Mulheres negras são as mais vulneráveis também no empreendedorismo

Estudo #CoisaDePreto aponta como as disparidades de gênero e raça no Brasil afetam diretamente as possibilidades de crescimento dos negócios próprios Quem já ouviu falar da solidão da mulher negra? A expressão é usada, inclusive academicamente, para descrever o detrimento emocional e afetivo que mulheres pretas enfrentam não só no Brasil, mas em muitos países. Essa solidão se manifesta, no entanto, em outras áreas da vida, inclusive no empreendedorismo. É o que mostra o estudo #CoisaDePreto: Uma pesquisa sobre a real jornada dos afroempreendedores brasileiros, encomendado pelo Google à Offerwise e à Box 1824. O levantamento ouviu mil empreendedores de todo o país (500 brancos e 500 negros), entre julho e outubro de 2022, e mostrou que as mulheres negras enfrentam as maiores dificuldades nessa jornada. Quando se compara com a realidade do homem branco, as mulheres pretas são as mais solitárias quando o assunto é a gestão do negócio: 55% delas não têm ninguém que as ajuda, mesmo que esporadicamente ou de maneira informal nessa tarefa – uma diferença de 10% em relação ao homem branco. Segundo Christiane Silva Pinto, gerente de Marketing para Pequenas e Médias Empresas no Google e fundadora do AfroGooglers, “com a realização da pesquisa, ficou evidente que no caso dos afroempreendedores, principalmente as mulheres, tudo está nas mãos de uma pessoa só. Os planos de sustentabilidade do negócio passam pela dura constatação que seu crescimento depende de uma única pessoa: o eupreendedor. De forma solitária, essa mulher tenta dar conta não só da gestão do seu negócio, mas também quebra a cabeça pensando em como o seu empreendimento pode apoiar financeiramente sua família”. (Christina Morillo/Pexels) O estudo mostra ainda que as empreendedoras negras são o grupo com menor faturamento: 34% das entrevistadas pretas faturam até R$ 12 mil por ano, além de serem a minoria (14%) dentre os empreendedores que faturam acima de R$ 81 mil – enquanto homens brancos são a maioria (29%). “Acredito que para fortalecer o afroempreendedorismo feminino é preciso que tanto o setor público quanto o privado tenham iniciativas focadas, principalmente, em capacitação, fortalecimento das comunidades e geração de oportunidades para as mulheres empreendedoras”, diz Christiane. E a situação é ainda pior para as empreendedoras negras. “Muitas delas são chefes de família e a única fonte de renda da casa”, reforça Christiane. “Segundo o nosso estudo #CoisaDePreto, embora metade dos entrevistados não tenham ajuda de alguém, mesmo que de forma esporádica ou informal, são as mulheres que sofrem mais com o sentimento de solidão no negócio.” Nos dados, 39% das empreendedoras entrevistadas deram notas de 1 a 6 – para 1 significando “me sinto totalmente sozinho” e 10 “não me sinto nada sozinho”. Entre os homens, 38% deram notas 9 ou 10. Além disso, os homens estão mais conectados aos grupos que fazem parte e do bairro ou região onde vivem, sendo que 40% dos homens negros têm funcionários que são pessoas que moram na mesma região ou bairro deles e 28% têm funcionários que são amigos ou foram indicados por amigos. “Então, a criação e o fortalecimento de grupos e redes de apoio de mulheres empreendedoras pode ajudá-las não só a prosperar seus negócios, como também dividir as dores e experiências do empreendedorismo”, aponta Christiane Silva Pinto. *Com informações do portal Claudia

Afroempreendedorismo: 8 iniciativas de negros que apoiam negócios a darem certo

Casa do Pretahub em São Paulo oferece estrutura gratuita para aprendizado, criação de conteúdo e conexões (crédito: divulgação/reprodução PEGN)   Hoje, 26 de agosto, dia do Afroempreendedorismo (no calendário do Estado de São Paulo),  é uma data importante para lembrar uma coisa: algo é difícil para alguns, mas pode ser mais difícil ainda para outros.   Provavelmente, a maioria das pessoas que lerão esse artigo já deve ter assistido ao vídeo “A corrida dos privilégios” (The $100 Dollars Race), que está disponível no YouTube em diversos canais.   O vídeo fala de privilégios e de como a falta deles impacta e incorre em desafios que as pessoas que tiveram menos condições terão que enfrentar para chegar, talvez, ao mesmo lugar que outras, com melhores condições, podem chegar mais rápido. A maioria dessas pessoas é negra.   A vida não é justa, fato. Mas, ela é real. Segundo o filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), “o homem é ele e suas circunstâncias”, o que significa que os desafios que enfrentamos nos definem tanto quanto quem somos.   Há seis meses comecei o projeto www.empreendabilidade.com.br e desde então venho observando o ecossistema empreendedor em busca de cruzamento de dados que possam incentivar mais negócios nascentes a darem certo, e mais pessoas a empreenderem da forma correta.   No dia de hoje, alguns dados chamam a atenção:   Negros potencialmente abrem mais negócios por necessidade: Empreendedores em geral, cerca de 50% (49,6%) dos empreendedores iniciais abrem um negócio por necessidade (2021). Em 2020 (ano da pandemia), o percentual foi de 53,9% (Global Entrepreuneurship Monitor); Nas favelas, 57% dos empreendedores declara ter investido nesse formato de trabalho para driblar a ausência de oportunidades com carteira assinada no mercado formal (DataFavela);   Homens negros são o retrato dos empreendedores brasileiros (DataSebrae): São 9,8 milhões de homens negros empreendendo; Mulheres Negras são 4,7 milhões; Aproximadamente 50% dos empreendedores brasileiros se declaram negros ou pardos;   O empreendedor negro brasileiro enfrenta DESAFIOS EXCLUSIVOS (DataSebrae – por raça): Foram os mais prejudicados/afastados de sua atividade com a crise da pandemia da Covid-19 Foram os que tiveram recuperação mais modesta após a crise da Covid-19 São os que (estruturalmente): Possuem menor nível de escolaridade Possuem menor nível de rendimento mensal Possuem a maior proporção de conta própria (e menor de empregadores) Entre os empregadores, possuem menos empregados (negócios menores) São os que estão há menos tempo na atividade São os que estão menos formalizados São os que menos contribuem à previdência São os mais jovens São os que têm maior dificuldade de acessar crédito   Ou seja, se empreender é um desafio, para os negros é muito mais.   Porém, outro fato chama a atenção (observação empírica): há bastante gente cujas circunstâncias serviram de incentivo para empreender em negócios que, justamente, tornam tornar a “corrida” do próximo mais equiparada.   Listamos abaixo 8 exemplos desses empreendedores que vêm atuando com o propósito muito legítimo de  fazer o Afroempreendedorismo prosperar:   Movimento Black Money – hub de inovação voltado a dar melhores perspectivas para empreendedores da comunidade negra em crédito, educação e ações para o crescimento do negócio.   PretaHub – pensa a relação com a cultura, a economia e o empreendedorismo pretos, a partir de um olhar propositivo visando a mudança estrutural da sociedade e do mercado.   Favelahub – Polo de inovação social localizado no território da Favela do Cantagalo-Pavão Pavãozinho, Zona Sul do Rio de Janeiro, que propõe e aplica soluções sustentáveis e escalonáveis para transformação social.   Feira Preta – nasceu em 2002, focada na venda de produtos de empreendedores negros. Com o passar dos anos, se tornou um festival com conteúdos, produtos e serviços nos mais diversos segmentos. Neste ano de 2022 acontece de 04 de novembro a 04 de dezembro em São Paulo.   Programa Prolíder – Wellington Vitorino, hoje estudando no MIT com uma bolsa da Fundação Estudar começou a trabalhar cedo. Se diferenciou por gostar de estudar e, em 2016, passou a oferecer um curso com o objetivo dar boas bases para futuras lideranças no Brasil.   Conta Black – Fundada por Sérgio All, que atuou com videogames e teve uma agência de comunicação, busca oferecer soluções de crédito para pessoas negras e seus negócios.   Parças Developer School – Diante do gap de profissionais de tecnologia e programadores e da falta de perspectivas para jovens egressos do sistema prisional e de regiões periféricas, Alan Almeida resolveu unir os dois desafios e capacitar essas pessoas para o mercado de trabalho.     Ricardo Meireles – Publisher do www.empreendabilidade.com.br

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