueles que realmente desejam algo encontrarão uma maneira de realizar. Vejam o que estamos discutindo: não é que Da Vinci não iria entregar a Monaliza. Ele entregou. Mas, no tempo dele. Ela estava lá, em primeiro plano. Não há, no entanto, apenas 2, 3 ou 4 planos nesse espectro da realização. É diferente de quando se arranja desculpas, que podem variar desde a falta de tempo até a falta de recursos – essas barreiras autoimpostas, isso é procrastinação. Mas, veja o caso por exemplo de situações urgentes ou que demandam uma ação imediata. Trazendo para o empreendedorismo, os tais “empreendedores por necessidade”, por exemplo. A pessoa não tem querer. A motivação é ter que agir. O ponto é que quando algo é uma prioridade real, não faltará tempo, energia ou recursos. Na última leva de cursos e estudos, tenho ouvido muito que quando dói, a pessoa dá um jeito. Dói no bolso, dói em sofrer, dói em necessidade. A dor é um catalisador natural para a ação. Se não doeu, a pessoa não agiu. É o caso, por exemplo, do eterno sonho do empreendedor mencionado anteriormente: se ele precisasse? Se perdesse o emprego? Se aquela fosse a única opção para ele? Já estaria pronto.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: paradoxo do desejo (4/6)
O que é pior, o procrastinador ou o viajante arrependido? Aquele que para no meio do caminho? Ou, ainda, aquele que tem um sonho e sequer iniciou o processo para realizá-lo? Trazendo para a realidade, essa é a história de uma pessoa que tinha um sonho: queria abrir a sua própria empresa. Desde o início dos seus 40 anos (hoje ele está mais próximo dos 50), essa pessoa sonhava em ter seu próprio escritório, escrever livros, ajudar pessoas. A ideia nunca foi sequer para o papel. Ele conheceu uma outra pessoa, que estruturaria a ideia e estava disposta a arriscar tempo e talvez recursos para colocar o negócio de pé. Esse futuro sócio acreditou no sonho. Mas, o sonho é do sonhador E só ele pode realizá-lo. Novamente, terceirizar a realização das coisas não funciona em nada a partir do momento que você é um indivíduo e capaz de realizar seus desejos. O resultado disso? A ideia foi para o papel, o sonhador quis terceirizar a realização para o sócio. Anos depois, o sonho ainda não foi realizado. Aí surge a pergunta: Ele queria de fato realizar o sonho de empreender? Quando ouvi essa história, me recordei que sempre sonhei em ver uma baleia de perto. De perto mesmo: mergulhar, tocar. Aquele animal fantástico, materialização do que deve ser a obra divina. Centenas de toneladas, mas uma delicadeza que flutua e canta… O quão realizador não deve ser o contato visual com uma baleia azul? Bom, há diversos programas para observações de baleias na costa brasileira. Alguma vez eu me inscrevi em algum? Nunca! Acho que cheguei a pensar nisso. Mas, nunca realizei. Então, me dei conta: será que desejo mesmo isso? Ou será que apenas gosto de pensar na possibilidade? Não me sinto procrastinando. Apenas sonho. Mas, quiçá com essa consciência agora, quem sabe, de fato eu tome essa atitude.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: faça escolhas (3/6)

Atualmente, tenho tido contato com diversos profissionais que já estão na faixa dos 40 (assim como eu) e alguns já passados dos 50 anos. Todos com boas realizações em suas áreas, com vontade de dar um próximo passo, abrir um negócio, realizar um sonho. Uma dessas pessoas já é um empreendedor. Vendeu parte da sociedade em uma empresa, criou um negócio que está indo bem, e quer fazer uma nova investida. Começamos a conversar para destravar essa ideia e, em uma das reuniões, chegamos a comentar umas 30 possibilidades diferentes de negócio – de fazer receita a partir de um produto ou serviço. Todas essas ideias são possíveis? Podem ser. Mas, o projeto só será a “Monalisa” se nos concentrarmos em apenas uma delas. Como definir qual? Faça Escolhas. Como aprender a fazer boas escolhas, pequeno gafanhoto? Fazendo muitas escolhas ruins (e, sinto dizer, isso durará a vida toda). Tudo isso escrito, toda essa reflexão, para dizer que, talvez, apenas talvez, a procrastinação de Da Vinci seja uma escolha. O que sabemos é que Roma também não foi construída em um dia.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: não seja amador (2/6)

Para se conceber obras dignas de história, empresas longevas e sólidas e qualquer coisa que deixe um impacto, é necessário o tempo de gestação, construção e dedicação. Não devemos confundir isso com procrastinação. Uma das pessoas que melhor fala sobre isso abertamente, e profundamente, é a filósofa e professora Lucia Helena Galvão. Em suas apresentações, por áudio ou vídeo e disponíveis nas redes sociais, ela sempre menciona o escritor Steven Pressfield e suas obras “A Guerra da Arte” e “Como se tornar um profissional”. A primeira, “A Guerra da Arte”, trata daquele momento em que falta inspiração para os artistas. A narrativa se cruza com os momentos de epifania da jornada do herói (um modelo que é descrito em obras milenares, como a Odisseia), e que estabelece um frame, um percurso de dor, sofrimento, autoconhecimento e aceitação, e preparação até que seja capaz de enfrentar os demônios e adversários – o que está presente em muitas biografias das pessoas de sucesso e em histórias de ficção. No fim, o maior adversário é sempre o próprio protagonista. O ponto desse livro é que você deve encontrar o que te motiva, quais são as suas “musas”. Mas, para isso, você deve treinar. A solução é sempre fazer. Se você é um escritor, escreva. Se é um músico, cante. Se é um nadador, nade. Faça o que tem que ser feito. Outra obra de Steven Pressfield tem o título “Torne-se um Profissional”, e busca ensinar o leitor a trabalhar em cima das suas limitações. Novamente, a estrutura da jornada do herói está presente. Neste caso, com o foco na necessidade de se encarar os desafios emocionais e as crenças limitantes. Esse tipo de discurso também é muito comum nas peças de autoajuda e mentorias, coaching etc. – mas cada qual com a sua profundidade. Vale lembrar, ainda, da teoria das 10.000 horas, que é muito trabalhada pelo escritor e jornalista Malcolm Gladwell no seu livro Outliers, que foi publicado com o título Fora de Série no Brasil. Na obra, o autor traz à tona casos de sucesso como do Beatles, entre outros, mostrando que o sucesso não foi por acaso. Antes de chegar aos grandes palcos, a banda inglesa, por exemplo, praticava música todos os dias. A tese é de que é necessário que você pratique 10.000 horas para alcançar a excelência. Além dos casos escritos no livro, vale mencionar dois artistas da atualidade que já falaram sobre o valor da prática: Ed Sheeran, em um vídeo que circula no YouTube, por exemplo, mostra um áudio dele próprio, cantando desafinado, no comecinho quando pensava em seguir carreira. O outro é o Harry Styles, que se apresenta no programa American Idols, onde um dos membros do júri questiona sobre seu talento. Bom, os dois exemplos mostram que depois de um tempo chegaram a um talento. E não foi por acaso. Eles enfrentaram as suas jornadas. Cruzando com o assunto inicial e com o conhecimento da professora Lucia Helena Galvão, a mudança, o trabalho, o desafio, ocorre sempre internamente. Por isso, independentemente de qual empresa você trabalhe ou da área na qual você tenha se formado, se você colocar a culpa no outro, não vai evoluir. Treine, pratique e desenvolva a si próprio.
Procrastinação, produtividade, longo prazo e ação: Procrastinar X fazer bem feito (1/6)

Esses dias fui impactado (para usar um termo moderno) por um anúncio em vídeo de um “guru” – confesso que esse eu não o conhecia, não é dos mais famosos, mas vi no perfil dele que já fez alguns milhões vendendo mentoria de desenvolvimento pessoal – que propunha a ideia de que Leonardo Da Vinci procrastinou na pintura da Monalisa, e ele chega a mencionar outros artistas. A ideia era argumentar que com o seu curso e mentoria a pessoa não mais procrastinaria. Fui dar um Google para entender melhor o exemplo e cheguei a uma reportagem da saudosa Superinteressante, que apresentava o pintor justamente como o “maior procrastinador da história” – a Monalisa ficou pronta entre 3 e 4 anos depois de iniciada a obra. Outros resultados da pesquisa apontam inclusive que o comportamento do pintor seria, na realidade, um sinal de déficit de atenção: ele facilmente trocava de projetos, sofria de interrupção do sono, entre outros fatores. Eu lhe pergunto: o que você prefere? Um trabalho de um dia que é o boneco palito, ou um trabalho de 3-4 anos que seja a Monalisa? “A pressa é inimiga da perfeição” é talvez um dos ditados que mais se apliquem aos dias de hoje, em qualquer circunstância. Elenquei alguns cenários para ilustrar: Investimentos: a curva de valorização (considerando ativos de qualidade, claro) tende a ser para cima – experimente olhar uma ação que está caindo há algumas semanas em um prazo de 5, 10 anos, por exemplo. Por isso os investimentos são pensados em longo prazo e requerem paciência. Claro, há quem aposte no day trade. Mas, é só ver os exemplos dos grandes investidores globais como Warren Buffet, George Soros e o brasileiro Luiz Barsi: todos têm consistência e persistência; Composição de uma empresa (mesmo que uma startup): uma coisa é o capital de risco, para gerar escala rapidamente. Outra coisa é o business Building. As grandes empresas não nasceram em Wall Street ou na Faria Lima, elas começaram em uma garagem, um quintal, uma lanchonete pequena. Ainda, nenhum fazendeiro começa o negócio com 10 mil cabeças de gado. Sempre tem o primeiro passo, depois da persistência, com chuva e com sol, com seca e com problemas econômicos, ele chega lá; Atletas: não recordo quem fala que a rotina do alto desempenho é monótona. Um atleta olímpico passa boa parte da vida na rotina de dormir, comer e treinar. Ele não vai para festas, ele não está nem aí para o que estaria “perdendo”. O foco é dali a 4 anos colocar uma medalha no pescoço. Aliás, imagine você saber que só faria algo “valendo” dali a 4 anos, e que teria que treinar até estar pronto? Ainda, imagine aqueles que treinam e que sabem que não vão subir no pódio? Ainda assim, treinam, porque dali a 8 anos eles podem estar. Mas, só se treinarem. Entre outros tantos exemplos de longo prazo, desde o bebê que não sai correndo pela casa antes de engatinha até o processo de emagrecimento, parece que estamos misturando as coisas porque o atleta treina e tem rotina, enquanto Da Vinci procrastina. Mas, o que haveria de diferente, se não a nossa percepção e julgamento? Não estaria Da Vinci, nessa “procrastinação”, treinando mentalmente? O ponto aqui, ao meu ver, voltando ao anúncio crítico à procrastinação de Da Vinci, é que procrastinar seria se a Monalisa não tivesse ficado pronta, ou tivesse ficado, desculpem a expressão, uma porcaria.
Experiência x Desempenho: o que o esporte tem a nos ensinar sobre etarismo?

Atletas são exemplos de superação e quebram preconceitos de idade para alcançar feitos históricos A sociedade está envelhecendo. Dia após dia, está cada vez mais se combatendo pensamentos como ‘tal pessoa está velha demais para isso’, ‘já passou o tempo de fazer algo assim’ e outros clichês relacionando o avanço da idade com a incapacidade de realizar algo extraordinário. Essa ideia, sim, esta velha. Um dos principais pilares de entretenimento da atualidade, o esporte tem sido um agente fundamental na quebra desses paradigmas. Com o avanço da tecnologia, a longevidade e capacidade de alto rendimento evoluiu exponencialmente em inúmeras modalidades, o que tem permitido aos atletas realizarem campanhas memoráveis em momentos da carreira que, outros grandes nomes do passado já estavam em descenso de desempenho. A lista de atletas veteranos que têm desafiado as estatísticas nos últimos anos é grande e engloba diferentes categorias, mostrando que não existe limite e nem rótulos capazes de frear a motivação e vontade de vencer. Lendas intermináveis O maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé ainda é o único jogador a conquistar três Copas do Mundo em campo e até hoje é o mais jovem a conseguir o troféu: foi campeão em 1958, com 17 anos e oito meses. Porém, Pelé se aposentou do futebol aos 33 anos, mas voltou a jogar para sanar dificuldades financeiras que vivia na época. Jogou pelo New York Cosmos até os 36 anos, quando se aposentou definitivamente. Nos tempos de Pelé, um jogador de 33 anos era considerado velho, tendo passado seu auge físico e já em fase de queda de rendimento. Em 2022, com 35 anos, Lionel Messi jogou sua quinta Copa do Mundo e, como capitão e camisa 10, conduziu a seleção argentina ao tricampeonato mundial e foi alçado ao posto de idolatria máxima em seu país, ao lado de Maradona. No basquete, o nome de maior relevância da história do esporte é Michael Jordan, com seis títulos de NBA, eleito MVP – Most Valuable Player, o Jogador Mais Valioso – das finais nas seis conquistas. Jordan se despediu das quadras aos 35 anos, com um enorme legado e recordes incontáveis. Apenas um jogador foi capaz de ameaçar a unanimidade de Jordan como maior da história: LeBron James. Após 20 anos de protagonismo na liga, quatro títulos e quatro MVPs das finais, LeBron fincou de vez seu nome no panteão dos imortais ao quebrar um dos recordes considerados mais intocáveis da NBA: aos 38 anos, se tornou o maior pontuador da história, ultrapassando os 38.387, marca estabelecida por Kareem Abdul-Jabbar. No tênis, Novak Djokovic conquistou o 23º Grand Slam de sua carreira aos 36 anos, 16 anos após os primeiros, conquistado com 20. É o atual nº1 do mundo no esporte e maior vencedor de Grand Slams da história. A título de comparação, Guga, maior nome brasileiro da história do tênis, se aposentou aos 31. Aos 51 anos e com impressionantes onze títulos mundiais de surfe, Kelly Slater quer mais. Vai buscar a vaga nas Olimpíadas de Paris em 2024 e terminar a carreira com um último grande ato. “Se eu for para os Jogos, vou me aposentar neles”, disse. Tom Hardy, Formiga, Lewis Hamilton, Kazu Miura, Valentino Rossi. Modalidades, trajetórias e conquistas diferentes, mas uma mesma lição e exemplo para a vida: não existe limite. Todos esses atletas superaram opiniões, estatísticas, lesões, e adversidades em nome da sede por algo a mais, pelo extraordinário, ou por apenas mais um jogo. E esse é o legado mais valioso.
O que o arcabouço fiscal tem a ver com o empreendedorismo?

A aprovação do novo regime fiscal do governo federal pela Câmara dos Deputados é o assunto em destaque hoje, 24 de maio de 2023. No entanto, a discussão ainda não está concluída, uma vez que serão realizadas votações adicionais na Câmara e o texto seguirá para aprovação no Senado e posterior sanção presidencial. Essa questão é tratada com urgência pelo governo, pois é um fator fundamental para o avanço da Reforma Tributária, um tema de grande relevância para empreendedores e empresas. Em termos conceituais, o arcabouço fiscal consiste no conjunto de regras, políticas e instrumentos utilizados para regular as finanças públicas do país, com o objetivo de controlar o déficit orçamentário, a dívida pública e garantir a estabilidade fiscal a longo prazo. Já existe a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), estabelecida em 2000, que define limites para os gastos públicos, estabelece regras para a gestão fiscal responsável e prevê sanções para o descumprimento das metas fiscais estabelecidas. Além disso, desde 2016, há uma Emenda Constitucional que estabelece um teto de gastos, limitando o crescimento das despesas do governo à variação da inflação, como forma de controlar o aumento da dívida pública. A implementação efetiva do arcabouço fiscal é fundamental para combater desafios como a complexidade tributária, a baixa eficiência da máquina pública e a pressão por despesas de curto prazo. Isso resulta em estabilidade econômica, crescimento, atração de investimentos e estímulo à abertura de novas empresas, trazendo impactos positivos, como a geração de empregos e negócios. A ver o que virá…. Reforma tributária Do lado do empreendedorismo, a Reforma Tributária terá impacto direto sobre empreendedores e pequenas e médias empresas (PMEs). A proposta visa a criar uma mesma condição tributária (simplificar, não disse reduzir) para todos, por meio da implantação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Mas, para os pequenos, deve ficar claro que o governo não planeja atualizar os limites do Simples. Os argumentos são de que, em comparação com sistemas semelhantes em outros países (a comparação lista mercados de primeiro mundo), os limites do Simples Nacional já são mais altos. Além disso, o ajuste do Simples representaria uma renúncia de arrecadação de R$ 119 bilhões no próximo ano, de acordo com estimativa da Receita Federal. Existem projetos de lei, como o PLP 108/2021 do Senador Jayme Campos e outras propostas na Câmara, representados pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo, presidida pelo Deputado Federal Marco Bertaiolli, que pleiteiam o aumento do teto limite do Simples. Atualmente, o limite de todas as categorias é o mesmo de 15 anos atrás: R$ 81 mil para Microempreendedores Individuais (MEIs) / R$ 360 mil para Microempresas / R$ 4,8 milhões para Empresas de Pequeno Porte. A reivindicação dos empresários considera que o ajuste deveria levar em conta, pelo menos, a inflação. No entanto, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já descartou essa possibilidade. Voltando ao IVA e à reforma tributária, os impostos teriam de ter uma alíquota de cerca de 25%, para manter a carga tributária total existente no país. O valor é significativamente maior do que o que as empresas que aderem ao Simples pagam atualmente – 6% a 33%. No entanto, é importante ressaltar que tanto o Simples quanto a Zona Franca de Manaus são exceções à alíquota geral do futuro IVA – a adesão será optativa. Por que defendemos a correção dos limites do Simples? Quando as empresas crescem e ultrapassam os limites de faturamento do Simples, isso não significa que elas estão preparadas para arcar com uma carga tributária tão elevada. A tributação é amplamente conhecida como um dos principais desafios enfrentados pela iniciativa privada e além de tudo representa custos administrativos pela sua complexidade. Além de tudo, as empresas que estão no Simples são mais rentáveis, geram mais oportunidades de emprego e têm menor índice de inadimplência perante a Receita Federal. Atualmente, existem 14,8 milhões de microempreendedores individuais formalizados no Simples, o que representa 68% das empresas brasileiras. Segundo o Sebrae, a atividade empreendedora é a única fonte de renda para 78% dos MEIs e é responsável pela renda familiar de 37% dos lares. As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) representam 99% de todas as empresas em atividade no país, contribuindo com 30% do PIB brasileiro, o equivalente a cerca de R$ 3 trilhões em faturamento. Além disso, elas são responsáveis por mais de 70% dos empregos gerados no país. Graças ao Simples Nacional, as empresas que aderem a esse regime têm menos dívidas com a Receita Federal. De acordo com o Sebrae, 37% dessas empresas estão com suas dívidas em dia, enquanto 24% possuem dívidas em atraso e 39% não possuem dívidas. É importante destacar que o argumento de que o Simples representa uma isenção fiscal não é verdadeiro. O Simples simplifica o processo de arrecadação, unificando os cálculos dos impostos em diferentes esferas (Federal, Estadual e Municipal) em um único tributo. No ano passado, a arrecadação do Simples teve um aumento de 18,7% no período de janeiro a setembro, de acordo com o Ministério da Economia. Além disso, apenas 255 mil empresas de pequeno porte são devedoras da Receita Federal, totalizando um volume de inadimplência de R$ 11 bilhões. Diante desses dados, é evidente que o Simples Nacional desempenha um papel crucial no fortalecimento do empreendedorismo e na sustentabilidade dos negócios. Corrigir os limites do Simples é uma medida essencial para garantir, inclusive, que mais pessoas tenham a possibilidade de aderir ao sistema de MEI para geração de sua própria renda, que as micro e pequenas empresas – fundamentais para a geração de empregos e para a redução da desigualdade social – continuem operando sem custos adicionais, e apoiando uma carga tributária mais equilibrada de forma a fomentar a inclusão econômica e a melhoria da qualidade de vida da população.
Infoempreendedorismo no Brasil vai crescer

Você já ouviu falar dos infoempreendedores? O mercado de infoprodutores cresce sem parar. Em um país como o Brasil, onde a economia é sempre desafiadora e que lidera o uso das redes sociais, é uma das formas de empreendedorismo mais evidentes. A pesquisa Skills Outlook Employee View, da Pearson, divulgada há cerca de um mês, aponta que 80% dos brasileiros já preferem cursos online para qualificação profissional. Estamos falando de e-books, cursos gravados, mentorias, workshops e outros formatos que facilitam aos infoprodutores entregarem seu conhecimento e ajudarem mais pessoas a aprenderem algo – estamos falando aqui daqueles que vendem o que sabem e o que produzem, não dos influenciadores que são bancados por marcas. Segundo a consultoria Thinkimpact, os eBooks e os cursos online são as formas mais populares de infoprodutos, mas, é possível criar outros tipos de conteúdo educacional, desde webinars até consultas individuais. Estima-se que o mercado global de e-learning valerá impressionantes US$ 375 bilhões até 2026 – 43% deste mercado de aprendizado online está nos Estados Unidos, enquanto a Europa representa mais 35%. Apenas nos EUA, o período representou um aumento significativo nas vendas de e-Books, passando de 170 milhões de unidades vendidas em 2019 para 191 milhões em 2020. Os números continuaram a crescer em 2021 e 2022 devido à maior aceitação de livros digitais. A pandemia também tornou os webinars mais socialmente aceitáveis. Os principais criadores têm duas vezes mais probabilidade de usar comunidades online, e 85% dos principais criadores vendem mais de um produto ou serviço, de acordo com o relatório das tendências de eLearning da Thinkimpact. No mundo, o termo para esse negócio é infopreneur, e já vem sendo utilizado para definir o tipo de empreendedor que vende infoprodutos. No Brasil, ainda se usa o pouco o termo INFOEMPREENDEDOR, mas, o seu vizinho pode estar aí, fazendo negócio ou vendendo um curso. Aliás, grandes empresários já atuam neste mercado, como Nathalia Arcuri (Me Poupe!), Erico Rocha (Fórmula de Lançamento) e muitos outros que encontraram algum nicho e vendem o seu, ou algum, conhecimento. Também há diversos infoempreendedores locais que vem fazendo sucesso. Outro aspecto relevante desse mercado em ascensão é que acaba movimentando toda uma cadeia: agências de marketing digital, produtoras de podcast e vídeo, copywritters, meios de pagamento e empresas como a Hotmart e a Kiwify, entre outros prestadores de serviço. Resta agora pesquisar e entender profundamente esse mercado no Brasil. Com certeza gerará muitas oportunidades.
Líderes de pequenas empresas nos EUA veem disrupção com IA

Um estudo da Clutch, consultoria americana de análise de dados para tomada de decisão, divulgado recentemente, mostra que 82% dos líderes de pequenas empresas acreditam que a IA provocará disrupção nos seus negócios nos próximos 5 anos. O hype provocado pelo ChatGPT no início do ano foi apenas a primeira faísca de uma grande explosão na transformação tecnológica. Em apenas dois meses, a ferramenta da empresa OpenAI atingiu 100 milhões de usuários/mês, quebrando o recorde de crescimento mais rápido de qualquer outro aplicativo – para se ter ideia, o “aplicativo vizinho”, o TikTok das dancinhas, demorou 9 meses para atingir o mesmo número (dados da Vert.se) Os sentimentos dos empresários em relação à Inteligência Artificial são de empolgação, otimismo e motivação, e o entusiasmo provoca a adoção massiva de ferramentas e até mesmo novos investimentos em terceirização visando escalar junto com novas tecnologias. A pesquisa foi feita com 502 líderes de pequenas empresas dos EUA para saber mais sobre como as empresas estão se adaptando à IA, os problemas que estão resolvendo com soluções generativas e suas expectativas para o futuro. Insights: Maioria enxerga mudança – 82% dos líderes de pequenas empresas acreditam que a IA provocará disrupção nos seus negócios nos próximos 5 anos Não é um problema – Por outro lado, menos de 10% dos entrevistados disseram que se sentiam sobrecarregados, assustados ou preocupados com a tecnologia de IA generativa Uso prático – as pequenas empresas acreditam que a IA é mais adequada para responder a clientes com chatbots, criar apresentações de negócios e escrever materiais de marketing Aumento de eficiência – as pequenas empresas descobrem que o aumento da eficiência é o maior benefício da IA Falta de personalização – a falta de personalização e recursos para detectar conteúdo gerado por IA são as limitações mais significativas da IA para os negócios Áreas mais impactadas – as pequenas empresas esperam que a IA aumente sua necessidade de serviços terceirizados em todos os departamentos: Engenharia (83%), Vendas e Experiência do Cliente (78%), Marketing (77%) e muito mais Marketing e códigos de programação: como as pequenas empresas estão usando ferramentas de IA Desde simplificar o atendimento ao cliente até automatizar tarefas mundanas, a IA já está mudando a forma como se trabalha. 84% das pequenas empresas que atualmente usam IA planejam manter seu uso no futuro. Para muitos líderes empresariais, a IA produz resultados inegáveis de produtividade. Além do trabalho mais produtivo, o uso de Inteligência Artificial promove o aprendizado contínuo. As entrevistas entre os pequenos empresários indicam que tarefas que costumavam levar semanas e envolver vários membros da equipe agora podem ser concluídas em uma única manhã. Ao contrário do que se acredita, de que as IAs atrapalham o aprendizado e a criatividade , seu uso aumenta o acesso a novas informações e facilita o aprendizado. As áreas mais comuns de implementação do uso da IA são de TI e marketing. Isso não é uma surpresa, especialmente após o aumento na popularidade das ferramentas causado pelo ChatGPT, que facilitou a chegada a códigos de programação e mudou a forma de se elaborar materiais de marketing – as “copys” e redação em geral mudaram com o surgimento do sistema. A adoção em tempo recorde do ChatGPT apresentou muitas pessoas às ferramentas de IA generativas pela primeira vez, por isso é natural que esses casos de uso tenham sido adotados primeiro e o uso em massa. Embora novos casos de uso ainda estejam em desenvolvimento, as pequenas empresas estão começando a reconhecer alguns dos diversos recursos da IA. Entre as áreas em que eles consideram a IA particularmente eficaz, estão: Chatbots: a IA automatiza as interações com os clientes, lida com consultas e fornece respostas instantâneas, o que cria suporte ao cliente eficiente e personalizado em sites comerciais, por e-mail ou por telefone. Apresentações: a IA gera apresentações visualmente atraentes e com aparência profissional, automatizando o design de slides, a criação de conteúdo e a visualização de dados. Conteúdos de marketing: a IA cria conteúdo para materiais de marketing, como postagens em mídias sociais, blogs, e-mails, boletins informativos e muito mais. Algumas ferramentas também podem analisar dados e identificar tendências para melhorar o conteúdo. Em todos esses casos, a IA ajuda as empresas a realizar o trabalho mais rapidamente. A eficiência das ferramentas de IA é o benefício mais popular entre os entrevistados pela Clutch. IA não substitui seres humanos As limitações da IA tornam as ferramentas um recurso, não um substituto para as pessoas. Embora a eficiência seja o principal impulsionador do interesse das pequenas empresas na IA, as empresas estão divididas quanto à sua limitação. A maioria das empresas está preocupada principalmente com a falta de personalização nas respostas generativas de IA ou com as respostas sendo detectadas como não humanas. Esses desafios estão enraizados na imaturidade dos modelos de aprendizado, que estão em desenvolvimento, o que pode fazer com que o conteúdo gerado por IA seja muito fácil de identificar como não humano sem instruções e orientações completas para treinar suas respostas. A facilidade de identificação do conteúdo gerado por IA pode ser um grande problema para as empresas que pretendem usá-lo para trabalhos altamente criativos ou personalizados. Para alguns dos empresários, a IA nunca entenderá um negócio melhor do que sua equipe, por isso é difícil se confiar demais na tecnologia, que deve ser vista como um recurso e não uma substituição. Por fim, os entrevistados dizem que é fundamental ter em mente as vantagens e desvantagens dos processos baseados em IA antes de tomar decisões finais sobre como e onde a nova tecnologia deve ser implementada. Crescimento De toda forma, as pequenas empresas dizem estar prontas para aproveitar a IA para transformar as operações e impulsionar o crescimento. Elas não apenas planejam escalar terceirizando, mas também estão interessadas em desenvolver suas próprias soluções baseadas em IA. A demanda por serviços de IA na própria consultoria cresceu 514% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre de 2023. Com isso, também deve crescer a contratação de empresas
Inversão societária e impactos tributários para os fundadores e startups

É comum que rodadas de investimento de startups sejam precedidas de reorganização que envolva a transferência da participação societária detida na empresa brasileira à companhia constituída no exterior, em jurisdições cuja legislação oferece maior flexibilidade e segurança jurídica a investidores estrangeiros. Essas reorganizações também são implementadas por companhias brasileiras que buscam acesso ao mercado de capitais estrangeiro, mediante listagem em bolsa de valores no exterior. Como resultado dessas reorganizações societárias, também conhecidas como inversões de capital ou “flip”, os sócios originais passam a deter participação societária em sociedade no exterior que, por sua vez, se torna controladora da startup brasileira. Como regra geral, as inversões são implementadas sob o formato jurídico de aumento de capital da companhia estrangeira com a entrega das ações ou quotas da startup brasileira. Sob a perspectiva tributária, deve-se avaliar os impactos dessa transação para os sócios fundadores e, para fins deste artigo, focaremos em sócios brasileiros pessoas físicas. O flip implementado é qualificado como alienação e pode motivar o reconhecimento de ganho de capital tributável caso o valor atribuído às ações ou quotas seja superior ao seu custo de aquisição, conforme registrado pelos sócios fundadores. Contudo, não há dispositivo legal que exija a valoração da participação societária a mercado para fins da transferência, sendo possível que o valor de custo seja adotado pelas partes, de modo que a transação seja fiscalmente neutra. De acordo com a regulamentação do Banco Central do Brasil, a inversão requer a implementação de operações simultâneas de câmbio, com valor suportado por laudo que indica o valor máximo que pode ser atribuído às ações/quotas. As operações de câmbio simulam a saída de investimento brasileiro para o exterior (sujeita à incidência do IOF/Câmbio à alíquota de 0,38%) e a entrada de investimento estrangeiro no Brasil (sujeito à alíquota zero do IOF/Câmbio). Trata-se do custo tributário da implementação do flip. Os lucros e dividendos pagos pela startup brasileira à sua nova controladora no exterior não são tributados no Brasil mas podem, em tese, serem tributados na jurisdição em que tal controladora é residente. Por sua vez, os lucros e dividendos distribuídos pela companhia estrangeira aos sócios fundadores brasileiros serão tributados no Brasil. No caso de sócios fundadores pessoas físicas, o Imposto de Renda incide à alíquota máxima de 27,5% e eventual tributo incidente na fonte sobre os dividendos na jurisdição da controladora no exterior (pouco provável) poderá ser deduzido do imposto devido no Brasil. Apesar de as startups não serem, via de regra, entidades lucrativas aptas a distribuir dividendos, na hipótese de distribuição futura, a tributação dos dividendos pelos sócios brasileiros representa ineficiência resultante do flip. Nos casos de evento de liquidez envolvendo alienação privada das ações da companhia no exterior, o ganho de capital obtido pelos sócios fundadores pessoas físicas ficaria sujeito à tributação no Brasil, às alíquotas progressivas de 15% a 22,5%. Esse mesmo tratamento é aplicável ao ganho de capital obtido em alienação de ativos no Brasil – ou seja, o regime tributário no cenário de alienação secundária não é afetado em decorrência do flip. Por sua vez, caso a controladora no exterior aliene participação societária na startup brasileira, eventual ganho de capital também ficará sujeito à tributação no Brasil, sob a sistemática de retenção na fonte, cabendo ao adquirente ou seu representante a retenção e recolhimento do tributo devido. O IRRF incide à alíquota geral de 15% ou à alíquota majorada de 25%, caso a controladora seja residente em jurisdição definida como paraíso fiscal. Por fim, ressaltamos que eventual necessidade de “unflip” ou evento de “tropicalização”, de modo que a interposição da controladora no exterior seja desfeita, deve ser avaliada cuidadosamente a fim de que não gere o reconhecimento de ganhos tributáveis no Brasil. *Bruna Marrara é sócia na área de Direito Tributário do Machado Meyer Advogados *Com informações do portal Startups
Quer empreender e não sabe em qual negócio? Nós te ajudamos a escolher

Empreender é o sonho de 6 em cada 10 brasileiros, segundo o estudo GEM 2022/2023. No entanto, escolher o tipo de negócio é um dos desafios de quem está começando na jornada empreendedora. Pensando nisso, o Empreendabilidade analisou os tipos de empreendedorismo e suas características, para facilitar àqueles que querem empreender entender qual modelo se adequa mais ao seu perfil. Indústria É o empreendedorismo com maior barreira de entrada, seja por demandar mais investimento e recursos financeiros em maquinário, equipamentos e pessoas, seja porque pede conhecimento aprofundado em negócios, gestão e, a depender do setor, até mesmo formações específicas e conhecimento de legislação e regulação, já que alguns segmentos precisam de autorização de órgãos e agências para operar, o que também pode gerar custos adicionais com advogados, documentos e licenças. Porém o desafio é recompensador, visto que o negócio é voltado para a produção de bens. Empresas desse tipo podem produzir desde alimentos até peças automotivas, passando por itens de consumo doméstico ou até mesmo voltados para outras empresas, chamados de B2B (Business to Business). É um negócio que exige muita disciplina e organização para manter a qualidade e a produtividade, além do que o retorno geralmente acontece apenas no longo prazo, pedindo um capital mais “paciente”. Outra opção é buscar abrir negócios que atendam demandas de setores industriais específicos, o que acaba movimentando mais renda para algumas regiões. Por exemplo, quando uma indústria cimenteira abre uma nova fábrica, move uma cadeia produtiva que acaba abrindo fábricas de produtos advindos daquela produção, como por exemplo peças cerâmicas, de cimento ou material de construção. Com o advento da indústria 4.0, que utiliza mais tecnologia, também há novas oportunidades para quem quer atuar no setor industrial. Comércio O comércio é um dos tipos de negócio mais tradicionais do mundo, e pode ser dividido em varejo e atacado. No varejo, o empreendedor vende diretamente para o consumidor final, como lojas de roupas e acessórios. No atacado, a venda é realizada em grandes quantidades, geralmente para outras empresas. É necessário ter habilidade em negociação e boa gestão de estoque e de fornecedores, além de conhecimento em marketing. Quer saber como montar sua loja de calçados? Veja aqui este material gratuito do Sebrae Serviços É o tipo de empreendedorismo mais comum no Brasil. É neste modelo que estão os salões de beleza, oficinas mecânicas, bares e restaurantes e até consultorias e assessorias. O investimento inicial costuma ser menor do que nos outros tipos de negócio, mas é importante ter habilidades técnicas na área de atuação, além de conhecimentos em gestão empresarial. Sebrae – abra seu restaurante Franquias Quem dispõe de algum recurso e quer ter um negócio para fazê-lo multiplicar As franquias nasceram como modelo de expansão e ficaram famosas por marcas como KFC e McDonald’s. são modelos de negócio já comprovados, que oferecem o suporte necessário para a abertura de uma nova unidade. É uma boa opção para quem deseja empreender com mais segurança, já que o empreendedor conta com o apoio da marca e de um modelo de gestão já testado. É importante fazer uma pesquisa detalhada sobre a franquia antes de investir e já existem redes estruturadas que reúnem diversas opções para quem quer investir e empreender neste modelo. Para saber mais, a Associação Brasileira de Franquias (ABF) tem esse material bastante detalhado Startup As startups são, por conceito, empresas que buscam resolver um problema de forma inovadora, usando tecnologia e entregando uma solução escalável. O investimento inicial pode ser baixo, visando escala, mas o empreendedor precisa ter habilidades em tecnologia e inovação, além de saber buscar investidores e parceiros estratégicos. Há diversos cursos voltados a esse mercado, oferecido principalmente pelos hubs e aceleradoras, que apoiam a montagem do negócio e o ecossistema de educação empreendedora. Para mais informações, o portal Startups.com é uma fonte bastante confiável. E-commerce O e-commerce é a evolução das lojas online e um modelo de negócio voltado para os negócios digitais. É uma boa opção para quem deseja empreender com baixo investimento inicial, já que não é necessário ter um espaço físico. É essencial buscar conhecimentos em marketing digital e logística. Na pandemia, as lojas online cresceram bastante e o modelo de negócio veio para ficar. Quer saber como abrir um e-commerce? O Sebrae tem um curso bastante prático Empreendedorismo Social Os negócios sociais têm como objetivo gerar impacto positivo na sociedade, além de obter lucro. São uma boa opção para empreendedores que desejam aliar seus valores pessoais ao seu negócio e, no Brasil, com toda a agenda de sustentabilidade e inclusão, têm atraído muitos investimentos. Exigem desenvolver habilidades em gestão empresarial e conhecimentos sobre as causas sociais, além de bons relacionamentos. Leia mais sobre os negócios de impacto social. Infoprodutos Os infoprodutos são produtos digitais que podem ir desde e-books até cursos, mentorias e capacitação. Esse modelo de negócio ganhou espaço em todo o mundo e vem, inclusive, substituindo os cursos formais de preparação para o mercado de trabalho. Esse modelo de negócio é uma boa opção para empreendedores que possuem conhecimento em alguma área específica e desejam compartilhar seus conhecimentos com outras pessoas. Há muitos cursos de marketing digital, produção de conteúdo e estratégia de lançamento disponíveis no mercado. Uma das plataformas mais famosas é a Hotmart, que tem bastante conteúdo a respeito. Esses são os tipos de empreendedorismo mais comuns no Brasil e há possibilidade para todos que querem ter seu negócio, independentemente da disponibilidade financeira ou do conhecimento de negócio. Se você tem dúvidas sobre que em que negócio pode empreender ou qual o modelo ideal para você, entre em contato.
Conceito de Empreender. Já parou para pensar nisso?
O empreendedorismo é um termo que tem sua origem no latim “imprehendere”, que significa pegar com as mãos e assumir uma tarefa. A palavra, em qualquer língua: empreendedorismo, entrepreneur etc. refere-se à capacidade de uma pessoa identificar oportunidades, tomar iniciativas e assumir riscos para criar algo novo e valioso. É uma das forças motrizes por trás do desenvolvimento econômico e social, capaz de transformar vidas e comunidades. Além de incentivar o desenvolvimento de novas ideias e soluções para os desafios enfrentados pelas pessoas e pela sociedade em geral, os empreendedores possuem a habilidade de enxergar além do que está diante dos olhos, identificando oportunidades onde outros não veem. Através do empreendedorismo, as pessoas são capazes de criar empregos, melhorar a economia e a qualidade de vida de suas comunidades. É importante que as pessoas compreendam a importância do empreendedorismo e sejam incentivadas a empreender. Isso pode ser alcançado através de educação empreendedora, acesso a recursos e financiamento, e apoio à inovação e ao desenvolvimento de novas ideias. Aliás, o empreendedorismo não é apenas para pessoas com formação em negócios, mas sim para qualquer pessoa com uma ideia e a vontade de realizá-la. Ao criar novos produtos e serviços, eles ajudam a moldar o mundo em que vivemos e a torná-lo um lugar melhor. O empreendedorismo também oferece a oportunidade de criar um impacto social positivo, abordando problemas e desigualdades em comunidades e setores. É um conceito poderoso e transformador que pode mudar a vida das pessoas e as comunidades em que vivem, por isso é importante que mais pessoas sejam incentivadas a empreender e a colocar em prática suas ideias e sonhos. Com o apoio adequado, o empreendedorismo pode levar ao crescimento econômico, inovação tecnológica, melhoria da qualidade de vida e diversos impactos positivos.
Fundamentos do Empreendedorismo. Por que empreendemos?

O empreendedorismo é crescente no Brasil e ser um empreendedor significa não apenas ter a capacidade de criar algo novo e transformar uma ideia em realidade, assumindo riscos financeiros e pessoais para alcançar o sucesso. A criação de novos negócios, empresas, invenções etc. é parte da história do ser humano e da nossa evolução. Durante a Revolução Industrial, que começou na Inglaterra no século XVIII, por exemplo, houve uma mudança significativa na maneira como as pessoas trabalhavam e produziam bens. As fábricas substituíram o trabalho artesanal e a produção em massa se tornou possível. Com essa mudança, a oportunidades de criar novos negócios era latente. Os criativos investiram em maquinário, contrataram trabalhadores e começaram a produzir bens em grande escala. Esse novo sistema de produção em massa permitiu que os preços caíssem e que mais pessoas tivessem acesso a bens que antes eram caros e raros. Esses empreendedores também foram responsáveis por inovações tecnológicas que impulsionaram o desenvolvimento industrial. Com pesquisas e “inovações” – à época muito diferentes da que vemos hoje – a busca por eficiência e redução de custos não é exclusividade das empresas modernas. Graças a essas inovações, aliás, a economia cresceu rapidamente, gerou-se empregos e a vida das pessoas tornava-se melhor a cada dia: rotina, segurança, diversão e tudo mais o que temos atualmente veio daí. O empreendedorismo se tornou fator chave para o desenvolvimento da economia e para a produção em massa de bens. Mas, foi após a Segunda Guerra Mundial que o papel dos empreendedores como protagonistas da transformação social ficou mais claro. Com os países em ruínas e as economias paradas, boa parte dos europeus não tinham emprego e renda. Foi assim que muitos negócios foram criados e, consequentemente, a economia europeia começou a se recuperar. Em países como a Alemanha, o empreendedorismo tem sido fundamental para o crescimento econômico e a redução do desemprego. Em 2020, ano crítico da pandemia, a Alemanha teve uma taxa de desemprego de 4,5%, uma das mais baixas da União Europeia. O país também tem uma das maiores taxas de empreendedorismo, com mais de 2,5 milhões de novas empresas criadas nos últimos anos, mesmo tendo um terço da população do Brasil. Não há dúvidas de que a sociedade é beneficiada como um todo pelo empreendedorismo. Além de tudo, a abertura de mais empresas incentiva inovação e a competição, o que leva a uma maior eficiência, produtividade e quando as companhias competem entre si para oferecer o melhor produto ou serviço, quem ganha é o consumidor. Um aspecto fundamental para o empreendedorismo é a economia liberal, com menos interferência do governo no mercado. Isso significa que os empreendedores têm mais controle sobre seus negócios e podem tomar decisões mais rapidamente. Se tiver dúvidas sobre como empreender, entre em contato conosco!
Ainda existe investimento para startups em 2023?

De acordo com o relatório, divulgado em janeiro deste ano, pela Distrito – plataforma de inovação – as startups brasileiras captaram US $4,45 bilhões, em 2022. O número representa uma queda de 54,5%, em comparação com o volume recorde de US $9,7 bilhões registrado em 2021. Os valores chamam a atenção para o atual cenário brasileiro e levantam o questionamento: será que ainda teremos um alto número de investimentos em startups em 2023? Vivemos tempos de grandes layoffs. Empresas que anteriormente estavam crescendo e contratando, agora, cortaram parte do seu quadro de colaboradores. O próprio gigante da tecnologia Google, anunciou o desligamento de 12 mil colaboradores em todo o mundo. Startups também não ficaram de fora da conta e, infelizmente, até os bancos digitais acabaram demitindo – um bom exemplo disso é o PagBank, que demitiu cerca de 7% do seu quadro de trabalhadores. Com o “boom” de aplicações, nos últimos dois anos, além da pandemia da Covid-19, que fez com que os governos emitissem moeda para fornecer auxílio para a população e não quebrar a economia com as medidas de fechamento das cidades, observamos um cenário favorável para as startups. Com a injeção de moeda no mercado, naturalmente temos uma oferta maior de dinheiro no mundo, e consequentemente no mercado de venture capital (modalidade de investimento em que o dinheiro é aplicado em empresas com alto potencial de crescimento). O dinheiro passou a ser aplicado em um mercado que é mais atrelado a risco e imprevisibilidade, e chegou o momento em que, para rentabilizar o dinheiro, os fundos de venture capital tiveram que escolher as empresas para alocar os seus recursos. No entanto, com a movimentação do mercado para responder à emissão desenfreada de moeda dos últimos anos, passamos a lidar com o cenário do aumento da inflação, em níveis que muitos europeus e americanos nunca viram anteriormente. Para conter a inflação, os bancos centrais aumentaram as taxas de juros. No Brasil, por exemplo, a Selic chegou a 13,75% – um crescimento de mais de dez pontos percentuais em menos de um ano. O aumento da Selic fez com que os títulos de renda fixa, que já eram considerados pouco atrativos nos últimos anos, crescessem – e, assim, começassem a pagar quase 15% ao ano. Tal movimento fez com que as pessoas, que antes tinham que arriscar seu patrimônio, mudassem suas aplicações para esse modelo. Tudo isso explica a queda do investimento em venture capital, criptomoedas e bolsa de valores. O dinheiro que precisava correr risco para ser rentabilizado, agora precisaria estar alocado em títulos mais seguros. Como o capital está escasso, os fundos de venture capital agora têm menos dinheiro para alocar e precisam designar melhor seus investimentos. Assim, com o cenário econômico atual, outras opções de empréstimos para as empresas ficam mais caras. Com todos esses fatores, conseguimos começar a entender o cenário de layoffs ao qual estamos imersos atualmente. Com um panorama de retração e com a diminuição dos investimentos no setor, os empreendedores devem voltar a atenção à situação macroeconômica e para a saúde do negócio. Com o atual momento econômico brasileiro, o aumento da inflação e da taxa de juros, para os investidores, realizar aplicações está mais arriscado e, por isso, este deve ser um ano de estabilidade para as startups. Desta forma, é imprescindível que os gestores repensem a estratégia de contar com investimentos externos – ouso dizer, inclusive, que o grande desafio será gerir os recursos para que a empresa sobreviva e não entre na conta dos layoffs. Pode ser uma tarefa difícil, principalmente para as startups, mas repensar a estrutura, administrar as despesas e os custos é o caminho para aqueles que desejam se manter no mercado. Ou seja, é preciso ter cautela e tomar decisões sábias. Acredito que não seja o fim dos investimentos externos, mas creio que será um ano de rodadas escassas e poucos conseguirão, de fato, atrair a atenção dos investidores. Em resumo, o ano será desafiador, mas haverá oportunidade para os negócios se consolidarem com os recursos que já foram captados e, aqueles que se destacarem, conseguirão atrair possíveis investimentos. De modo geral, todos devem captar menos neste ano, mas conforme o cenário econômico do país evolua, teremos sinais de melhoras neste setor. Aos empreendedores, é preciso dedicação para o sucesso do negócio, com o foco no cliente e, com uma gestão consciente. Só assim será possível sobreviver a este ano e vislumbrar novas perspectivas para 2024. Vamos juntos? *Cadu Guerra é CEO da Allu, maior plataforma de assinatura de iPhones e acessórios Apple.
Empreendedorismo poderia ajudar na recuperação do centro de São Paulo?

O centro da cidade de São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, está passando por um momento difícil. Os bairros centrais onde se encontram pontos turísticos do município, como a Catedral da Sé, o Vale do Anhangabaú, a estação da Luz, a Sala São Paulo de música, o Pátio do Colégio e outras construções que marcam a história da capital econômica brasileira, convivem hoje com a chamada Cracolândia, um aglomerado que se formou a partir do crescimento do tráfico de drogas, do consumo de entorpecentes e, porque não, do descaso do poder público e, claro, da própria sociedade. A criminalidade e o medo acabaram tomando o espaço, que deveria ser de todos, e o que se vê é ruas abandonadas, pessoas marginalizadas, pontos comerciais – que outrora seriam valorizadíssimos – destruídos. O noticiário traz diariamente um fato novo, tentativas da prefeitura e de órgãos de segurança e sociais de combater a destruição da sociedade. O que o empreendedorismo tem a ver com isso? Ora, partindo da premissa de que empreendedorismo gera empregos, renda, movimenta a economia e a sociedade, tem tudo a ver. Além disso, alguns conceitos como o da “janela de vidro” – com o caso já conhecido da transformação de Nova Iorque nas décadas de 80-90 – e de comunidade – aqui no conceito base de que todos temos um papel, uma responsabilidade, e devemos viver em harmonia, incentivar o empreendedorismo seria uma bela iniciativa para apoiar a mudança de condição do centro. Mas, se um empreendedor fosse ajudar na revitalização do centro de São Paulo com geração de empregos e reinclusão social de jovens, o que poderia acontecer? Um exemplo que podemos usar seria de aproveitar estacionamentos e terrenos abandonados para montar centros automotivos, com lavagem e pequenos serviços. Só isso já promoveria geração de empregos, circulação social, comércio e mais vida ao bairro. Para isso acontecer, alguns pontos importantes: O projeto poderia ser incentivado, com custos revertidos em isenção de impostos Poderiam ser feitas parcerias com empresas patrocinadoras, unindo investimentos públicos e privados Mandatória a integração com instituições como Sebrae e Senai, para cursos técnicos para capacitação de jovens Mandatória a integração com serviço social para acompanhamento psicológico e reinserção desses jovens Importantíssima a contrapartida, de que os jovens deveriam estudar / se capacitar (com acompanhamento de desempenho), ter tratamento psicológico e receberiam remuneração compatível Mas, como estamos no Brasil e nada aqui é simples quanto parece ser, o que poderia acontecer? Algum órgão/instituição de defesa ao infanto-juvenil diria que é exploração Algum órgão/instituição iria cobrar alguma taxa Algum órgão/instituição arranjaria uma burocracia para atrapalhar (por exemplo, não pode ter mais de 2 lava-jatos por bairro) Algum (ns) legislador(es) iria(m) tirar foto para se colocar no protagonismo Algum (ns) legislador(es) iria(m) criar um imposto, multa ou outra barreira Barreiras que o brasileiro já está acostumado, infelizmente. Contudo, observando a cidade, é possível ver várias oportunidades que deixamos passar. Outro exemplo é o de praças abandonadas, e pouca consciência dos próprios moradores em relação a limpar, aproveitar o espaço… Mentalidade empreendedora Isso tudo seria resolvido a partir de 3 características empreendedoras: 1) identificar oportunidades de melhoria; 2) Assumir o protagonismo e as responsabilidades; 3) Fazer acontecer, não depender dos outros para que aconteça. Então, na verdade, o que falta não é um empreendedor tomar atitude. Falta ao Brasil um olhar mais empreendedor.
A idade é apenas um número se você tem paixão

*Por João Fernando Saddock Como um fã ferrenho da Ferrari e um defensor da Red Bull, nunca pensei que torceria pelo Fernando Alonso. Mas foi exatamente isso que aconteceu durante o primeiro Grande Prêmio de 2023 no Bahrain. E não tenho vergonha de admitir isso. Porque hoje, Fernando “A Fênix” Alonso nos lembrou algumas valiosas lições de vida. Lição #1: Nunca é tarde demais para perseguir seus sonhos. Aos 41 anos, muitas pessoas haviam escrito Alonso fora do cenário. Disseram que ele estava passado, que nunca mais recuperaria a glória de seus dias mais jovens. Mas ele provou que estavam todos errados. Ele nos lembrou que idade é apenas um número, e que se você é apaixonado por algo, nunca deixe alguém lhe dizer que é tarde demais. Lição #2: Nunca é tarde demais para mudar as coisas. O retorno de Alonso foi nada menos que lendário. Após algumas temporadas difíceis, muitas pessoas acharam que ele estava acabado. Mas ele se recusou a desistir. Ele continuou lutando, acreditando em si mesmo, e hoje provou que nunca é tarde demais para mudar as coisas. Mesmo se você for derrubado, sempre pode se levantar novamente. Lição #3: Vencer nem sempre é chegar em primeiro lugar. Alonso pode ter terminado em terceiro, mas venceu de muitas outras maneiras. Ele venceu desafiando as expectativas. Ele venceu inspirando outros. Ele venceu mostrando que mesmo quando as coisas não vão conforme o planejado, você ainda pode sair por cima. E essas são apenas algumas das lições que podemos aprender com Fernando “A Fênix” Alonso. Mas talvez a lição mais importante seja esta: a experiência conta. Os anos de experiência de Alonso nas corridas lhe deram uma vantagem sobre alguns dos pilotos mais jovens e menos experientes. E isso também é verdade na vida. Quanto mais experiência você tiver, mais bem equipado estará para lidar com os desafios que surgem em seu caminho. Um brinde a Fernando Alonso, o rei do retorno, a lenda que desafia a idade e o lembrete final de que tudo é possível se você acreditar em si mesmo. Que todos nós sejamos um pouco mais como ele, e que todos nós nos lembremos de que, não importa o que aconteça, sempre podemos renascer das cinzas como uma verdadeira fênix. *João Fernando Saddock é um apaixonado por inovação e Growth Hacking, com vasta experiência em marketing, implementação e avaliação de estratégias de marca e comunicação de alta performance. Trabalhando com uma ampla variedade de clientes internacionais em empresas renomadas como Bedouin CC, Publicis, Leo Burnett, CCZ e Competence, gerou valor para marcas como Heineken, General Motors/Chevrolet, Carrefour, Fiat, Samsung, Kellogg’s, Disney, Volkswagen, KiCofee, Fly Emirates, entre outras. Recentemente, o especialista deixou sua posição de Head de Marketing na Zharta.io, uma empresa de empréstimo de criptoativos com sede em Portugal que utiliza NFTs como colateral, para se tornar Marketing Manager na divisão de educação da H-Farm, hub de educação internacional, inovação e empreendedorismo que apoia startups em diversos setores, localizada na Itália.
Open innovation: crise no Silicon Valley Bank leva startups a saírem da zona de conforto

*Por Vinicius Giglio, CEO da KATE Capital, e Ana Debiazi, CEO da Leonora Ventures O Silicon Valley Bank (SVB) era um importante player no mercado de dívida de risco, fornecendo empréstimos em curto prazo para startups no mundo todo, sem exigir participação acionária. No entanto, recentemente a instituição financeira enfrentou problemas graves chegando à falência. Esse incidente ligou o alarme entre as startups que dependiam do banco para serviços essenciais, como contas bancárias, pagamentos e empréstimos. A questão tem afetado diretamente esse mercado que já enfrenta um desafio significativo em relação à liquidez. As empresas disruptivas e inovadoras muitas vezes carecem de ativos que possam ser facilmente convertidos em dinheiro, tornando difícil levantar o capital de giro necessário para manter suas operações em andamento. De acordo com a Harvard Business Review, a ênfase do SVB em atender às necessidades específicas das startups pode ter saído pela culatra. Embora pudesse oferecer serviços bancários e financeiros personalizados para as companhias, a estratégia também tornava o banco fortemente dependente desse segmento de clientes para gerar receita. Além disso, o mau funcionamento da plataforma tem impactado negativamente as startups, já que muitas dependem do SVB para se conectar com investidores e fornecedores. As consequências dessa crise estão levando as empresas a explorarem opções alternativas, que podem fazer os Fundos de Capital de Risco (VCs) reconsiderarem estratégias de investimentos. As startups ainda podem ter que aceitar termos de financiamentos desfavoráveis ou buscar novas possibilidades, como a tokenização de ativos. Essa modalidade envolve a conversão de ativos em tokens que podem ser comprados e vendidos na plataforma blockchain, proporcionando maior flexibilidade e acesso a uma gama mais ampla de investidores. A Fast Company destaca que o desastre do SVB é um alerta para o mercado de startups se adaptar a novos métodos de financiamento. Algumas companhias africanas já estão buscando diferentes opções bancárias para evitar a dependência excessiva do SVB. Para garantir a sobrevivência em longo prazo, o mercado de startups deve estar ciente da importância de diversificar suas opções financeiras. Por essas e outras, empresas do ramo de security tokens já estão ajudando a resolver esse problema trabalhando com a tokenização de startups e pequenas e médias empresas (PMEs). Além disso, as associações de anjos estão aproveitando recursos que permitem captação mais rápida do que nos mecanismos tradicionais, reforçando o ecossistema de empreendedorismo. O mercado de investimentos alternativos é caracterizado justamente por ativos que não são negociados em bolsas de valores convencionais. Ou seja, trata-se de ações, títulos e fundos imobiliários que têm mais potencial de retorno, mas também maior risco e iliquidez. Entre os investimentos alternativos, as startups têm sido uma das opções mais procuradas. De acordo com a KPMG, só em 2021, foram investidos US$ 291 bilhões em empresas emergentes em todo o mundo. É fato que investir em startups pode trazer grandes retornos financeiros, mas se trata de um investimento de alto risco porque o sucesso do negócio é imprevisível. No entanto, se a companhia decolar, o ganho é, sim, exponencial. Com expertise em unir a blockchain ao processo de investimento e negociação de participação acionária, empresas do ramo proporcionam segurança e transparência para as transações, facilitando ainda a divisão da propriedade entre os investidores. Diante disso tudo, para o bem geral das companhias em desenvolvimento, fica o alerta de envidar esforços para a diversificação dos serviços financeiros. Vinicius Giglio é engenheiro de produção e mestre em administração de empresas, fundador e CEO da KATE Capital Ana Debiazi é economista, CEO da Leonora Ventures e investidora e membro de conselhos de Startups
Por que investir em uma WomenTech?

*Por Carolina Gilberti, CEO da Mubius WomenTech Ventures Nos últimos anos, as startups das mais diversas áreas vêm crescendo no Brasil. Muitas empresas e instituições estão investindo em inovação, o que representa a mudança na mentalidade das pessoas e mais oportunidades de negócios. No entanto, a desigualdade de gênero também é evidenciada nesse cenário. No Brasil, apenas 4,7% das startups são fundadas exclusivamente por mulheres, conforme o estudo Female Founders Report 2021. Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group, a cada US$ 1 investido na empresa, as mulheres geraram US$ 0,78, enquanto os homens geraram menos da metade: US$ 0,31. O levantamento do BCG indicou que startups fundadas por mulheres recebem muito menos investimentos do que as criadas por homens. Ainda assim, as empresas lideradas por elas dão um retorno maior em receita no longo prazo do que as comandadas por eles. Ainda há um vasto caminho a ser percorrido pelas WomenTechs no Brasil e no mundo e isso depende de financiamento. O mercado da inovação ainda é dominado pelos homens e, consequentemente, os vieses são sempre os mesmos. Muitos, e isso inclui homens e mulheres, ainda perguntam se a mulher “vai dar conta” de equilibrar a vida pessoal e profissional, questionam quem vai cuidar dos filhos enquanto ela empreende, ou duvidam que ela fará uma boa gestão financeira. Ainda há um ar de desconfiança na capacidade de execução da mulher, especialmente quando se trata de cargos mais altos. As perguntas para os homens, por outro lado, são sempre relacionadas ao sucesso do negócio. É necessário gerar uma verdadeira mudança no mindset das empresas e da sociedade como um todo. Isso requer um conjunto de ações de diferentes esferas, incluindo governo, iniciativa privada, comunidade acadêmica, mídia, cidadãos e fundos de investimentos, entre outros segmentos. É preciso trazer mais diversidade para o meio da inovação, para as bancas de avaliação e para o mundo dos investimentos, tornando esse ecossistema mais inclusivo. Temos que atrair mais mulheres, tanto no que se refere ao empreendedorismo quanto nos investimentos. Investir em WomenTechs é investir diretamente nos impactos sociais e econômicos. Atualmente, os aportes são democráticos: pode-se investir o quanto quiser, em quem quiser e no negócio que quiser e ainda contribuir para o progresso de uma empreendedora. Além disso, fornecer capital para as WomenTechs é fomentar a economia brasileira e acelerar o processo de inovação. Investir nessas startups também contribui para incentivar que mais e mais mulheres empreendam. Para aquelas que estão ingressando no universo da inovação e desenvolvendo projetos, é importante se manterem firmes e fortes. Foquem no seu propósito. Não abram mão da sua renda logo de cara, porque irão precisar sobreviver enquanto empreendem. Programem-se. Planejem-se. Conectem-se com pessoas certas. Confiem nas pessoas,fiquem atentas e entendam quem está ao seu lado por interesse, façam as pazes com isso sem perder a ternura e o foco em seus objetivos. *Carolina Gilberti, é CEO da Mubius WomenTech Ventures, a primeira WomenTech do Brasil.
Pricing como chave para o lucro

*Por Ricardo Ramos, CEO da Precifica Ainda pouco difundido no mercado nacional, o pricing tem papel importante na lucratividade das empresas. De forma resumida, podemos dizer que ele se trata da técnica para a definição de preços adequados ao público-alvo das companhias. Não por acaso, empresas de maior porte contam com um departamento de precificação, responsável pela análise de variáveis que envolvem a formação dos preços de vendas de seus produtos e serviços. Mais do que um valor monetário dado a qualquer produto, o preço é uma importante ferramenta de marketing e de gestão, pois é parte central na estratégia de atrair clientes e obter lucratividade. Não por acaso, é considerado um dos quatro Ps do Marketing (produto, preço, praça e promoção). Porém, estipular o preço adequado para cada item é uma das maiores dificuldades dos e-commerces devido à velocidade com que tudo muda. No mundo virtual, com apenas poucos cliques, o consumidor recebe na tela de seu dispositivo uma lista de lojas que vendem o produto procurado com os preços praticados, custo do frete etc. Portanto, é preciso se sobressair, e o preço adequado é uma das formas de vencer a concorrência. Para definir bons preços, é necessário conhecer o mercado, saber quanto o cliente está disposto a pagar pelos produtos, conhecer todos os custos que envolvem a aquisição e a própria venda dos itens. Preço muito alto pode afastar o consumidor e gerar baixa rentabilidade ou prejuízo pela falta de faturamento. Mas preço muito reduzido tampouco é a solução, pois pode ocasionar margem de lucro diminuta ou mesmo prejuízo, caso o lojista cometa o erro de vender abaixo do custo. O segredo para vender bem e com boa rentabilidade está na capacidade de equilibrar os valores de venda. Para isso, deve-se dar atenção aos fatores que influenciam diretamente na formação de preços e, consequentemente, na decisão do consumidor de escolher ou não o seu e-commerce para adquirir o item desejado. Trata-se de um processo complexo, que envolve uma quantidade grande de informações e uma dinâmica de mercado muito ágil e difícil de ser acompanhada manualmente. O ideal é que o varejista conte com apoio da tecnologia, de soluções de pricing existentes no mercado, sendo as mais atuais delas, baseadas em Inteligência Artificial. Um bom trabalho de precificação pode ajudar muito na obtenção do lucro desejado. Estudos mostram que um aumento de apenas 1% no preço médio, quando aplicado sem ocasionar redução de volume, gera em média 11% a mais de lucro. Então o pricing, definitivamente, é uma ferramenta essencial na estratégia empresarial que visa aumentar o faturamento e o lucro. Além disso, uma precificação bem-feita contribui para o aumento da participação de mercado e até mesmo para a percepção de valor do cliente em casos específicos. Como exemplo, o consumidor aceita pagar mais por um pacote de arroz que considera ter mais qualidade. Em outras palavras, a percepção de qualidade em muitos casos está diretamente relacionada ao valor do produto: se é mais caro, é porque é melhor. Sua empresa pode investir em bons métodos de produção e fazer um bom marketing, mas, no fim do dia, a lucratividade dela dependerá quase que totalmente da capacidade de seus gestores definirem o preço ideal para cada produto, considerando metas e público-alvo. E, para ser mais assertivo, é melhor não depender apenas do feeling. A precificação deve ser um trabalho contínuo e dinâmico tanto quanto são a concorrência e a demanda. Para isso, invista em tecnologia.
Letramento em Longevidade é uma demanda urgente do marketing no Brasil

Camilla Alves e Bete Marin Nas campanhas de marketing, há um processo em curso que está transformando o cenário de invisibilidade dos brasileiros com mais de 60 anos. Essa constatação, entretanto, não significa que o problema esteja resolvido. Longe disso, a inserção de cidadãos maduros nas campanhas no Brasil, embora seja uma realidade inegável, é feita de maneira estereotipada. Ou seja, ou temos o ageless (sem idade) ou o velhinho com tudo em cima – aquele com forma física perfeita, atraente e em paz com a própria idade. Se antes ignorávamos a existência de um contingente crescente de cidadãos prateados, atualmente usamos uma lente cor de rosa para mostrar uma parte idealizada dessa população. Diante da constatação de uma nova realidade etária no mundo, a defesa de um Letramento em Longevidade nos parece extremamente urgente. É muito importante lembrarmos que, para o cidadão do século XXI, envelhecer é um processo completamente diferente do que foi décadas atrás. Essa mudança está inteiramente associada às conquistas feitas na área da saúde e à presença da tecnologia na vida dos novos seniores. Se por um lado a sociedade se alterou com um novo protagonismo dos prateados, por outro, ainda resiste a enxergar essa nova realidade. Com isso, acreditamos que o Marketing pode ser um instrumento importante de questionamento do ageísmo, ou seja, os profissionais de marketing do Brasil podem conduzir uma revolução prateada na percepção que temos do envelhecer ao enfrentarem o preconceito com o talento que essa indústria tem mostrado para o mundo. E isso é urgente! Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas apontam que, hoje, os maduros já representam quase 20% do consumo, movimentando cerca de R$ 1,6 trilhão. O Brasil é um dos países com um envelhecimento populacional mais acelerado do mundo. Em 32 anos, o país será o sexto com maior parcela da população 60+, estando à frente de todas as nações em desenvolvimento. Um avanço exponencial que tem surpreendido estatísticas como a do IBGE, que apontava que o Brasil alcançaria 30 milhões de idosos apenas em 2025 – marca atingida em 2018. Ciente do enorme potencial de mercado e da urgência de trabalharmos o Letramento em Longevidade, fundamos, em 2020, a MV Marketing – uma martech com o propósito de dar visibilidade e protagonismo aos consumidores maduros que costumam ser excluídos das estratégias de marketing das empresas. O termo é uma junção das palavras marketing e tecnologia; ele se refere a empresas focadas em criar campanhas mais inteligentes, automatizar processos e atingir resultados para a exposição de marcas e produtos. O modelo atua para otimizar projetos e ações de marketing digital, garantindo um maior retorno sobre o investimento, para aumentar as vendas e melhorar o relacionamento com clientes. E, no caso da MV Marketing, com um olhar específico para a Economia da Longevidade e disseminação da urgência de atuarmos para a representatividade desses brasileiros na propaganda. A inclusão e a diversidade são essenciais para uma sociedade justa e equilibrada; nesse contexto, o marketing especializado tem um papel fundamental para quebrar tabus e combater preconceitos etários. O impacto social de uma comunicação que enxerga e celebra a maturidade é muito relevante, sobretudo porque representatividade importa! E, de novo, o Marketing no Brasil tem um enorme potencial de mostrar ao mundo como podemos contribuir para uma Revolução Prateada consistente, que reconhece e celebra o bônus etário que a humanidade conquistou. Para tal, é necessário que os profissionais dessa indústria enxerguem as demandas específicas de cada faixa etária dentro da maturidade. Camilla Alves | Cofundadora da MV Marketing, a empreendedora atua desde 2018 na Economia Prateada. Graduada em Administração de Empresas, atualmente é mestranda em Data-Driven Marketing, com especialização Data Science para Marketing na Nova Information Management School (Nova IMS), em Portugal. Antes de fundar a MV Marketing, Camilla teve experiência na Endeavor Brasil, onde aprendeu na prática as principais técnicas de marketing digital. Com essa bagagem, ela desenvolveu uma ampla expertise em diversas áreas do marketing digital, incluindo automação de marketing, CRM, SEO, mídia, análise de dados e performance. Bete Marin | Empreendedora na Economia Prateada, é cofundadora das empresas MV Marketing, Hype50+ e do U+Festival. Especialista em planejamento estratégico, comunicação integrada, marketing digital e eventos, Bete é graduada em Marketing, pós-graduada em Gerontologia (Instituto Albert Einstein); em Comunicação (ESPM); e possui MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Iniciou a carreira em grandes empresas e consolidou o crescimento profissional na Gerdau, sendo responsável pela área de promoção e propaganda de produtos no Brasil.
LGPD vs. Inteligência Artificial: A proteção dos dados pessoais em tempos de chatbots avançados

*Philipe Monteiro Cardoso A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor no Brasil em setembro de 2020 com o objetivo de garantir a privacidade e proteção dos dados pessoais dos indivíduos. Já a inteligência artificial (IA) é uma tecnologia cada vez mais utilizada em diferentes setores, desde a indústria até o atendimento ao cliente. No entanto, a utilização da inteligência artificial levanta questões importantes sobre a privacidade dos dados pessoais. Isso ocorre porque a IA pode coletar, processar e armazenar uma grande quantidade de informações sobre os usuários, incluindo seus dados pessoais, como nome, endereço, e-mail, número de telefone, entre outros. Por exemplo, em uma plataforma de atendimento ao cliente, a inteligência artificial pode ser programada para coletar informações dos usuários para melhorar as respostas fornecidas. No entanto, essas informações podem incluir dados pessoais que, se não forem protegidos, podem ser usados para fins mal-intencionados, como a invasão de privacidade, roubo de identidade, entre outros. A LGPD estabelece diretrizes para o tratamento de dados pessoais, incluindo a coleta, processamento, armazenamento e compartilhamento dessas informações. A lei exige que as empresas obtenham o consentimento explícito dos usuários antes de coletar seus dados pessoais e forneçam informações claras sobre como esses dados serão usados. Além disso, a LGPD prevê penalidades para empresas que não cumprem essas diretrizes, incluindo multas e sanções. No caso da inteligência artificial, a LGPD também exige que as empresas implementem medidas de segurança para proteger os dados pessoais coletados. Isso inclui a adoção de criptografia, o uso de senhas seguras e a implementação de protocolos de segurança adequados para prevenir o acesso não autorizado. Portanto, a utilização da inteligência artificial deve estar em conformidade com a LGPD, para que a privacidade dos dados pessoais seja protegida. As empresas devem implementar medidas de segurança adequadas para garantir que os dados pessoais coletados sejam protegidos e usados apenas para fins legítimos. A LGPD é essencial para garantir a proteção da privacidade dos dados pessoais dos usuários, especialmente em um mundo em que a inteligência artificial é cada vez mais usada. É importante que as empresas adotem medidas de segurança adequadas para proteger os dados pessoais coletados e cumpram as diretrizes estabelecidas pela LGPD, a fim de evitar sanções e proteger a privacidade dos usuários. É importante destacar que a OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, estabelece em suas diretrizes que todo o conteúdo inserido pelos usuários no chatbot pode ser utilizado para aprimorar a inteligência artificial. Isso inclui dados pessoais, informações sensíveis e qualquer outra informação fornecida pelos usuários em uma conversa com o ChatGPT, por exemplo, podemos pedir para a inteligência artificial estruturar uma lista de e-mails, com isso ao fornecer estes endereços eletrônicos, estamos compartilhando os dados que tivemos acesso com a base de dados da OpenAI e consequentemente estes dados podem ser utilizados como resposta para terceiros. Dessa forma, é possível que os dados pessoais inseridos no ChatGPT sejam utilizados como resposta para terceiros, o que pode representar uma violação à LGPD. É importante lembrar que a LGPD estabelece regras claras para a coleta, armazenamento, processamento e compartilhamento de dados pessoais, visando a proteção da privacidade e dos direitos dos usuários. Nesse sentido, é fundamental que as empresas que utilizam inteligência artificial, como a OpenAI, adotem medidas de segurança e privacidade adequadas para proteger os dados pessoais dos usuários. Além disso, é importante que as empresas sejam transparentes em relação ao uso dos dados e forneçam informações claras aos usuários sobre como seus dados serão coletados, processados e compartilhados. Por fim, é essencial que as empresas que utilizam inteligência artificial estejam em conformidade com a LGPD e outras leis de proteção de dados aplicáveis. Isso é importante não apenas para evitar sanções, mas também para proteger a privacidade e os direitos dos usuários, garantindo que a tecnologia seja utilizada de maneira responsável e ética. *Philipe Monteiro Cardoso é advogado, autor, palestrante e sócio fundador da Cardoso Advogados Associados. É pós graduado em Direito Civil , LGPD, e criador do sistema de ensino Direito em Curso e Adequar LGPD.
Nosso lugar à mesa no jantar da simplificação tributária

Nestes primeiros 2 meses do ano, o empreendedor brasileiro curtiu uma montanha-russa de emoções. Revogação de teto de gastos, anúncio de reforma tributária à vista, revisão de julgamentos com possibilidade de pagamento retroativo de impostos, troca de ataques entre membros do novo governo e a iniciativa privada… De um lado, as pessoas que encaram os problemas. Do outro, quem tem o poder de mudar. Mas, era para estarmos todos à mesa discutindo uma única coisa: a complexidade que é o sistema tributário e como simplificar isso para que todos possam entender o que pagam, o que recebem, e as regras que definem essas duas coisas. Em conversa com o advogado Renato Scardoa, o mesmo fez uma sinalização relevante sobre o problema. Ele e outras lideranças cujas funções demandam que tenham um lugar à mesa para defender interesses, propor melhorias ou oferecer propostas, têm a mesma percepção de que, muitas vezes, as decisões que não atendam aos mesmos objetivos devem ter participação mais ampla de quem é afetado diretamente. Porém, as perguntas que estão sendo feitas nesses embates provavelmente são as erradas, principalmente considerando que o que está em jogo são mudanças institucionais. A questão da insegurança jurídica, por exemplo. O que está em debate não deveria ser – como nós mesmos já apontamos aqui no Empreendabilidade –se uma cobrança retroativa está certa ou não. Deveríamos estar discutindo porque temos tanta dificuldade de entender o que deve ser pago. “Nem todos conhecem as regras, que mudam há todo momento. Mal sabemos quais tributos devemos pagar e, quando pagamos, ainda temos o direito de reclamar, pois possivelmente sejam indevidos”, pontuou Scardoa. A possibilidade de amplo entendimento das normas por qualquer empresa ou cidadão deveria ser o ingrediente principal desse banquete. Pois, se um doce está sendo comercializado, não importa o formato, ele deveria ser tarifado como doce – não como waffle ou como bombom. Uma tarifa igual para produtos iguais já ajudaria bastante a economizar recursos das empresas – R$ 181 bilhões é o que se gasta apenas com a complexidade do nosso tributário, além de mais de 1.500 horas dedicadas a isso. Enquanto as decisões estão sendo tomadas à mesa, não vai adiantar ficar atirando pedras na janela – como acontece nas redes sociais. Tampouco funciona a narrativa e a especulação: é melhor perguntar e entender, e se buscar o melhor caminho para o entendimento e para uma reforma que, de fato, simplifique as coisas para todos.
Quem lê tanta notícia?

No mar do conhecimento, estamos preparando computadores para nadarem cada vez mais fundo, mas isso não significa que o ser humano tenha que ficar no raso. Entre empresários e executivos de várias áreas – de mercados mais tradicionais até “nativos digitais” – o tema da vez é o avanço da tecnologia em marketing, comunicação, mercado editorial e como isso impacta comportamento, decisões, caminhos e entregas. A chegada do ChatGPT (link), por exemplo, é mais um hype? Pode ser, mas não devemos desconsiderar que essa tecnologia ainda está em desenvolvimento e ela já consegue entender e ligar ideias que a colocam em um nível de QI bastante avançado. O ponto aqui é que as áreas de comunicação e de relacionamento não devem cair no erro de nadar para a beira, principalmente quando os temas demandam ou merecem aprofundamento. A padronização de conteúdo para redes sociais, de fato, ajuda a gerar escala. Mas, lembro aqui de um episódio ocorrido há 10 anos, em evento para o Level-C da aviação, onde o filósofo, cientista, professor e ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, elucidou sobre aquela comparação clássica dos “tempos da Varig” com o atendimento das aéreas atual: “havia serviço de bordo de qualidade, comida, champanhe e glamour, quando a aviação era exclusiva. A partir do momento em que os voos passaram a ser mais acessíveis e a atender a massa, os serviços precisaram ser mais padronizados para democratizar os voos em escala.” Não é isso que as startups fazem? Gerar escala? Padronizam “tudo as a Service”. Voltando à questão da comunicação, está havendo uma mistura entre o que é marketing e o que é editorial, apuração, informação. Na recém-lançada obra do mestre em comunicação e mídia Paulo Henrique Ferreira (https://www.linkedin.com/in/phferreira/), “Branding Publishing e Transição Midiática”, ele divide as mídias em 3 tipos básicos: Paid (paga): tem objetivo de gerar awareness e escala (anúncios, patrocinados); Earned (espontânea): gera reputação, credibilidade (matérias, opiniões); Owned (proprietária): autoridade, autonomia (temas de conhecimento, propriedade, dados); A linha pode ser tênue quando se navega nas informações da internet, mas, está claro que cada um tem o seu nível de aprofundamento (A Barões, empresa do PH, tem uma matriz triângulo que mostra o quanto é possível se aprofundar mais nos temas a partir da autoridade que se têm dele, e só a owned mídia é capaz disso). Na questão do uso da tecnologia, o ponto é não fazer aquela partida de futebol infantil: todos atrás da bola ao mesmo tempo. Há necessidade de se entender qual é o objetivo da comunicação, que tipo de mídia é o mais apropriado, como trabalhar nele. Não estamos fazendo aqui uma ode à nostalgia. A questão está latente em todas as rodas. A founder da Noh, Ana Zucato (https://www.linkedin.com/in/anazucato/), trouxe esse tema em um post recente no Linkedin. Ela quer escrever temas mais densos, mas, “as pessoas não leem” – há uma demanda para curtas. Já conversei o mesmo assunto com a publisher Mariana Mello (https://www.linkedin.com/in/marianamellomm/) que escreve muito bem e também já ouviu para “simplificar”. E com muitos outros publishers, e com as pessoas de negócios, como dito na abertura desse texto. Em tempos de vídeos de 15 segundos, não seria o inovador aprofundar? Nota pessoal: percebo que surgem cada vez mais pessoas trocando ideias sobre livros – muitos perfis nas redes sociais inclusive fazem “clube do livro”, com análise de obras. Lembro também quando foi lançada a saga do Harry Potter e o bem que fez em estimular a leitura para crianças. No mercado midiático, há espaço para conteúdo mais aprofundado, sim. Com certeza, a tecnologia e as mudanças na sociedade pedem adaptações – como foi no caso das mídias e da aviação. A IA e outras ferramentas são essenciais para as vendas e na otimização dos processos, e até para acelerar a redação. Porém, talvez, o assunto que mais tenha valor no seu negócio seja muito interessante para ser tratado apenas com a água na altura do joelho.
Aposentados podem ser MEI, exceto se for por invalidez

A estrada do Brasil é bastante sinuosa, guarda uma surpresa a cada curva, e aparentemente só leva a um destino: a dependência do Estado. O empreendedor brasileiro é o mais onerado do mundo pela carga tributária – segundo uma pesquisa realizada pela Sage, empresa britânica de softwares de gestão, microempresas, MPEs com até cinco funcionários pagam cerca de 65% do faturamento em impostos. A previdência nacional é um balde furado, registrando déficit ano-após-ano. Como viemos discutindo amplamente nos últimos meses, o brasileiro 50+ (60, 70, 80…) goza de saúde e energia vital, além de toda a experiência profissional, e daria um bom empreendedor: mais disposto a riscos, com melhor capacidade de decisão, maior simpatia do sistema financeiro para empréstimos, entre outros aspectos que exploramos exaustivamente no Estudo Empreendedores 50+, o futuro do Brasil. Eis que numa rápida pesquisa sobre abertura de MEIs por esse público nos deparamos com uma regra na legislação 128/2008 que diz que aposentados por invalidez e aposentados especiais não podem se inscrever no programa. Em resumo: se a pessoa sofreu algum acidente que o levou a uma aposentadoria precoce por invalidez (adivinhe: a legislação sobre isso é igualmente complicada), mas poderia ter um negócio online, você não pode ser MEI. O brasileiro trabalha para bancar a estrutura estatal, ponto.
Newsletter de 30/01: O acaso vai te proteger, mas não ande distraído

O refrão “o acaso vai nos proteger, enquanto eu andar distraído” é da música Epitáfio, dos Titãs, escrita por Sérgio Britto – um dos letristas mais talentosos do Brasil. A banda está em turnê dos seus 40 anos, mas, duvido muito que tudo tenha sido ao acaso. Tive a oportunidade de ir em dezembro último ao CCXP – que já é o maior evento de cultura geek, games, heróis etc. do mundo, o “Comicon brasileiro” – em São Paulo. Paulo Miklos, outro dos Titãs da formação original, estava lá. Não tirei foto, não pedi autógrafo. Uma banda que completa 40 anos tendo tocado rock n’roll punk, pop, músicas melódicas e que deixou músicas que fazem sucesso até hoje, mereceria o registro. Mas, não é do meu comportamento fazer ‘fãzices’. Aceito o consciente arrependimento, diferente da letra da música (epitáfio é o texto-recado que vai na lápide do túmulo), que fala sobre o arrependimento de não ter vivido as coisas boas da vida. Como sempre lembramos algumas questões filosóficas nos textos aqui, deixar ao acaso seria aceitar que você não está no controle de tudo. É diferente de deitar e esperar tudo acontecer. Mas, aja no que você pode controlar e aceite o que você não pode. O final de semana foi cheio de histórias de acaso, e se observarmos, a vida é cheia delas: – Um amigo pessoal que contou que o filho dele, de 7 anos, pergunta como é possível que a rádio toque justamente a música que ele estava pensando, ou que tenha encontrado uma pessoa na rua que eles acabaram de comentar a respeito. Observador! – Um casal amigo da família acabou se conhecendo por algumas coincidências da vida. Por acaso, eu estava presente na maioria delas. Posso eu pleitear o mérito por estarem juntos? Claro que não. – Outro amigo dos meus pais, arquiteto renomado, contou que fazia uma obra de reforma na casa de Jorge Amado, lá nos anos 70. Ele aproveitou um raro momento para lhe perguntar se os contos do capitão-de-longo-curso, Vasco Moscoso de Aragão, da obra “Os Velhos Marinheiros” (1961), eram ouvidos ou inventados. Sim, a história foi ouvida, e observada. Na obra Os Velhos Marinheiros, alguns personagens duvidam das façanhas do capitão-de-longo-curso Vasco Moscoso de Aragão. Contudo, não era pouca a sua credibilidade, ainda mais pela sorte, que vamos chamar aqui de acaso, que ele tinha. Seria ele um falsário, ou realmente havia vivido as proezas? Ao chegar no último porto, um marinheiro lhe pergunta sobre as amarras, e o diálogo segue desta forma: “(..) o senhor, velho marinheiro que tão bem conhece as leis da marinheiraria, certamente não está se lembrando de que este é o último porto da viagem e que, no último porto, compete ao comandante, e a ninguém mais, ordenar o número de amarras com que deve ser o navio amarrado” O capitão experiente, então, amarrou o navio com todas as amarras. Riam dele, mas ninguém sabia que Moscoso de Aragão era o único que seria capaz de prever a tempestade que se aproximava. “Os ventos do Nordeste, o Terreal e o Aracati, ocuparam-se do barco inglês e do navio do Lloyde, desamarrando-os de suas insuficientes amarras, batendo um contra o outro num rumor de cascos rotos (…) Terreal naufragou o cargueiro do cais, num torvelinho, para que ali ficasse plantado como lembrança e advertência.” A fama procedeu o homem e chegou a Salvador, mais precisamente a Periperi: “Telegramas publicados em manchetes nos jornais da Bahia, durante dias seguidos, avidamente lidos em Periperi (…) Emocionante festa a bordo do Ita por ele salvo e no qual regressava a Salvador.” Assim vamos, navegando em um mar de surpresas e amarrando bem os nossos barcos quando parados no porto. O acaso está aí, mas não andemos distraídos. RM.
No Brasil, você pega emprestado para pagar imposto

“O empreendedor não ganha muito dinheiro porque ele trabalhou, ele ganha muito dinheiro porque os trabalhadores dele trabalharam” – frase do presidente Lula em entrevista exibida no canal de TV GloboNews em 18/01/2023 Segundo o Sebrae, a concessão de crédito para pequenos negócios cresceu 45% nos últimos dois anos (leia aqui). Só o Pronampe – Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – linha de crédito com condições especiais para quem precisou de dinheiro para se segurar na pandemia e que acabou se estendendo como recurso, emprestou R$ 25 bi em 2021. No ano passado, foram cerca de R$ 37 bi. Em países como os EUA e em boa parte da Europa as ferramentas de crédito e financiamento para ajudar as pequenas empresas a se recuperar após a crise Covid foram oferecidas a fundo perdido, ou seja, sem previsão de retorno – apenas pela consciência de que as empresas precisam se recuperar para manter negócios, empregos e movimentar a economia. As políticas de incentivo ao empreendedorismo – lembrando que MPEs e empresas individuais são 91% das empresas em atividade – ficam nas promessas políticas e narrativas sedutoras. O Perse – Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Lei 14.148/2021) – foi criado como forma de isenção de impostos para atividades em 88 CNAEs relacionados a eventos, restaurantes, turismo – todos que, pelo bom senso se sabe, mais sofreram com a pandemia. A isenção duraria 5 anos, tempo considerado suficiente para a recuperação, com renegociação de dívidas tributárias por um período igualmente calculado junto às entidades representativas de setores produtivos. Uma nova portaria do poder executivo (1.266/2022), contudo, achou por direito – ou por necessidade de fazer o caixa do governo, já que os custos são altos para manter os cargos e benesses – redefinir as atividades e excluiu 50 delas, restando 38, apenas, contempladas pelo Programa. Foram excluídos: restaurantes, bares, lanchonetes e outros estabelecimentos e negócios afins, que também tinham essa necessidade. Uma fonte ligada a associações de restaurantes disse que não houve consulta ao setor. Ainda, as empresas que aderem ao Simples não teriam essa vantagem – como se o micro e pequeno empresário do Simples não pagasse imposto (e o ajuste do Simples segue sem avanço). Sem discussão partidária (mesmo porque a portaria em questão havia sido redigida no ano passado, ainda no governo anterior), o que existe é um país que arrota que vai apoiar as pequenas empresas, o crescimento econômico, mas que sempre busca uma forma de manter todos dependentes de um governo “caridoso”. O que resta com isso ao empreendedor brasileiro é tentar ganhar muito dinheiro, sim, já que boa parte fica para esse sócio “governo”, enquanto poderia gerar empregos e crescimento, como vemos na Europa e Estados Unidos.
A dificuldade do empreendedorismo no Brasil

Roberto Folgueral* A portaria MTP 1010/2021, editada em 24 de dezembro de 2021, pelo então Ministro Onix Lorenzoni, em seu artigo 1º, obriga as empresas a emitir o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) – Exclusivamente em meio eletrônico, a partir de 01/01/2023. Aparentemente um mero assunto burocrático, porém, com enormes consequências negativas para empresas e empresários que geram riqueza para o Brasil. A portaria resulta na transferência de custos, despesas ou gastos que deveriam ser de obrigação do Estado para o seu contribuinte, que já está esgotado em sua capacidade contributiva e devidamente ignorado pelas autoridades administrativas. O Estado, como perdulário que é, gastando muito e nem sempre corretamente, vai transferindo suas obrigações de fiscalizar e de operacionalizar as atividades de controle para o contribuinte, através da criação de obrigações acessórias, tornando o custo de empreender no Brasil um dos maiores do mundo, senão o maior. Ao empreendedor, notadamente os menores, não resta outra alternativa senão a de amargar com prejuízos, pois nem sempre consegue repassar esses custos aos seus produtos, bens ou serviços e, assim, a possibilidade de sucesso se reduz. Não poderia ser diferente, com a exigência da Portaria 1010/2021 que transfere o trabalho do Estado de fiscalizar e monitorar a Saúde do trabalhador, durante todo o seu vínculo laboral, para o seu empregador, no que denominou de evento S-2220, no novo e-social. Esse evento não exclui a obrigatoriedade anterior, da realização de exames periódicos. Além do evento S2220, criou ainda a obrigatoriedade da elaboração do evento S-2240, que correspondente às Condições Ambientais do Trabalho, não bastando a obrigatoriedade da elaboração dos correspondentes Laudos. Ato contínuo: incrível majoração dos honorários cobrados por clínicas “credenciadas” desses serviços, onde independem o número de empregados, o valor do “laudo” não se altera. PENALIDADES: As entidades que não se adequarem à nova sistemática estarão sujeitas a multas que variam de R$402,53 até R$181.284,63 – pasmem! EMPRESAS OBRIGADAS: Todo e qualquer empregador, pessoa jurídica ou física, exceto os empregadores domésticos estão obrigados. Essa obrigação independe do porte da empresa ou opção de regime tributário; pode ser MEI, Simples, Lucro Presumido, Lucro Real ou Lucro Arbitrado, ou ainda Pessoa Física equiparado à Pessoa Jurídica. Apelamos aos gestores públicos de plantão para repensarem nessa nova obrigação acessória extremamente onerosa sobre a já onerada função de empreender e gerar riqueza no Brasil. O Estado brasileiro necessita parar de criar problemas para o empreendedor brasileiro e sim pensar em gerar soluções sobre os problemas já existentes. Que fique claro aqui; não estamos falando em redução de tributos e sim na exclusão das obrigações acessórias! Roberto Folgueral é vice-presidente da FCDL-SP (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo)
Os desafios de janeiro para o varejo

*Por Maurício Stainoff O início de ano é sempre desafiador para o brasileiro. Repleto de contas, como IPTU, IPVA, matrícula escolar, entre outros; janeiro é um mês de muitos gastos, levando o cidadão a economizar. Na outra ponta, o varejo encontra dificuldades na hora de vender e obter bons resultados no mês. Nas vitrines é possível encontrar os saldos, os sales, descontos, as mais variadas nomenclaturas para tentar atrair o consumidor. Percorrendo as cidades, os cartazes com “10, 20, 30, 40% OFF” são técnicas de vendas e um chamariz para a presença do cliente. Este mês de janeiro, além das contas tradicionais, soma-se ao bolso do brasileiro as incertezas econômicas do novo governo; a inflação, que fechou 2022 em alto de 5,79% e episódios como o da Americanas, que anunciou inconsistências financeiras na ordem de 20 bilhões de reais, impactando diretamente no desempenho de empresas varejistas. Adiciona-se também outro ingrediente ao “aperto” no bolso do consumidor: as dívidas. Um levantamento feito pela FCDL-SP (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo), com base na pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), mostrou que cerca de 26 milhões de paulistas entraram em 2023 com algum tipo de dívida. Com tantas variáveis neste começo de ano, é possível obter a certeza de um janeiro desafiador para o varejo. Um mês de malabarismos e estratégias para sair da estagnação e iniciar o ano vendendo ou oferecendo algum tipo de serviço ao consumidor. As iniciativas devem estar presentes no mês de janeiro, sempre serão vistas como saída para o varejo, em um país que tem a tradição popular de iniciar o ano apenas “depois do carnaval”. *Maurício Stainoff é presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo
Austeridade, Brasil!

Deixando um pouco de lado as manchetes dos jornais, as trend topics das redes, a polaridade política e aquela discussão fervorosa no grupo da família sobre a tia do zap manifestando em Brasília que está presa – o que é que ela estava fazendo lá mesmo? -, o que nos sobra? A vida real. É a vida real que nos dá a sensação estranha de que a Copa emendou no final do ano, mas que aparentemente está tudo bem, afinal, “está melhor no Brasil do que em outros países”. Sim, acreditamos que esteja. A inflação de 2022, por exemplo, fechou em 5,79%, índice mais alto do que a meta, mas, melhor do que o que poderia ser e melhor do que muitos países grandes por aí. A verdade é que o brasileiro ainda está na ressaca da pandemia. Cansado de usar máscara, mas se pegar ônibus tem que pôr. Cansado de pedir comida no aplicativo, mas é mais prático. Cansado da tensão eleitoral, mas o novo governo mal começou. Cansado de ESG, crypto, trade, lives, BBB e desse novo normal que nunca chegou. Ou, se chegou, já está sendo. Mas não estamos percebendo ou estamos percebendo e não queremos acreditar. Para nós do Empreendabilidade, nessa nova realidade o brasileiro está ficando mais austero. Veja nosso raciocínio: A previsão do IBGE é de que o varejo tenha resultado positivo em 2022 – o acumulado até novembro foi de +1,1% e é muito difícil dezembro reverter a curva. Cristiano Santos, gerente responsável pela Pesquisa Mensal de Comércio, lembrou ao Valor Econômico em entrevista publicada nesta semana que outubro de 2020 foi um mês recorde no consumo de bens não essenciais (como vestuário, utilidades domésticas, viagens, automóveis e outros), após meses de lojas fechadas por conta do pico da pandemia; Neste ano de 2022, o crescimento tem sido puxado por atividades ligadas a bens essenciais para o consumo das famílias, como supermercados, combustíveis e lubrificantes (a redução do ICMS ajudou nesse quesito) e produtos farmacêuticos; O final do ano deixou a desejar: houve queda de 23% nas vendas por e-commerce na Black Friday (Nilsen), o que sinaliza estimativa de baixa para o Natal no rally de final de ano. A Copa parece não ter contribuído para animar o consumo e os números começam a aparecer. No comércio físico, a semana do Natal (18 a 24/12) teve discreto crescimento em 2022, de 0,4%, segundo o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian. Isso como resultado da inflação, que tende a apertar o consumo familiar, o que acaba gerando como consequência crescimento econômico menor e menos investimentos. Mais do contexto: Menos demanda por crédito: segundo Serasa Experian, caiu 14,8% em outubro, comparado com o ano anterior, sendo o quinto mês seguido. Nas empresas, a queda de demanda por crédito foi de 16,4%; Endividamento segue crescendo nas empresas, sendo que em 2021 atingiu patamar recorde de 57,9% (e não está ficando mais barato pagar), dado também da Serasa Experian; Nas famílias, a inadimplência alcançou novo recorde em outubro/22, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), chegando a 30,3%. Foi o quarto mês seguido de crescimento neste indicador; O ponto especificamente é que temos um governo eleito que pretende estimular o consumo para o crescimento econômico. Mas, não estamos no mesmo Brasil de 20 anos atrás. Acreditamos que o brasileiro está se acostumando a gastar menos e não de forma desenfreada, o que seria um avanço e tanto. Trazendo para nosso território, temos que lembrar que o empreendedorismo é a força motora da economia. É do pensamento empreendedor que surge a produção, comércio e geração de empregos, é a vontade de crescer que estimula a inovação. E mais: o empreendedorismo está dando certo no Brasil. Por ano, são abertos cerca de 4 milhões de CNPJs no Brasil, fecham aproximadamente 1,5 milhões. 91% delas são individuais e microempresas, 8% são pequenas e médias. O empreendedor, além de tudo, também parece estar se tornando mais racional, característica mais necessária para empreender. No que acreditamos, e o que pedimos aos empreendedores: Um comportamento mais austero: menos gastos com ferramentas de marketing e publicidade (ouvimos constantemente as queixas de que o tempo gasto nas redes sociais não se converte em resultados) e mais ação direta; Viu um problema? Resolva o quanto antes; Entenda quais são suas prioridades (e nunca mais você terá que se preocupar com elas ou com outra coisa); O que deixa sua empresa forte é o que ela faz de melhor – entregue isso; Evite os atalhos: um corte de caminho por aqui pode lhe render um custo desnecessário à diante; Principalmente para os “pequenos grandes” e os entrantes no middle market: entenda o ambiente de negócios: conheça os gastos, os impostos e para onde vão, as questões que impactam seu negócio diretamente; Assim começamos o ano.
Transformação digital é questão de sobrevivência para negócios em manufatura

Reginaldo Ribeiro* A indústria de manufatura no Brasil vem perdendo participação no produto interno bruto (PIB). De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), essa participação, que já foi superior a 25% nos anos 1980, caiu para pouco acima dos 10%, no início da atual década. A retomada da importância desse setor, tão amplo, passa por uma série de providências, entre elas de ordem da estrutura econômica e política do país. Mas há um componente imprescindível também: a transformação digital. É sobre ela que quero me ater agora. É, digamos assim, “minha praia”, a seara onde atuo. Na COGTIVE, startup da qual sou um dos fundadores e hoje ocupo o posto de CEO, desenvolvemos software para o chão de fábrica de plantas da indústria de manufatura. Atendemos o segmento farmacêutico, de cosméticos, de vestuário, de alimentos e bebidas, química e plástico, o eletroeletrônico e o automobilístico. A rotina e a experiência acumulada vivenciando essas atividades me permitem afirmar: a transformação digital não é mais um “diferencial”. Para negócios que lidam com manufatura, é questão de sobrevivência. Alguns países já se deram conta disso há pouquinho mais de tempo. Levantamento de três anos atrás da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) indicava que em países como Estados Unidos, Alemanha, Coreia do Sul e Israel a manufatura 4.0, isto é, com alto grau tecnológico nos processos produtivos, alcançava 15% de seus respectivos setores industriais, ao passo que no Brasil atingia 2%. É verdade que depois tivemos a pandemia de covid-19, que acelerou a digitalização em alguns setores, mas na indústria é ainda processo aquém do necessário. De modo que serei taxativo: a transformação digital passa a ser obrigatória. E, evidentemente, quando falamos em transformação digital não estamos nos referindo apenas à digitalização de processos, trâmites, operações, procedimentos. Tampouco da automação de máquinas e equipamentos. Estamos falando de um estágio em outro patamar. A transformação digital é investir em soluções em que a robotização, a inteligência artificial e mesmo a internet das coisas estejam presentes não por luxo, status, requinte, mas por necessidade. As inovações em tecnologias da informação e comunicação se tornam indispensáveis para que tenhamos processos mais ágeis, com menos desperdício, menos sujeitos a gargalos, interrupções, atrasos. As soluções que startups e outros empreendimentos em TI colocam no mercado vêm para atender essa necessidade. É bem verdade que esses avanços devem estar acessíveis às empresas. Isso inclui soluções que tenham operacionalização e manutenção simplificadas ao máximo, dentro da complexidade que as envolve. Aliás, por essas duas razões – a imprescindibilidade da transformação digital, e que esta se encontre ao alcance de todos – é que trabalhamos incansavelmente para combinar tecnologias disruptivas às interfaces de fácil utilização, ajudando nossos clientes a aumentar sua eficiência. Afinal, o investimento em mais linhas produtivas, em mais fábricas, só faz sentido e dá retornos à empresa e à sociedade se vier acompanhado de maior produtividade e eficiência. Nos tempos atuais, e em um futuro em curto e médio prazo, é a transformação digital o passo decisivo para se viabilizar as almejadas produtividade e eficiência. A mensagem que aqui transmito é válida a negócios de todos os portes. Por sinal, é outra barreira que devemos superar: transformação digital não é feita só para grandes corporações. Ao contrário. Até por dependerem sobremaneira de produtividade e eficiência, é que os empreendimentos de menor porte precisam incorporar soluções tecnológicas que proporcionem tais ganhos. Aliás, essas soluções podem estar sendo desenvolvidas mais perto do que se imagina. Não é preciso recorrer à importação de tecnologia para impulsionar a transformação digital de seu negócio. Assim como tantas startups brasileiras, a COGTIVE põe no mercado soluções reconhecidas no mundo. Tanto que, agora no final de 2022, estamos nos instalando em Chicago, Estados Unidos, para atendermos indústrias de lá. Ou seja, a manufatura brasileira pode e deve contar com o ecossistema tecnológico nacional para impulsionar sua transformação digital. Reginaldo Ribeiro é fundador e CEO da COGTIVE, startup brasileira que desenvolve softwares para aumento de produtividade das indústrias de manufatura através de inteligência artificial e internet das coisas
Endividamento mórbido: uma correção histórica necessária

por Eduardo Carvalho de Castro e Renato Scardoa* No Brasil não existe pena perpétua, certo? Errado. Apesar de a nossa Constituição Federal vedar penas de caráter perpétuo, persiste sim um tipo de pena perpétua para o empreendedor que “deu errado” nos negócios: ele é responsabilizado perpetuamente por pagar certas dívidas do negócio que fechou. Se as dívidas são muito grandes, desproporcionais à sua capacidade de pagar, o empreendedor se torna “endividado mórbido” paro resto de sua vida. Dívidas tributárias, trabalhistas e bancárias deixadas pelo negócio que fechou são cobradas judicialmente por meio de processos de execução que prosseguem ad infinitum, para o resto da vida do “ex-empreendedor”. Diante de processos de execução de dívida, ele fica impedido de recomeçar nos negócios, sem condições de poupar sua renda pessoal para voltar a empreender (porque toda sua poupança acumulada está sujeita a penhora judicial nos processos de execução de dívida). Eis a pena perpétua brasileira, o “endividamento mórbido”. Os dados confirmam a existência do problema. Existem na dívida ativa federal mais de 2 milhões de ex-empreendedores responsabilizados a pagar dívidas de suas empresas totalizando R$ 1,4 trilhão, segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com uma cobrança média de mais de R$ 680.000 por devedor corresponsabilizado pelas dívidas de suas empresas. Esses ex-empreendedores estão aniquilados economicamente, sobrevivem na “clandestinidade econômica”, sem liberdade para explorar seu potencial empreendedor. A perpetuidade da pena de “endividado mórbido” é confirmada pela antiguidade dessas cobranças em dívida ativa federal: boa parte delas está em aberto desde a década de 1990 e mesmo antes. A situação fica ainda pior se consideramos que há também dívidas tributárias para com estados e municípios, dívidas trabalhistas e bancárias dos negócios que fecharam cuja cobrança foi redirecionada aos ex-empreendedores, dados esses indisponíveis publicamente. O “endividamento mórbido” perpétuo representa uma ineficiência econômica. O impasse gerado pela dívida desproporcionalmente maior que a capacidade do devedor sem bens penaliza três conjuntos de atores: os devedores mórbidos perpétuos, na forma descrita acima; os credores, que desperdiçam recursos valiosos na tentativa infrutífera de cobrança judicial perpétua da dívida – dados do Tesouro Nacional de 2016 indicam que menos de 0,5% do valor cobrado judicialmente é efetivamente pago pelo devedor; e, em terceiro lugar, a sociedade, que deixa de se beneficiar do potencial econômico desta persona. Enquanto os endividados mórbidos continuarem aniquilados, a economia crescerá menos do que poderia. A riqueza nacional, o nível de emprego e de renda da população continuará a evoluir de forma pífia e desapontadora, aquém do seu verdadeiro potencial. O que deve ser feito? Ora, diante dessa ineficiência econômica, cabe ação governamental legislativa para “desatar o nó” do endividamento mórbido perpétuo. A perpetuidade tem que acabar. Após o encerramento de um negócio e diante de inexistência de mais bens do ex-empreendedor, as cobranças devem ser encerradas. Assim o ex-empreendedor pode recomeçar, obter o “fresh start”, começar do zero outra vez. É aí que entra projeto de MLR-Marco Legal do Reempreendedorismo (PLP33/2020). Se aprovado no Congresso Nacional, o MLR facilitará a reorganização financeira e liquidação de micro e pequenas empresas e seus respectivos empresários. O empresário (pessoa física) poderá requerer a liquidação de seus bens na qualidade de equiparado a micro e pequena empresa. Cumpridos os requisitos legais da liquidação dos bens do empresário, as cobranças são suspensas e com isso o empresário retoma sua cidadania econômica, o fresh start, o direito de começar do zero. É uma luz no fim de um longo túnel para milhões de endividados mórbidos. Eduardo Carvalho de Castro é Economista e PhD em Economia Política pela Princeton University e ex-funcionário do FMI-Fundo Monetário Internacional. Renato Scardoa é advogado especialista em Estruturação de Negócios e Reestruturação de Empresas. Professor de Direito Comercial. Doutorando em Direito Comercial pela USP. Mestre em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela PUC/SP. Membro da Comissão de Juristas nomeados pelo Senado Federal para Reforma do Código Comercial e integrante do Grupo de Juristas que elaborou o texto do Projeto do Marco Legal do Reempreendedorismo.
A burocracia, a necessidade de crédito e a profissionalização

Um levantamento do Sebrae divulgado na última semana indica que 61% dos microempreendedores individuais (MEIs) que recorreram a financiamentos ou empréstimos fizeram a solicitação via pessoa física. Reportagem do Jornal Nacional que foi ao ar na terça-feira, 27 de dezembro, traz um personagem que ilustra bem essa questão, o Will da Afro, dono de uma marca de moda na periferia de São Paulo, que diz: “Por mais que a gente tenha o CNPJ, é pouco tempo. Então a gente tem que provar que vai conseguir pagar, então tem inúmeras burocracias, às vezes nós não temos essas documentações que exigem, então não é nem difícil, fica impossível”. No último mês, o Sebrae Minas fez uma pesquisa que apontou que as pequenas empresas são em maioria negócios familiares, e que o maior desafio é distinguir as finanças da companhia das pessoais, o segundo é separar a relação familiar da profissional. Quanto menor a empresa, maior a pressão emocional pelo fato de o negócio ser da empresa, diz o Estudo. Há três questões em pauta e que deveriam ser amplamente (e profundamente) discutidas por impactarem empreendedores de todos os portes: a burocracia, a necessidade de crédito e a profissionalização. O primeiro ponto, a burocracia, é um problema estrutural. Afeta não apenas o empreendedor, mas toda a sociedade. É o maior custo para o país. Tudo – absolutamente tudo – que se vá fazer, a pessoa tem que tirar um dia para resolver, se não mais. Cartórios, departamentos, deslocamentos, ligações para SACs que você é transferido para trocentas pessoas. Sempre tem algo que a pessoa que precisa resolver está devendo, o que confirma a tese de que a premissa da burocracia é que você, cidadão, está errado. Você leu certo, não é um exagero. Essa é a premissa. Esses dias, por curiosidade, passamos o olho na legislação do Estado da Bahia, com a ideia de avaliar o que há de incentivo ao empreendedorismo. Não há. Aliás, há algumas linhas protecionistas para minorias – sem julgamento, mas claramente são resultado de uma política popularista visto que há um enorme vazio no que diz respeito a políticas estruturantes para se empreender ou conduzir negócios. É uma legislação pós-monárquica, que defende basicamente a estrutura política e o funcionalismo público. Por outro lado, há de se comemorar os avanços federais como o Código de Defesa do Empreendedor, de autoria do Deputado Federal Vinícius Poit. Alguém tem que olhar para os Wills. O segundo ponto é necessidade de crédito – vejam bem, estamos falando de NECESSIDADE, não de acesso. Não é preciso fazer grande pesquisa para reconhecer que quanto mais dinheiro, mais fácil é conseguir dinheiro. Em discussão recente na Live sobre Projeto de Lei que prevê simplificar renegociação de dívidas para micros e pequenos empresários (a PLP 33/2020), um consultor empresarial enviou um comentário interessante: “Tomar empréstimo para comprar uma nova máquina que vai criar ativo, que pagará a dívida” – se o empresário vai pegar recurso para gerar mais dinheiro e pagar suas dívidas, ele merece esse recurso. Isso não deveria ser caro. Voltemos ao MEI: a pessoa monta a boutique, faz as primeiras compras, tem os primeiros produtos, precisa contratar um vendedor, fazer alguma publicidade, manter a loja organizada – em alguns meses, quanto ela terá de aluguel (e se for online, por menores que sejam os custos, também há custos), contas e tudo mais? O capital inicial é importantíssimo. Para crescer, precisa de mais dinheiro. É só pegar os DREs das grandes companhias: todas têm empréstimos. O que deveria ser feito? Com a onda de “MEItização”, há que se separar a água do óleo. Esta semana havia um anúncio de vaga de trabalho que exigia que a pessoa tivesse seu CNPJ. Isso não é ser empreendedor individual. Empreendedor individual é o Will. E o Will precisa de recursos para manter a sua loja. Por que enfatizamos que não se trata de acesso a crédito? Acesso é quantidade. Há diversas ferramentas, porém, a qualidade do crédito carimba o achado da pesquisa do Sebrae: é difícil conseguir o aporte para o CNPJ, então vai de CPF, mesmo pagando mais caro. O último ponto é a profissionalização da gestão. Não apenas da gestão, mas de toda a empresa, certo? A coisa começa a funcionar melhor quando deixa de ser caseira e passa a ser PROFISSIONAL. O empreendedor sabe matemática, tem um sobrinho que sabe mexer nas redes sociais. Mas, contratar um administrativo financeiro e uma empresa que saiba fazer marketing digital colocam a coisa em outro nível. Se para o micro e pequeno isso é importante, quando se trata de um médio negócio, impacta ainda mais. Quanto maior a empresa, maior a necessidade de profissionalização de tudo: administrativo, vendas, cobranças, marketing… até compliance, jurídico e gestão em si. Lembrando o que trouxemos acima, o problema de separar as contas e a relação familiar da profissional é de todos, então é melhor profissionalizar para que o negócio possa crescer, sabendo que isso terá custos, mas que é o melhor caminho para dar resultados.
Por mais empreendedores na indústria brasileira

Muitos dos temas que são tratados no Empreendabilidade coincidem com a agenda de setores específicos da economia, e temos bastante apreço pela indústria. Ao nosso ver, é ali onde tudo começa: um dado da CNI mostra que cada R$ 1 investido na indústria se transforma em R$ 2,43 na economia. O movimento de micros empresas e do empreendedorismo individual é muito relevante para estimular o crescimento da economia e do país, mas, essa frente não concorre e não deve tomar lugar de Pequenos e Médios Negócios, principalmente nos setores de base. Aí é onde fica evidente o maior problema para o empresariado brasileiro: a questão tributária. Segundo o Movimento Brasil Competitivo, as empresas perdem R$ 1,5 trilhão com o Custo Brasil. Sabemos, o custo é muito maior para os pequenos. Ao mesmo tempo, o Brasil vem passando por um terrível processo de desindustrialização. Em 2006, a indústria representava 2,58% da produção mundial. Em 2021, esse número era de 1,28% (CNI). Entre os fatores que contribuem para a redução de investimentos na indústria estão o sistema tributário complexo, oneroso e cumulativo, a infraestrutura deficiente, o financiamento escasso e caro, a baixa qualidade da educação, o ambiente macroeconômico instável e a insegurança jurídica. Por outro lado, o setor industrial é quem puxa o crescimento dos demais setores, graças às cadeias produtivas longas e por ser o indutor de inovações da economia. Cerca de 38% do recolhimento de impostos federais, contribuições previdenciárias e ICMS vêm da indústria. Além disso, a indústria responde por 22,2% do Produto Interno Bruto (PIB) – na década de 1980 esse número era de 48% (CNI). Estimular a produção e o empreendedorismo de base – que gera, de fato, recursos, negócios e empregos – tem efeitos perenes. Para tanto, é urgente a reforma tributária. Para se ter ideia, a CNI apresentou aos presidenciáveis um Plano de Retomada da Indústria a fim de ampliar a competitividade e incentivar novos investimentos, entre outras medidas estruturantes. Dos 11 eixos prioritários, 6 diziam respeito a questões tributárias e garantias de um ambiente mais favorável aos negócios. Da mesma forma que tudo começa na indústria, a força do Pequeno e Médio Negócio já é mais do que comprovada. Para a economia crescer e sairmos da eterna promessa, resta ao país ajudar a ser ajudado. Do restante, os empreendedores cuidam. Uma menção especial à Votorantim, que desde 1918 atua para a industrialização do país.
Sinais, desafios e ação

O principal desafio de se ter um negócio no Brasil são os impostos. A carga tributária não apenas é alta como é injustificada. O que torna os impostos altos? Simples: eles mantêm a máquina estatal – quanto mais pesada, com mais pessoas (e benesses), mais cara – e o bem coletivo – quanto mais é necessário distribuir, mais é necessário arrecadar. Pelo emaranhado da nossa estrutura pública, esse cálculo pode ser complexo. Mas, a premissa é fácil de ser entendida: não existe almoço grátis, não vai cair dinheiro do céu, não existe planta de moeda. Quanto mais se gasta, mais se deve produzir. É claro. No orçamento doméstico, um dos princípios é economizar antes de gastar. Por que no orçamento do país se geraria gastos antes de gerar recursos? Um relatório do banco Credit Suisse desta semana mostra que o teto de gastos não suporta as promessas de campanha. Para atender apenas os gastos do Bolsa Família fora do teto, o PIB precisaria crescer 3,5%. Na projeção dos próximos anos, não é viável. Pior, as despesas adicionais podem tornar o índice de endividamento do País insustentável. O que estamos observando são sinais de que algo pode não dar certo, e queremos oferecer aos pequenos e médios negócios essa visão, que os grandes têm. Seguindo esses sinais, acreditamos que a solução é estimular o aumento de produção e o empreendedorismo de base, que cria, de fato, recursos. Pretendemos, em 2023, estimular essa discussão e apoiar o empresariado nesse caminho, reunindo e compartilhando conhecimento, para que os próximos anos sejam melhores. Essa é a nossa forma de ajudar o País a crescer.
Feliz ano velho

Ouvi muitos economistas para escrever isso aqui. Ao vivo, entrevistas, artigos e debates em eventos. Há muitas coincidências nas falas. Pode não parecer, mas acabamos de sair da pandemia da Covid e o cenário que vivemos é em decorrência daquilo tudo que vimos há dois anos. O que se percebe, no mundo em geral, é que o impacto financeiro não foi medido, a conta chegou para vários países. Aparentemente, o Brasil acertou em antecipar a baixa de juros e antecipar a inflação. Para quem não lembra, os juros chegaram a 2%. Agora estão em 13,75%. Havia uma expectativa: de que os juros fossem se reduzindo com o passar do tempo. O teto previsto era de 14%, nada muito mais que isso. O que aconteceu foi que a projeção de curva de redução se estendeu. Resta saber se essa esticada vai até meados de 2023 – até agosto/23, dizem alguns – ou durará até o final do ano. Alguns otimistas esperam 11% para o final do ano que vem. Com a aprovação da PEC de transição no Senado, o furo no teto de gastos passa dos R$ 170 bilhões. O excesso de R$ 100 bi representa cerca de 1,5% do PIB. Como isso será pago, se não tem almoço grátis? A aposta é no crescimento da economia, sendo que estamos vindo de um baixo crescimento na última década. Se não crescer, o resultado será o aumento de impostos. Ou seja, aumento nos custos de quem produz e do povo. O Senado estabeleceu até 31 de agosto de 2023 o prazo para uma proposta de nova âncora fiscal para o novo governo, o que, de certa forma, dá uma segurada. Mas, há uma questão em aberto sobre qual é o próximo movimento do governo eleito. Existirá novas frentes para mais gastos, para atender à pauta mais populista? Aparentemente, estamos esperando ver o que acontece, mas desconfiados. Ora, conhecemos as pessoas ali. Por esse mesmo motivo, há também uma certa confiança na habilidade do futuro antigo presidente eleito, de organizar interesses. Seguimos aguardando os próximos passos.
Decisões são tomadas a partir de análises, pois dados por si só não dizem nada

As tecnologias que facilitam a vida do micro e do pequeno empreendedor estão aí: aplicativos, sites e sistemas disponíveis para gestão financeira, de RH e outras ferramentas operacionais. Do outro lado, uma chuva de informações do ambiente de negócios: mudanças na legislação e regulatórias, políticas ou questões macroeconômicas (você exportador, se viu impactado pela guerra na Rússia? Por que será?), eleições. O humor dos negócios muda conforme o meio. Os indicadores e projeções também fazem parte dessa leva de informações que o empreendedor tem que lidar. Como? Recorremos aos dados. Mas é tanta coisa, que a dúvida que fica é o que vamos fazer com isso. Em um levantamento do Sebrae com MPEs, 10% dos empreendedores respondentes afirmam que não têm dificuldades no dia-a-dia. Como alguém que tem um negócio no Brasil não vê dificuldades? Algo não está correto. O que lemos é que talvez esses empreendedores sequer saibam quais as dificuldades que eles têm. Esse é um dado importante, principalmente no Brasil, que sofre com a burocracia, com mudanças de cenário bruscas e que, sabemos, não dá tanta prioridade assim para quem produz. Com a prioridade para as vendas e saúde financeira, que é o que mantém a empresa funcionando, falta tempo ao empreendedor para o fator mais importante para o negócio: a estratégia. Essa linha mestra que mantém a energia do negócio voltada para um fim específico. A chuva de ferramentas disponíveis pode ajudar no operacional. As estatísticas, soltas, não dizem nada, são inúteis. Mas, os dados são importantes. Há três características que consideramos irrefutáveis: Os dados sempre dizem a verdade: Com muita honestidade, esse é um fato incontestável. A não ser que tenham sido modificados para atender interesses, o que é dado é fato. O que muda são os vieses, as interpretações que podem ser dadas. Mas, até sobre vieses, os dados sempre dizem alguma coisa. Os dados são atraentes: As pessoas sempre buscam informações comprovadas que possam corroborar suas próprias teses. O que vimos na pandemia? Nas eleições? Nunca se procurou tanto por números, fontes e informações. Nunca se espalhou tanto os dados. Os dados mudam comportamento: Não há nada mais humano do que agir e reagir, e informações provocam ação. As pessoas estão em busca de segurança, mas não sabem exatamente como conseguí-la. Quem procura um dado, quer um orientador, um direcionador. Mas, na hora de buscar compreensão sobre possibilidades para fazer o negócio crescer, para tomar uma decisão de expandir ou de segurar investimentos, de captar recursos para ampliar uma linha, ou para entender o que está acontecendo no Brasil, não são os dados sozinhos que indicam o caminho, é a capacidade de analisá-los. Dentro de um universo onde – antes das eleições – 75% dos MPEs se sentiam confiantes em dizer que o seu negócio pode crescer nos próximos anos, a leitura dos cenários tem papel preponderante, e ela parte da análise de dados. Selecionar, filtrar, usar fontes confiáveis e cruzar as informações buscando causalidades é o que possibilita entregar o direcionamento. Nesta véspera de fim de ano (faltam apenas 30 dias para 2022 acabar!), temos certeza que, sem dados e com muitas ferramentas, duas coisas podem acabar cheias na vida do empreendedor: a cabeça e a gaveta.
A aprovação da PLP 108/2021 e aumento do limite do Simples é urgente

A proposta de aumento do teto do Simples Nacional para enquadramento de MEIs, Micros e Pequenas Empresas só tem a beneficiar o Brasil, gerar mais empregos e o ambiente de negócios. Vale ressaltar: o tema mais desafiador para o empreendedor brasileiro é a tributação. Em resumo, o Projeto de Lei Complementar 108/2021 de autoria do Senador Jayme Campos (DEM/MT) altera o código anterior, de 2006, aumentando os limites de teto para enquadramento no Simples Nacional. Após apreciação e observações da Câmara dos Deputados, tendo como relatores os Deputados Federais Darci de Matos (PSD-SC) e Marco Bertaiolli (PSD/SP), com parecer favorável das devidas Comissões e da Mesa Diretora da casa, o documento foi aprovado com a seguinte proposta: Eleva o teto da receita bruta anual de MEI de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil (texto original pede R$ 130 mil) MEI poderá contratar até 2 empregados Eleva o teto da receita bruta anual de Microempresas de R$ 360 mil para R$ 864,4 mil; Eleva o teto da receita bruta anual de Empresas de Pequeno Porte (Pequena Empresa) de R$ 4,8 milhões para R$ 8,6 milhões (há um pleito para esse número ficar em R$ 6,4 milhões); Determina correção anual de enquadramento considerando o IPCA; A proposta volta para o Senado para apreciação e aprovação, e já há um Requerimento de Urgência já publicado, pedindo celeridade no processo, que obteve mais de 200 assinaturas para votação. Por que a proposta da PLP 108/2021 é válida? Basicamente, corrige o teto de enquadramento seguindo a inflação. Por exemplo, os R$ 360 mil que são o teto para o microempreendedor hoje, não são os mesmos R$ 360 mil de 16 anos atrás. Por que acelerar o processo? Porque a adesão ao Simples deve ser solicitada no início do ano-base. Ou seja, para a lei ter efetividade no próximo ano, ela tem que ser assinada ainda este ano (falta um mês!). Quais os argumentos a favor? O nome já diz tudo: o Simples simplifica a burocracia. O sistema passou a valer em 2006 e um dos seus idealizadores, o assessor Especial do Ministério da Economia Guilherme Afif Domingos – que já foi presidente do Sebrae, Diretor da Associação Comercial de São Paulo e ocupou outros cargos políticos relevantes – defende veementemente que não se trata de uma renúncia fiscal, mas sim de um sistema de incentivo ao empreendedorismo. Os custos da burocracia são altos, os de impostos, ainda mais (todos sabem). Seria inviável existir o pequeno empreendedor ou o MEI (que só surgiu em 2009) se não existisse o Simples. Impacto da burocracia Para se ter ideia, as empresas gastam ao todo R$ 180 bilhões por ano com a burocracia tributária (Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – IBPT). Para estar em dia com o fisco, as empresas precisam seguir o que consta em 4.626 normas – 51.945 artigos, 121.033 parágrafos e 386.993 incisos, aponta o Estudo. Isso é inviável para o MEI, micro e pequeno empresário enfrentar isso, o que o Simples resume em apenas um imposto – e ainda assim, conforme ouvimos de alguns especialistas tributários, é complicado entender algumas coisas. Advogados e pesquisadores expõem os custos e o impacto da super estrutura legislativa brasileira, cuja complexidade e dificuldade de compreensão gera custos diretos e indiretos. O acervo de disputas tributárias no país soma mais de R$ 5,4 bilhões. A informação é de reportagem do Valor Econômico de 06 de outubro de 2021: https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2021/10/06/empresas-gastam-r-180-bilhoes-por-ano-com-burocracia-tributaria.ghtml País Empreendedor Esta é a força do empreendedorismo brasileiro Micros e Pequenas Empresas são 99% de todas as empresas em atividade no País (mais de 18,5 milhões) Representam 30% do PIB brasileiro – R$ 3 trilhões em faturamento MPEs são responsáveis por mais de 71% dos empregos gerados. Até agosto, foram 1,3 milhão de empregos gerados por empresas deste porte, do total de 1,85 milhão No setor de serviços, que representa mais de 70% do PIB, as MPEs detém mais da metade dos cadastros ativos no país 61,9% dos MPEs têm mais de 6 anos de atividade, destes 36,9% têm mais de 10 anos 65% dos MPEs que fecharam as portas pretendem retomar as atividades num futuro próximo Número de pequenos empresários que aumentou faturamento no último ano passou de 31% para 38% – enquanto os que o faturamento caiu diminuiu de 40% para 28% 76,5% dos MPEs afirma que sua empresa pode aumentar de porte nos próximos anos (dados do Sebrae) Sendo assim, o regime simplificado possibilita às empresas crescerem e prosperarem ainda mais. Graças ao regime simplificado, há menos empresas endividadas As dívidas estão “em dia” para 37%, contra 35% no primeiro semestre; Em atraso diminuiu de 30% para 24%; Não tem dívidas passou de 35% para 39%; O pagamento de dívidas consome menos caixa: saiu de 59% (abril) para 51% (agosto) os MPEs que têm 30% ou mais do faturamento comprometido, e aumentou de 36% para 41% os que têm menos de 30%; (dados do Sebrae) O Simples é isenção fiscal? Se arrecada menos com o Simples? Não, o Simples não é uma mera isenção fiscal. O Simples simplifica o processo de arrecadação, criando um tributo único a partir dos cálculos da tributação em diferentes esferas: Federal, Estadual e Municipal. A arrecadação do Simples teve alta de 18,7% no período jan-set (Min. Economia) A inadimplência das MPEs é baixa em relação ao movimento econômico: Apenas 255 mil empresas MPEs são devedoras da Receita, o volume de inadimplência é de R$ 11bi (dados da RFB) Para se ter ideia, as Médias e Grandes Empresas, cuja geração de empregos mal representa 20% do total, são grandes devedoras do Fisco: Grandes Devedores: R$ 1 tri (R$ 987,75 bilhões em 2021) Os maiores devedores nacionais são: Refinaria de Petróleo de Manguinhos (R$ 7,7 bilhões) Ambev (R$ 6,3 bilhões) Telefônica Vivo (R$ 4,9 bilhões) Sagra Produtos Farmacêuticos (R$
O empreendedorismo está dando certo

Sim. É isso mesmo que você leu. O empreendedorismo está dando certo no Brasil. O Ministério da Economia lançou, inclusive, uma página aberta para as pessoas acompanharem o balanço de aberturas e fechamentos de empresas (Mapa de Empresas, clique aqui) onde é possível cruzar dados por data, região, porte da empresa e natureza jurídica (se é sociedade limitada, empresa individual, associação etc.) ou opção ao MEI. O número atual é de 3,3 milhões de empresas abertas no país no total do ano, contra 1,4 milhão de empresas extintas. No ano passado inteiro, foram 4 milhões de empresas abertas, contra os mesmos 1,4 milhão encerradas. Você pode dizer: ora, mas então vamos encerrar mais empresas em 2022 porque ainda falta 1 mês e meio para acabar o ano. Sim, isso vai acontecer e é muito provável que esse número chegue a 1,7 milhão. Porém, isso não quer dizer que as EMPRESAS estejam dando errado. O comportamento que viemos acompanhando desde a pandemia – principalmente no ano de 2020 – é de mais MEIs sendo abertas, muitas delas por pessoas que acabaram tendo que firmar CNPJ como forma de aumentar as chances de emprego diante do cenário da Covid. Muitas dessas pessoas, ao retornar ao mercado de trabalho, abandonam e encerram a empresa, o que acaba aumentando o número de CNPJs baixados ou extintos. Não é desse grupo que estamos tratando aqui. Nosso olhar está atento ao empreendedor que quer montar seu negócio e vê-lo crescer. De fato, há indicativos de que as Micros e Pequenas Empresas estão mais sólidas, estão crescendo, administram melhor as dívidas e seguem contratando. Vejam os dados abaixo: 61,9% dos MPEs têm mais de 6 anos de atividade, destes 36,9% têm mais de 10 anos 65% dos MPEs que fecharam as portas pretendem retomar as atividades num futuro próximo Número de pequenos empresários que aumentou faturamento no último ano passou de 31% para 38% X dos que o faturamento caiu diminuiu de 40% para 28% 76,5% dos MPEs afirma que sua empresa pode aumentar de porte nos próximos anos As dívidas estão “em dia” para 37%, contra 35% no primeiro semestre; Em atraso diminuiu de 30% para 24%; Não tem dívidas passou de 35% para 39%; O pagamento de dívidas consome menos caixa: saiu de 59% (abril) para 51% (agosto) os MPEs que têm 30% ou mais do faturamento comprometido, e aumentou de 36% para 41% os que têm menos de 30%; No acumulado do ano,o Brasil supera a marca de 1,85 milhão de empregos gerados, sendo que 71,7% (1,3 milhão) são advindos das atividades de Micros e Pequenas empresas. Os dados são do Sebrae e indicam que o aumento no número de CNPJs não é apenas um movimento de “Pejotização” com os MEIs como muitos tendem a criticar. Aliás, não seriam os MEIs o melhor meio de formalizar negócios que muitos brasileiros abriram por necessidade, ainda mais após a pandemia? Fica aqui anotado para aprofundarmos neste assunto em outro momento.
2015: Catástrofe

De certa forma, o que aconteceu em 2015 no Brasil foi uma consequência de alguém ter tentado ajustar o caos. Controlar a economia. Dar umas pedaladas. As discussões pós-eleição sobre as políticas econômicas nos interessam pelo simples fato de que, a depender de que direção a economia tome, podemos ter novamente esse resultado. A base para esse levantamento foi a Receita Federal (a mesma que as empresas, consultorias e demais instituições utilizam para consultar dados das empresas). Das empresas abertas em 2002, a crise de 2015 atingiu as sobreviventes até aquele ano muito mais do que a crise global de 2008 e, depois, a pandemia (vão dizer que na Pandemia já existiam menos empresas com quase 20 anos, porém, se essa lógica funcionasse, 2015 também não teria tido o impacto que teve porque havia menos sobreviventes que em 2008. Aliás, o começo é muito mais cruel, a tal mortalidade precoce que tanto se fala). Escolhemos 2002 porque foi um marco histórico político, com a eleição de Lula pela 1a vez. Simples assim. Como a junção de uma política econômica equivocada, um cenário externo conturbado, questões de corrupção impactou as empresas? Resposta: 3x mais que a crise global de 2008 e 10 vezes mais que a pandemia de 2020 (considerando as empresas que ficaram inaptas após o evento de 2015). Podemos culpar o vírus por muitas mortes, mas não a de empresas.
Caos

“Não espere que o mundo seja como você deseja, mas sim como ele realmente é. Dessa forma, você terá uma vida tranquila” – Epicteto Organizar o caos é, de forma geral, tirar as coisas do seu ciclo natural. Isso nunca deu certo. “Talvez o caos e o acaso sejam a ordem natural das coisas”, diz o romancista britânico Johathan Coe. “Antifrágil, como se beneficiar do caos” é o título completo da obra de Nassim Taleb, que muitos conhecem como um escritor do mercado financeiro, mas que escreve, na verdade, sobre a vida. O caos é tema de muitas excelentes obras literárias, ao mesmo tempo provoca discussões e cria teses obstinadas por organização, mas seria essa organização produtiva mesmo? Essa conversa faz lembrar do filme “Efeito borboleta”. O protagonista, sabendo do seu poder de viajar no tempo, mudar uma realidade e voltar ao tempo atual, tenta de todas as formas alterar o futuro indesejado para os amigos. Não dá certo. A única forma de conseguir o que queria foi ele mesmo sacrificar sua vontade. Trazendo isso para a realidade do empreendedor brasileiro: ele é o ator, mas não pode mexer no cenário caótico. Pode enfrentá-lo, aprender com ele. Aliás, esse palco não dá sossego: na linha do tempo dos últimos 21 anos teve eleições polarizadas (2002), mensalão (2005), crise global (2008), não é pelos R$ 0,20 (2013), crise da indústria (2014), crise Brasil (2015), Impeachment (2016), greve dos caminhoneiros (2018), incertezas com a lava-jato, pandemia… No contexto geral, vivemos em caos. Tiremos algum proveito disso. Mas, saibamos diferenciar quando não for caos, e sim uma catástrofe.
Seja duro

A primeira impressão quando se ouve a palavra “duro” é de ser rigoroso com os outros. Não é disso que estamos falando. A segunda é de ser intransigente. Também não é isso. Uma das premissas da corrente filosófica do estoicismo é de que devemos ter consciência de duas coisas (e saber distingui-las): O que está ao nosso alcance e que podemos controlar – que é onde endurecemos a nós mesmos e onde podemos agir. O que não está, que não controlamos – que não mudamos e que cabe aceitar. Ser duro significa ser sólido, forte e firme para resistir às forças externas, a tudo aquilo que vem de fora e que não está sob nosso controle. Um atleta duro é o que resiste ao peso do exercício, seja ele qual for. Faz o que tem que fazer. Não sucumbe às exigências, não reclama de horário do treino. Anda ereto. Conhece a si próprio. É fácil identificar um atleta desses, muito diferente de uma pessoa comum. Geralmente se destaca, pensa no longo prazo, trabalha nos seus objetivos. Conhece o Cristiano Ronaldo? Duro. O tronco da árvore não se submete à força do vento. Ele é rígido, estruturado. Sustenta galhos, folhas, frutos, pássaros, macacos e outros animais. É para onde os bichos vão para se proteger da tempestade, até. Quando o impacto é forte, é a parte que fica de pé para que a árvore cresça novamente. Você, empreendedor, deve ser duro como o tronco de uma árvore, como um atleta profissional. Em conhecimento, na base necessária de informações absorvidas para o negócio dar certo. Em estrutura, nos alicerces materiais que lhe sustentem e que sejam essenciais para manter o empreendimento. Deve trabalhar nos seus objetivos e no que for necessário para que eles aconteçam. Mar calmo nunca fez bom marinheiro e o que vem fácil, vai fácil – duas frases que viraram ditados e que representam bem essa verdade. Aliás, existe a verdade e o que está por vir. Verdade é o que sabemos, o que está aí. O que está por vir, quem sabe? Não está ao nosso alcance. Se o futuro for leve, quem é duro passará. Se for pesado, quem é duro resistirá. Assim é com as mudanças de cenário não previstas. Ou que estavam previstas, mas que podem mudar independentemente da sua vontade. Um exemplo que ilustra essa tese é o da pandemia: as empresas duras lidaram melhor com aquele momento. Estavam preparadas, imaginando que aquilo poderia acontecer naquela magnitude? Não. Mas, resistiram. Essas foram as que mantiveram profissionais, apoiaram a comunidade e tiveram paciência porque sabiam que a tormenta ia passar. As experiências negativas, decisões difíceis, momentos de aprendizado e dedicação são o caminho. É o mar revolto que prepara o bom marinheiro para qualquer maré.
Fazer escolhas

Talvez uma das coisas mais difíceis na jornada de quem empreende ou quer empreender seja ter que fazer escolhas. Principalmente para o empreendedor que vem do mercado corporativo. Por que a pessoa que vem das empresas teria mais dificuldade de fazer escolhas? Simples. Porque em uma empresa, alguém está dizendo o que deve ser feito. Mas, quando você vira o dono da empresa, quem define isso é você. Legal, não? Nem sempre. Quando se é funcionário, para alguns é fácil: você se acostuma a falar o que as pessoas querem ouvir. Isso não é uma crítica, é a lei da sobrevivência no mundo corporativo. Quando você é o dono, para muitos é difícil. Você tem que falar, fazer e respirar o que é bom para o seu negócio. É a lei da selva. Prepare-se para escolher estar sozinho num sábado e achar isso normal. Esteja pronto para dizer não, o que pode ser uma das coisas mais duras de se fazer na vida. Prepare-se para receber alguns olhares de desapontamento, de quem acha que você está sendo desatencioso, displicente. Se você falta a um evento social porque teve uma responsabilidade “da empresa”, muitos acham normal. Agora, quando você é o ‘dono do negócio’, as pessoas acham que você pode pular a tarefa, mandar alguém fazer… No momento em que o negócio está começando, o que você escolheria: 1) um final de semana de sol na praia, esticar o feriado com o par; Ou 2) adiantar aquele projeto que você quer vender para um possível comprador? Preencher aquela planilha de custos que você sabe que está ‘quase’ postergando? Não se engane. Fazer o que tem que ser feito envolve decisões duras. Talvez, até consequências. Mas, se você decidiu empreender, provavelmente já sabe disso: o negócio depende de você. O que você escolhe fazer hoje é o que trará o resultado depois.
Antifrágil

O termo vem se tornando comum pelo título do livro escrito por Nassim Taleb, voltado mais a investidores do mercado financeiro , mas não é exclusivo deste setor. Pelo contrário. Antifrágil tem toda relação com o empreendedorismo. Aliás, tem toda relação com o ser humano. Não somos frágeis. A vida não é frágil. O que caracteriza os seres vivos é justamente a capacidade de se adaptar às adversidades e sair mais fortes delas. A criança que aprende a andar não desiste. Caiu, levantou. Na segunda tentativa, anda melhor. Um passo de cada vez. É natural. No processo de autodesenvolvimento, a jornada é cheia dessas. Está escrito na história da humanidade que nosso negócio é enfrentar desafios. A vida não vem com uma fórmula pronta. Não estamos aqui a passeio. Decidir empreender, ou TER que empreender, diz respeito a isso. O empreendedor aceita essa jornada, assim como Ulisses aceitou a Odisseia escrita por Homero muito antes de Taleb escrever seu livro. Todos já devem ter ouvido algo parecido com “as pessoas só veem quando o negócio está pronto, ninguém viu os tombos que levou”. Incrível a quantidade de gente que fala que fulano ficou rico porque está empreendendo. Mal sabem… Ninguém nasce pronto. Mas, se a natureza nos deu esse dom, vamos aproveitá-lo. Um passo de cada vez.
A verdade dói

1ª lição para quem quer empreender: amadureça. Amadurecer significa lidar com as coisas como elas são, ter responsabilidades, responder pelos seus próprios atos e suas consequências. Quando a pessoa decide empreender, ou, como metade dos brasileiros que empreendem, TEM que empreender (por necessidade e “força maior”), o primeiro passo é encarar a vida como ela é. Isso significa fazer o que tem que ser feito sem reclamar (ou, pelo menos, não sempre). Chega a ser estóico. Juros estão altos, demanda caiu, algo não deu certo no processo. Vai fazer o quê? Encare de frente! Para aqueles que tiveram chance de alguma vez fazer terapia, um coaching ou qualquer processo de autoconhecimento, isso talvez esteja mais claro. É o primeiro recado para autodesenvolvimento. Assumir não apenas o que te impacta diretamente, mas o que impacta o seu negócio, e tudo o que diz respeito a você e a ele, é maturidade. “Eu sou eu e minha circunstância. Se não a salvo a ela, não me salvo a mim” diz Ortega y Gasset, filósofo espanhol. A verdade é que o primeiro passo para empreender não é abrir o CNPJ. Não existem apenas 5 passos para o sucesso. Acordar 4h30 não dá certeza de riqueza. Mas, encarando as dores de frente, pelo menos se tem a certeza de que elas serão enfrentadas. Acredite, empreendedor: dói menos a dor que você aceita do que a que você resiste a encarar. Ricardo Meireles é fundador e publisher do Empreendabilidade.
Capacidade de empreender

Lançamos a primeira datalab do Brasil voltada ao empreendedorismo a partir de um olhar crítico para o conteúdo que existe sobre o assunto. Quem pensa em empreender, ou quem está montando o negócio, ou até quem já tem seu negócio andando, obviamente almeja sucesso. Não importa se isso significa chegar a um momento de abrir capital e ter uma empresa com milhares de funcionários, ou se trata-se da ideia de ter uma empresa familiar sólida, que funciona bem, cresce e está pronta para enfrentar a concorrência. Aí veio a pandemia. Milhares de pessoas que perderam empregos, boa parte delas profissionais maduros. Empreender, que já era uma questão de necessidade para muita gente que depende de seu próprio negócio para viver, passa a ser a melhor opção para muita gente. Começamos a ver várias histórias de gente que foi lá e fez. Mas, muita gente que já tinha alguma competência para negócios e que estava guardada. Ao mesmo tempo, todo mundo deve conhecer uma pessoa que tem várias ideias e não coloca nada em prática. Espera o momento perfeito. O que entendemos é que muita gente ainda não desenvolveu a EMPREENDABILIDADE, a capacidade de empreender, de fazer um negócio se iniciar, crescer e prosperar. Cunhamos o termo, o conceito e a marca. Há muitos cursos disponíveis no mercado, de várias naturezas. Há muita explicação sobre a formalização do negócio. Mas, o mindset de colocar a vontade de ter um bom negócio, sentíamos falta. Agora, estamos aqui. Com algoritmos que permitem a análise de CNPJs de todo o Brasil, cruzamento com dados setoriais e de mercado, entre outras informações, e com todo o espaço midiático para entregar informação de qualidade e insights para quem empreende, quem quer empreender, e para incentivar e apoiar decisões de organizações públicas e privadas para estimular o empreendedorismo. EMPREENDABILIDADE, a capacidade de fazer um negócio dar certo, passa por 5 fatores-chave: Ideias executáveis Aprendizado contínuo (life long learning) Execução Disposição a erros Boa vontade O último aspecto é até curioso. Pois, antes de este negócio aqui ficar de pé, muita gente apoiou com ideias e sugestões, ou apenas com um ouvido amigo. Então, mais do que tudo, o ecossistema empreendedor se apoia. Vamos lá, mergulhar fundo nesse mundo para desenvolver estudos e projetos que estimulem ainda mais isso.
O medo da falha impede de alcançar metas ambiciosas

*Por Pedro Signorelli Em mais de 20 anos trabalhando no meio corporativo, percebo que grande parte dos executivos desejam avançar com o seu negócio, mas, na maioria das vezes, dão mais ouvidos às vozes de fracasso do que às de sucesso. E isso impacta negativamente na organização, pois não há mudanças, não há melhorias, o número de engajamento não cresce e não há evoluções. Além disso, é importante mencionar o quanto a cultura organizacional traz benefícios para o dia a dia da empresa e para os colaboradores. No mundo de hoje, diante de tantas incertezas pela velocidade com que as coisas mudam, novos concorrentes surgindo, novos produtos, hábitos de consumo impactados pela adoção das novas tecnologias, é fundamental as organizações estruturarem um planejamento de curto prazo. Já passou o momento de adotarem novas metodologias de gestão, não importa o segmento que atue, o seu porte ou há quanto tempo está no mercado, é necessário mudar. O método OKR (Objectives Key Results – Objetivos e Resultados Chave), por ter ciclos curtos, tem como preceito valorizar as pequenas conquistas e engajar o time. A adoção do OKR pode se tornar uma quebra de paradigma na cultura organizacional das empresas como forma de libertar os colaboradores do medo de errar. Pois, com ele, os colaboradores sabem exatamente o que precisam fazer e qual o objetivo de sua função. Isso contribui para o melhor desempenho de cada um, trazendo, consequentemente, grandes resultados para a organização. O planejamento de curto prazo tem a capacidade de dar muita tração na organização. O fato é que vivemos errando o planejamento de longo prazo e ficamos encontrando desculpas para explicarmos o porquê não acertamos o volume de vendas, a taxa de juros, a inflação, o novo concorrente etc. Premissas que colocamos nos planos e simplesmente a única coisa que sabemos é que vamos errá-las. Gastamos muito tempo planejando, pensando no futuro e não executamos o hoje, o curto prazo. A virada de jogo são os OKRs de curto prazo. Mas não adianta ficar elucubrando uma meta para o curto prazo. Enquanto fazemos isso, o curto prazo já virou passado. Com maior ou menor grau de conhecimento, defina uma meta que pareça ambiciosa e empenhe os melhores esforços para alcançá-la e aprenda no processo, reflita e analise porque acertou ou porque errou e repita o processo a cada trimestre. Você vai errar, é comum, mas aprenda, se comprometa a aprender, você certamente vai progredir no seu processo pouco a pouco. É algo que está longe de ser simples, não gostamos de errar, a cultura das organizações está construída em cima disso, sendo assim, temos medo de definir metas ambiciosas e por isso não alcançamos resultados melhores e aprendemos pouco. Ninguém gosta de não cumprir o prometido. Acontece que com os OKRs, você não está prometendo atingir aquilo, muito pelo contrário, você está definindo uma meta ambiciosa para não ser atingida. Mas, como o time vai engajar se não atingimos uma meta? Não tenha a punição como mantra para o time, se você tirar o medo de errar da equação, sua organização vai começar a trazer cada vez mais resultados e isso será uma espiral positiva. O time vai se engajar, primeiro porque você – líder – o trouxe para definir juntos como atingir aquele objetivo prioritário, segundo porque será mais fácil cada colaborador perceber a contribuição do seu trabalho para a entrega da estratégia, e terceiro, este sim deve ser um mantra, celebre as pequenas vitórias, incluindo aquelas tiradas a partir do erro, na verdade, foram aprendizados. *Pedro Signorelli tem 20 anos de experiência no mercado corporativo, tornou-se especialista na implementação do método OKR. Em 2019, criou e fundou a Pragmática Consultoria em Gestão, com o objetivo de ajudar outras organizações em suas jornadas de transformação e gestão. Até o momento, desenvolveu mais de 60 projetos para empresas do Brasil e do exterior. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/
O que dizem os candidatos à presidência sobre empreendedorismo?

Em ano eleitoral, ao mesmo tempo em que o empreendedorismo vem crescendo de forma acelerada no Brasil com um recorde de 1,2 milhão de CNPJs abertos no primeiro semestre e quando cada vez mais se discute a importância de novas empresas para a geração de empregos e incentivo ao desenvolvimento, é essencial compreender como os candidatos à presidência encaram o assunto. Para ajudar os eleitores empreendedores, o Empreendabilidade avaliou os Programas de Governo dos 12 candidatos listados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e resumiu abaixo: Os Antagonistas LEO PÉRICLES (UP): Nada consta no plano de governo do candidato do partido Unidade Popular pelo Socialismo. SOFIA MANZANO (PCB): A candidata do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) afirma que o empreendedorismo é uma campanha dissimulatória e que desestimula a sindicalização, sendo uma medida que impede o financiamento de entidades do movimento sindical. VERA LÚCIA (PSTU): Sindicalista, ex-diretora da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Federação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Têxtil, a pernambucana Vera Lúcia Salgado foi candidata por diversas vezes à prefeitura de Aracaju-SE e ao cargo de deputada federal sem ter vencido uma eleição na vida. Ela aponta que o empreendedorismo é uma alternativa “realista” e uma saída individual para jovens e trabalhadores diante dos desafios econômicos impostos pela pandemia e pela crise. No entanto, lembra que está comprovado que a maioria das pequenas empresas está indo à falência, trazendo mais miséria e desemprego. Os Superficialistas EYMAEL (DC): José Maria Eymael, do partido Democracia Cristã (DC), foi um dos constituintes da Constituição Brasileira de 1988. O ex-deputado veterano está em sua sexta campanha presidencial. Seu Programa de Governo apresenta como proposta, sem grandes detalhes, a criação da “Política Oficial de apoio ao empreendedorismo e incentivo para a criação e desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas”. Ainda, cita que irá trabalhar em uma medida macroeconômica para diminuir o custo de crédito para o setor produtivo. ROBERTO JEFFERSON (PTB): Outro político veterano, Bob Jef, como vem sendo chamado, afirma no Programa de Governo que o trabalho é a base do progresso econômico e que o Partido defende um modelo econômico que viabilize a criação de empregos, o salário real crescente e a justa remuneração de quem gera empregos. SIMONE TEBET (MDB): Senadora pelo estado de Mato Grosso do Sul, Simone Tebet tem repetido no palanque o apoio ao empreendedorismo feminino. Seu programa de governo inclui ampliar o microcrédito produtivo e unificar programas com foco em inclusão produtiva, com atenção especial a mulheres empreendedoras e reforçar o papel do BNDES no apoio a PMEs e empresas de tecnologia. Ainda, fala de melhorar o ambiente de negócios, restaurar confiança de investidores, atrair investimentos e abrir espaço para a participação da iniciativa privada na economia. LULA (PT): O Programa de Governo da chapa do ex-presidente fala das necessidades, mas é escasso em soluções para desenvolver o empreendedorismo. O documento diz que é necessário estabelecer um ambiente em que empreendedores individuais, sociais e o cooperativismo contem com um “mosaico de oportunidades” que assegure crédito facilitado, assistência técnica e, em gestão, acesso à tecnologia, prioridades em compras públicas e superação de burocracia. Também afirma que vai estimular a economia solidária, criativa e o empreendedorismo social, mas sem dizer como. Menciona a construção de políticas de fomento e fortalecimento de redes e cadeias produtivas e outras iniciativas de cooperativismo, de facilitação do acesso a mercados e ao crédito e de estímulo à inovação, mas para por aí. CIRO GOMES (PDT): se concentra em falar da necessidade de se recuperar a disposição de empreendedores para inovar e criar novos negócios e que isso demanda políticas estruturantes, dentro de um Projeto Nacional de Desenvolvimento. O plano do político cearense inclui destinar recursos públicos para desenvolvimento de tecnologias em ações conjuntas com empresas e para maturação de startups. Chega a citar o papel importante do BNDES no financiamento ao desenvolvimento. Apesar de tratar do empreendedorismo de forma rasa, é um dos poucos que comenta a criação de políticas afirmativas em relação às compras públicas de empresas de empreendedores negros, bem como linhas de crédito especificas para esse público, com fomento via Lei Rouanet. Estratégias estruturantes SORAYA THRONICKE (UNIÃO): A proposta da senadora do Mato Grosso do Sul e candidata do partido União Brasil é de incentivar a formação de empreendedores desde a juventude, a partir de parcerias com instituições para auxiliar na formação e capacitação de jovens. Além disso, sugere a inclusão da educação empreendedora ao longo de toda a vida escolar, como o desenvolvimento de competências empreendedoras na educação básica e a implantação de ações no ensino médio para construção de caminhos positivos. Além de comentar possíveis parcerias com universidades e outras instâncias visando desenvolver novas tecnologias, novos produtos e gerar empregos e renda. Ao longo de todo o documento, a criação de novas empresas é mencionada como uma medida importante para ajudar a desenvolver setores relevantes, como de energia, recursos hídricos e saneamento e esportes. O plano ainda menciona a estruturação e implementação de uma Política de Apoio e Desenvolvimento de Microempreendedores Individuais e Micro e Pequenas Empresas alicerçada em instrumentos e mecanismos de acesso ao crédito orientado, acesso ao mercado, à inovação e tecnologia e ao apoio e orientação continuada. Soraya ainda propõe a desburocratização de acesso às linhas de crédito para pequenos empreendedores, além de sugerir que se interrompa a cobrança de impostos e um recálculo para pequenas empresas que não estiverem em condições de pagar. FELIPE DÁVILA (NOVO): O candidato do Novo é o mais próximo do mercado financeiro e dos empresários, pela natureza do próprio partido. A proposta parte da premissa de que se deve assegurar a previsibilidade regulatória e promover um ambiente de negócios mais favorável ao empreendedorismo. O empreendedorismo deve ser considerado uma estratégia de superação da condição de pobreza, para que “indivíduos e famílias atendidas por programas sociais tenham condições de buscar melhores condições fora do ambiente assistencial, principalmente tomando consciência de suas potencialidades e desenvolvendo capacidades que as
Empreender é uma doença? Quem diria, o parasita do empreendedorismo existe

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu algo como “você é louco de largar o trabalho para arriscar nisso” ou “você é doente de pegar esse dinheiro para investir em algo que nem sabe se vai dar certo”. A metáfora mais ouvida pelos empreendedores, de relacionar o ato de empreender a uma doença (e algumas vezes de alto risco), é comum, principalmente em contextos onde a percepção de segurança financeira está relacionada a trabalhar para empresas consolidadas ou para órgãos do estado, ou garantir o salário do mês independentemente do sofrimento. Mas, parece que essa figura de linguagem está com os dias contados. Para o professor Daniel Lerner, da IE Business School de Madrid, uma das mais renomadas escolas de negócios do mundo, existe, sim, um parasita que provoca o empreendedorismo. Na última edição da Harvard Business Review (julho – agosto / 2022), o editor Eben Harrel traz, no artigo “A Common Parasite Can Make People More Entrepreneurial” (Um parasita comum pode tornar as pessoas mais empreendedoras, na tradução livre para o português), uma entrevista com o professor Lerner, que explica que pessoas infectadas com o parasita Toxoplasma gondii são mais inclinadas a fundar negócios, e que seus negócios dão mais certo que os de pessoas “saudáveis”. Os dados são de um estudo realizado junto a colegas dinamarqueses onde foram examinados históricos médicos e profissionais de mais de 74 mil mulheres dinamarquesas, onde as infectadas eram, em média, 29% mais propensas do que outras a terem fundado uma startup, 27% mais propensas a fundar vários negócios e duas vezes mais propensas a fundar seus negócios sozinhas. Além disso, os empreendimentos foram mais bem-sucedidos, em média, do que os lançados pelas contrapartes não infectadas. O professor Lerner explica que a modificação de comportamento causada por parasitas é um fenômeno comprovado. Quando o Toxoplasma gondii infecta roedores, ele entra em seus cérebros e os torna menos avessos ao risco. “Especificamente, os roedores tornam-se mais ativos, são mais propensos a explorar novas áreas, têm reflexos mais lentos e têm menos medo do cheiro de gatos ou urina de gato. Comportamento de busca de novidades, desinibição e aversão reduzida a situações arriscadas” O próprio professor, que é um dos principais nomes nos cursos de empreendedorismo da IE Business School, classifica estas características como qualidades empreendedoras. O Toxoplasma gondii é um parasita que pode ser transmitido de gatos para pessoas e se reproduz apenas no intestino dos felinos, tornando os gatos os principais hospedeiros. Segundo estimativas, infecta de 10% a 50% da população humana dependendo do país. O professor lembra que esse parasita também afeta o cérebro das pessoas, modificando a produção e o metabolismo de neurotransmissores como dopamina e serotonina e de hormônios como a testosterona. Há muitas evidências de que essas modificações podem causar alterações comportamentais não muito diferentes das observadas em roedores. Mesmo pessoas com infecções subclínicas, que representam a maioria dos casos, os sinais são de que as pessoas tornam-se mais extrovertidas, estão mais propensas a se envolver em acidentes de trânsito, entre outros comportamentos que sugerem uma maior tolerância ao risco. Além de também avaliarem o odor de gatos como mais agradável. A partir daí, ele e os colegas passaram a avaliar uma possível conexão, seguindo centenas (ou milhares) de estudos com uma ampla variedade de espécies que apontam a relação entre o Toxoplasma gondii e mudanças psicológicas e comportamentais. Embora estudar os efeitos do parasita em humanos seja complexo, o professor Daniel Lerner afirma que está construindo um caso sólido. Pesquisas anteriores já analisaram a saliva de cerca de 1.500 estudantes universitários e descobriu-se que aqueles que testaram positivo para o eram, em média, 1,4 vezes mais inclinados do que os outros a se formar em negócios, e quase duas vezes mais propensos a se concentrar ou especializar em gestão e empreendedorismo. Em outro estudo, com 200 profissionais, descobriu–se que pessoas infectadas com TG tinham 1,8 vezes mais chances de serem empreendedoras do que outras. Sobre a diferença possível impacto do parasita empreendedor em homens e mulheres, o professor afirma que as descobertas gerais são semelhantes, mas é possível que o tamanho do efeito seja diferente. Certamente, seria estúpido se infectar de própósito. O parasita causa doenças graves em imunossuprimidas e pode até ser fatal, apresenta riscos para bebês se a mãe é infectada durante a gravidez. Além disso, ele permanece no corpo para sempre, e evidências sugerem que pode causar problemas mentais muito sérios entre pessoas com infecções latentes, como depressão maníaca, esquizofrenia e demência. “O desempenho individual dos infectados era bastante variável, também com fracassos, além do que os empreendedores infectados eram mais propensos a fundar seus negócios sozinhos. A persistência e a capacidade de envolver cofundadores são qualidades tipicamente importantes para um empreendedor”, lembra o pesquisador. Apesar dos supostos benefícios, Lerner sinaliza que é arriscado manipular parasitas para fins de negócios, assim como genes. “A ciência mostra que o comportamento das pessoas é influenciado por inúmeras coisas. Quando se trata de genes e parasitas, estamos falando de tendências probabilísticas, quaisquer que sejam os efeitos, a infecção não é determinística”. Para evitar o parasita, basta ficar longe de carne crua, limpar bem as frutas e vegetais e lavar as mãos (principalmente se entrar em contato com fezes de gatos ou de roedores). Leia a entrevista publicada na Harvard Business Review na íntegra aqui Leia a entrevista na íntegra aqui
O que a taxa Selic tem a ver com o mundo das Startups? Tudo, inclusive que elas podem ser bons ativos

(Crédito: pexels-tima-miroshnichenko) O mercado vem acompanhando desde o segundo trimestre uma redução de capital disponível para startups. O saldo de demissões em consequência disso, estima-se, ultrapassa mais de mil pessoas – isso nos números oficiais. Na boca miúda, alguns falam que chega ao dobro. A redução ocorre principalmente em unicórnios (startups que valem mais de US$ 1 bilhão) e em reconhecidas companhias inovadoras – na lista, estão 5 Andar, Loft, LivUp, Facily, VTex, Olist, Paypal, Kavak, Favo (que fechou as operações no Brasil) entre outras. Um dos aspectos que mais influenciou a diminuição de recursos e a concentração de caixa em operações “lean” – usando um termo comum para os startupeiros – e a cobrança de resultados é que o dinheiro está mais caro. Nas palavras de Amure Pinho, da Investidores.vc, é hora de “hold your horses” (segurem os seus cavalos), ou seja, de ter gastos mais racionais, planejados e sensatos. O anúncio do Copom ao fim da reunião de 03 de agosto, de aumento da taxa de juros Selic para 13,75% e de prolongamento do horizonte de inflação para até 2024 pegou o mercado financeiro de calça curta: esperava-se que o ciclo de juros se encerrasse por agora, mas com esse novo cenário as expectativas mais otimistas são de mais um ou dois ajustes, com teto de 14% ou 14,25%. Isso significa que o céu está retrógrado para as startups? Na verdade, não. Só significa que acabou a festa do dinheiro fácil e que o modelo de que quem tem mais dinheiro vai chegar mais longe precisa ser revisto. Como manda a natureza, quem vai mais longe é quem sabe se adaptar. E, no que diz respeito a empresas que precisam entregar resultados e dar retorno aos investidores isso pode significar um grande salto de maturidade. Ao mesmo tempo, do lado dos investidores, significa olhar para os ativos de outra forma. Voltando ao conceito de Startups, a definição mais atual diz respeito a “um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza”. Ora, se parte de uma tese sobre uma solução, para resolver um problema, que tem que se provar sustentável. É aí que entra a queima do dinheiro, pois a coisa acontece em tempo real: de MVP a ajustes de rota, testes de campo e de narrativas. Tudo isso em busca de um negócio que se prove lucrativo ou sustentável. Como tudo que envolve tecnologia, as mudanças são rápidas. Nos últimos 10 anos, evoluiu-se para um framework e jornada que mostra se o negócio pode dar certo ou não, ou se tem mais chances de dar certo ou não. Um dos aspectos é a escalabilidade, o outro é procurar resolver um problema com tecnologia que não seria resolvido se a tecnologia não existisse (quem imaginaria os meios de pagamento como são hoje há 20 anos atrás, quando se discutia que o Vale Refeição e Alimentação, que era em papel, passava a ser em cartão?), buscando algum ineditismo. Entre tantos outros aspectos, o modelo de negócios é o que dirá como a startup vai gerar valor, ou seja, vai transformar o que faz em dinheiro. E a repetição disso, gerar escala, tem que ter custo barato. O quão lucrativo o negócio é, no fim das contas, vem da velha planilha custos X receita. Investimentos Alternativos Voltando para o mercado financeiro, cuja vida é de incertezas, uma carteira formada por startups poderia dar certo? Tudo leva a crer que sim. Dois casos já contados pela Investidores.vc para o Valor Pipeline mostram que o Pool liderado por Amure Pinho tem uma tese e, por mais risco que estejam dispostos a tomar pela própria natureza do modelo de startups, há certo conservadorismo na análise dos potenciais ativos. Um dos casos foi a venda da Gama Academy para a Anima Educação, que deu retorno de 21 vezes o valor investido. A aquisição da Bagy pela Locaweb resultou em 17 vezes o aporte. Num contexto onde fundos tradicionais, com gestores experientes, vem dando retornos de longuíssimo prazo, ou sofreram na pandemia, ou, ainda, têm experimentado uma fuga de capital visto a variedade de ativos disponíveis no mercado, esse tipo de investimento pode se popularizar, basta se consolidar o conceito – ora, o mercado crypto conseguiu. Na Investidores.vc, a média de alocação é de 5% do capital investido dos membros. “A gente quer transformar esse negócio numa coisa cada vez mais digital e criar modelos preditivos de análise de empresas”, afirmou Amure Pinho para o Pipeline. O Mercado Bitcoin, exchange brasileira de cryptos e tokens, já sinalizou a possibilidade de lançar uma bolsa de startups. Já existem os equity crowdfunding, regulamentados pela CVM, e que estão disponíveis em plataformas como a Bloxs ou a Captable, que fazem rodadas de investimentos e captação para ativos reais como mercado imobiliário, geração de energia e outros, e alguns ativos alternativos como é o caso da Prosolutti Capital, que antecipa recebíveis de processos judiciais e se monetiza quando o caso é encerrado, resolvendo o problema de quem precisa de um dinheiro antecipado e está esperando a solução da justiça. Ou seja, o dinheiro pode estar caro, mas, ter ideias e mostrar para os investidores que pode se obter retorno com elas ainda é um bom negócio. E, enquanto uns choram, outros vendem lenços. Ricardo Meireles – Publisher do Empreendabilidade É consultor e estrategista de conteúdo, gestão de conhecimento e relações com stakeholders. Comunicador pela UNIFACS (2002), especializado em Estratégia e Planejamento (Miami Ad School/2017), pós-graduado em Economia (FGV/2018) e certificado em Branding (Insper/2018). Também é sócio-fundador da Pandora Comunicação.
Memento Mori – o empreendedor deve ter consciência da morte da empresa

Por Ricardo Meireles O medo da morte acompanha o ser humano a todo momento. O medo do fim da empresa, o empreendedor. Não é algo que a pessoa fique pensando: “posso morrer agora”. Mas, a vontade de viver – e lutar pela sobrevivência – é inerente a todo ser vivo. Se o ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre, o que ele faz no meio desse percurso é que, de fato, dá valor à sua existência. No caso de uma empresa, isso seria o equivalente aos resultados que ela traz para a sociedade. A “morte” de uma companhia, no cerne da palavra, significa que ela se findou. Mas, uma das cabeças brilhantes do ecossistema de inovação no Brasil um dia me falou: “o empreendedor é aquele que tem a capacidade de sempre estar buscando a melhor forma de sua empresa sobreviver”. Claro, há exceções. Suicídios, negligências e ressurreições – como crimes de corrupção e má-conduta que certamente dariam errado, deram, e sempre vão dar. Mas, é certo que algumas mortes podem ser evitadas. Aqui entra o “memento mori”: a consciência e a reflexão de que o negócio pode acabar, como e o quê fazer para evitar isso. Ter o “memento mori” é direcionar a companhia para uma morte com sentido diferente do fim, mas parecido com o de não ser mais aquela companhia que se conhecia e se transformar em outra. Alguns casos emblemáticos de mortes empresariais poderiam ter tido outro destino se os sócios, fundadores ou os gestores tivessem tido o “memento mori”, consciência de que o negócio poderia morrer. Esses exemplos são comumente citados para ilustrar a necessidade de inovação nas empresas. Não seria inovação apenas um elemento necessário na vida de uma companhia? No caso da Kodak, por exemplo, – sendo bastante crítico -, não tinha uma pessoa sequer que pudesse dizer: “olha, está acontecendo isso. Se não nos atualizarmos, vamos acabar”. Mas, olhar o futuro do passado do ponto de vista do presente é fácil. O que nos leva, de novo, à relevância de se ter consciência da morte. Acompanhando as diversas lives e podcasts disponíveis nas redes sociais com entrevistas de grandes nomes, já ouvi de mais de um empresário que a experiência em situações de crise é muito valiosa para um empreendedor (ou founder, no caso de startups). O cidadão nesta posição, um tomador de riscos com a vontade e a responsabilidade de fazer o negócio dar certo, tem que estar de olho no que pode ameaçar a vida da sua empresa. Geralmente a morte empresarial não acontece de repente. Ela é lenta, quase que premeditada (de novo, não temos a pretensão de julgar histórias do passado que não tiveram um bom futuro a partir do ponto de vista do agora). Isso só significa que a empresa tem a obrigação de se transformar, inovar, mudar, se unir, se vender, para sobreviver. Uma companhia não tem data de vencimento como o ser humano. Mas, como ele, a consciência da sua morte pode significar uma vida mais longeva e valiosa. Ricardo Meireles – Publisher do Empreendabilidade É consultor e estrategista de conteúdo, gestão de conhecimento e relações com stakeholders. Comunicador pela UNIFACS (2002), especializado em Estratégia e Planejamento (Miami Ad School/2017), em Economia (FGV/2018) e certificado em Branding (Insper/2018). Também é sócio-fundador da Pandora Comunicação.
As perguntas que todo empreendedor deve responder (Amar Bhidé | HBR 1996)

Tomada de decisão e resolução de problemas As perguntas que todo empreendedor deve responder (1996) Por: Amar Bhidé (tradução livre) Quais são meus objetivos? Tenho a estratégia certa? Posso executar a estratégia? Das centenas de milhares de empreendimentos que os empreendedores lançam todos os anos, muitos nunca saem do papel. Outros fracassam após espetaculares lançamentos de foguetes. Uma empresa de condimentos de seis anos atraiu clientes fiéis, mas alcançou menos de US$ 500.000 em vendas. As margens brutas da empresa não podem cobrir suas despesas gerais ou fornecer renda adequada para o fundador e os membros da família que participam do negócio. O crescimento adicional exigirá uma enorme infusão de capital, mas os investidores e potenciais compradores não estão interessados em empreendimentos pequenos e marginalmente lucrativos, e a família esgotou seus recursos. Outra empresa jovem, lucrativa e em rápido crescimento, importa produtos inovadores do Extremo Oriente e os vende para grandes redes de lojas americanas. O fundador, que tem um patrimônio líquido de vários milhões de dólares, foi indicado para o prêmio de empreendedor do ano. Mas o crescimento espetacular da empresa o forçou a reinvestir a maior parte de seus lucros para financiar os crescentes estoques e recebíveis da empresa. Além disso, a lucratividade atraiu concorrentes e clientes a negociar diretamente com os fornecedores asiáticos. Se o fundador não fizer algo logo, o negócio vai evaporar. Como a maioria dos empresários, o fabricante de condimentos e o importador de novidades recebem muitos conselhos confusos: diversifique sua linha de produtos. Atenha-se ao seu tricô. Levante capital vendendo ações. Não arrisque perder o controle só porque as coisas estão ruins. Delegue. Aja com decisão. Contrate um gerente profissional. Observe seus custos fixos. Por que todos os conselhos conflitantes? Porque a gama de opções – e problemas – que os fundadores de empresas jovens enfrentam é vasta. O gerente de uma empresa madura pode perguntar: Em que negócio estamos? ou Como podemos explorar nossas competências essenciais? Os empreendedores devem se perguntar continuamente em que negócio eles querem estar e quais capacidades eles gostariam de desenvolver. Da mesma forma, as fraquezas e imperfeições organizacionais que os empreendedores enfrentam todos os dias fariam com que os gerentes de uma empresa madura entrassem em pânico. Muitas empresas jovens carecem simultaneamente de estratégias coerentes, pontos fortes competitivos, funcionários talentosos, controles adequados e relacionamentos claros de subordinação. O empreendedor pode enfrentar apenas uma ou duas oportunidades e problemas de cada vez. Portanto, assim como os pais devem se concentrar mais nas habilidades motoras de uma criança do que em suas habilidades sociais, o empreendedor deve distinguir questões críticas de dores normais de crescimento. Os empreendedores não podem esperar o tipo de orientação e conforto que um livro oficial sobre educação infantil pode oferecer aos pais. Os seres humanos passam por estágios fisiológicos e psicológicos em uma ordem mais ou menos predeterminada, mas as empresas não compartilham um caminho comum de desenvolvimento. Microsoft, Lotus, WordPerfect e Intuit, embora competindo no mesmo setor, não evoluíram da mesma forma (nota: empresas de tecnologia da década de 1990). Cada uma dessas empresas tem sua própria história para contar sobre o desenvolvimento da estratégia e das estruturas organizacionais e sobre a evolução do papel do fundador na empresa. Os problemas que os empreendedores enfrentam todos os dias sobrecarregariam a maioria dos gerentes. As opções que são apropriadas para um empreendimento empresarial podem ser completamente inadequadas para outro. Os empreendedores devem tomar um número desconcertante de decisões e devem tomar as decisões que são certas para eles. A estrutura que apresento aqui e as regras práticas que o acompanham ajudarão os empreendedores a analisar as situações em que se encontram, estabelecer prioridades entre as oportunidades e problemas que enfrentam e tomar decisões racionais sobre o futuro. Essa estrutura, baseada em minha observação de várias centenas de empreendimentos iniciantes ao longo de oito anos, não prescreve respostas. Em vez disso, ajuda os empreendedores a fazer perguntas úteis, identificar questões importantes e avaliar soluções. A estrutura se aplica se a empresa for uma pequena gráfica tentando permanecer no negócio ou um varejista de catálogos buscando centenas de milhões de dólares em vendas. E funciona em quase qualquer ponto da evolução de um empreendimento. Os empreendedores devem usar a estrutura para avaliar a posição e a trajetória de suas empresas com frequência – não apenas quando os problemas aparecem. A estrutura consiste em uma sequência de três etapas de perguntas. O primeiro passo esclarece os objetivos atuais dos empreendedores, o segundo avalia suas estratégias para atingi-los e o terceiro os ajuda a avaliar sua capacidade de executar suas estratégias. A organização hierárquica das perguntas exige que os empreendedores enfrentem as questões básicas e gerais antes de pensar em refinamentos e detalhes. Essa abordagem não pressupõe que todas as empresas – ou todos os empreendedores – se desenvolvam da mesma maneira, portanto, não prescreve uma metodologia única para o sucesso. Esclarecendo metas: para onde quero ir? Os objetivos pessoais e de negócios de um empreendedor estão inextricavelmente ligados. Enquanto o gestor de uma companhia aberta tem a responsabilidade fiduciária de maximizar o valor para os acionistas, os empreendedores constroem seus negócios para cumprir objetivos pessoais e, se necessário, buscar investidores com objetivos semelhantes. Antes que possam definir metas para um negócio, os empreendedores devem ser explícitos sobre seus objetivos pessoais. E eles devem se perguntar periodicamente se esses objetivos mudaram. Muitos empreendedores dizem que estão lançando seus negócios para alcançar a independência e controlar seu destino, mas esses objetivos são muito vagos. Se parar e pensar sobre isso, a maioria dos empreendedores pode identificar metas mais específicas. Por exemplo, eles podem querer uma saída para o talento artístico, uma chance de experimentar novas tecnologias, um estilo de vida flexível, a pressa que vem do crescimento rápido ou a imortalidade de construir uma instituição que incorpore seus valores profundamente arraigados. Financeiramente, alguns empreendedores buscam lucros rápidos, alguns desejam gerar um fluxo de caixa satisfatório e outros buscam ganhos de capital na construção e venda de uma empresa. Alguns empreendedores que desejam construir instituições sustentáveis não consideram
Tendência: 5 setores que vão apostar em conteúdo para 2022

(crédito: Pexels | Pixabay) O Itaú Unibanco anunciou recentemente (20/10) uma nova plataforma de conteúdo e comunicação em parceria com a Editora Globo – o portal Inteligência Financeira, que traz informações de macroeconomia e de mercado financeiro. A XP, também neste mês, comunicou que está transformando o site de notícias InfoMoney em uma plataforma completa com conteúdo do mercado, análises e gestão dos investimentos, a +IM, resultado da fusão com a Fliper. A fórmula que a Empiricus já vem trabalhando desde o berço, que o BTG Pactual abraçou ao adquirir a Exame, e que vem sendo aplicada por muitos outros players do mercado financeiro não é à toa. Informação é o que move a sociedade, por isso conteúdo é o produto mais consumido no mundo, ganhando até da água (as pessoas deixam de beber o mínimo de água necessário diariamente, de 2 a 3 litros, mas o tempo navegando nas redes sociais ou nas mídias só aumenta). Com o crescimento exponencial de conteúdo disponível e celulares à mão, as “ilhas de informação”, com conteúdo direcionado, têm crescido em estratégia e em uso pelas pessoas. Diversos fatores indicam que nos próximos anos, a começar já em 2022 pós-pandemia, o movimento de criar (ou patrocinar) seu próprio material jornalístico e informativo para os consumidores – branded content, branded publishing ou outros formatos – para atrair mais pessoas, exploda também em outros setores. Considerando as movimentações recentes, os investimentos e as oportunidades que surgiram com a pandemia, há 5 segmentos da economia mais propícios a investir em conteúdo: Varejo – aguardem o Magazine Luiza e seus concorrentes. Nos dois últimos anos, a empresa anunciou diversas aquisições, inclusive de meios de comunicação – o Canaltech e o canal Jovem Nerd do Youtube. O CEO Fred Trajano é um entusiasta da tecnologia, e o varejo ainda é um dos setores que mais investem em publicidade em canais de massa, porém essa verba tem migrado cada vez mais para o meio digital (e não apenas nas grandes plataformas). Tecnologia – com o advento das startups e aceleração de negócios intensificada na pandemia, já se vê um movimento das venture capital, hubs e aceleradoras em direção a criar seu próprio conteúdo ou atrelar informação a canais específicos – muito ainda em formato inbound (“baixe esse relatório – mas, para isso, nos deixe seus dados”). Jornalistas que já estiveram em grandes redações estão abrindo seus próprios canais. A tendência é de que a alta continue, visto que a previsão de aumento no número de empresas investindo em tecnologia entre 2020 e este ano era de 75%, e o aumento das vagas de programadores e escassez de mão-de-obra. Saúde – setor que recebeu muita atenção devido à Covid, e que tem bastante espaço para comunicar de forma mais estruturada. Com o contexto da vacinação em geral (retorno do sarampo no ano passado, e toda a questão política envolvida), as fusões e aquisições recentes, e se tratando de um assunto que é de interesse público, é um segmento bastante promissor para o crescimento em canais estruturados e patrocinados por grandes empresas. Educação – outro mercado que passou por grandes mudanças na pandemia com a obrigatoriedade de se transferir as aulas para o meio digital, e cujas fusões chamaram atenção dos investidores. Há muita oportunidade para crescer em conteúdo visto a quantidade de cursos abertos que já estão disponíveis, além de ser um dos segmentos mais visitados na plataforma YouTube e com maior facilidade de melhoria de formatos. ESG – não podia faltar o tema da vez. Consumidores exigentes, investimentos altos e o futuro da humanidade envolvido, tem muita inovação a ser colocada em prática. É o assunto que mais tem sido discutido nas mesas de bar (ou rodas corporativas) e um dos que mais merece aprofundamento. Seja com ênfase no público comum, seja no B2B, já existia em fóruns especializados e só tem a crescer em conteúdo e informação daqui em diante, principalmente devido à cobrança por transparência Outros setores também estão nessa onda, mas o maior potencial nestes cinco grupos listados acima (e não estão em ordem de relevância ou oportunidade) se deve ao fato das fusões e aquisições, dos investimentos em tecnologia e de serem áreas que passaram por grandes transformações durante a pandemia e que terão no conteúdo um dos legados, ou que já contavam com montante expressivo de aporte em publicidade que está migrando cada vez mais para o mundo digital. Como disse um colega, “todas as empresas estão pensando ou em (1) criar suas próprias comunidades; ou (2) criar um canal que não as deixe virar reféns das plataformas sociais, que não entregam mais nada de conteúdo orgânico (vide práticas cada vez mais rigorosas do grupo FB e do Google)”. Além do potencial para conteúdo informativo, também devem estar na mira dos investimentos o streaming – a Salesforce criou um streaming próprio voltado a negócios na linha Disney+ – e a produção audiovisual, com canais em áudio (aumento de 57% dos brasileiros ouvindo Podcasts na pandemia, segundo pesquisa Ibope/Globo) e até mesmo a aplicação dos vídeos cinematográficos em campanhas de propósito. A comunicação mais pontual também continua no jogo – não vão faltar recursos para os microinfluenciadores e dancinhas nas “redes vizinhas”, que atingem um público-alvo jovem e mais específico, tampouco para o universo pulverizado dos influencers locais. O fato é que, olhando de forma ampla os grandes temas que movem a sociedade, já há novos continentes (ou seriam arquipélagos de ilhas particulares?), se formando nessa nova divisão geográfica do universo midiático. Seguindo o exemplo da Editora Globo, que se juntou ao Itaú no novo canal, a mídia tradicional que continue correndo para se atualizar. Ricardo Meireles – Publisher do Empreendabilidade É consultor e estrategista de conteúdo, gestão de conhecimento e relações com stakeholders. Comunicador pela UNIFACS (2002), especializado em Estratégia e Planejamento (Miami Ad School/2017), pós-graduado em Economia (FGV/2018) e certificado em Branding (Insper/2018). Também é sócio-fundador da Pandora Comunicação. Artigo originalmente publicado no Propmark, em 5 de novembro de 2021 (clique aqui para ler)