Alta dos preços pode afastar clientes e preocupa pequenos negócios

Pesquisa do Sebrae em parceria com o IBGE mostra que 47% dos empreendedores evitaram repassar os custos de operação para os clientes, mesmo que parcialmente O aumento dos custos continua sendo o principal problema enfrentado pelos pequenos negócios, mas a falta de clientes preocupa um número cada vez maior de empreendedores. A pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com o IBGE, mostra que, entre abril do ano passado e o último mês de janeiro, o percentual de empresários que apontavam os custos como maior dificuldade caiu de 42% para 36%. Enquanto isso, a proporção de donos de micro e pequenas empresas que apontam a falta de clientes como principal problema cresceu 4 pontos percentuais, no mesmo período, alcançando 28% do universo dos pequenos negócios. O receio de perder consumidores é a razão dos empresários estarem ainda mais cautelosos e evitarem repassar – integralmente ou parcialmente – para os clientes os aumentos dos custos de operação. A pesquisa do Sebrae e IBGE mostrou que 8 em cada 10 empreendedores disseram ter verificado aumento dos custos, mas 47% evitaram transferir qualquer valor adicional para os clientes. O levantamento feito em agosto do ano passado havia mostrado que um percentual menor (43%) havia conseguido evitar esse repasse para o preço final dos produtos ou serviços. Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, há uma consciência no empreendedor de que é fundamental manter os clientes nesse momento. “Nem que para isso os empresários precisem reduzir a margem de lucro ao mínimo possível. Temos verificado um movimento de retração do consumo, provocado pela queda do poder aquisitivo das famílias, com os consumidores ainda mais resistentes à compra. Essa é a hora de fidelizar o cliente e mantê-lo, da melhor forma possível”, avalia. Melles lembra que, apesar das dificuldades, cresceu o percentual de empresários ouvidos na pesquisa que acreditam que 2023 será um ano melhor para os seus negócios, graças principalmente à volta dos consumidores (59%) e à melhora do cenário de crédito (10%). Investimentos A pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios também revelou que, mesmo no contexto de restrições, os pequenos negócios não deixaram de fazer investimentos e buscar melhorias de produtividade e gestão. 45% dos entrevistados afirmaram ter realizado investimentos nos últimos três meses de 2022 (percentual menor do que os 50% identificados em agosto passado). Os investimentos estiveram concentrados principalmente em Máquinas e Equipamentos (31%), Instalações (26%) e Equipamentos de Informática (19%).
2015: Catástrofe

De certa forma, o que aconteceu em 2015 no Brasil foi uma consequência de alguém ter tentado ajustar o caos. Controlar a economia. Dar umas pedaladas. As discussões pós-eleição sobre as políticas econômicas nos interessam pelo simples fato de que, a depender de que direção a economia tome, podemos ter novamente esse resultado. A base para esse levantamento foi a Receita Federal (a mesma que as empresas, consultorias e demais instituições utilizam para consultar dados das empresas). Das empresas abertas em 2002, a crise de 2015 atingiu as sobreviventes até aquele ano muito mais do que a crise global de 2008 e, depois, a pandemia (vão dizer que na Pandemia já existiam menos empresas com quase 20 anos, porém, se essa lógica funcionasse, 2015 também não teria tido o impacto que teve porque havia menos sobreviventes que em 2008. Aliás, o começo é muito mais cruel, a tal mortalidade precoce que tanto se fala). Escolhemos 2002 porque foi um marco histórico político, com a eleição de Lula pela 1a vez. Simples assim. Como a junção de uma política econômica equivocada, um cenário externo conturbado, questões de corrupção impactou as empresas? Resposta: 3x mais que a crise global de 2008 e 10 vezes mais que a pandemia de 2020 (considerando as empresas que ficaram inaptas após o evento de 2015). Podemos culpar o vírus por muitas mortes, mas não a de empresas.
Caos

“Não espere que o mundo seja como você deseja, mas sim como ele realmente é. Dessa forma, você terá uma vida tranquila” – Epicteto Organizar o caos é, de forma geral, tirar as coisas do seu ciclo natural. Isso nunca deu certo. “Talvez o caos e o acaso sejam a ordem natural das coisas”, diz o romancista britânico Johathan Coe. “Antifrágil, como se beneficiar do caos” é o título completo da obra de Nassim Taleb, que muitos conhecem como um escritor do mercado financeiro, mas que escreve, na verdade, sobre a vida. O caos é tema de muitas excelentes obras literárias, ao mesmo tempo provoca discussões e cria teses obstinadas por organização, mas seria essa organização produtiva mesmo? Essa conversa faz lembrar do filme “Efeito borboleta”. O protagonista, sabendo do seu poder de viajar no tempo, mudar uma realidade e voltar ao tempo atual, tenta de todas as formas alterar o futuro indesejado para os amigos. Não dá certo. A única forma de conseguir o que queria foi ele mesmo sacrificar sua vontade. Trazendo isso para a realidade do empreendedor brasileiro: ele é o ator, mas não pode mexer no cenário caótico. Pode enfrentá-lo, aprender com ele. Aliás, esse palco não dá sossego: na linha do tempo dos últimos 21 anos teve eleições polarizadas (2002), mensalão (2005), crise global (2008), não é pelos R$ 0,20 (2013), crise da indústria (2014), crise Brasil (2015), Impeachment (2016), greve dos caminhoneiros (2018), incertezas com a lava-jato, pandemia… No contexto geral, vivemos em caos. Tiremos algum proveito disso. Mas, saibamos diferenciar quando não for caos, e sim uma catástrofe.