Excelência Operacional na Indústria Farmacêutica, Um Caminho Estratégico para a Performance Sustentável

Por Luiz Girard Governança de Processos como Alavanca Estratégica A gestão orientada por processos não é apenas uma ferramenta da qualidade; é uma capacidade empresarial. Em diversas organizações de diferentes setores — da indústria farmacêutica à foodtech e tecnologia médica — liderei esforços para arquitetar e formalizar fluxos críticos que regem as operações de ponta a ponta, desde o fornecimento e logística de entrada até a distribuição final e aprovação regulatória. Essas estruturas permitiram não apenas padronização e agilidade, mas também total transparência durante auditorias de terceiros (ex.: FDA, ANVISA, EFSA). Quando os KPIs estão incorporados à rotina diária e aos sistemas de gestão visual, a responsabilidade sai do papel e se torna prática. Times de alta performance prosperam com clareza — e a clareza começa com disciplina de processo. Certificações: De Obrigação Regulatória a Vantagem Competitiva Alcançar certificações globais como ISO 9001, FSSC 22000, GMP e Halal vai além de uma exigência regulatória — é um investimento estratégico. Conduzi jornadas completas de certificação e recertificação em empresas com ambições internacionais, alinhando especificações técnicas com metas de negócios e maturidade operacional. Quando integradas ao DNA organizacional, as certificações se tornam vetores de cultura. Elas reduzem a variabilidade, institucionalizam as melhores práticas e aumentam a atratividade da empresa nas cadeias globais de fornecimento. A conformidade, quando gerida proativamente, se torna um motor de valor — não uma limitação. Cultura Kaizen: Melhoria Contínua com ROI Mensurável A aplicação de metodologias Lean Manufacturing e Kaizen em equipes multidisciplinares gerou consistentemente resultados expressivos em OEE(Eficiência Global dos Equipamentos), redução de lead time e aumento da produtividade. Em um dos casos, nossa equipe melhorou a eficiência de uma máquina crítica em 5% e eliminou 80% dos gargalos de layout por meio de eventos Kaizen estruturados. Ao contrário do senso comum, Kaizen não é sobre grandes ideias — é sobre disciplina contínua. A inovação incremental, incorporada ao ritmo operacional, é o que torna a excelência duradoura. Os melhores sistemas são aqueles que sobrevivem às transições de liderança — e isso exige enraizamento cultural. Liderando a Transformação Digital das Operações A Indústria 4.0 não é uma tendência — é uma necessidade. Implementei plataformas digitais de manufatura como MES (Manufacturing Execution Systems), manutenção preditiva via IoT (ex.: Tractian), e dashboards em tempo real que integram qualidade, produção e logística. Essas ferramentas reduzem o tempo de inatividade, aumentam a rastreabilidade e aceleram a análise de causa raiz. No entanto, ferramentas digitais sozinhas não geram transformação — equipes empoderadas sim. A tecnologia amplifica aliderança; não a substitui. Quando combinada com uma base operacional sólida, a digitalização se torna um multiplicador de força. Da Execução à Estratégia: O Papel da Liderança A transformação operacional exige mais do que ferramentas técnicas — exige liderança estratégica. Ao longo da minha carreira, atuei como COO e CEO em contextos onde a performance industrial estava diretamente ligada a resultados de negócios, como prontidão para M&A, expansão de mercado e credibilidade da marca. Em todos os ambientes — seja em uma startup escalando uma tecnologia de neuromodulação, ou em uma planta industrial tradicional buscando recertificação GMP — os princípios da excelência operacional permanecem válidos: clareza de propósito, responsabilidade em todos os níveis e execução incansável. Considerações Finais O futuro da fabricação farmacêutica e de ingredientes está na interseção entre excelência de processos, agilidade digital e liderança multifuncional. As operações devem evoluir de centros de custo para centros de valor. Excelência não é um destino — é um hábito, formado por disciplina, estratégia e cultura. Sobre o Autor Luiz Girard é um executivo industrial com mais de 30 anos de experiência em operações, cadeia de suprimentos, reestruturação de negócios e liderança estratégica em multinacionais e startups. Sua trajetória abrange setores como farmacêutico, dispositivos médicos, foodtech, soluções ambientais e manufatura. Atuou como CEO e COO de organizações de alto impacto, liderando projetos transformacionais em ambientes altamente regulados com ganhos mensuráveis em eficiência, conformidade e expansão de mercado. É certificado como Six Sigma Black Belt, Engenheiro de Processos Kaizen e vencedor do prestigiado prêmio TPM concedido pelo JIPM do Japão. Girard possui formação em Administração de Empresas e Engenharia Industrial pela Universidade de São Paulo, além de ter realizado treinamentos executivos com líderes globais como C.K. Prahalad e Peter Drucker. Fluente em inglês, italiano e espanhol, liderou projetos internacionais em toda a América Latina e Europa. Além da atuação corporativa, presidiu associações setoriais influentes como o Instituto Paulista de Excelência em Gestão (IPEG) e a ABETRE, promovendo a excelência operacional, governança corporativa e sustentabilidade. Seu histórico combina visão estratégica com execução prática, entregando consistentemente excelência operacional em ambientes complexos e de alta exigência.
Planejamento financeiro, o combustível silencioso por trás das empresas bem-sucedidas

Por: Carolina Inocencio Martins Ao falarmos sobre o sucesso de uma empresa, é comum que os créditos sejam atribuídos à inovação, à qualidade do produto, à identidade da marca ou ao carisma do fundador. Porém, existe um alicerce silencioso — mas extremamente fundamental — que, na maior parte das vezes, determina se um negócio terá ou não uma trajetória promissora: o planejamento financeiro. Assim como uma casa precisa de alicerces firmes para ser construída, uma empresa dificilmente alcança o topo com um crescimento sólido e sustentável sem uma gestão financeira bem estruturada desde o seu nascimento. A gestão financeira, aliada ao planejamento estratégico, a uma equipe qualificada, à compreensão do mercado em que se está inserido, ao posicionamento de marca claro e à eficiência dos processos internos, é parte essencial da construção de uma base forte. Muito além do controle de caixa Muitas pessoas — sejam empresárias ou apenas entusiastas do empreendedorismo — ainda associam o planejamento financeiro apenas ao controle de fluxo de caixa ou à redução de custos. Na prática, esse planejamento vai muito além: ele funciona como um verdadeiro mapa estratégico, cujo objetivo é orientar a tomada de decisões, mitigar riscos e permitir que oportunidades sejam aproveitadas com mais segurança. Empreender sempre envolverá incertezas. Elas podem estar relacionadas ao comportamento do consumidor, a obstáculos operacionais, a novas regulamentações, ou mesmo a fatores externos como crises econômicas ou políticas. São justamente essas incertezas que, muitas vezes, tornam operações inviáveis e levam negócios à falência. No entanto, é o planejamento financeiro que transforma essas incertezas em riscos calculados. A gestão financeira fornece respostas claras para perguntas como: O que acontece se o faturamento previsto não se concretizar? Como lidaremos com atrasos de pagamento de clientes? E se as taxas de juros subirem e encarecerem o crédito? Em quanto tempo este projeto trará retorno? Temos reserva para cobrir de 3 a 6 meses de operação? Posso contratar mais pessoas agora ou devo esperar? Finanças como motor do crescimento Empresas que projetam receita, custos e lucros de forma realista — no curto e no longo prazo — conseguem crescer com mais consistência desde cedo. Ao manterem um controle rigoroso do fluxo de caixa, reservas para emergências, capital de giro saudável e monitoramento de KPIs como margem líquida, EBITDA, CAC, LTV, entre outros, não apenas sobrevivem aos primeiros anos (os mais desafiadores), como também conseguem investir em tecnologia, expandir operações, montar boas equipes e até atravessar crises macroeconômicas sem grandes prejuízos. A regra é simples — e como dizia Peter Drucker, pai da administração moderna: “O que é medido, é gerenciado.” Ou seja, quem compreende suas finanças toma decisões melhores. É como ter um GPS no meio da Mata Atlântica: oferece direção e segurança em um ambiente incerto, complexo e cheio de armadilhas. O reflexo disso é uma empresa com menos desperdícios, mais investimentos bem alocados e alta capacidade de adaptação — evitando o crescimento baseado em “achismos”. A cultura da saúde financeira Ter uma boa saúde financeira não é resultado de uma ação pontual — é o produto de uma cultura construída dia após dia, com base em pilares sólidos: Projeções realistas de receitas e despesas; Análises periódicas dos dados da empresa; Gestão de capital de giro; Disciplina orçamentária; Criação de reservas para momentos de crise; Clareza sobre o ponto de equilíbrio; Cultura de longo prazo. Empresas que adotam essa cultura conseguem inovar com mais segurança, reinvestir com consistência, captar crédito de forma mais barata e atrair investidores com mais facilidade. Isso porque elas demonstram responsabilidade e maturidade financeira — características cada vez mais valorizadas no mercado. O futuro pertence aos financeiramente preparados “Success is where preparation and opportunity meet.” — Bobby Unser Essa frase do lendário piloto resume o que toda empresa precisa entender: não basta ter uma boa ideia ou encontrar uma grande oportunidade — é preciso estar financeiramente preparado para colocá-la em prática. Em um cenário econômico e político instável, empresas com um bom planejamento financeiro não apenas resistem às turbulências — elas usam esses momentos como trampolim para crescer. Startups, franquias inovadoras, indústrias ou pequenos negócios locais: todos os casos de sucesso têm algo em comum — uma mentalidade financeira estratégica adotada desde cedo, ou, no mínimo, desenvolvida ao longo do caminho com disciplina e visão. E aqui está a boa notícia: nunca é tarde para começar. Seja você um empreendedor iniciante ou experiente, ou um colaborador comprometido com o crescimento da empresa em que trabalha, fortalecer a gestão financeira é uma das decisões mais inteligentes que se pode tomar. Porque, no fim das contas, empreender com responsabilidade financeira não é apenas manter as contas em dia — é construir uma estrutura robusta, uma visão de futuro e um legado com solidez.
O empreendedorismo na indústria também tem muita sede por inovação, apesar dos desafios do setor no mundo

*André Albuquerque, empresário, Forbes Under 30 na categoria Indústria em 2021 Quando pensamos em inovação e empreendedorismo, é comum que os holofotes se voltem para o universo das startups digitais. Entretanto, há um movimento igualmente transformador acontecendo longe dos aplicativos e das telas — dentro das fábricas, dos centros de pesquisa e das plantas industriais ao redor do mundo. A indústria, muitas vezes percebida como um setor tradicional e resistente a mudanças, tem demonstrado, na prática, um apetite crescente por inovação. Essa transformação é movida tanto por necessidade quanto por oportunidade. Em um cenário global marcado por disrupções logísticas, pressão por sustentabilidade, novas demandas de consumo e avanço tecnológico, o setor industrial vem sendo desafiado a se reinventar. Empreendedores com visão estratégica estão enxergando na indústria um campo fértil para inovação aplicada, onde é possível unir produtividade e tecnologia, escalabilidade e sustentabilidade. — Inovar na indústria, no entanto, exige um conjunto de competências distintas: é necessário combinar o domínio técnico com a capacidade de liderança, a sensibilidade para identificar tendências com a disciplina para transformar ideias em processos concretos, rentáveis e claro apostar em algo que pode ser ainda muito pouco ou nada falado e comentado. Nos últimos anos, vimos crescer iniciativas industriais que exploram fronteiras da ciência de alimentos, bioeconomia, automação e inteligência artificial. São soluções que surgem da conexão entre pesquisa, tecnologia e espírito empreendedor — e que, ao contrário do senso comum, têm saído não só de grandes corporações, mas também de líderes visionários que construíram negócios industriais do zero, mesmo diante de altos custos de implantação, regulamentações rígidas e a necessidade de longo prazo para maturação de projetos. A indústria tem seus próprios tempos e exigências, mas também oferece algo raro no mundo dos negócios: a capacidade de escalar com solidez, de gerar impacto concreto na sociedade e de transformar estruturas inteiras de mercado. É nesse ambiente que o empreendedorismo ganha um novo significado — não apenas como forma de criar algo novo, mas como forma de regenerar e modernizar setores inteiros da economia. O cenário internacional mostra que os países que mais avançam economicamente são justamente aqueles que investem em inovação industrial. As novas foodtechs, as fábricas inteligentes, as empresas orientadas por dados e a sustentabilidade são exemplos disso. A indústria do futuro será cada vez mais integrada, transparente e voltada à geração de valor de forma ética e responsável. Como alguém que tem acompanhado de perto essa evolução, posso afirmar que o setor industrial é um dos espaços mais desafiadores — e também mais recompensadores — para empreendedores determinados a deixar um legado. A sede por inovação na indústria é real, e os resultados alcançados por quem se compromete com essa jornada mostram que, sim, é possível transformar ideias em soluções transformadoras e relevantes, mesmo em setores considerados conservadores e “antigos. O empreendedorismo industrial está mais vivo do que nunca. E seguirá sendo peça-chave para moldar o futuro que queremos ver.
O Brasil precisa adotar o “bootstrap” – entenda o que é

A situação é a seguinte, em 6 passos: 1 – A pessoa teve uma ideia “genial”. 2 – Amigos, familiares, cônjuges acharam muito baana. 3 – A pessoa contratou alguém, investiu alguma coisa, alugou uma sala/comércio. 4 – Fez um curso com um guru da felicidade que lhe disse para usar as redes sociais para vender. 5 – Investiu mais um pouco no que ele chamou de “escalar” (anotem), mas não vende 6 – A pessoa se deu conta de que ninguém quer comprar o negócio que era “genial” A tal ideia genial frustrada pode acontecer em qualquer área de atuação. Toca para o Bootstrap (o Brasil precisa adotar esse termo): – Napter (se você não conhece, deveria conhecer) – Easytaxi (os caras faziam todo o processo de chamar o taxista por celular, montaram o app…) – Infoprodutor que começu gravando com um blackberry – Amazon com sua cultura “Day One” Bom, acho que você já entendeu. Não precisa de dinheiro para colocar um negócio de pé. Precisa IDENTIFICAR UM PROBLEMA, UMA DOR, E PROPOR UMA SOLUÇÃO QUE TENHA INTERESSE DE COMPRA. 42% das startups falham porque o negócio não interessa ao mercado. O mesmo acontece com qualquer negócio, não só startups. O processo antigo de se abrir uma empresa não serve mais: você tirava o CNPJ, urgia uma leva de custos. Você alugava um espaço sem saber se teria clientes. Você investia em marketing só porque alguém falou que tinha que investir… Não à toa, o primeiro estágio é um fosso… COMO SUPERAR O FIRST STAGE? “Não se apaixone pela solução. Se apaixone pelo problema”. Pesquise – Entenda – Entregue – Volte – Corrija – Teste de novo – Mude – Entregue – Comece de novo O que temos feito aqui nas consultorias: definimos 1 para tudo: 1 problema, 1 público alvo, 1 entrega… Estamos testando agora, por exemplo, um novo sistema de apps web (esses aplicativos que são plataforma, que você não precisa baixar). Está disponível gratuitamente uma versão beta (piloto, teste, chame como quiser) do que fazemos nas consultorias com “candidatos a empreendedores”. Uma dessas consultorias foi a que resultou no Café Academy – a Edtech que criamos junto com o Café com Comprador – e em outra que acabamos de finalizar, que resultou na pivotagem do público (testamos o ICP e com novo nicho o negócio começou a decolar, está em teste dos primeiros clientes de fato). Para quem quiser saber mais, segue o link: app.empreendabilidade.com.br A gente fala, a gente faz: essa plataforma estará em constante transformação para atender às necessidades do mercado. Excelente primeiro passo, todos os dias.
Enquanto falta qualificação, há espaço para profissionais experientes empreenderem com cursos digitais

Ao nos depararmos com os dados da falta de qualificação profissional no Brasil, em vez de sentir pena e nos perguntarmos por que isso acontece, é fácil entender porque o termo “Educators”, os “creators” de conteúdo instrutivo, é pouco conhecido por aqui. Sob o ponto de vista de um empreendedor, esse problema representa uma grande oportunidade. Ora, a escassez de mão de obra qualificada impacta diretamente na economia, produtividade e no cotidiano das pessoas no que diz respeito não apenas ao trabalho, mas à forma como você é atendido nos lugares, os processos lentos e tudo o mais o que vemos. O fator é humano. Por outro lado, graças à internet nunca foi tão fácil ter acesso à educação. O número de brasileiros que compram produtos digitais mais que triplicou depois da pandemia, passando de 6,5 milhões para 20,3 milhões – dados do Hotmart. Segundo um levantamento do Google em parceria com a empresa de educação Pearson, 80% dos brasileiros preferem comprar cursos online para qualificação profissional, contra 20% que ainda escolhem os cursos presenciais. Ou seja, o modelo já está testado. Mas, acontece que o meio digital está tomado pelo marketing. Não somos contra o marketing: as narrativas, argumentos de venda e fábulas sedutoras não foram criadas agora. Elas são úteis para gerar valor percebido, para as vendas. Mas, o exagero é nocivo. Nas últimas semanas conversei com 20 profissionais experientes – que têm mais de 40 anos, posições de liderança nas suas atividades, bagagem pessoal e profissional comprovada – e que têm interesse em empreender com cursos digitais, e esse foi um dos fatores de objeção a lançar um curso. Esses “imigrantes”, que vêm de gerações pré-5G e “não-nativos-digitais”, entendem que oferecer conteúdo como forma de instrução para outras pessoas vai além do super marketing de apelo: “ganhe 1 milhão”, “conquiste milhões de clientes em 7 dias”, “fórmula mágica para você emagrecer em 1 mês”. Está em jogo o valor real do conhecimento. Além disso, a transição para o empreendedorismo digital pode ser intimidante para os profissionais com vasta experiência em áreas complexas, principalmente se feita da forma como é mostrada em vídeos de 15 segundos. No entanto, o digital é realidade. Desenvolvemos uma metodologia aqui no Empreendabilidade que estamos testando, justamente para atender a esse público. A jornada envolve: A construção do perfil e comunicação buscando autoridade nas redes (3C: Conhecimento, Conteúdo, Curso) – o aculturamento do empreendedorismo com cursos digitais, curadoria de conhecimento e presença digital; A didática adequada ao meio virtual (3D: Design da Didática Digital) – design instrucional para transformar conhecimento em conteúdo didático O trabalho para posicionamento e venda do curso (GTM: Go To Market) – com identificação do público-alvo, narrativa simplificada, definição da entrega final, escolha de formatos (vídeo, texto, atividades, complementos), garantia de aprendizado eficaz etc. Com isso, resolvemos essas dores e estimulamos o empreendedorismo nos cursos digitais. Se você é um profissional experiente e se encaixa neste perfil, entre em contato que queremos te ajudar nesta jornada.
Procura por cursos digitais de qualificação profissional cresce no Brasil

Mais da metade das pessoas (53%) que procuram cursos online tem como objetivo desenvolver habilidades relacionadas ao desenvolvimento profissional, diz um relatório de Insights da Hotmart, plataforma líder no mercado de infoprodutos, ao qual o Empreendabilidade teve acesso. Apesar de as redes sociais serem percebidas como espaço fértil para creators e influencers de lifestyle, esportes e saúde, a busca maior é por cursos de ensino voltado ao desenvolvimento profissional. “O principal objetivo de quem compra um conteúdo digital é desenvolver habilidades profissionais ou de complementação de renda”, informa o relatório. Em segundo lugar, vem o crescimento pessoal (23%), melhorias em saúde e bem-estar (11%), o aprendizado de algo novo por hobby (6%) e outros motivos (4%). O critério mais utilizado para adquirir um curso é a autoridade e credibilidade do professor, apontado por 19% dos respondentes. O certificado do curso é apontado como importante por apenas 3% do público que participou da pesquisa. Os demais critérios são: flexibilidade de horário (17%), preço (13%), Escopo e profundidade do conteúdo (12%), qualidade da plataforma de entrega (9%), possibilidade de assistir offline (9%) e suporte (5%). O relatório também aponta que, no ano passado (2022), o número de pessoas que comprou produtos digitais foi quase o triplo do que em 2019, ano antes da pandemia. Os dados corroboram uma pesquisa do Google em parceria com a empresa de ensino Pearson, divulgado no início do ano, que aponta que 80% dos brasileiros já preferem cursos online para qualificação profissional. Enquanto outro levantamento, da consultoria americana de infoprodutos Thinkific, diz que a taxa de crescimento do aprendizado digital no mundo é de 32% nos próximos anos, até 2026. Para o Empreendabilidade, que vem observando esse mercado de infoprodutos e cursos digitais como oportunidade de empreendedorismo, esses dados sinalizam que há espaço para professores e profissionais qualificados lançarem cursos digitais. “As pessoas veem em profissionais qualificados aprendizados mais relacionados à prática, enquanto os cursos oferecidos por instituições acadêmicas acabam se concentrando mais no lado teórico”, aponta Ricardo Meireles, fundador do Empreendabilidade e pesquisador do assunto. O marketing digital ainda toma mais atenção de quem quer criar um curso do que o material didático. O relatório do Hotmart indica que a busca por profissionais de didática para desenvolver o conteúdo do curso está em 7º lugar. Os seis primeiros profissionais mais buscados são de gestão de tráfego, copywriting, edição de vídeo, design, estratégia de vendas e gestão das redes. Para Meireles, esse dado mostra que ainda há a percepção de que fazer um curso digital é gravar, publicar e vender. Porém, para temas mais profundos é necessário adaptar a didática. “A tecnologia facilita o microlearning e uma jornada mais efetiva de aprendizado com exercícios e relacionamento com o aluno. Com isso, é possível criar cursos específicos para plataformas digitais para os assuntos mais densos e complexos”, explica. “Ainda vemos muitos cursos de profissionais maduros com aquele formato de ”Telecurso’. Por isso, de olho neste espaço, estamos lançando um produto direcionado a profissionais experientes, de forma a ajudar essas pessoas a empreender da melhor forma com cursos digitais. A criação de infoprodutos de LTV (Long Time Value) é outra questão que vemos como desafio“, afirma Meireles.
Seja diligente

Muitas teses corporativas surgiram na pandemia “madura” – período que eu mesmo determinei para definir o momento após o susto inicial dos primeiros meses de vírus, do “fique em casa” e dos sentimentos turbulentos de um “novo normal” e pensamentos catastróficos. Junto ao retorno (lento) da lucidez e ao aparecimento de uma certa consciência das mudanças que realmente seriam perenes, a “great resignation” surgiu e arrefeceu. Mas, outro termo ganhou vitrine, principalmente relacionado ao perfil de trabalho das novas gerações: o “quiet quitting”. A discussão chegou a um dos valores essenciais para as coisas darem certo: a diligência. E isso nos preocupa. A impressão é que ninguém quer se responsabilizar: pelo trabalho, pelo relacionamento, pelas consequências de seus próprios atos. A ideia desse artigo veio, inclusive, de um papo com uma pessoa para a qual ofereço consultoria em um novo negócio. Ela tem sócios, mas é quem bota a mão na massa. Todos querem participar do resultado, mas poucos assumem o trabalho para chegar até lá. Já afastou algumas delas, mas o padrão se repete: todo mundo quer a obra pronta. O cuidado e atenção aos detalhes – coisa que essa pessoa é craque – é uma caraterística muito comum em qualquer empreendimento. De novo, volto ao escritor Steven Pressfield: a guerra da arte é FAZER a arte. Volto a Leonardo da Vinci: procrastinou, ou fez no tempo dele? A diligência não é apenas uma qualidade desejável. É um fator imperativo para o sucesso: seja de um relacionamento, de uma empresa, de uma realização pessoal. Não se trata apenas da execução metódica e precisa de tarefas. Vai além disso: o cuidado com qualquer coisa que você esteja fazendo é evidente quando a coisa fica pronta. No documentário Arnold, da Netflix, o fisioculturista-ator-político Exterminador do Futuro Mister Universo começa o primeiro episódio contando com detalhes o cuidado com o qual a sua mãe dobrava as roupas, limpava o piso da casa. Isso é diligência. Quando eu falo que o comportamento empreendedor tem mais a ver com como a pessoa faz as coisas do que o fato de abrir uma empresa, diligência faz parte disso. Quando a pessoa gosta de algo, quer atingir um resultado com muita vontade, ela é diligente. Além de tudo, é muito mais confiável uma pessoa que cuida, que trata com zelo, que dá atenção, do que quem faz o contrário. Fuja de quem faz quiet quitting. Seja diligente. Dá certo.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: final (6/6)

Escrevendo essa série de artigos me veio à mente a tese das startups: “comece feio, mas comece.” Se a primeira versão está finalizada, você demorou demais para começar – frase comum no meio da inovação, principalmente para contradizer o processo burocrático vivido dentro das empresas, que costumam querer impor algo já pronto em vez de ir testando e melhorando o produto. Esse conceito é interessante, pois reúne tudo o que foi dito anteriormente: desde a tese de Pressfield de “fazer”, não pensar em fazer. Para se tornar um profissional, pratique. Saia da teoria. O que incomoda na decisão daquele que sonha empreender e que não coloca em prática é que ele sequer está testando. Aparenta querer algo pronto, e, por isso, muitas vezes, terceiriza o seu sonho. Voltando a Da Vinci e sua Monalisa, não estaria ele praticando (mesmo que mentalmente), enquanto não entregava a obra? Em todo o caso, o melhor é sempre começar. Todo dia será dia um, se você entender que está sempre partindo de um ponto para melhorar. E, se você quiser de verdade, não importa quanto tempo dure, ficará pronto. Melhor demorar melhorando, do que nunca começar.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: quem quer de verdade, faz (5/6)

Aqueles que realmente desejam algo encontrarão uma maneira de realizar. Vejam o que estamos discutindo: não é que Da Vinci não iria entregar a Monaliza. Ele entregou. Mas, no tempo dele. Ela estava lá, em primeiro plano. Não há, no entanto, apenas 2, 3 ou 4 planos nesse espectro da realização. É diferente de quando se arranja desculpas, que podem variar desde a falta de tempo até a falta de recursos – essas barreiras autoimpostas, isso é procrastinação. Mas, veja o caso por exemplo de situações urgentes ou que demandam uma ação imediata. Trazendo para o empreendedorismo, os tais “empreendedores por necessidade”, por exemplo. A pessoa não tem querer. A motivação é ter que agir. O ponto é que quando algo é uma prioridade real, não faltará tempo, energia ou recursos. Na última leva de cursos e estudos, tenho ouvido muito que quando dói, a pessoa dá um jeito. Dói no bolso, dói em sofrer, dói em necessidade. A dor é um catalisador natural para a ação. Se não doeu, a pessoa não agiu. É o caso, por exemplo, do eterno sonho do empreendedor mencionado anteriormente: se ele precisasse? Se perdesse o emprego? Se aquela fosse a única opção para ele? Já estaria pronto.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: paradoxo do desejo (4/6)
O que é pior, o procrastinador ou o viajante arrependido? Aquele que para no meio do caminho? Ou, ainda, aquele que tem um sonho e sequer iniciou o processo para realizá-lo? Trazendo para a realidade, essa é a história de uma pessoa que tinha um sonho: queria abrir a sua própria empresa. Desde o início dos seus 40 anos (hoje ele está mais próximo dos 50), essa pessoa sonhava em ter seu próprio escritório, escrever livros, ajudar pessoas. A ideia nunca foi sequer para o papel. Ele conheceu uma outra pessoa, que estruturaria a ideia e estava disposta a arriscar tempo e talvez recursos para colocar o negócio de pé. Esse futuro sócio acreditou no sonho. Mas, o sonho é do sonhador E só ele pode realizá-lo. Novamente, terceirizar a realização das coisas não funciona em nada a partir do momento que você é um indivíduo e capaz de realizar seus desejos. O resultado disso? A ideia foi para o papel, o sonhador quis terceirizar a realização para o sócio. Anos depois, o sonho ainda não foi realizado. Aí surge a pergunta: Ele queria de fato realizar o sonho de empreender? Quando ouvi essa história, me recordei que sempre sonhei em ver uma baleia de perto. De perto mesmo: mergulhar, tocar. Aquele animal fantástico, materialização do que deve ser a obra divina. Centenas de toneladas, mas uma delicadeza que flutua e canta… O quão realizador não deve ser o contato visual com uma baleia azul? Bom, há diversos programas para observações de baleias na costa brasileira. Alguma vez eu me inscrevi em algum? Nunca! Acho que cheguei a pensar nisso. Mas, nunca realizei. Então, me dei conta: será que desejo mesmo isso? Ou será que apenas gosto de pensar na possibilidade? Não me sinto procrastinando. Apenas sonho. Mas, quiçá com essa consciência agora, quem sabe, de fato eu tome essa atitude.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: faça escolhas (3/6)

Atualmente, tenho tido contato com diversos profissionais que já estão na faixa dos 40 (assim como eu) e alguns já passados dos 50 anos. Todos com boas realizações em suas áreas, com vontade de dar um próximo passo, abrir um negócio, realizar um sonho. Uma dessas pessoas já é um empreendedor. Vendeu parte da sociedade em uma empresa, criou um negócio que está indo bem, e quer fazer uma nova investida. Começamos a conversar para destravar essa ideia e, em uma das reuniões, chegamos a comentar umas 30 possibilidades diferentes de negócio – de fazer receita a partir de um produto ou serviço. Todas essas ideias são possíveis? Podem ser. Mas, o projeto só será a “Monalisa” se nos concentrarmos em apenas uma delas. Como definir qual? Faça Escolhas. Como aprender a fazer boas escolhas, pequeno gafanhoto? Fazendo muitas escolhas ruins (e, sinto dizer, isso durará a vida toda). Tudo isso escrito, toda essa reflexão, para dizer que, talvez, apenas talvez, a procrastinação de Da Vinci seja uma escolha. O que sabemos é que Roma também não foi construída em um dia.
Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: não seja amador (2/6)

Para se conceber obras dignas de história, empresas longevas e sólidas e qualquer coisa que deixe um impacto, é necessário o tempo de gestação, construção e dedicação. Não devemos confundir isso com procrastinação. Uma das pessoas que melhor fala sobre isso abertamente, e profundamente, é a filósofa e professora Lucia Helena Galvão. Em suas apresentações, por áudio ou vídeo e disponíveis nas redes sociais, ela sempre menciona o escritor Steven Pressfield e suas obras “A Guerra da Arte” e “Como se tornar um profissional”. A primeira, “A Guerra da Arte”, trata daquele momento em que falta inspiração para os artistas. A narrativa se cruza com os momentos de epifania da jornada do herói (um modelo que é descrito em obras milenares, como a Odisseia), e que estabelece um frame, um percurso de dor, sofrimento, autoconhecimento e aceitação, e preparação até que seja capaz de enfrentar os demônios e adversários – o que está presente em muitas biografias das pessoas de sucesso e em histórias de ficção. No fim, o maior adversário é sempre o próprio protagonista. O ponto desse livro é que você deve encontrar o que te motiva, quais são as suas “musas”. Mas, para isso, você deve treinar. A solução é sempre fazer. Se você é um escritor, escreva. Se é um músico, cante. Se é um nadador, nade. Faça o que tem que ser feito. Outra obra de Steven Pressfield tem o título “Torne-se um Profissional”, e busca ensinar o leitor a trabalhar em cima das suas limitações. Novamente, a estrutura da jornada do herói está presente. Neste caso, com o foco na necessidade de se encarar os desafios emocionais e as crenças limitantes. Esse tipo de discurso também é muito comum nas peças de autoajuda e mentorias, coaching etc. – mas cada qual com a sua profundidade. Vale lembrar, ainda, da teoria das 10.000 horas, que é muito trabalhada pelo escritor e jornalista Malcolm Gladwell no seu livro Outliers, que foi publicado com o título Fora de Série no Brasil. Na obra, o autor traz à tona casos de sucesso como do Beatles, entre outros, mostrando que o sucesso não foi por acaso. Antes de chegar aos grandes palcos, a banda inglesa, por exemplo, praticava música todos os dias. A tese é de que é necessário que você pratique 10.000 horas para alcançar a excelência. Além dos casos escritos no livro, vale mencionar dois artistas da atualidade que já falaram sobre o valor da prática: Ed Sheeran, em um vídeo que circula no YouTube, por exemplo, mostra um áudio dele próprio, cantando desafinado, no comecinho quando pensava em seguir carreira. O outro é o Harry Styles, que se apresenta no programa American Idols, onde um dos membros do júri questiona sobre seu talento. Bom, os dois exemplos mostram que depois de um tempo chegaram a um talento. E não foi por acaso. Eles enfrentaram as suas jornadas. Cruzando com o assunto inicial e com o conhecimento da professora Lucia Helena Galvão, a mudança, o trabalho, o desafio, ocorre sempre internamente. Por isso, independentemente de qual empresa você trabalhe ou da área na qual você tenha se formado, se você colocar a culpa no outro, não vai evoluir. Treine, pratique e desenvolva a si próprio.
Procrastinação, produtividade, longo prazo e ação: Procrastinar X fazer bem feito (1/6)

Esses dias fui impactado (para usar um termo moderno) por um anúncio em vídeo de um “guru” – confesso que esse eu não o conhecia, não é dos mais famosos, mas vi no perfil dele que já fez alguns milhões vendendo mentoria de desenvolvimento pessoal – que propunha a ideia de que Leonardo Da Vinci procrastinou na pintura da Monalisa, e ele chega a mencionar outros artistas. A ideia era argumentar que com o seu curso e mentoria a pessoa não mais procrastinaria. Fui dar um Google para entender melhor o exemplo e cheguei a uma reportagem da saudosa Superinteressante, que apresentava o pintor justamente como o “maior procrastinador da história” – a Monalisa ficou pronta entre 3 e 4 anos depois de iniciada a obra. Outros resultados da pesquisa apontam inclusive que o comportamento do pintor seria, na realidade, um sinal de déficit de atenção: ele facilmente trocava de projetos, sofria de interrupção do sono, entre outros fatores. Eu lhe pergunto: o que você prefere? Um trabalho de um dia que é o boneco palito, ou um trabalho de 3-4 anos que seja a Monalisa? “A pressa é inimiga da perfeição” é talvez um dos ditados que mais se apliquem aos dias de hoje, em qualquer circunstância. Elenquei alguns cenários para ilustrar: Investimentos: a curva de valorização (considerando ativos de qualidade, claro) tende a ser para cima – experimente olhar uma ação que está caindo há algumas semanas em um prazo de 5, 10 anos, por exemplo. Por isso os investimentos são pensados em longo prazo e requerem paciência. Claro, há quem aposte no day trade. Mas, é só ver os exemplos dos grandes investidores globais como Warren Buffet, George Soros e o brasileiro Luiz Barsi: todos têm consistência e persistência; Composição de uma empresa (mesmo que uma startup): uma coisa é o capital de risco, para gerar escala rapidamente. Outra coisa é o business Building. As grandes empresas não nasceram em Wall Street ou na Faria Lima, elas começaram em uma garagem, um quintal, uma lanchonete pequena. Ainda, nenhum fazendeiro começa o negócio com 10 mil cabeças de gado. Sempre tem o primeiro passo, depois da persistência, com chuva e com sol, com seca e com problemas econômicos, ele chega lá; Atletas: não recordo quem fala que a rotina do alto desempenho é monótona. Um atleta olímpico passa boa parte da vida na rotina de dormir, comer e treinar. Ele não vai para festas, ele não está nem aí para o que estaria “perdendo”. O foco é dali a 4 anos colocar uma medalha no pescoço. Aliás, imagine você saber que só faria algo “valendo” dali a 4 anos, e que teria que treinar até estar pronto? Ainda, imagine aqueles que treinam e que sabem que não vão subir no pódio? Ainda assim, treinam, porque dali a 8 anos eles podem estar. Mas, só se treinarem. Entre outros tantos exemplos de longo prazo, desde o bebê que não sai correndo pela casa antes de engatinha até o processo de emagrecimento, parece que estamos misturando as coisas porque o atleta treina e tem rotina, enquanto Da Vinci procrastina. Mas, o que haveria de diferente, se não a nossa percepção e julgamento? Não estaria Da Vinci, nessa “procrastinação”, treinando mentalmente? O ponto aqui, ao meu ver, voltando ao anúncio crítico à procrastinação de Da Vinci, é que procrastinar seria se a Monalisa não tivesse ficado pronta, ou tivesse ficado, desculpem a expressão, uma porcaria.
O que o arcabouço fiscal tem a ver com o empreendedorismo?

A aprovação do novo regime fiscal do governo federal pela Câmara dos Deputados é o assunto em destaque hoje, 24 de maio de 2023. No entanto, a discussão ainda não está concluída, uma vez que serão realizadas votações adicionais na Câmara e o texto seguirá para aprovação no Senado e posterior sanção presidencial. Essa questão é tratada com urgência pelo governo, pois é um fator fundamental para o avanço da Reforma Tributária, um tema de grande relevância para empreendedores e empresas. Em termos conceituais, o arcabouço fiscal consiste no conjunto de regras, políticas e instrumentos utilizados para regular as finanças públicas do país, com o objetivo de controlar o déficit orçamentário, a dívida pública e garantir a estabilidade fiscal a longo prazo. Já existe a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), estabelecida em 2000, que define limites para os gastos públicos, estabelece regras para a gestão fiscal responsável e prevê sanções para o descumprimento das metas fiscais estabelecidas. Além disso, desde 2016, há uma Emenda Constitucional que estabelece um teto de gastos, limitando o crescimento das despesas do governo à variação da inflação, como forma de controlar o aumento da dívida pública. A implementação efetiva do arcabouço fiscal é fundamental para combater desafios como a complexidade tributária, a baixa eficiência da máquina pública e a pressão por despesas de curto prazo. Isso resulta em estabilidade econômica, crescimento, atração de investimentos e estímulo à abertura de novas empresas, trazendo impactos positivos, como a geração de empregos e negócios. A ver o que virá…. Reforma tributária Do lado do empreendedorismo, a Reforma Tributária terá impacto direto sobre empreendedores e pequenas e médias empresas (PMEs). A proposta visa a criar uma mesma condição tributária (simplificar, não disse reduzir) para todos, por meio da implantação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Mas, para os pequenos, deve ficar claro que o governo não planeja atualizar os limites do Simples. Os argumentos são de que, em comparação com sistemas semelhantes em outros países (a comparação lista mercados de primeiro mundo), os limites do Simples Nacional já são mais altos. Além disso, o ajuste do Simples representaria uma renúncia de arrecadação de R$ 119 bilhões no próximo ano, de acordo com estimativa da Receita Federal. Existem projetos de lei, como o PLP 108/2021 do Senador Jayme Campos e outras propostas na Câmara, representados pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo, presidida pelo Deputado Federal Marco Bertaiolli, que pleiteiam o aumento do teto limite do Simples. Atualmente, o limite de todas as categorias é o mesmo de 15 anos atrás: R$ 81 mil para Microempreendedores Individuais (MEIs) / R$ 360 mil para Microempresas / R$ 4,8 milhões para Empresas de Pequeno Porte. A reivindicação dos empresários considera que o ajuste deveria levar em conta, pelo menos, a inflação. No entanto, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já descartou essa possibilidade. Voltando ao IVA e à reforma tributária, os impostos teriam de ter uma alíquota de cerca de 25%, para manter a carga tributária total existente no país. O valor é significativamente maior do que o que as empresas que aderem ao Simples pagam atualmente – 6% a 33%. No entanto, é importante ressaltar que tanto o Simples quanto a Zona Franca de Manaus são exceções à alíquota geral do futuro IVA – a adesão será optativa. Por que defendemos a correção dos limites do Simples? Quando as empresas crescem e ultrapassam os limites de faturamento do Simples, isso não significa que elas estão preparadas para arcar com uma carga tributária tão elevada. A tributação é amplamente conhecida como um dos principais desafios enfrentados pela iniciativa privada e além de tudo representa custos administrativos pela sua complexidade. Além de tudo, as empresas que estão no Simples são mais rentáveis, geram mais oportunidades de emprego e têm menor índice de inadimplência perante a Receita Federal. Atualmente, existem 14,8 milhões de microempreendedores individuais formalizados no Simples, o que representa 68% das empresas brasileiras. Segundo o Sebrae, a atividade empreendedora é a única fonte de renda para 78% dos MEIs e é responsável pela renda familiar de 37% dos lares. As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) representam 99% de todas as empresas em atividade no país, contribuindo com 30% do PIB brasileiro, o equivalente a cerca de R$ 3 trilhões em faturamento. Além disso, elas são responsáveis por mais de 70% dos empregos gerados no país. Graças ao Simples Nacional, as empresas que aderem a esse regime têm menos dívidas com a Receita Federal. De acordo com o Sebrae, 37% dessas empresas estão com suas dívidas em dia, enquanto 24% possuem dívidas em atraso e 39% não possuem dívidas. É importante destacar que o argumento de que o Simples representa uma isenção fiscal não é verdadeiro. O Simples simplifica o processo de arrecadação, unificando os cálculos dos impostos em diferentes esferas (Federal, Estadual e Municipal) em um único tributo. No ano passado, a arrecadação do Simples teve um aumento de 18,7% no período de janeiro a setembro, de acordo com o Ministério da Economia. Além disso, apenas 255 mil empresas de pequeno porte são devedoras da Receita Federal, totalizando um volume de inadimplência de R$ 11 bilhões. Diante desses dados, é evidente que o Simples Nacional desempenha um papel crucial no fortalecimento do empreendedorismo e na sustentabilidade dos negócios. Corrigir os limites do Simples é uma medida essencial para garantir, inclusive, que mais pessoas tenham a possibilidade de aderir ao sistema de MEI para geração de sua própria renda, que as micro e pequenas empresas – fundamentais para a geração de empregos e para a redução da desigualdade social – continuem operando sem custos adicionais, e apoiando uma carga tributária mais equilibrada de forma a fomentar a inclusão econômica e a melhoria da qualidade de vida da população.
A idade é apenas um número se você tem paixão

*Por João Fernando Saddock Como um fã ferrenho da Ferrari e um defensor da Red Bull, nunca pensei que torceria pelo Fernando Alonso. Mas foi exatamente isso que aconteceu durante o primeiro Grande Prêmio de 2023 no Bahrain. E não tenho vergonha de admitir isso. Porque hoje, Fernando “A Fênix” Alonso nos lembrou algumas valiosas lições de vida. Lição #1: Nunca é tarde demais para perseguir seus sonhos. Aos 41 anos, muitas pessoas haviam escrito Alonso fora do cenário. Disseram que ele estava passado, que nunca mais recuperaria a glória de seus dias mais jovens. Mas ele provou que estavam todos errados. Ele nos lembrou que idade é apenas um número, e que se você é apaixonado por algo, nunca deixe alguém lhe dizer que é tarde demais. Lição #2: Nunca é tarde demais para mudar as coisas. O retorno de Alonso foi nada menos que lendário. Após algumas temporadas difíceis, muitas pessoas acharam que ele estava acabado. Mas ele se recusou a desistir. Ele continuou lutando, acreditando em si mesmo, e hoje provou que nunca é tarde demais para mudar as coisas. Mesmo se você for derrubado, sempre pode se levantar novamente. Lição #3: Vencer nem sempre é chegar em primeiro lugar. Alonso pode ter terminado em terceiro, mas venceu de muitas outras maneiras. Ele venceu desafiando as expectativas. Ele venceu inspirando outros. Ele venceu mostrando que mesmo quando as coisas não vão conforme o planejado, você ainda pode sair por cima. E essas são apenas algumas das lições que podemos aprender com Fernando “A Fênix” Alonso. Mas talvez a lição mais importante seja esta: a experiência conta. Os anos de experiência de Alonso nas corridas lhe deram uma vantagem sobre alguns dos pilotos mais jovens e menos experientes. E isso também é verdade na vida. Quanto mais experiência você tiver, mais bem equipado estará para lidar com os desafios que surgem em seu caminho. Um brinde a Fernando Alonso, o rei do retorno, a lenda que desafia a idade e o lembrete final de que tudo é possível se você acreditar em si mesmo. Que todos nós sejamos um pouco mais como ele, e que todos nós nos lembremos de que, não importa o que aconteça, sempre podemos renascer das cinzas como uma verdadeira fênix. *João Fernando Saddock é um apaixonado por inovação e Growth Hacking, com vasta experiência em marketing, implementação e avaliação de estratégias de marca e comunicação de alta performance. Trabalhando com uma ampla variedade de clientes internacionais em empresas renomadas como Bedouin CC, Publicis, Leo Burnett, CCZ e Competence, gerou valor para marcas como Heineken, General Motors/Chevrolet, Carrefour, Fiat, Samsung, Kellogg’s, Disney, Volkswagen, KiCofee, Fly Emirates, entre outras. Recentemente, o especialista deixou sua posição de Head de Marketing na Zharta.io, uma empresa de empréstimo de criptoativos com sede em Portugal que utiliza NFTs como colateral, para se tornar Marketing Manager na divisão de educação da H-Farm, hub de educação internacional, inovação e empreendedorismo que apoia startups em diversos setores, localizada na Itália.
Open innovation: crise no Silicon Valley Bank leva startups a saírem da zona de conforto

*Por Vinicius Giglio, CEO da KATE Capital, e Ana Debiazi, CEO da Leonora Ventures O Silicon Valley Bank (SVB) era um importante player no mercado de dívida de risco, fornecendo empréstimos em curto prazo para startups no mundo todo, sem exigir participação acionária. No entanto, recentemente a instituição financeira enfrentou problemas graves chegando à falência. Esse incidente ligou o alarme entre as startups que dependiam do banco para serviços essenciais, como contas bancárias, pagamentos e empréstimos. A questão tem afetado diretamente esse mercado que já enfrenta um desafio significativo em relação à liquidez. As empresas disruptivas e inovadoras muitas vezes carecem de ativos que possam ser facilmente convertidos em dinheiro, tornando difícil levantar o capital de giro necessário para manter suas operações em andamento. De acordo com a Harvard Business Review, a ênfase do SVB em atender às necessidades específicas das startups pode ter saído pela culatra. Embora pudesse oferecer serviços bancários e financeiros personalizados para as companhias, a estratégia também tornava o banco fortemente dependente desse segmento de clientes para gerar receita. Além disso, o mau funcionamento da plataforma tem impactado negativamente as startups, já que muitas dependem do SVB para se conectar com investidores e fornecedores. As consequências dessa crise estão levando as empresas a explorarem opções alternativas, que podem fazer os Fundos de Capital de Risco (VCs) reconsiderarem estratégias de investimentos. As startups ainda podem ter que aceitar termos de financiamentos desfavoráveis ou buscar novas possibilidades, como a tokenização de ativos. Essa modalidade envolve a conversão de ativos em tokens que podem ser comprados e vendidos na plataforma blockchain, proporcionando maior flexibilidade e acesso a uma gama mais ampla de investidores. A Fast Company destaca que o desastre do SVB é um alerta para o mercado de startups se adaptar a novos métodos de financiamento. Algumas companhias africanas já estão buscando diferentes opções bancárias para evitar a dependência excessiva do SVB. Para garantir a sobrevivência em longo prazo, o mercado de startups deve estar ciente da importância de diversificar suas opções financeiras. Por essas e outras, empresas do ramo de security tokens já estão ajudando a resolver esse problema trabalhando com a tokenização de startups e pequenas e médias empresas (PMEs). Além disso, as associações de anjos estão aproveitando recursos que permitem captação mais rápida do que nos mecanismos tradicionais, reforçando o ecossistema de empreendedorismo. O mercado de investimentos alternativos é caracterizado justamente por ativos que não são negociados em bolsas de valores convencionais. Ou seja, trata-se de ações, títulos e fundos imobiliários que têm mais potencial de retorno, mas também maior risco e iliquidez. Entre os investimentos alternativos, as startups têm sido uma das opções mais procuradas. De acordo com a KPMG, só em 2021, foram investidos US$ 291 bilhões em empresas emergentes em todo o mundo. É fato que investir em startups pode trazer grandes retornos financeiros, mas se trata de um investimento de alto risco porque o sucesso do negócio é imprevisível. No entanto, se a companhia decolar, o ganho é, sim, exponencial. Com expertise em unir a blockchain ao processo de investimento e negociação de participação acionária, empresas do ramo proporcionam segurança e transparência para as transações, facilitando ainda a divisão da propriedade entre os investidores. Diante disso tudo, para o bem geral das companhias em desenvolvimento, fica o alerta de envidar esforços para a diversificação dos serviços financeiros. Vinicius Giglio é engenheiro de produção e mestre em administração de empresas, fundador e CEO da KATE Capital Ana Debiazi é economista, CEO da Leonora Ventures e investidora e membro de conselhos de Startups
Steve Jobs dizia: paixão pelo que faz é caminho para o sucesso

Por outro lado, os que não gostam do que fazem, desistem, afinal, quem vai ligar para coisas que não ama? Mais de uma década após sua morte, os conselhos de Steve Jobs continuam atuais. Em um artigo no Inc., o autor Jeff Haden explica por que o conselho mais valioso do fundador da Apple para empreendedores se aplica a qualquer pessoa. Para Jobs, empreendedores que amam o que fazem são bem-sucedidos, pois a paixão os auxiliou a insistir no negócio. Já os que não gostam do que fazem desistem. Veja o que ele disse quando perguntado sobre que dica daria a donos de negócios: As pessoas dizem que você tem que ter muita paixão pelo que está fazendo, e é totalmente verdade. A razão é porque [empreender] é tão difícil que, sem paixão, qualquer pessoa racional desistiria. É muito difícil, e você tem que fazer isso por um longo período de tempo. Então se você não está se divertindo ou realmente não gosta… você vai desistir. Um estudo da Academy of Management Journal, publicado em 2014, mostra que, embora a maioria das pessoas assumam que a paixão empreendedora impulsiona o esforço do empreendedor, o contrário também é verdadeiro. De acordo com o estudo, a paixão empreendedora tende a aumentar com o esforço: quanto mais os empreendedores trabalham em seus negócios, mais entusiasmados tendem a ficar com o empreendimento. À medida que ganham impulso, ganham habilidade e desfrutam de pequenos sucessos, mesmo que esses “sucessos”, sejam listas de tarefas aparentemente intermináveis. “Então, embora a paixão às vezes gere esforço, o esforço pode, por sua vez, gerar paixão… até que um dia, você percebe que o que antes gostava de fazer se transformou em algo que você ama fazer”, escreve Haden no artigo. Ele avalia ainda que gostar, ou no caso do fundador da Apple amar o trabalho, mantém firme as pessoas em momentos difíceis. “Essa é a verdadeira mensagem. Se você não tem paixão ou não consegue, com tempo e esforço, encontrar um grau de paixão pelo que faz, tente outra coisa”, pontua Haden. Para finalizar, o escritor acrescenta que a beleza do empreendedorismo é a oportunidade de você decidir o tipo de negócio deseja administrar. Ele destaca que o empreendedor pode escolher, onde, quando e como trabalhar. Essa decisão pode ser baseada não apenas na lógica, mas também nos interesses. De acordo com ele, dessa forma, quando as coisas se complicarem o empreendedor não precisará apenas fazer a escolha sensata; ele também poderá escolher motivado pela paixão. No artigo, Jeff Haden sugere que o empreendedor abrace esse conselho de Steve Jobs em outros aspectos de sua vida. “Se você não ama, ou pelo menos não gosta de certas coisas que faz, tente outras coisas. Tente outras abordagens. Em alguns casos, um interesse pode se transformar em uma paixão. Caso contrário, faça a escolha sensata e tente outra coisa. Como disse Jobs, por que você iria querer tolerar coisas que não ama?”, afirma. Fonte: PEGN
Letramento em Longevidade é uma demanda urgente do marketing no Brasil

Camilla Alves e Bete Marin Nas campanhas de marketing, há um processo em curso que está transformando o cenário de invisibilidade dos brasileiros com mais de 60 anos. Essa constatação, entretanto, não significa que o problema esteja resolvido. Longe disso, a inserção de cidadãos maduros nas campanhas no Brasil, embora seja uma realidade inegável, é feita de maneira estereotipada. Ou seja, ou temos o ageless (sem idade) ou o velhinho com tudo em cima – aquele com forma física perfeita, atraente e em paz com a própria idade. Se antes ignorávamos a existência de um contingente crescente de cidadãos prateados, atualmente usamos uma lente cor de rosa para mostrar uma parte idealizada dessa população. Diante da constatação de uma nova realidade etária no mundo, a defesa de um Letramento em Longevidade nos parece extremamente urgente. É muito importante lembrarmos que, para o cidadão do século XXI, envelhecer é um processo completamente diferente do que foi décadas atrás. Essa mudança está inteiramente associada às conquistas feitas na área da saúde e à presença da tecnologia na vida dos novos seniores. Se por um lado a sociedade se alterou com um novo protagonismo dos prateados, por outro, ainda resiste a enxergar essa nova realidade. Com isso, acreditamos que o Marketing pode ser um instrumento importante de questionamento do ageísmo, ou seja, os profissionais de marketing do Brasil podem conduzir uma revolução prateada na percepção que temos do envelhecer ao enfrentarem o preconceito com o talento que essa indústria tem mostrado para o mundo. E isso é urgente! Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas apontam que, hoje, os maduros já representam quase 20% do consumo, movimentando cerca de R$ 1,6 trilhão. O Brasil é um dos países com um envelhecimento populacional mais acelerado do mundo. Em 32 anos, o país será o sexto com maior parcela da população 60+, estando à frente de todas as nações em desenvolvimento. Um avanço exponencial que tem surpreendido estatísticas como a do IBGE, que apontava que o Brasil alcançaria 30 milhões de idosos apenas em 2025 – marca atingida em 2018. Ciente do enorme potencial de mercado e da urgência de trabalharmos o Letramento em Longevidade, fundamos, em 2020, a MV Marketing – uma martech com o propósito de dar visibilidade e protagonismo aos consumidores maduros que costumam ser excluídos das estratégias de marketing das empresas. O termo é uma junção das palavras marketing e tecnologia; ele se refere a empresas focadas em criar campanhas mais inteligentes, automatizar processos e atingir resultados para a exposição de marcas e produtos. O modelo atua para otimizar projetos e ações de marketing digital, garantindo um maior retorno sobre o investimento, para aumentar as vendas e melhorar o relacionamento com clientes. E, no caso da MV Marketing, com um olhar específico para a Economia da Longevidade e disseminação da urgência de atuarmos para a representatividade desses brasileiros na propaganda. A inclusão e a diversidade são essenciais para uma sociedade justa e equilibrada; nesse contexto, o marketing especializado tem um papel fundamental para quebrar tabus e combater preconceitos etários. O impacto social de uma comunicação que enxerga e celebra a maturidade é muito relevante, sobretudo porque representatividade importa! E, de novo, o Marketing no Brasil tem um enorme potencial de mostrar ao mundo como podemos contribuir para uma Revolução Prateada consistente, que reconhece e celebra o bônus etário que a humanidade conquistou. Para tal, é necessário que os profissionais dessa indústria enxerguem as demandas específicas de cada faixa etária dentro da maturidade. Camilla Alves | Cofundadora da MV Marketing, a empreendedora atua desde 2018 na Economia Prateada. Graduada em Administração de Empresas, atualmente é mestranda em Data-Driven Marketing, com especialização Data Science para Marketing na Nova Information Management School (Nova IMS), em Portugal. Antes de fundar a MV Marketing, Camilla teve experiência na Endeavor Brasil, onde aprendeu na prática as principais técnicas de marketing digital. Com essa bagagem, ela desenvolveu uma ampla expertise em diversas áreas do marketing digital, incluindo automação de marketing, CRM, SEO, mídia, análise de dados e performance. Bete Marin | Empreendedora na Economia Prateada, é cofundadora das empresas MV Marketing, Hype50+ e do U+Festival. Especialista em planejamento estratégico, comunicação integrada, marketing digital e eventos, Bete é graduada em Marketing, pós-graduada em Gerontologia (Instituto Albert Einstein); em Comunicação (ESPM); e possui MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Iniciou a carreira em grandes empresas e consolidou o crescimento profissional na Gerdau, sendo responsável pela área de promoção e propaganda de produtos no Brasil.
Aposentados podem ser MEI, exceto se for por invalidez

A estrada do Brasil é bastante sinuosa, guarda uma surpresa a cada curva, e aparentemente só leva a um destino: a dependência do Estado. O empreendedor brasileiro é o mais onerado do mundo pela carga tributária – segundo uma pesquisa realizada pela Sage, empresa britânica de softwares de gestão, microempresas, MPEs com até cinco funcionários pagam cerca de 65% do faturamento em impostos. A previdência nacional é um balde furado, registrando déficit ano-após-ano. Como viemos discutindo amplamente nos últimos meses, o brasileiro 50+ (60, 70, 80…) goza de saúde e energia vital, além de toda a experiência profissional, e daria um bom empreendedor: mais disposto a riscos, com melhor capacidade de decisão, maior simpatia do sistema financeiro para empréstimos, entre outros aspectos que exploramos exaustivamente no Estudo Empreendedores 50+, o futuro do Brasil. Eis que numa rápida pesquisa sobre abertura de MEIs por esse público nos deparamos com uma regra na legislação 128/2008 que diz que aposentados por invalidez e aposentados especiais não podem se inscrever no programa. Em resumo: se a pessoa sofreu algum acidente que o levou a uma aposentadoria precoce por invalidez (adivinhe: a legislação sobre isso é igualmente complicada), mas poderia ter um negócio online, você não pode ser MEI. O brasileiro trabalha para bancar a estrutura estatal, ponto.
Newsletter de 30/01: O acaso vai te proteger, mas não ande distraído

O refrão “o acaso vai nos proteger, enquanto eu andar distraído” é da música Epitáfio, dos Titãs, escrita por Sérgio Britto – um dos letristas mais talentosos do Brasil. A banda está em turnê dos seus 40 anos, mas, duvido muito que tudo tenha sido ao acaso. Tive a oportunidade de ir em dezembro último ao CCXP – que já é o maior evento de cultura geek, games, heróis etc. do mundo, o “Comicon brasileiro” – em São Paulo. Paulo Miklos, outro dos Titãs da formação original, estava lá. Não tirei foto, não pedi autógrafo. Uma banda que completa 40 anos tendo tocado rock n’roll punk, pop, músicas melódicas e que deixou músicas que fazem sucesso até hoje, mereceria o registro. Mas, não é do meu comportamento fazer ‘fãzices’. Aceito o consciente arrependimento, diferente da letra da música (epitáfio é o texto-recado que vai na lápide do túmulo), que fala sobre o arrependimento de não ter vivido as coisas boas da vida. Como sempre lembramos algumas questões filosóficas nos textos aqui, deixar ao acaso seria aceitar que você não está no controle de tudo. É diferente de deitar e esperar tudo acontecer. Mas, aja no que você pode controlar e aceite o que você não pode. O final de semana foi cheio de histórias de acaso, e se observarmos, a vida é cheia delas: – Um amigo pessoal que contou que o filho dele, de 7 anos, pergunta como é possível que a rádio toque justamente a música que ele estava pensando, ou que tenha encontrado uma pessoa na rua que eles acabaram de comentar a respeito. Observador! – Um casal amigo da família acabou se conhecendo por algumas coincidências da vida. Por acaso, eu estava presente na maioria delas. Posso eu pleitear o mérito por estarem juntos? Claro que não. – Outro amigo dos meus pais, arquiteto renomado, contou que fazia uma obra de reforma na casa de Jorge Amado, lá nos anos 70. Ele aproveitou um raro momento para lhe perguntar se os contos do capitão-de-longo-curso, Vasco Moscoso de Aragão, da obra “Os Velhos Marinheiros” (1961), eram ouvidos ou inventados. Sim, a história foi ouvida, e observada. Na obra Os Velhos Marinheiros, alguns personagens duvidam das façanhas do capitão-de-longo-curso Vasco Moscoso de Aragão. Contudo, não era pouca a sua credibilidade, ainda mais pela sorte, que vamos chamar aqui de acaso, que ele tinha. Seria ele um falsário, ou realmente havia vivido as proezas? Ao chegar no último porto, um marinheiro lhe pergunta sobre as amarras, e o diálogo segue desta forma: “(..) o senhor, velho marinheiro que tão bem conhece as leis da marinheiraria, certamente não está se lembrando de que este é o último porto da viagem e que, no último porto, compete ao comandante, e a ninguém mais, ordenar o número de amarras com que deve ser o navio amarrado” O capitão experiente, então, amarrou o navio com todas as amarras. Riam dele, mas ninguém sabia que Moscoso de Aragão era o único que seria capaz de prever a tempestade que se aproximava. “Os ventos do Nordeste, o Terreal e o Aracati, ocuparam-se do barco inglês e do navio do Lloyde, desamarrando-os de suas insuficientes amarras, batendo um contra o outro num rumor de cascos rotos (…) Terreal naufragou o cargueiro do cais, num torvelinho, para que ali ficasse plantado como lembrança e advertência.” A fama procedeu o homem e chegou a Salvador, mais precisamente a Periperi: “Telegramas publicados em manchetes nos jornais da Bahia, durante dias seguidos, avidamente lidos em Periperi (…) Emocionante festa a bordo do Ita por ele salvo e no qual regressava a Salvador.” Assim vamos, navegando em um mar de surpresas e amarrando bem os nossos barcos quando parados no porto. O acaso está aí, mas não andemos distraídos. RM.
A dificuldade do empreendedorismo no Brasil

Roberto Folgueral* A portaria MTP 1010/2021, editada em 24 de dezembro de 2021, pelo então Ministro Onix Lorenzoni, em seu artigo 1º, obriga as empresas a emitir o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) – Exclusivamente em meio eletrônico, a partir de 01/01/2023. Aparentemente um mero assunto burocrático, porém, com enormes consequências negativas para empresas e empresários que geram riqueza para o Brasil. A portaria resulta na transferência de custos, despesas ou gastos que deveriam ser de obrigação do Estado para o seu contribuinte, que já está esgotado em sua capacidade contributiva e devidamente ignorado pelas autoridades administrativas. O Estado, como perdulário que é, gastando muito e nem sempre corretamente, vai transferindo suas obrigações de fiscalizar e de operacionalizar as atividades de controle para o contribuinte, através da criação de obrigações acessórias, tornando o custo de empreender no Brasil um dos maiores do mundo, senão o maior. Ao empreendedor, notadamente os menores, não resta outra alternativa senão a de amargar com prejuízos, pois nem sempre consegue repassar esses custos aos seus produtos, bens ou serviços e, assim, a possibilidade de sucesso se reduz. Não poderia ser diferente, com a exigência da Portaria 1010/2021 que transfere o trabalho do Estado de fiscalizar e monitorar a Saúde do trabalhador, durante todo o seu vínculo laboral, para o seu empregador, no que denominou de evento S-2220, no novo e-social. Esse evento não exclui a obrigatoriedade anterior, da realização de exames periódicos. Além do evento S2220, criou ainda a obrigatoriedade da elaboração do evento S-2240, que correspondente às Condições Ambientais do Trabalho, não bastando a obrigatoriedade da elaboração dos correspondentes Laudos. Ato contínuo: incrível majoração dos honorários cobrados por clínicas “credenciadas” desses serviços, onde independem o número de empregados, o valor do “laudo” não se altera. PENALIDADES: As entidades que não se adequarem à nova sistemática estarão sujeitas a multas que variam de R$402,53 até R$181.284,63 – pasmem! EMPRESAS OBRIGADAS: Todo e qualquer empregador, pessoa jurídica ou física, exceto os empregadores domésticos estão obrigados. Essa obrigação independe do porte da empresa ou opção de regime tributário; pode ser MEI, Simples, Lucro Presumido, Lucro Real ou Lucro Arbitrado, ou ainda Pessoa Física equiparado à Pessoa Jurídica. Apelamos aos gestores públicos de plantão para repensarem nessa nova obrigação acessória extremamente onerosa sobre a já onerada função de empreender e gerar riqueza no Brasil. O Estado brasileiro necessita parar de criar problemas para o empreendedor brasileiro e sim pensar em gerar soluções sobre os problemas já existentes. Que fique claro aqui; não estamos falando em redução de tributos e sim na exclusão das obrigações acessórias! Roberto Folgueral é vice-presidente da FCDL-SP (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo)
Os desafios de janeiro para o varejo

*Por Maurício Stainoff O início de ano é sempre desafiador para o brasileiro. Repleto de contas, como IPTU, IPVA, matrícula escolar, entre outros; janeiro é um mês de muitos gastos, levando o cidadão a economizar. Na outra ponta, o varejo encontra dificuldades na hora de vender e obter bons resultados no mês. Nas vitrines é possível encontrar os saldos, os sales, descontos, as mais variadas nomenclaturas para tentar atrair o consumidor. Percorrendo as cidades, os cartazes com “10, 20, 30, 40% OFF” são técnicas de vendas e um chamariz para a presença do cliente. Este mês de janeiro, além das contas tradicionais, soma-se ao bolso do brasileiro as incertezas econômicas do novo governo; a inflação, que fechou 2022 em alto de 5,79% e episódios como o da Americanas, que anunciou inconsistências financeiras na ordem de 20 bilhões de reais, impactando diretamente no desempenho de empresas varejistas. Adiciona-se também outro ingrediente ao “aperto” no bolso do consumidor: as dívidas. Um levantamento feito pela FCDL-SP (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo), com base na pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), mostrou que cerca de 26 milhões de paulistas entraram em 2023 com algum tipo de dívida. Com tantas variáveis neste começo de ano, é possível obter a certeza de um janeiro desafiador para o varejo. Um mês de malabarismos e estratégias para sair da estagnação e iniciar o ano vendendo ou oferecendo algum tipo de serviço ao consumidor. As iniciativas devem estar presentes no mês de janeiro, sempre serão vistas como saída para o varejo, em um país que tem a tradição popular de iniciar o ano apenas “depois do carnaval”. *Maurício Stainoff é presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo
Austeridade, Brasil!

Deixando um pouco de lado as manchetes dos jornais, as trend topics das redes, a polaridade política e aquela discussão fervorosa no grupo da família sobre a tia do zap manifestando em Brasília que está presa – o que é que ela estava fazendo lá mesmo? -, o que nos sobra? A vida real. É a vida real que nos dá a sensação estranha de que a Copa emendou no final do ano, mas que aparentemente está tudo bem, afinal, “está melhor no Brasil do que em outros países”. Sim, acreditamos que esteja. A inflação de 2022, por exemplo, fechou em 5,79%, índice mais alto do que a meta, mas, melhor do que o que poderia ser e melhor do que muitos países grandes por aí. A verdade é que o brasileiro ainda está na ressaca da pandemia. Cansado de usar máscara, mas se pegar ônibus tem que pôr. Cansado de pedir comida no aplicativo, mas é mais prático. Cansado da tensão eleitoral, mas o novo governo mal começou. Cansado de ESG, crypto, trade, lives, BBB e desse novo normal que nunca chegou. Ou, se chegou, já está sendo. Mas não estamos percebendo ou estamos percebendo e não queremos acreditar. Para nós do Empreendabilidade, nessa nova realidade o brasileiro está ficando mais austero. Veja nosso raciocínio: A previsão do IBGE é de que o varejo tenha resultado positivo em 2022 – o acumulado até novembro foi de +1,1% e é muito difícil dezembro reverter a curva. Cristiano Santos, gerente responsável pela Pesquisa Mensal de Comércio, lembrou ao Valor Econômico em entrevista publicada nesta semana que outubro de 2020 foi um mês recorde no consumo de bens não essenciais (como vestuário, utilidades domésticas, viagens, automóveis e outros), após meses de lojas fechadas por conta do pico da pandemia; Neste ano de 2022, o crescimento tem sido puxado por atividades ligadas a bens essenciais para o consumo das famílias, como supermercados, combustíveis e lubrificantes (a redução do ICMS ajudou nesse quesito) e produtos farmacêuticos; O final do ano deixou a desejar: houve queda de 23% nas vendas por e-commerce na Black Friday (Nilsen), o que sinaliza estimativa de baixa para o Natal no rally de final de ano. A Copa parece não ter contribuído para animar o consumo e os números começam a aparecer. No comércio físico, a semana do Natal (18 a 24/12) teve discreto crescimento em 2022, de 0,4%, segundo o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian. Isso como resultado da inflação, que tende a apertar o consumo familiar, o que acaba gerando como consequência crescimento econômico menor e menos investimentos. Mais do contexto: Menos demanda por crédito: segundo Serasa Experian, caiu 14,8% em outubro, comparado com o ano anterior, sendo o quinto mês seguido. Nas empresas, a queda de demanda por crédito foi de 16,4%; Endividamento segue crescendo nas empresas, sendo que em 2021 atingiu patamar recorde de 57,9% (e não está ficando mais barato pagar), dado também da Serasa Experian; Nas famílias, a inadimplência alcançou novo recorde em outubro/22, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), chegando a 30,3%. Foi o quarto mês seguido de crescimento neste indicador; O ponto especificamente é que temos um governo eleito que pretende estimular o consumo para o crescimento econômico. Mas, não estamos no mesmo Brasil de 20 anos atrás. Acreditamos que o brasileiro está se acostumando a gastar menos e não de forma desenfreada, o que seria um avanço e tanto. Trazendo para nosso território, temos que lembrar que o empreendedorismo é a força motora da economia. É do pensamento empreendedor que surge a produção, comércio e geração de empregos, é a vontade de crescer que estimula a inovação. E mais: o empreendedorismo está dando certo no Brasil. Por ano, são abertos cerca de 4 milhões de CNPJs no Brasil, fecham aproximadamente 1,5 milhões. 91% delas são individuais e microempresas, 8% são pequenas e médias. O empreendedor, além de tudo, também parece estar se tornando mais racional, característica mais necessária para empreender. No que acreditamos, e o que pedimos aos empreendedores: Um comportamento mais austero: menos gastos com ferramentas de marketing e publicidade (ouvimos constantemente as queixas de que o tempo gasto nas redes sociais não se converte em resultados) e mais ação direta; Viu um problema? Resolva o quanto antes; Entenda quais são suas prioridades (e nunca mais você terá que se preocupar com elas ou com outra coisa); O que deixa sua empresa forte é o que ela faz de melhor – entregue isso; Evite os atalhos: um corte de caminho por aqui pode lhe render um custo desnecessário à diante; Principalmente para os “pequenos grandes” e os entrantes no middle market: entenda o ambiente de negócios: conheça os gastos, os impostos e para onde vão, as questões que impactam seu negócio diretamente; Assim começamos o ano.
Transformação digital é questão de sobrevivência para negócios em manufatura

Reginaldo Ribeiro* A indústria de manufatura no Brasil vem perdendo participação no produto interno bruto (PIB). De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), essa participação, que já foi superior a 25% nos anos 1980, caiu para pouco acima dos 10%, no início da atual década. A retomada da importância desse setor, tão amplo, passa por uma série de providências, entre elas de ordem da estrutura econômica e política do país. Mas há um componente imprescindível também: a transformação digital. É sobre ela que quero me ater agora. É, digamos assim, “minha praia”, a seara onde atuo. Na COGTIVE, startup da qual sou um dos fundadores e hoje ocupo o posto de CEO, desenvolvemos software para o chão de fábrica de plantas da indústria de manufatura. Atendemos o segmento farmacêutico, de cosméticos, de vestuário, de alimentos e bebidas, química e plástico, o eletroeletrônico e o automobilístico. A rotina e a experiência acumulada vivenciando essas atividades me permitem afirmar: a transformação digital não é mais um “diferencial”. Para negócios que lidam com manufatura, é questão de sobrevivência. Alguns países já se deram conta disso há pouquinho mais de tempo. Levantamento de três anos atrás da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) indicava que em países como Estados Unidos, Alemanha, Coreia do Sul e Israel a manufatura 4.0, isto é, com alto grau tecnológico nos processos produtivos, alcançava 15% de seus respectivos setores industriais, ao passo que no Brasil atingia 2%. É verdade que depois tivemos a pandemia de covid-19, que acelerou a digitalização em alguns setores, mas na indústria é ainda processo aquém do necessário. De modo que serei taxativo: a transformação digital passa a ser obrigatória. E, evidentemente, quando falamos em transformação digital não estamos nos referindo apenas à digitalização de processos, trâmites, operações, procedimentos. Tampouco da automação de máquinas e equipamentos. Estamos falando de um estágio em outro patamar. A transformação digital é investir em soluções em que a robotização, a inteligência artificial e mesmo a internet das coisas estejam presentes não por luxo, status, requinte, mas por necessidade. As inovações em tecnologias da informação e comunicação se tornam indispensáveis para que tenhamos processos mais ágeis, com menos desperdício, menos sujeitos a gargalos, interrupções, atrasos. As soluções que startups e outros empreendimentos em TI colocam no mercado vêm para atender essa necessidade. É bem verdade que esses avanços devem estar acessíveis às empresas. Isso inclui soluções que tenham operacionalização e manutenção simplificadas ao máximo, dentro da complexidade que as envolve. Aliás, por essas duas razões – a imprescindibilidade da transformação digital, e que esta se encontre ao alcance de todos – é que trabalhamos incansavelmente para combinar tecnologias disruptivas às interfaces de fácil utilização, ajudando nossos clientes a aumentar sua eficiência. Afinal, o investimento em mais linhas produtivas, em mais fábricas, só faz sentido e dá retornos à empresa e à sociedade se vier acompanhado de maior produtividade e eficiência. Nos tempos atuais, e em um futuro em curto e médio prazo, é a transformação digital o passo decisivo para se viabilizar as almejadas produtividade e eficiência. A mensagem que aqui transmito é válida a negócios de todos os portes. Por sinal, é outra barreira que devemos superar: transformação digital não é feita só para grandes corporações. Ao contrário. Até por dependerem sobremaneira de produtividade e eficiência, é que os empreendimentos de menor porte precisam incorporar soluções tecnológicas que proporcionem tais ganhos. Aliás, essas soluções podem estar sendo desenvolvidas mais perto do que se imagina. Não é preciso recorrer à importação de tecnologia para impulsionar a transformação digital de seu negócio. Assim como tantas startups brasileiras, a COGTIVE põe no mercado soluções reconhecidas no mundo. Tanto que, agora no final de 2022, estamos nos instalando em Chicago, Estados Unidos, para atendermos indústrias de lá. Ou seja, a manufatura brasileira pode e deve contar com o ecossistema tecnológico nacional para impulsionar sua transformação digital. Reginaldo Ribeiro é fundador e CEO da COGTIVE, startup brasileira que desenvolve softwares para aumento de produtividade das indústrias de manufatura através de inteligência artificial e internet das coisas
Endividamento mórbido: uma correção histórica necessária

por Eduardo Carvalho de Castro e Renato Scardoa* No Brasil não existe pena perpétua, certo? Errado. Apesar de a nossa Constituição Federal vedar penas de caráter perpétuo, persiste sim um tipo de pena perpétua para o empreendedor que “deu errado” nos negócios: ele é responsabilizado perpetuamente por pagar certas dívidas do negócio que fechou. Se as dívidas são muito grandes, desproporcionais à sua capacidade de pagar, o empreendedor se torna “endividado mórbido” paro resto de sua vida. Dívidas tributárias, trabalhistas e bancárias deixadas pelo negócio que fechou são cobradas judicialmente por meio de processos de execução que prosseguem ad infinitum, para o resto da vida do “ex-empreendedor”. Diante de processos de execução de dívida, ele fica impedido de recomeçar nos negócios, sem condições de poupar sua renda pessoal para voltar a empreender (porque toda sua poupança acumulada está sujeita a penhora judicial nos processos de execução de dívida). Eis a pena perpétua brasileira, o “endividamento mórbido”. Os dados confirmam a existência do problema. Existem na dívida ativa federal mais de 2 milhões de ex-empreendedores responsabilizados a pagar dívidas de suas empresas totalizando R$ 1,4 trilhão, segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com uma cobrança média de mais de R$ 680.000 por devedor corresponsabilizado pelas dívidas de suas empresas. Esses ex-empreendedores estão aniquilados economicamente, sobrevivem na “clandestinidade econômica”, sem liberdade para explorar seu potencial empreendedor. A perpetuidade da pena de “endividado mórbido” é confirmada pela antiguidade dessas cobranças em dívida ativa federal: boa parte delas está em aberto desde a década de 1990 e mesmo antes. A situação fica ainda pior se consideramos que há também dívidas tributárias para com estados e municípios, dívidas trabalhistas e bancárias dos negócios que fecharam cuja cobrança foi redirecionada aos ex-empreendedores, dados esses indisponíveis publicamente. O “endividamento mórbido” perpétuo representa uma ineficiência econômica. O impasse gerado pela dívida desproporcionalmente maior que a capacidade do devedor sem bens penaliza três conjuntos de atores: os devedores mórbidos perpétuos, na forma descrita acima; os credores, que desperdiçam recursos valiosos na tentativa infrutífera de cobrança judicial perpétua da dívida – dados do Tesouro Nacional de 2016 indicam que menos de 0,5% do valor cobrado judicialmente é efetivamente pago pelo devedor; e, em terceiro lugar, a sociedade, que deixa de se beneficiar do potencial econômico desta persona. Enquanto os endividados mórbidos continuarem aniquilados, a economia crescerá menos do que poderia. A riqueza nacional, o nível de emprego e de renda da população continuará a evoluir de forma pífia e desapontadora, aquém do seu verdadeiro potencial. O que deve ser feito? Ora, diante dessa ineficiência econômica, cabe ação governamental legislativa para “desatar o nó” do endividamento mórbido perpétuo. A perpetuidade tem que acabar. Após o encerramento de um negócio e diante de inexistência de mais bens do ex-empreendedor, as cobranças devem ser encerradas. Assim o ex-empreendedor pode recomeçar, obter o “fresh start”, começar do zero outra vez. É aí que entra projeto de MLR-Marco Legal do Reempreendedorismo (PLP33/2020). Se aprovado no Congresso Nacional, o MLR facilitará a reorganização financeira e liquidação de micro e pequenas empresas e seus respectivos empresários. O empresário (pessoa física) poderá requerer a liquidação de seus bens na qualidade de equiparado a micro e pequena empresa. Cumpridos os requisitos legais da liquidação dos bens do empresário, as cobranças são suspensas e com isso o empresário retoma sua cidadania econômica, o fresh start, o direito de começar do zero. É uma luz no fim de um longo túnel para milhões de endividados mórbidos. Eduardo Carvalho de Castro é Economista e PhD em Economia Política pela Princeton University e ex-funcionário do FMI-Fundo Monetário Internacional. Renato Scardoa é advogado especialista em Estruturação de Negócios e Reestruturação de Empresas. Professor de Direito Comercial. Doutorando em Direito Comercial pela USP. Mestre em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela PUC/SP. Membro da Comissão de Juristas nomeados pelo Senado Federal para Reforma do Código Comercial e integrante do Grupo de Juristas que elaborou o texto do Projeto do Marco Legal do Reempreendedorismo.
Newsletter #8: Impostos, para quê? O empreendedor que apoia os demais

Quarta-feira, 23 de novembro de 2022 Opinião: PL 108/2021, para aumento do limite do Simples, merece aprovação urgente Se aprovada, uma lei vai aumentar o teto de faturamento para empresas aderirem ao Simples. Sabe o que isso significa? Que tem um monte de gente torcendo contra. O Simples Nacional reduz o tempo de burocracia, os gastos com processos burocráticos e facilita o ambiente tributário para o empreendedor. Para estar em dia com o fisco, as empresas precisam seguir o que consta em 4.626 normas. Você, empreendedor, como lida com isso? Simples, se não fosse o Simples, provavelmente estaria na informalidade, como era há 15 anos. Os opositores – todo um grupo que ganha com o aparato complexo do nosso sistema – argumenta que o país deixaria de arrecadar. Será? Não, o Simples não é uma mera isenção fiscal. O Simples simplifica o processo, criando um tributo único a partir dos cálculos da tributação em diferentes esferas: Federal, Estadual e Municipal. Para saber, entre janeiro e setembro, a arrecadação do Simples teve alta de 18,7%, comparado 2022 x 2021. A inadimplência das MPEs é baixa em relação ao movimento econômico. Apenas 255 mil empresas (das mas de 18 milhões em atividade) enquadradas na categoria são devedoras da Receita, o volume de dívida é de R$ 11bi (dados da RFB). Na contrapartida, as MPEs geram 30% do PIB, 71% dos empregos e estão em pleno crescimento (leia nosso último artigo: O empreendedorismo está dando certo). Bom, para resumir, sabe o que acontece com o peso da tributação? Empresas inadimplentes. Na contramão da leveza do Simples, os demais sistemas tributários são complexos e geram gastos para as grandes empresas. Uma das consequências é a inadimplência – esta sim, relevante. Os grandes devedores da Receita Federal somam R$ 1 trilhão em dívidas. Pasme, todas são nomes de empresas conhecidas. Esta é a versão simplificada deste artigo. Para ler o texto completo, clique aqui. Videocast EP #08: EDUARDO VILS Ele cria soluções para outros empreendedores Esse é o último episódio da temporada de Empreendedores Maduros, e foi um episódio muito importante para nós. Vils é 50+, começou a empreender já maduro (tentou cedo, aprendeu muita coisa, e agora não para mais), e nos traz diversas reflexões sobre o momento certo de empreender (será que existe?). Ele foi e voltou, falou sobre importância de ter gente boa ao seu lado e de muitas experiências. O episódio entra no ar no YouTube hoje às 15h e nos canais de áudio Spotify, Google Podcast e Amazon Music REFLEXÃO SOBRE ETARISMO Foram mais de 10 horas de entrevistas cara a cara com especialistas e empreendedores, além das mais de 60 horas dedicadas a pesquisas para lhes entregar o relatório Empreendedores 50+, o futuro do Brasil. A série está disponível no YouTube e traz nomes já consagrados no debate do envelhecimento e do empreendedorismo como: Telma, David, Mauro, Mariana, Fran, Alessandro, e dois casos contados. A importância de discutir isso é que estamos falando de algo que faz parte da sociedade. Daniel Alves acaba de passar pelo questionamento da sua idade para convocação quando da convocação para a Copa. Ao ser perguntado o que achava da convocação do jogador mais velho, um dos destaques da Seleção respondeu algo nessa linha: “É a minha primeira vez na Copa. Imagine quando formos enfrentar uma seleção forte, jogadores conhecidos internacionalmente. Daniel Alves provavelmente já os enfrentou. Ele saberá dizer o que temos que fazer”. Essa é a importância da voz da experiência. No artigo sobre o Simples, recorremos a 10 pessoas antes de defender a tese. A maioria delas tem mais de 20-30 anos de experiência tributária. Ao mencionar quem defende o empreendedorismo, veio o nome de Afif Domingos. Entre os aprendizados que tivemos nestes meses de imersão no tema da maturidade, ficaram algumas lições. Destaco: – Não existe hora certa para empreender – Experiências de vida são positivas – Faça o que te tira o sono – Aprenda (rápido) a excluir da sua vida o que não faz sentido – Não se faz nada sozinho, então procure ajuda para resolver os pontos fracos e reforçar os fortes Se você está esperando a hora certa para começar um negócio, para ter um filho, para mudar de emprego, para fazer aquele curso, para mudar um hábito, sinto te dizer a verdade, ela não chegará. Você que quer empreender, ou que empreende e quer investir para o negócio crescer, e está esperando uma estrela apontar o caminho, a hora, a forma, esqueça. Meça os ganhos e riscos, e faça o que for seu. Tome atitude no que está ao seu alcance. Sobre outras coisas, você não tem o controle. Tentar dominá-las é catastrófico.
O empreendedorismo está dando certo

Sim. É isso mesmo que você leu. O empreendedorismo está dando certo no Brasil. O Ministério da Economia lançou, inclusive, uma página aberta para as pessoas acompanharem o balanço de aberturas e fechamentos de empresas (Mapa de Empresas, clique aqui) onde é possível cruzar dados por data, região, porte da empresa e natureza jurídica (se é sociedade limitada, empresa individual, associação etc.) ou opção ao MEI. O número atual é de 3,3 milhões de empresas abertas no país no total do ano, contra 1,4 milhão de empresas extintas. No ano passado inteiro, foram 4 milhões de empresas abertas, contra os mesmos 1,4 milhão encerradas. Você pode dizer: ora, mas então vamos encerrar mais empresas em 2022 porque ainda falta 1 mês e meio para acabar o ano. Sim, isso vai acontecer e é muito provável que esse número chegue a 1,7 milhão. Porém, isso não quer dizer que as EMPRESAS estejam dando errado. O comportamento que viemos acompanhando desde a pandemia – principalmente no ano de 2020 – é de mais MEIs sendo abertas, muitas delas por pessoas que acabaram tendo que firmar CNPJ como forma de aumentar as chances de emprego diante do cenário da Covid. Muitas dessas pessoas, ao retornar ao mercado de trabalho, abandonam e encerram a empresa, o que acaba aumentando o número de CNPJs baixados ou extintos. Não é desse grupo que estamos tratando aqui. Nosso olhar está atento ao empreendedor que quer montar seu negócio e vê-lo crescer. De fato, há indicativos de que as Micros e Pequenas Empresas estão mais sólidas, estão crescendo, administram melhor as dívidas e seguem contratando. Vejam os dados abaixo: 61,9% dos MPEs têm mais de 6 anos de atividade, destes 36,9% têm mais de 10 anos 65% dos MPEs que fecharam as portas pretendem retomar as atividades num futuro próximo Número de pequenos empresários que aumentou faturamento no último ano passou de 31% para 38% X dos que o faturamento caiu diminuiu de 40% para 28% 76,5% dos MPEs afirma que sua empresa pode aumentar de porte nos próximos anos As dívidas estão “em dia” para 37%, contra 35% no primeiro semestre; Em atraso diminuiu de 30% para 24%; Não tem dívidas passou de 35% para 39%; O pagamento de dívidas consome menos caixa: saiu de 59% (abril) para 51% (agosto) os MPEs que têm 30% ou mais do faturamento comprometido, e aumentou de 36% para 41% os que têm menos de 30%; No acumulado do ano,o Brasil supera a marca de 1,85 milhão de empregos gerados, sendo que 71,7% (1,3 milhão) são advindos das atividades de Micros e Pequenas empresas. Os dados são do Sebrae e indicam que o aumento no número de CNPJs não é apenas um movimento de “Pejotização” com os MEIs como muitos tendem a criticar. Aliás, não seriam os MEIs o melhor meio de formalizar negócios que muitos brasileiros abriram por necessidade, ainda mais após a pandemia? Fica aqui anotado para aprofundarmos neste assunto em outro momento.
2015: Catástrofe

De certa forma, o que aconteceu em 2015 no Brasil foi uma consequência de alguém ter tentado ajustar o caos. Controlar a economia. Dar umas pedaladas. As discussões pós-eleição sobre as políticas econômicas nos interessam pelo simples fato de que, a depender de que direção a economia tome, podemos ter novamente esse resultado. A base para esse levantamento foi a Receita Federal (a mesma que as empresas, consultorias e demais instituições utilizam para consultar dados das empresas). Das empresas abertas em 2002, a crise de 2015 atingiu as sobreviventes até aquele ano muito mais do que a crise global de 2008 e, depois, a pandemia (vão dizer que na Pandemia já existiam menos empresas com quase 20 anos, porém, se essa lógica funcionasse, 2015 também não teria tido o impacto que teve porque havia menos sobreviventes que em 2008. Aliás, o começo é muito mais cruel, a tal mortalidade precoce que tanto se fala). Escolhemos 2002 porque foi um marco histórico político, com a eleição de Lula pela 1a vez. Simples assim. Como a junção de uma política econômica equivocada, um cenário externo conturbado, questões de corrupção impactou as empresas? Resposta: 3x mais que a crise global de 2008 e 10 vezes mais que a pandemia de 2020 (considerando as empresas que ficaram inaptas após o evento de 2015). Podemos culpar o vírus por muitas mortes, mas não a de empresas.
Caos

“Não espere que o mundo seja como você deseja, mas sim como ele realmente é. Dessa forma, você terá uma vida tranquila” – Epicteto Organizar o caos é, de forma geral, tirar as coisas do seu ciclo natural. Isso nunca deu certo. “Talvez o caos e o acaso sejam a ordem natural das coisas”, diz o romancista britânico Johathan Coe. “Antifrágil, como se beneficiar do caos” é o título completo da obra de Nassim Taleb, que muitos conhecem como um escritor do mercado financeiro, mas que escreve, na verdade, sobre a vida. O caos é tema de muitas excelentes obras literárias, ao mesmo tempo provoca discussões e cria teses obstinadas por organização, mas seria essa organização produtiva mesmo? Essa conversa faz lembrar do filme “Efeito borboleta”. O protagonista, sabendo do seu poder de viajar no tempo, mudar uma realidade e voltar ao tempo atual, tenta de todas as formas alterar o futuro indesejado para os amigos. Não dá certo. A única forma de conseguir o que queria foi ele mesmo sacrificar sua vontade. Trazendo isso para a realidade do empreendedor brasileiro: ele é o ator, mas não pode mexer no cenário caótico. Pode enfrentá-lo, aprender com ele. Aliás, esse palco não dá sossego: na linha do tempo dos últimos 21 anos teve eleições polarizadas (2002), mensalão (2005), crise global (2008), não é pelos R$ 0,20 (2013), crise da indústria (2014), crise Brasil (2015), Impeachment (2016), greve dos caminhoneiros (2018), incertezas com a lava-jato, pandemia… No contexto geral, vivemos em caos. Tiremos algum proveito disso. Mas, saibamos diferenciar quando não for caos, e sim uma catástrofe.
Seja duro

A primeira impressão quando se ouve a palavra “duro” é de ser rigoroso com os outros. Não é disso que estamos falando. A segunda é de ser intransigente. Também não é isso. Uma das premissas da corrente filosófica do estoicismo é de que devemos ter consciência de duas coisas (e saber distingui-las): O que está ao nosso alcance e que podemos controlar – que é onde endurecemos a nós mesmos e onde podemos agir. O que não está, que não controlamos – que não mudamos e que cabe aceitar. Ser duro significa ser sólido, forte e firme para resistir às forças externas, a tudo aquilo que vem de fora e que não está sob nosso controle. Um atleta duro é o que resiste ao peso do exercício, seja ele qual for. Faz o que tem que fazer. Não sucumbe às exigências, não reclama de horário do treino. Anda ereto. Conhece a si próprio. É fácil identificar um atleta desses, muito diferente de uma pessoa comum. Geralmente se destaca, pensa no longo prazo, trabalha nos seus objetivos. Conhece o Cristiano Ronaldo? Duro. O tronco da árvore não se submete à força do vento. Ele é rígido, estruturado. Sustenta galhos, folhas, frutos, pássaros, macacos e outros animais. É para onde os bichos vão para se proteger da tempestade, até. Quando o impacto é forte, é a parte que fica de pé para que a árvore cresça novamente. Você, empreendedor, deve ser duro como o tronco de uma árvore, como um atleta profissional. Em conhecimento, na base necessária de informações absorvidas para o negócio dar certo. Em estrutura, nos alicerces materiais que lhe sustentem e que sejam essenciais para manter o empreendimento. Deve trabalhar nos seus objetivos e no que for necessário para que eles aconteçam. Mar calmo nunca fez bom marinheiro e o que vem fácil, vai fácil – duas frases que viraram ditados e que representam bem essa verdade. Aliás, existe a verdade e o que está por vir. Verdade é o que sabemos, o que está aí. O que está por vir, quem sabe? Não está ao nosso alcance. Se o futuro for leve, quem é duro passará. Se for pesado, quem é duro resistirá. Assim é com as mudanças de cenário não previstas. Ou que estavam previstas, mas que podem mudar independentemente da sua vontade. Um exemplo que ilustra essa tese é o da pandemia: as empresas duras lidaram melhor com aquele momento. Estavam preparadas, imaginando que aquilo poderia acontecer naquela magnitude? Não. Mas, resistiram. Essas foram as que mantiveram profissionais, apoiaram a comunidade e tiveram paciência porque sabiam que a tormenta ia passar. As experiências negativas, decisões difíceis, momentos de aprendizado e dedicação são o caminho. É o mar revolto que prepara o bom marinheiro para qualquer maré.
Antifrágil

O termo vem se tornando comum pelo título do livro escrito por Nassim Taleb, voltado mais a investidores do mercado financeiro , mas não é exclusivo deste setor. Pelo contrário. Antifrágil tem toda relação com o empreendedorismo. Aliás, tem toda relação com o ser humano. Não somos frágeis. A vida não é frágil. O que caracteriza os seres vivos é justamente a capacidade de se adaptar às adversidades e sair mais fortes delas. A criança que aprende a andar não desiste. Caiu, levantou. Na segunda tentativa, anda melhor. Um passo de cada vez. É natural. No processo de autodesenvolvimento, a jornada é cheia dessas. Está escrito na história da humanidade que nosso negócio é enfrentar desafios. A vida não vem com uma fórmula pronta. Não estamos aqui a passeio. Decidir empreender, ou TER que empreender, diz respeito a isso. O empreendedor aceita essa jornada, assim como Ulisses aceitou a Odisseia escrita por Homero muito antes de Taleb escrever seu livro. Todos já devem ter ouvido algo parecido com “as pessoas só veem quando o negócio está pronto, ninguém viu os tombos que levou”. Incrível a quantidade de gente que fala que fulano ficou rico porque está empreendendo. Mal sabem… Ninguém nasce pronto. Mas, se a natureza nos deu esse dom, vamos aproveitá-lo. Um passo de cada vez.
A verdade dói

1ª lição para quem quer empreender: amadureça. Amadurecer significa lidar com as coisas como elas são, ter responsabilidades, responder pelos seus próprios atos e suas consequências. Quando a pessoa decide empreender, ou, como metade dos brasileiros que empreendem, TEM que empreender (por necessidade e “força maior”), o primeiro passo é encarar a vida como ela é. Isso significa fazer o que tem que ser feito sem reclamar (ou, pelo menos, não sempre). Chega a ser estóico. Juros estão altos, demanda caiu, algo não deu certo no processo. Vai fazer o quê? Encare de frente! Para aqueles que tiveram chance de alguma vez fazer terapia, um coaching ou qualquer processo de autoconhecimento, isso talvez esteja mais claro. É o primeiro recado para autodesenvolvimento. Assumir não apenas o que te impacta diretamente, mas o que impacta o seu negócio, e tudo o que diz respeito a você e a ele, é maturidade. “Eu sou eu e minha circunstância. Se não a salvo a ela, não me salvo a mim” diz Ortega y Gasset, filósofo espanhol. A verdade é que o primeiro passo para empreender não é abrir o CNPJ. Não existem apenas 5 passos para o sucesso. Acordar 4h30 não dá certeza de riqueza. Mas, encarando as dores de frente, pelo menos se tem a certeza de que elas serão enfrentadas. Acredite, empreendedor: dói menos a dor que você aceita do que a que você resiste a encarar. Ricardo Meireles é fundador e publisher do Empreendabilidade.
O medo da falha impede de alcançar metas ambiciosas

*Por Pedro Signorelli Em mais de 20 anos trabalhando no meio corporativo, percebo que grande parte dos executivos desejam avançar com o seu negócio, mas, na maioria das vezes, dão mais ouvidos às vozes de fracasso do que às de sucesso. E isso impacta negativamente na organização, pois não há mudanças, não há melhorias, o número de engajamento não cresce e não há evoluções. Além disso, é importante mencionar o quanto a cultura organizacional traz benefícios para o dia a dia da empresa e para os colaboradores. No mundo de hoje, diante de tantas incertezas pela velocidade com que as coisas mudam, novos concorrentes surgindo, novos produtos, hábitos de consumo impactados pela adoção das novas tecnologias, é fundamental as organizações estruturarem um planejamento de curto prazo. Já passou o momento de adotarem novas metodologias de gestão, não importa o segmento que atue, o seu porte ou há quanto tempo está no mercado, é necessário mudar. O método OKR (Objectives Key Results – Objetivos e Resultados Chave), por ter ciclos curtos, tem como preceito valorizar as pequenas conquistas e engajar o time. A adoção do OKR pode se tornar uma quebra de paradigma na cultura organizacional das empresas como forma de libertar os colaboradores do medo de errar. Pois, com ele, os colaboradores sabem exatamente o que precisam fazer e qual o objetivo de sua função. Isso contribui para o melhor desempenho de cada um, trazendo, consequentemente, grandes resultados para a organização. O planejamento de curto prazo tem a capacidade de dar muita tração na organização. O fato é que vivemos errando o planejamento de longo prazo e ficamos encontrando desculpas para explicarmos o porquê não acertamos o volume de vendas, a taxa de juros, a inflação, o novo concorrente etc. Premissas que colocamos nos planos e simplesmente a única coisa que sabemos é que vamos errá-las. Gastamos muito tempo planejando, pensando no futuro e não executamos o hoje, o curto prazo. A virada de jogo são os OKRs de curto prazo. Mas não adianta ficar elucubrando uma meta para o curto prazo. Enquanto fazemos isso, o curto prazo já virou passado. Com maior ou menor grau de conhecimento, defina uma meta que pareça ambiciosa e empenhe os melhores esforços para alcançá-la e aprenda no processo, reflita e analise porque acertou ou porque errou e repita o processo a cada trimestre. Você vai errar, é comum, mas aprenda, se comprometa a aprender, você certamente vai progredir no seu processo pouco a pouco. É algo que está longe de ser simples, não gostamos de errar, a cultura das organizações está construída em cima disso, sendo assim, temos medo de definir metas ambiciosas e por isso não alcançamos resultados melhores e aprendemos pouco. Ninguém gosta de não cumprir o prometido. Acontece que com os OKRs, você não está prometendo atingir aquilo, muito pelo contrário, você está definindo uma meta ambiciosa para não ser atingida. Mas, como o time vai engajar se não atingimos uma meta? Não tenha a punição como mantra para o time, se você tirar o medo de errar da equação, sua organização vai começar a trazer cada vez mais resultados e isso será uma espiral positiva. O time vai se engajar, primeiro porque você – líder – o trouxe para definir juntos como atingir aquele objetivo prioritário, segundo porque será mais fácil cada colaborador perceber a contribuição do seu trabalho para a entrega da estratégia, e terceiro, este sim deve ser um mantra, celebre as pequenas vitórias, incluindo aquelas tiradas a partir do erro, na verdade, foram aprendizados. *Pedro Signorelli tem 20 anos de experiência no mercado corporativo, tornou-se especialista na implementação do método OKR. Em 2019, criou e fundou a Pragmática Consultoria em Gestão, com o objetivo de ajudar outras organizações em suas jornadas de transformação e gestão. Até o momento, desenvolveu mais de 60 projetos para empresas do Brasil e do exterior. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/
Empreender é uma doença? Quem diria, o parasita do empreendedorismo existe

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu algo como “você é louco de largar o trabalho para arriscar nisso” ou “você é doente de pegar esse dinheiro para investir em algo que nem sabe se vai dar certo”. A metáfora mais ouvida pelos empreendedores, de relacionar o ato de empreender a uma doença (e algumas vezes de alto risco), é comum, principalmente em contextos onde a percepção de segurança financeira está relacionada a trabalhar para empresas consolidadas ou para órgãos do estado, ou garantir o salário do mês independentemente do sofrimento. Mas, parece que essa figura de linguagem está com os dias contados. Para o professor Daniel Lerner, da IE Business School de Madrid, uma das mais renomadas escolas de negócios do mundo, existe, sim, um parasita que provoca o empreendedorismo. Na última edição da Harvard Business Review (julho – agosto / 2022), o editor Eben Harrel traz, no artigo “A Common Parasite Can Make People More Entrepreneurial” (Um parasita comum pode tornar as pessoas mais empreendedoras, na tradução livre para o português), uma entrevista com o professor Lerner, que explica que pessoas infectadas com o parasita Toxoplasma gondii são mais inclinadas a fundar negócios, e que seus negócios dão mais certo que os de pessoas “saudáveis”. Os dados são de um estudo realizado junto a colegas dinamarqueses onde foram examinados históricos médicos e profissionais de mais de 74 mil mulheres dinamarquesas, onde as infectadas eram, em média, 29% mais propensas do que outras a terem fundado uma startup, 27% mais propensas a fundar vários negócios e duas vezes mais propensas a fundar seus negócios sozinhas. Além disso, os empreendimentos foram mais bem-sucedidos, em média, do que os lançados pelas contrapartes não infectadas. O professor Lerner explica que a modificação de comportamento causada por parasitas é um fenômeno comprovado. Quando o Toxoplasma gondii infecta roedores, ele entra em seus cérebros e os torna menos avessos ao risco. “Especificamente, os roedores tornam-se mais ativos, são mais propensos a explorar novas áreas, têm reflexos mais lentos e têm menos medo do cheiro de gatos ou urina de gato. Comportamento de busca de novidades, desinibição e aversão reduzida a situações arriscadas” O próprio professor, que é um dos principais nomes nos cursos de empreendedorismo da IE Business School, classifica estas características como qualidades empreendedoras. O Toxoplasma gondii é um parasita que pode ser transmitido de gatos para pessoas e se reproduz apenas no intestino dos felinos, tornando os gatos os principais hospedeiros. Segundo estimativas, infecta de 10% a 50% da população humana dependendo do país. O professor lembra que esse parasita também afeta o cérebro das pessoas, modificando a produção e o metabolismo de neurotransmissores como dopamina e serotonina e de hormônios como a testosterona. Há muitas evidências de que essas modificações podem causar alterações comportamentais não muito diferentes das observadas em roedores. Mesmo pessoas com infecções subclínicas, que representam a maioria dos casos, os sinais são de que as pessoas tornam-se mais extrovertidas, estão mais propensas a se envolver em acidentes de trânsito, entre outros comportamentos que sugerem uma maior tolerância ao risco. Além de também avaliarem o odor de gatos como mais agradável. A partir daí, ele e os colegas passaram a avaliar uma possível conexão, seguindo centenas (ou milhares) de estudos com uma ampla variedade de espécies que apontam a relação entre o Toxoplasma gondii e mudanças psicológicas e comportamentais. Embora estudar os efeitos do parasita em humanos seja complexo, o professor Daniel Lerner afirma que está construindo um caso sólido. Pesquisas anteriores já analisaram a saliva de cerca de 1.500 estudantes universitários e descobriu-se que aqueles que testaram positivo para o eram, em média, 1,4 vezes mais inclinados do que os outros a se formar em negócios, e quase duas vezes mais propensos a se concentrar ou especializar em gestão e empreendedorismo. Em outro estudo, com 200 profissionais, descobriu–se que pessoas infectadas com TG tinham 1,8 vezes mais chances de serem empreendedoras do que outras. Sobre a diferença possível impacto do parasita empreendedor em homens e mulheres, o professor afirma que as descobertas gerais são semelhantes, mas é possível que o tamanho do efeito seja diferente. Certamente, seria estúpido se infectar de própósito. O parasita causa doenças graves em imunossuprimidas e pode até ser fatal, apresenta riscos para bebês se a mãe é infectada durante a gravidez. Além disso, ele permanece no corpo para sempre, e evidências sugerem que pode causar problemas mentais muito sérios entre pessoas com infecções latentes, como depressão maníaca, esquizofrenia e demência. “O desempenho individual dos infectados era bastante variável, também com fracassos, além do que os empreendedores infectados eram mais propensos a fundar seus negócios sozinhos. A persistência e a capacidade de envolver cofundadores são qualidades tipicamente importantes para um empreendedor”, lembra o pesquisador. Apesar dos supostos benefícios, Lerner sinaliza que é arriscado manipular parasitas para fins de negócios, assim como genes. “A ciência mostra que o comportamento das pessoas é influenciado por inúmeras coisas. Quando se trata de genes e parasitas, estamos falando de tendências probabilísticas, quaisquer que sejam os efeitos, a infecção não é determinística”. Para evitar o parasita, basta ficar longe de carne crua, limpar bem as frutas e vegetais e lavar as mãos (principalmente se entrar em contato com fezes de gatos ou de roedores). Leia a entrevista publicada na Harvard Business Review na íntegra aqui Leia a entrevista na íntegra aqui
As perguntas que todo empreendedor deve responder (Amar Bhidé | HBR 1996)

Tomada de decisão e resolução de problemas As perguntas que todo empreendedor deve responder (1996) Por: Amar Bhidé (tradução livre) Quais são meus objetivos? Tenho a estratégia certa? Posso executar a estratégia? Das centenas de milhares de empreendimentos que os empreendedores lançam todos os anos, muitos nunca saem do papel. Outros fracassam após espetaculares lançamentos de foguetes. Uma empresa de condimentos de seis anos atraiu clientes fiéis, mas alcançou menos de US$ 500.000 em vendas. As margens brutas da empresa não podem cobrir suas despesas gerais ou fornecer renda adequada para o fundador e os membros da família que participam do negócio. O crescimento adicional exigirá uma enorme infusão de capital, mas os investidores e potenciais compradores não estão interessados em empreendimentos pequenos e marginalmente lucrativos, e a família esgotou seus recursos. Outra empresa jovem, lucrativa e em rápido crescimento, importa produtos inovadores do Extremo Oriente e os vende para grandes redes de lojas americanas. O fundador, que tem um patrimônio líquido de vários milhões de dólares, foi indicado para o prêmio de empreendedor do ano. Mas o crescimento espetacular da empresa o forçou a reinvestir a maior parte de seus lucros para financiar os crescentes estoques e recebíveis da empresa. Além disso, a lucratividade atraiu concorrentes e clientes a negociar diretamente com os fornecedores asiáticos. Se o fundador não fizer algo logo, o negócio vai evaporar. Como a maioria dos empresários, o fabricante de condimentos e o importador de novidades recebem muitos conselhos confusos: diversifique sua linha de produtos. Atenha-se ao seu tricô. Levante capital vendendo ações. Não arrisque perder o controle só porque as coisas estão ruins. Delegue. Aja com decisão. Contrate um gerente profissional. Observe seus custos fixos. Por que todos os conselhos conflitantes? Porque a gama de opções – e problemas – que os fundadores de empresas jovens enfrentam é vasta. O gerente de uma empresa madura pode perguntar: Em que negócio estamos? ou Como podemos explorar nossas competências essenciais? Os empreendedores devem se perguntar continuamente em que negócio eles querem estar e quais capacidades eles gostariam de desenvolver. Da mesma forma, as fraquezas e imperfeições organizacionais que os empreendedores enfrentam todos os dias fariam com que os gerentes de uma empresa madura entrassem em pânico. Muitas empresas jovens carecem simultaneamente de estratégias coerentes, pontos fortes competitivos, funcionários talentosos, controles adequados e relacionamentos claros de subordinação. O empreendedor pode enfrentar apenas uma ou duas oportunidades e problemas de cada vez. Portanto, assim como os pais devem se concentrar mais nas habilidades motoras de uma criança do que em suas habilidades sociais, o empreendedor deve distinguir questões críticas de dores normais de crescimento. Os empreendedores não podem esperar o tipo de orientação e conforto que um livro oficial sobre educação infantil pode oferecer aos pais. Os seres humanos passam por estágios fisiológicos e psicológicos em uma ordem mais ou menos predeterminada, mas as empresas não compartilham um caminho comum de desenvolvimento. Microsoft, Lotus, WordPerfect e Intuit, embora competindo no mesmo setor, não evoluíram da mesma forma (nota: empresas de tecnologia da década de 1990). Cada uma dessas empresas tem sua própria história para contar sobre o desenvolvimento da estratégia e das estruturas organizacionais e sobre a evolução do papel do fundador na empresa. Os problemas que os empreendedores enfrentam todos os dias sobrecarregariam a maioria dos gerentes. As opções que são apropriadas para um empreendimento empresarial podem ser completamente inadequadas para outro. Os empreendedores devem tomar um número desconcertante de decisões e devem tomar as decisões que são certas para eles. A estrutura que apresento aqui e as regras práticas que o acompanham ajudarão os empreendedores a analisar as situações em que se encontram, estabelecer prioridades entre as oportunidades e problemas que enfrentam e tomar decisões racionais sobre o futuro. Essa estrutura, baseada em minha observação de várias centenas de empreendimentos iniciantes ao longo de oito anos, não prescreve respostas. Em vez disso, ajuda os empreendedores a fazer perguntas úteis, identificar questões importantes e avaliar soluções. A estrutura se aplica se a empresa for uma pequena gráfica tentando permanecer no negócio ou um varejista de catálogos buscando centenas de milhões de dólares em vendas. E funciona em quase qualquer ponto da evolução de um empreendimento. Os empreendedores devem usar a estrutura para avaliar a posição e a trajetória de suas empresas com frequência – não apenas quando os problemas aparecem. A estrutura consiste em uma sequência de três etapas de perguntas. O primeiro passo esclarece os objetivos atuais dos empreendedores, o segundo avalia suas estratégias para atingi-los e o terceiro os ajuda a avaliar sua capacidade de executar suas estratégias. A organização hierárquica das perguntas exige que os empreendedores enfrentem as questões básicas e gerais antes de pensar em refinamentos e detalhes. Essa abordagem não pressupõe que todas as empresas – ou todos os empreendedores – se desenvolvam da mesma maneira, portanto, não prescreve uma metodologia única para o sucesso. Esclarecendo metas: para onde quero ir? Os objetivos pessoais e de negócios de um empreendedor estão inextricavelmente ligados. Enquanto o gestor de uma companhia aberta tem a responsabilidade fiduciária de maximizar o valor para os acionistas, os empreendedores constroem seus negócios para cumprir objetivos pessoais e, se necessário, buscar investidores com objetivos semelhantes. Antes que possam definir metas para um negócio, os empreendedores devem ser explícitos sobre seus objetivos pessoais. E eles devem se perguntar periodicamente se esses objetivos mudaram. Muitos empreendedores dizem que estão lançando seus negócios para alcançar a independência e controlar seu destino, mas esses objetivos são muito vagos. Se parar e pensar sobre isso, a maioria dos empreendedores pode identificar metas mais específicas. Por exemplo, eles podem querer uma saída para o talento artístico, uma chance de experimentar novas tecnologias, um estilo de vida flexível, a pressa que vem do crescimento rápido ou a imortalidade de construir uma instituição que incorpore seus valores profundamente arraigados. Financeiramente, alguns empreendedores buscam lucros rápidos, alguns desejam gerar um fluxo de caixa satisfatório e outros buscam ganhos de capital na construção e venda de uma empresa. Alguns empreendedores que desejam construir instituições sustentáveis não consideram