MPEs do PA relatam dificuldade de acesso a crédito, enquanto Americanas captou e está devendo

O jornal O Liberal, do Pará, noticiou esta semana (leia aqui) que os bancos públicos e instituições estatais de fomento da região Amazônica figuram como alguns dos maiores credores das Lojas Americanas, na lista de dívidas da empresa. Entre esses credores está o Banco da Amazônia (Basa), para quem a marca deve mais de R$ 103 milhões, e sequer conseguirá saldar essa dívida, diz o jornal. Ao mesmo tempo, Micro e pequenos empresários da região têm dificuldade de conseguir crédito junto às instituições financeiras, especialmente públicas, como é o caso do Basa, mesmo em programas de incentivo. O presidente da Federação das Micro e Pequenas Empresas do Estado do Pará (Femicro-Pará), Valber Cordeiro, diz que, hoje, em todo o Estado, há mais de 640 mil micro e pequenas empresas, responsáveis por mais de 60% dos empregos formais de que o Pará dispõe. Mesmo assim, é muito difícil, segundo ele, o segmento conseguir acesso a crédito por meio das instituições bancárias. “Nós queremos facilidade de acesso ao crédito e juros subsidiados. Não tem por que os bancos cobrarem de uma micro e pequena empresa uma taxa compatível a de uma empresa grande. É necessário que esses juros sejam bem pequenos para facilitar o acesso e, principalmente, o pagamento das dívidas, pois, caso contrário, o micro e pequeno empreendedor vai acumular dívidas, pegar empréstimo e não conseguir pagar, aumentando ainda mais a inadimplência que existe no País. Então, nós somos favoráveis a que seja feita uma política de acesso ao crédito e uma política de juros subsidiados e talvez até com carência para iniciar o pagamento, para que o pequeno negócio possa sobreviver”, destacou cordeiro ao Liberal.

Crise nas Americanas muda vida de empresário 50+ mineiro, relata BBC

*Fonte: Com informações da BBC Brasil O impacto da crise das Lojas Americanas em fornecedores e lojas que utilizam o marketplace era inevitável, mas, a situação já dava sinais de ruptura antes mesmo de o rombo vir a público. A notícia da entrada em recuperação judicial da Americanas na quinta-feira (19/1) foi recebida com pesar num sítio em Bonfim, cidade mineira a cerca de duas horas de Belo Horizonte. Em meio à polêmica situação da gigante varejista, a BBC contou a história de Moacir de Almeida Reis, de 62 anos, casado e pai de três filhos, morador da cidade. Moacir mudou para o sítio por não conseguir mais se manter em Belo Horizonte. Ele atualmente dirige um carro emprestado do filho, vende queijos e leite que compra dos sítios vizinhos e tenta administrar com a esposa uma pequena lanchonete na capital mineira. No local, não há funcionários, pois não há dinheiro para contratar ninguém. Para fechar as contas do mês, Moacir e sua esposa contam com a ajuda dos filhos. Mas nem sempre a vida de Moacir foi assim. Até 2021, ele era o dono, com outros dois sócios, da Forte Minas Logística e Transporte, empresa responsável pelas entregas da Americanas no interior de Minas Gerais. Diversas vezes no topo do ranking de excelência da Direct — braço logístico da Americanas, adquirida em 2014 da Tegma Gestão e Logística —, a Forte Minas chegou a ter 29 filiais em Minas Gerais e expandiu sua atuação também para o Espírito Santo. No auge, a empresa faturava cerca de R$ 50 milhões por ano, segundo os sócios, e empregava diretamente 350 funcionários em Minas e outros 200 no Estado vizinho, contando ainda com uma rede de 700 a 800 “agregados”, como eram chamados na companhia os trabalhadores terceirizados proprietários dos veículos e prestadores do serviço de entrega. Moacir e seus sócios João Wanderlay de Oliveira Júnior e Carlos Henrique de Souza viram tudo isso ruir de um dia para o outro, após, de acordo com eles, a Americanas romper repentinamente o contrato com a Forte Minas. Segundo os sócios, o rompimento foi feito de forma unilateral e sem aviso prévio pela Americanas, embora o contrato entre as empresas — ao qual a BBC News Brasil teve acesso — estabelecesse um prazo de 30 dias de aviso. Com 85% de sua receita então dependente do grupo Americanas e, segundo o relato dos sócios, R$ 7 milhões em serviços prestados e não pagos pela empresa de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, a Forte Minas entrou numa espiral de dívidas que já chegam a R$ 18 milhões, de acordo com os empresários. A Americanas nega dívida com a transportadora Forte Minas. Sem dinheiro sequer para pagar os direitos trabalhistas dos ex-funcionários ou processar a Americanas pelos valores aos quais avaliam ter direito, os sócios se veem atualmente afundados em cobranças e processos judiciais. Perderam o sustento de suas famílias, bens pessoais e a saúde — Moacir sofreu um infarto, Carlos enfrenta uma depressão severa. Agora, com a entrada da Americanas em recuperação judicial após a revelação de uma inconsistência de R$ 20 bilhões no balanço da empresa, eles temem talvez nunca reaver o dinheiro que acreditam que a varejista lhes deve. As famílias de Moacir, João e Carlos são três de milhares de famílias brasileiras afetadas pelo colapso financeiro da rede de lojas e e-commerce. Criada em 1929 como uma lojinha de rua, a Americanas hoje emprega 44 mil funcionários e vende produtos de 150 mil lojistas em seu market place virtual, contando com uma rede de milhares de fornecedores, como foi um dia a Forte Minas. Questionada pela BBC News Brasil, a Americanas afirma que se considera um credor do Grupo Forte Minas/Forte Vix, e não devedor, como alegado. “A companhia instaurou, em 2021, processo para cobrar os valores que entende devidos pela empresa de transporte”, informou a Americanas em nota. A Americanas optou ainda por não comentar a alegação de que teria desrespeitado o contrato com a Forte Minas, ao supostamente rompê-lo de forma unilateral e sem o aviso prévio de 30 dias estabelecido em cláusula contratual. ‘Acabou’ “Eu lembro no dia que ele me contou da falência. A gente estava junto e ele falou: ‘Acabou’ e começou a chorar”, lembra Bernardo Garcia, de 31 anos e filho de Moacir. “Eu não entendi na hora como que do nada [uma empresa acaba] — no dia anterior estava tudo bem.” Bernardo lembra que seu pai ficou muito abatido nos meses posteriores à falência, perdeu 30 quilos e infartou cerca de 3 ou 4 meses depois desse dia fatídico, durante uma viagem de trabalho para fechar uma das filiais, após a ruína financeira da empresa. “O susto foi muito grande. Na UTI, com ele muito fragilizado mentalmente e o sócio dele em condição ainda pior, com crises de pânico, eu dizia para o meu pai: ‘Pai, a gente vai fazer alguma coisa, vamos conseguir alguma justiça para isso’”, lembra Bernardo. Mas, por dois anos, Bernardo ouviu do pai que era melhor deixar para lá, que tentar tomar alguma ação contra a Americanas seria “mexer com cachorro grande” e não daria em nada. “Para você ter uma noção da gravidade da situação da nossa família e como aquilo me doía, teve um dia que minha mãe comprou um amendoim de R$ 6 e ela chorou porque naquele dia ela teve dinheiro para comprar isso”, afirma. “Mas o ponto de virada para mim foi que meus pais já não tinham carro próprio, nem casa própria, e eles usavam uma picapezinha que era da empresa para fazer o caminho entre a roça e BH, trajeto que ele faz agora vendendo leite e queijo. E aí nesse trajeto, o carro parou na blitz e foi apreendido, por conta de processo trabalhista. Eles ficaram na estrada, chorando muito e se sentindo completamente humilhados”, relata o filho do casal. “Minha mãe pegou o telefone, chorando, e falou para mim: ‘Olha onde a gente está, olha o que

Americanas: o que muda para fornecedores com recuperação judicial

Empresa entrou com pedido em caráter de urgência nesta quinta-feira (19/1) Pouco mais de uma semana depois do estouro da crise da Americanas, que revelou um rombo de R$ 20 bilhões e culminou na saída do ex-CEO, Sergio Rial, a varejista entrou com o pedido de recuperação judicial, em caráter de urgência, na 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, no valor de R$ 43 bilhões. A princípio, a empresa teria trinta dias para avaliar a decisão, que foi antecipada após o cerco que a varejista enfrentou de seus principais bancos credores. De acordo com comunicado enviado pela empresa, a Americanas continuará operando “normalmente dentro das novas regas da recuperação judicial, cujo um dos objetivos principais é a própria manutenção de empregos, pagamento de impostos e a boa relação com seus fornecedores e credores e investidores de forma geral.” A Americanas ainda diz que conseguiu negociar com acionistas para manter a liquidez, de forma a assegurar esses compromissos, e pede por “engajamento” de todos os colaboradores, e “principalmente dos fornecedores com quem temos relações históricas”. O pedido ainda deve ser submetido à assembleia-geral da companhia, em data a ser anunciada. O que muda? Na prática, os administradores e controladores continuam à frente da Americanas, no entanto, algumas reestruturações podem ocorrer. “Pode haver corte de postos de trabalho, fechamento de lojas e até mudanças em sua estrutura societária”, explica o advogado Filipe Denki, sócio do Lara Martins Advogados e diretor da comissão de Recuperação de Empresas e Falência do Conselho Federal da OAB. Até a homologação do pedido de recuperação judicial, os débitos anteriores não devem ser quitados. De acordo com o advogado Fernando Brandariz, advogado especializado em recuperação judicial e presidente da comissão de Direito Empresarial da OAB Pinheiros, no plano apresentado pela empresa devem constar a data e os débitos existentes com todos os credores. “Após o pedido de recuperação judicial e sua aprovação, todos os pagamentos deverão ser honrados em suas datas”, diz. Fornecedores vão deixar de receber? Denki explica que os empreendedores fornecedores precisarão fazer uma separação sobre o que é sujeito à recuperação judicial e o que não é sujeito. “Todas as dívidas anteriores à data do pedido de recuperação judicial vão ser submetidas, com algumas exceções previstas na lei, e nesse caso os fornecedores receberão conforme o plano de recuperação judicial apresentado pelo grupo Americanas. Já os fornecedores que continuarem fornecendo, após o pedido de recuperação judicial, receberão as obrigações normalmente e terão tratamento prioritário em caso de falência”, explica. Em fato relevante publicado nesta quinta-feira (19/1), a empresa assegura a manutenção de pagamentos a fornecedores. “A Companhia manterá seu esforço na busca por uma solução com os seus credores, para manter seu compromisso como geradora de milhares de empregos diretos e indiretos, amplo impacto social, fonte produtora e de estímulo à atividade econômica, além de ser uma relevante pagadora de tributos.” Vendedores do marketplace serão prejudicados? Brandariz diz que os vendedores de markeplace passaram a ser credores, diante da crise, e podem sofrer as consequências. “Mas tudo vai depender essencialmente do plano de recuperação judicial que será apresentado. É possível que no plano conste que esses vendedores serão pagos em dia”, pondera. Os funcionários do grupo, entretanto, devem receber os pagamentos em dia. “Os eventuais débitos trabalhistas deverão ser pagos no prazo máximo de um ano, podendo ser estendido em até dois anos desde que atendidos alguns requisitos legais, como apresentação de garantias julgadas suficientes pelo juiz e a aprovação pelos credores desses créditos”, afirma Brandariz.   Franquias como Imaginarium, Puket e Americanas Delivery podem ter modificações? O plano de recuperação judicial aprovado pode prever a venda de empresas que tenham sido adquiridas pelo grupo nos últimos anos, como o Grupo Uni.co, dono da Imaginarium e Puket, bem como ativos imobiliários do grupo, com o objetivo de pagar os credores. “Pode, inclusive, acontecer de o valor arrecadado com possíveis vendas ir direto para os credores, a fim de garantir pagamentos”, explica Brandariz.  Fonte: PEGN – Pequenas Empresas Grandes Negócios /reportagem: Paulo Gratão

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