Empreendedorismo com criatividade impulsiona economia do país

O brasileiro está empreendendo mais. Segundo especialistas, a capacidade de transformar criatividade em negócio tem impulsionado a economia em todo o país A abertura de pequenas e microempresas no Brasil já registrou recordes em 2023. De acordo com dados do Sebrae, apenas no primeiro trimestre, foram criadas mais de 214 mil empresas de micro e pequeno porte no país. Isso significa um crescimento de mais de 9% em relação ao mesmo período do ano passado, e mais de 60% se comparado aos índices pré-pandemia. Ao lado desse segmento na categoria de pequenos negócios, os microempreendedores individuais registraram mais de um milhão de novas inscrições entre janeiro e abril, cerca de 77% das empresas abertas no primeiro quadrimestre. Os dados são do Mapa de Empresas, do governo federal, que aponta que o MEI é responsável por quase 60% dos negócios ativos no país. Para a empreendedora e professora de empreendedorismo e inovação em São Paulo, Etienne Du Jardin, esses números refletem o potencial do brasileiro na área. “Então eu acredito que o Brasil é um celeiro incrível de oportunidades porque a gente tem muito problema aqui a ser resolvido, tem soluções a serem propostas para melhorar a vida da população nos mais diversos segmentos. E a gente tem um país continental, com mais de 200 milhões de pessoas que consomem todo dia, que consomem tecnologia, que consomem produtos, que consomem serviços, e isso sim é uma grande oportunidade de negócios”. Em Minas Gerais, os microempreendedores individuais representam 64% das empresas formais, com um milhão e seiscentas mil inscrições, de acordo com a Receita Federal. Já se considerarmos todos os tipos de empresas, o estado registrou 403.813 novos negócios nos últimos 12 meses, ficando atrás apenas de São Paulo. *Com informações da CBN
Procrastinação, produtividade, longo prazo e ação: Procrastinar X fazer bem feito (1/6)

Esses dias fui impactado (para usar um termo moderno) por um anúncio em vídeo de um “guru” – confesso que esse eu não o conhecia, não é dos mais famosos, mas vi no perfil dele que já fez alguns milhões vendendo mentoria de desenvolvimento pessoal – que propunha a ideia de que Leonardo Da Vinci procrastinou na pintura da Monalisa, e ele chega a mencionar outros artistas. A ideia era argumentar que com o seu curso e mentoria a pessoa não mais procrastinaria. Fui dar um Google para entender melhor o exemplo e cheguei a uma reportagem da saudosa Superinteressante, que apresentava o pintor justamente como o “maior procrastinador da história” – a Monalisa ficou pronta entre 3 e 4 anos depois de iniciada a obra. Outros resultados da pesquisa apontam inclusive que o comportamento do pintor seria, na realidade, um sinal de déficit de atenção: ele facilmente trocava de projetos, sofria de interrupção do sono, entre outros fatores. Eu lhe pergunto: o que você prefere? Um trabalho de um dia que é o boneco palito, ou um trabalho de 3-4 anos que seja a Monalisa? “A pressa é inimiga da perfeição” é talvez um dos ditados que mais se apliquem aos dias de hoje, em qualquer circunstância. Elenquei alguns cenários para ilustrar: Investimentos: a curva de valorização (considerando ativos de qualidade, claro) tende a ser para cima – experimente olhar uma ação que está caindo há algumas semanas em um prazo de 5, 10 anos, por exemplo. Por isso os investimentos são pensados em longo prazo e requerem paciência. Claro, há quem aposte no day trade. Mas, é só ver os exemplos dos grandes investidores globais como Warren Buffet, George Soros e o brasileiro Luiz Barsi: todos têm consistência e persistência; Composição de uma empresa (mesmo que uma startup): uma coisa é o capital de risco, para gerar escala rapidamente. Outra coisa é o business Building. As grandes empresas não nasceram em Wall Street ou na Faria Lima, elas começaram em uma garagem, um quintal, uma lanchonete pequena. Ainda, nenhum fazendeiro começa o negócio com 10 mil cabeças de gado. Sempre tem o primeiro passo, depois da persistência, com chuva e com sol, com seca e com problemas econômicos, ele chega lá; Atletas: não recordo quem fala que a rotina do alto desempenho é monótona. Um atleta olímpico passa boa parte da vida na rotina de dormir, comer e treinar. Ele não vai para festas, ele não está nem aí para o que estaria “perdendo”. O foco é dali a 4 anos colocar uma medalha no pescoço. Aliás, imagine você saber que só faria algo “valendo” dali a 4 anos, e que teria que treinar até estar pronto? Ainda, imagine aqueles que treinam e que sabem que não vão subir no pódio? Ainda assim, treinam, porque dali a 8 anos eles podem estar. Mas, só se treinarem. Entre outros tantos exemplos de longo prazo, desde o bebê que não sai correndo pela casa antes de engatinha até o processo de emagrecimento, parece que estamos misturando as coisas porque o atleta treina e tem rotina, enquanto Da Vinci procrastina. Mas, o que haveria de diferente, se não a nossa percepção e julgamento? Não estaria Da Vinci, nessa “procrastinação”, treinando mentalmente? O ponto aqui, ao meu ver, voltando ao anúncio crítico à procrastinação de Da Vinci, é que procrastinar seria se a Monalisa não tivesse ficado pronta, ou tivesse ficado, desculpem a expressão, uma porcaria.