Número de empreendedores estrangeiros no Brasil cresce 73%

Microempreendedores individuais oriundos de outros países atuam principalmente com vestuário e beleza Existem 74,2 mil Microempreendedores Individuais (MEI) ativos de outras nacionalidades no Brasil. O número é 73% superior ao registrado em 2019, quando existiam 42,9 mil. O montante de MEI estrangeiros corresponde a 5,7% do total de imigrantes no país. Muitos estrangeiros que vêm para o Brasil têm encontrado no empreendedorismo uma alternativa de vida. Levantamento feito pelo Sebrae revela que, atualmente, existem 74,2 mil Microempreendedores Individuais (MEI) ativos de outras nacionalidades. O número é 73% superior ao registrado em 2019, período pré-pandemia, quando existiam 42,9 mil, e corresponde a 5,7% do total de imigrantes no país, de acordo com o Ministério da Justiça, que levantou um universo de 1,3 milhão de imigrantes em 2021. O estudo realizado pelo Sebrae, com base em dados da Receita Federal de maio de 2023, também apurou as atividades em que os empreendedores estrangeiros mais atuam. Um a cada quatro trabalham com comércio ou fabricação de roupas. A área da beleza também está entre as mais procuradas, com um universo de 6% de estrangeiros, seguida pela de atividades de ensino, com 5%, e alimentação e bebida, com 4%. Entre as dez nacionalidades que mais têm estrangeiros empreendedores no Brasil, sete são da América Latina. Juntos, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Argentina, Uruguai, Peru e Uruguai concentram 56% dos MEI estrangeiros. Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, ter o próprio negócio tem sido a forma mais acessível para muitos estrangeiros conseguirem uma fonte de renda no país. “Muitos estrangeiros, entre eles refugiados, veem no empreendedorismo uma forma de inclusão social e econômica. A figura jurídica do MEI, criada há 15 anos, torna mais fácil ainda essa inclusão dos estrangeiros na economia brasileira e, por isso, temos acompanhado esse crescimento de formalização nos últimos anos”, pontua. Como os estrangeiros podem se formalizar O estrangeiro pode se formalizar como microempreendedor individual através da plataforma gov.br. Contudo, é necessário ter Carteira Nacional de Registro Migratório ou Documento Provisório de Registro Nacional Migratório ou Protocolo de Solicitação de Refúgio, que podem ser solicitados via cadastro no departamento de Polícia Federal com a indicação do nº de registro. Para estrangeiros com visto temporário, será permitido registro como MEI apenas para cidadãos de países membros do MERCOSUL e dos Estados Associados e que possuam residência temporária de dois anos, dessa forma, poderá ser empresário, titular ou sócio ou administrador. Atualmente, não é mais necessário fazer uma Declaração de Imposto de Renda de PF. Veja as 10 atividades que mais possuem MEI estrangeiros: Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios: 11.145 (15,02%) Confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas: 7.487 (10,09%) Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza: 4.249 (5,72%) Atividades de ensino não especificadas anteriormente: 3.845 (5,18%) Restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas: 2.919 (3,93%) Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada: 2.243 (3,02%) Atividades de publicidade não especificadas anteriormente: 2.096 (2,82%) Comércio varejista de outros produtos novos não especificados anteriormente: 1.813 (2,44%) Serviços especializados para construção não especificados anteriormente: 1.771 (2,39%) Ensino de idiomas: 1.570 (2,12%) Confira os 10 países de origem que mais possuem MEI: Venezuela: 10.360 (14%) Bolívia: 9.882 (13,3%) Colômbia: 6.613 (8,9%) Argentina: 5.727 (7,7%) Haiti: 4.148 (5,6%) Uruguai: 3.450 (4,6%) Peru: 3.280 (4,4%) Senegal: 3.022 (4,1%) Portugal: 2.927 (3,9%) Paraguai: 2.617 (3,5%)
6 em cada 10 brasileiros sonham em empreender, diz pesquisa

A maioria dos brasileiros sonha em empreender e ter o próprio negócio é a meta de vida de seis em cada dez brasileiros, segundo os dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2022), divulgada pelo Sebrae nesta terça-feira (09). Empreender é o segundo maior sonho do País, ficando atrás apenas de viajar, e está à frente de metas como ter uma casa própria ou um carro. O levantamento, que é o principal no segmento de empreendedorismo no mundo, mapeou 51 países e coletou dados entre junho e agosto de 2022. No Brasil, foram entrevistados 2 mil adultos e 51 especialistas no tema. O sonho de ter o próprio negócio saiu de terceiro mais citado, com 46% das respostas na última pesquisa, em 2021, para a segunda posição, com 60%. É a maior porcentagem de respostas desde o início da pesquisa, em 2012. Segundo a GEM, 42 milhões de pessoas adultas (com 18 a 64 anos) já tinham um negócio – formal ou informal – e/ou que fizeram alguma ação, em 2022, visando ter um negócio no futuro e outros 51 milhões não têm empreendimento, mas gostaria de ter um em até 3 anos. “Isso comprova o espírito empreendedor brasileiro, o interesse crescente pelo negócio próprio e mostra o quanto é importante que sejam criadas políticas públicas que incentivem o empreendedorismo, que vão desde a educação empreendedora até a legislação”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima. Esses números apontam um crescimento do interesse pelo empreendedorismo no Brasil nos últimos anos. A taxa de empreendedores potenciais, que não possuem negócio próprio deseja tê-lo em breve se manteve em 53% da população adulta. O Brasil apresenta a 2ª maior Taxa de Empreendedorismo potencial, praticamente empatado percentualmente com o Panamá, porém com expressividade muito maior em números totais – enquanto o Brasil possui mais de 210 milhões de habitantes, a população panamenha é de 4.3 milhões. Aumento número de empreendedores estabelecidos A qualidade do empreendedorismo brasileiro apresentou uma melhora no último ano. Segundo o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2022, realizado pelo Sebrae e pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), a taxa de empreendedorismo dos negócios estabelecidos, aqueles que possuem mais de 3,5 anos de existência, teve um ligeiro incremento de 0,5%, passando de 9,9% em 2021 para 10,4%, no ano passado. “Esse resultado demonstra um arrefecimento na crise, uma retomada da economia e uma melhoria na gestão dos negócios. Em 2020 essa taxa levou uma grande queda por causa da pandemia e caiu de 16,2%, em 2019, para 8,7% e desde o ano retrasado ela já demonstra sinais de recuperação”, pontua o presidente do Sebrae, Décio Lima. Essa taxa manteve o Brasil na sétima posição, especificamente quanto à taxa de Empreendedores Estabelecidos, em relação aos outros países que participaram da pesquisa. Na frente estão Coréia do Sul, Togo, Grécia, Letônia, Guatemala e Irã. Mesmo com a taxa de empreendedorismo estabelecido da população brasileira ter apresentado esse incremento, a taxa geral apresentou uma leve queda de 0,1 ponto percentual e atingiu o menor nível nos últimos 10 anos ficando em 30,3%. Esse resultado é explicado pela redução na taxa de empreendedores iniciais, aqueles com até 3,5 anos de negócio, que caiu de 21%, em 2021 para 20%, em 2022. “Menos pessoas iniciaram um negócio novo e uma parte migrou para a posição de estabelecidos”, observa Décio. A taxa geral de empreendedorismo é a soma dos empreendedores iniciais e dos estabelecidos. Número de empreendedores por necessidade cai O conceito de empreendedorismo por necessidade se dá quando uma pessoa física passa por um problema financeiro e não tem fonte de renda para garantir o seu sustento ou de sua família. Sem trabalho, encontra no empreendedorismo uma alternativa para arcar com os custos prioritários. Em um cenário de recuperação pós-pandemia, é o segundo ano consecutivo que a porcentagem de empreendedores iniciais por necessidade cai. Eram 50,4% em 2020, teve queda para 48,9% e agora o percentual está em 47,3%. Pesquisa GEM A Pesquisa GEM é considerada a principal pesquisa sobre empreendedorismo no mundo. Realizada anualmente há 23 anos, já participaram mais de 110 países, o que representa mais de 95% do PIB mundial. No Brasil, em 2022, foram entrevistados 2 mil adultos e 52 especialistas. Os dados foram coletados entre junho e agosto de 2022. O Brasil é um dos poucos países que participou de todas as edições.
Empreendedorismo é um dos caminhos para Brasil sair do mapa da pobreza, diz ministro

Wellington Dias, que comanda o Ministério do Desenvolvimento Social, pede apoio ao Sebrae para combater a miséria e aponta a criação de um fundo para incentivar pequenos negócios O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, participou nesta segunda-feira (8) de uma reunião com dirigentes do Sebrae de todos os estados brasileiros para se juntar à instituição no combate à pobreza no país. Dias destacou que o Sebrae é um importante parceiro para capacitar beneficiários do Bolsa Família e que têm interesse em empreender. Segundo o ministro, o empreendedorismo é um dos caminhos para tirar o Brasil do mapa da miséria. “O Brasil nunca precisou tanto do Sebrae como precisa agora. Nós temos a missão de tirar o Brasil do mapa da fome”, disse Dias. Ele destacou que tanto setor público quanto privado devem apoiar empreendedores para que eles gerem mais empregos e que também devem trabalhar na formação das pessoas que querem empreender e de profissionais. O ministro contou que estuda a criação de um fundo garantidor de R$ 1,7 bilhão para resolver o problema de acesso a crédito e, dessa forma, incentivar o empreendedorismo. “Estamos negociando com os bancos um cumprimento de uma regra que eles serão obrigados a aplicar no mínimo 2% aos pequenos”, destacou. O presidente do Sebrae, Décio Lima, colocou o Sebrae à disposição para o desafio, apontado como o processo de cura das feridas do povo brasileiro e que frisou que a instituição será parceira permanente das ações do governo e do povo empreendedor brasileiro. “Uma contribuição firme para apoiar a retirar o país do mapa da fome e da miséria. Um conjunto de ações e oportunidades para os 60 milhões de brasileiros que vivem na pobreza. O Sebrae irá trabalhar para ajudar a tirar o Brasil desse abismo que não imaginávamos que fossemos reviver. Aqui está a porta de oportunidades para cerca de 60 milhões de brasileiros que amargam a pobreza”, pontuou Lima.
Brasileiro nunca investiu tanto em títulos de dívida de empresas. Saiba porquê

Estoque de fundos alocado em debêntures alcança 72% de tudo que está investido em ações A saúde financeira das empresas brasileiras importa mais do que nunca. Agora, a preocupação com a piora na qualidade de crédito das companhias, que aumentou com a persistência da taxa Selic em 13,75% ao ano, vai bem além dos empregos gerados e da capacidade de investimento. E olha que já é dor de cabeça suficiente para o país. Mas o tema afeta ainda os investidores. E não é pouco. Estimulados por uma temporada longa de Selic para cima de dois dígitos, o brasileiro nunca investiu tanto em papéis de dívida de companhia como agora. É uma forma de buscar um rendimento além da Selic. Para completar, há um ambiente de estímulo extra para debêntures incentivadas, ligadas ao setor de infraestrutura, e títulos como CRAs e CRIs, com isenções de imposto de renda e fácil distribuição via plataformas digitais. O cenário de constrição de crédito e preocupações com alavangem das companhias pega tanto a indústria de fundos de investimento como os investidores que preferem aplicar de forma independente no auge da exposição a esse risco. A indústria de fundos nacional tem um patrimônio total de R$ 5,8 trilhões. Desse total, R$ 523,7 bilhões estão aplicados em ações brasileiras e R$ 377 bilhões, em debêntures. A relação do total de recursos investidos em dívida de companhias e o total em ações passou de 68% para 72% entre o fim do ano passado e fevereiro deste ano. Os dados são da Anbima e se tornaram públicos na quinta-feira, pré-feriado de Páscoa. O que se vê na indústria de fundos é o mesmo que acontece com os investimentos diretos feitos pelas pessoas físicas. A B3 detalha em estudos trimestrais a alocação. O último levantamento disponível é relativo a dezembro e ilustrativo da mesma forma. Enquanto o saldo investido em ações recuou 12% na comparação com 2021, para R$ 329 bilhões, a alocação em debêntures aumentou 32%, passando de R$ 73,1 bilhões para R$ 96,7 bilhões. O volume aplicado em dívida privada está quase do mesmo tamanho da posição detida em títulos públicos, via Tesouro Direto, que terminou dezembro em R$ 99,6 bilhões. No agregado total (debêntures mais CRIs e CRAs), a posição em títulos de dívida privada, sem contar papéis de bancos, aumentou 40% e terminou dezembro em R$ 212 bilhões. Não por acaso, episódios como de Americanas (AMER) e Light (LIGT3) assustam e geram repercussões no mercado. Com isso, a demanda por esses títulos cai. A relação debêntures e ações nos fundos e na alocação direta, a mais alta já vista no setor, é reflexo principalmente do grande crescimento das emissões de debêntures no país (CRIs e CRAs), com o desenvolvimento expressivo de um mercado secundário devido à digitalização do setor financeiro. Os anos de 2021 e 2022 foram recordes em captações via esses títulos. Com mais papéis, naturalmente a alocação aumenta. Em tempos de Selic alta, então, com a preferência do investidor pela renda fixa, a demanda absorveu tudo facilmente. A fotografia atual reflete ainda uma outra informação: uma das menores alocações em ações pelos fundos, desde que a medição da Anbima teve início, em 2006. Em fevereiro, o total do patrimônio dos fundos investido em ações caiu para 9%. Desde que a série histórica existe, percentual semelhante só foi registrado entre 2015 e 2017. Por acaso, período em que a taxa de juros também subiu de forma acelerada e para patamar muito semelhante. Mas, há ao fim de 2017, a relação entre a posição em debêntures e a posição em ações estava em 34%. As maiores gestoras multimercados do país estão com alocação em Brasil muito reduzida, especialmente em bolsa. Portanto, está respondida uma das perguntas mais repetidas durante o auge da pandemia, quando a taxa Selic foi reduzida a 2% ao ano: o que acontece com o mercado se a taxa de juros voltar para dois dígitos? O de ações encolhe brutalmente e o de dívida cresce. Em dezembro de 2020, 15% do patrimônio dos fundos estava investido em ações. O encolhimento reflete não só a saída das posições como também a perda de valor das empresas nesse período. Apesar de ser muito importante para o país um mercado de títulos de dívida forte, a preferência de alocação não é exatamente uma boa notícia. “É reflexo de uma economia menos pujante, menos dinâmica. O juro alto dificulta a vida do empresário para investir. Fica difícil encontrar um projeto que remunere adequadamente para o nível de risco”, destaca Pedro Rudge, da gestora Leblon Equities. “É por isso que a aplicação desse remédio [juro alto para conter inflação] não pode durar muito. Há um impacto muito grande na economia.” *Com informações do Exame
Confiança dos donos de pequenos negócios apresenta leve aumento

Nos últimos dois meses, índice apresentou aumento de 3,9 pontos, de acordo com a Sondagem dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae e FGV O Índice de Confiança das Micro e Pequenas Empresas (IC-MPE) apresentou um ligeiro aumento de 0,1 ponto no último mês de março, de acordo com a Sondagem dos Pequenos Negócios, realizada mensalmente pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e atingiu o patamar de 88,5 pontos. Esse é o segundo mês consecutivo de incremento, de fevereiro para cá, houve um aumento de 3,9 pontos. O presidente do Sebrae, Décio Lima, observa que o acumulado do último bimestre mostra que os donos de pequenos negócios estão mais confiantes na economia e com expectativas melhores para o futuro. “O mês de fevereiro interrompeu uma sequência de cinco quedas consecutivas e a tendência é que nos próximos meses esse índice continue apresentando resultados melhores, pois o Índice de Expectativas das MPE (IE-MPE), que revela o grau de otimismo em relação ao futuro próximo, avançou 1,7 ponto e atingiu o patamar de 86,5 pontos em março”, afirma. De acordo com Lima, outro fator que deve interferir positivamente no aumento da confiança nos próximos meses é o arcabouço fiscal proposto pelo governo que deverá colaborar para reduzir incertezas econômica e políticas. “Esse conjunto de ações irá contribuir para uma situação mais favorável em termos de taxa de juros e inflação que tanto impactam os pequenos negócios e a vida dos consumidores”, complementa. Setores O IC-MPE é a composição dos três índices de confiança dos principais setores da economia – Comércio, Serviços e Indústria de Transformação. O leve aumento da confiança dos donos de pequenos negócios foi ocasionado pelas boas expectativas do Comércio e Serviços, que apresentaram aumento de 0,8 e 3,4 pontos, respectivamente. Os dois juntos compensaram a queda da confiança dos empreendedores da Indústria da Transformação, que caiu 5,7 pontos. “O resultado de março, reflete uma maior confiança dos setores de Serviços e Comércio e recuo da Indústria de Transformação fazendo com que o nível de confiança entre os setores fique muito próxima”, analisa Décio Lima. Comércio A confiança das micro e pequenas empresas do setor do Comércio (MPE-Comércio) apresentou uma leve alta, a segunda seguida, em março: 0,8 ponto, para 87,1 pontos. No acumulado do 1º trimestre de 2023, o índice avançou 1,5 ponto. Serviços Pelo segundo mês consecutivo, a confiança dos micros e pequenos empresários do setor de Serviços melhorou (MPE-Serviços): o índice subiu 3,4 pontos, atingindo 89,4 pontos, o maior nível desde outubro de 2022 (99,4 pontos) e fecha no positivo o primeiro trimestre (1,4 ponto). Essas altas podem representar um sinal de possível reversão positiva no setor, contudo, devem que ser analisadas com cautela, já que o nível de atividade ainda se mantém em patamar baixo, a incerteza elevada e persistência da inflação. Indústria de Transformação A confiança das micros e pequenas empresas do setor da Indústria de Transformação (MPE-Indústria) segue tendência diferente do setor de Serviços e Comércio em março. O índice recuou 5,7 pontos, para 88,3 pontos, o menor nível desde novembro de 2022 (85,6 pontos) e no acumulado ficou relativamente estável ao variar -0,1 ponto.
BNDES vai priorizar apoio a micro, pequenas e médias empresas, diz Mercadante

Presidente do banco disse que apoio aos pequenos negócios será de R$ 65 bilhões via crédito indireto e reafirmou apoio à reindustrialização O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira (6), durante cerimônia de posse, que fomentar o desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas está entre as prioridades de sua gestão. “Vamos apoiar as micro, pequenas e médias empresas e as cooperativas de economia solidária com R$ 65 bilhões por meio de crédito indireto do banco e alavancagem via garantias do crédito privado”, afirmou Mercadante, destacando que são elas as “grandes geradores de emprego e renda no país”. Dentre as medidas pretendidas pela nova gestão do BNDES, Mercadante destacou que irá debater ajuste na Taxa de Longo Prazo (TLP) do banco de fomento. “Atualmente, a TLP apresenta enorme volatilidade e custo superior ao da dívida pública”, enfatizou. Mercadante afirmou que não pretende fazer com que o BNDES concorra com bancos privados, mas defendeu a necessidade de juros mais competitivos para as micro, pequenas e médias empresas. “Não queremos padrão de subsídios como no passado, mas uma taxa de juros mais competitiva para micro, pequenas e médias empresas”, enfatizou Mercadante. “Nós não pretendemos ficar disputando mercado com o sistema financeiro privado. Isso não é papel do BNDES. Precisamos de parceria e o BNDES pode contribuir para reduzir riscos, abrir novos mercados, alongar prazos e elaborar bons projetos para o mercado privado”, acrescentou. ‘Eximbank’ e reindustrialização Em seu discurso de posse, Mercadante defendeu a atuação do BNDES como “Eximbank”, fomentando o aumento das exportações do país, com foco no longo prazo, integrando as cadeias globais. “O Brasil é um dos principais exportadores de produtos agrícolas, mas os produtos de alto valor agregado também são importantes. O Brasil não pode ser só a fazenda do mundo”, disse . O novo presidente do BNDES também defendeu a necessidade de investimento na reindustrialização, voltado ao que classificou como “nova indústria” – “digital, descarbonizada, baseada em circularidade e, assim, intensiva em conhecimento”. “A participação da indústria nos desembolsos do BNDES era de 56% em 2016, caiu para 16% em 2021”, destacou Mercadante ao prometer retomar o aumento do investimento no setor industrial. ‘Empoderamento’ de mulheres, negras e negros Mercadante abriu seu discurso afirmando que “nunca mais teremos um palco sem negras e negros” e, se dirigindo para a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, uma das autoridades presentes no palco, afirmou que o BNDES vai combater a igualdade racial e de gênero dentro e fora do banco. “Seremos promotores de uma sociedade mais justa e inclusiva por meio de nossas linhas de crédito e das ações de fomento que empoderem mulheres, negras e negros desse país. Nós temos que empoderar o empreendedorismo da comunidade negra e das mulheres brasileiras”, disse. Embora tenha afirmado que não pretende fomentar competição entre o BNDES e os bancos privados, Mercadante disse que irá “competir positivamente” em relação às ações de fomento da igualdade de raça e gênero. “Vi que o Itaú lançou uma linha de crédito especial para mulheres e nessa parte nós vamos competir positivamente, vocês vão correr atrás porque nós vamos jogar firme”, declarou. Internamente, tal promoção se dará, segundo Mercadante, por meio de programa de estágio voltado a negros e negras e do estabelecimento de cotas na retomada de concursos públicos. “Esse nosso compromisso com a igualdade racial não vai ser só da porta para fora, como também da porta para dentro. Vamos propor um programa de estágios para negros e negras, retomaremos concursos que não acontece há mais de dez anos com cotas”, afirmou. Fonte: com informações do G1.com
Aposentados podem ser MEI, exceto se for por invalidez

A estrada do Brasil é bastante sinuosa, guarda uma surpresa a cada curva, e aparentemente só leva a um destino: a dependência do Estado. O empreendedor brasileiro é o mais onerado do mundo pela carga tributária – segundo uma pesquisa realizada pela Sage, empresa britânica de softwares de gestão, microempresas, MPEs com até cinco funcionários pagam cerca de 65% do faturamento em impostos. A previdência nacional é um balde furado, registrando déficit ano-após-ano. Como viemos discutindo amplamente nos últimos meses, o brasileiro 50+ (60, 70, 80…) goza de saúde e energia vital, além de toda a experiência profissional, e daria um bom empreendedor: mais disposto a riscos, com melhor capacidade de decisão, maior simpatia do sistema financeiro para empréstimos, entre outros aspectos que exploramos exaustivamente no Estudo Empreendedores 50+, o futuro do Brasil. Eis que numa rápida pesquisa sobre abertura de MEIs por esse público nos deparamos com uma regra na legislação 128/2008 que diz que aposentados por invalidez e aposentados especiais não podem se inscrever no programa. Em resumo: se a pessoa sofreu algum acidente que o levou a uma aposentadoria precoce por invalidez (adivinhe: a legislação sobre isso é igualmente complicada), mas poderia ter um negócio online, você não pode ser MEI. O brasileiro trabalha para bancar a estrutura estatal, ponto.
Abílio Diniz: “Momento é complicado para empreender por conta dos juros”

Para conter o avanço da inflação, os bancos centrais de todo o mundo tiveram que aumentar os juros. Mas o remédio tem seus efeitos colaterais negativos. E um deles é tornar a vida de quem quer empreender mais difícil. Ainda mais no Brasil. “Os juros reais são quase o maior do mundo. É muito pesado para empreender”, disse o ex-GPA e atual vice-presidente do conselho do Carrefour, Abílio Diniz. Ele participou hoje pela manhã da conferência anual do banco Credit Suisse em São Paulo. O painel foi mediado por João Camargo, fundador do grupo Esfera e presidente do conselho da CNN, e contou com a participação de Rubens Menin, presidente do conselho da MRV, do banco Inter e dono da CNN. Questionado pelo Startups se seria o caso de não empreender por conta do momento, Abílio disse que essa decisão depende muito da disposição e do momento de quem vai se lançar nessa jornada. Se vale de alguma coisa, apesar de toda a celeuma de demissões e contenção nos investimentos, a opinião deste Startups continua sendo de que nunca houve melhor momento para empreender, ou investir em novos negócios que tenham a tecnologia como base de suas operações. O mundo não vai ficar menos digital, nem mais simples nos próximos anos e décadas. As oportunidades estão aí para serem abraçadas. Menin reforçou o coro dos juros altos dizendo que, em 50 anos empreendendo, não viu muitas os juros reais na casa dos 8%. “Isso é muito. Sangra as famílias, as empresas”, avaliou. Para ele, o medicamento é correto, mas o tempo do tratamento não pode ser muito longo para não matar o paciente. Nos EUA, o FED já dá sinais de que o ciclo de aumento nos juros pode ter se encerrado. Aqui no Brasil, ainda não há uma manifestação clara. Abílio disse acreditar na independência do Banco Central e que a equipe liderada por Roberto Campos Neto tem todas as condições técnicas para avaliar quando será o momento de corrigir a rota. Para Menin, não adianta fazer essa redução na marra. É preciso criar as condições para que isso aconteça, fazer o dever de casa interno. E isso passa por pontos como a reforma tributária, reforma administrativa, controle de gastos e endividamento do governo e segurança jurídica e política no país. Para Rubens e Abílio, o momento é de união, de criar um pacto social que permita que o Brasil aproveite fortalezas como o mercado interno grande para concretizar a promessa que foi feita quando a sigla BRICS estava em alta. Os dois foram unânimes em dizer que o Brasil é o país com melhores oportunidades no atual momento. “O primeiro mundo é aqui. Temos tudo do primeiro mundo aqui e não deve nada a ninguém”, disse Abílio. Ele destacou que há muito dinheiro no mundo e ele quer vir para o Brasil. Mas é preciso saber atraí-lo. E isso passa pelas questões do dever de casa interno. Abílio disse não ter medo do atual governo e se classificou como um liberal com tendências keynesianas. Menin também foi em uma direção parecida, dizendo que é fundamental aumentar a participação da iniciativa privada nos investimentos, mas que, em um país como o Brasil, o estado precisa ter um papel na redução das desigualdades.