Estratégia federal para exportação mira nos pequenos negócios

Sebrae terá cadeira em comitê e irá ajudar na ampliação da participação de microempreendedores individuais (MEI) e micro e pequenas empresas no mercado internacional Relatório elaborado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostra que, em 2022, os pequenos negócios corresponderam a quase 41% das empresas que exportaram, mas abocanharam apenas 1% dos valores. Para ajudar os pequenos negócios a aumentarem a participação no mercado internacional, o Sebrae fará parte do Comitê Nacional para a Promoção da Cultura Exportadora, presidido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O Comitê é uma das ações previstas pela Política Nacional de Cultura Exportadora, lançada recentemente pelo governo federal. A participação do Sebrae servirá para ajudar na elaboração de ações que ampliem o número de negócios no mercado internacional e o valor negociado. Para o analista de competitividade do Sebrae Gustavo Reis, a iniciativa anunciada pelo governo federal pode reverter o quadro atual e colocar a cultura da exportação na agenda do pequeno negócio por meio da junção de esforços institucionais em prol de uma política pública voltada à internacionalização. “O Sebrae vai atuar no sentido de fomentar essa cultura exportadora, dizendo para esse pequeno negócio que a exportação, o comércio internacional, também é para ele. Junto com os parceiros, vamos criar formas de divulgar oportunidades no comércio internacional e de capacitação. Oferecemos suporte a esse empresário de forma organizada”, argumenta Reis. Ao comitê caberá elaborar relatório anual de implementação da política de cultura exportadora e monitorar as medidas estabelecidas. De um universo de 27.956 empreendimentos exportadores, os Microempreendedores Individuais (MEI) e as microempresas representavam 21,7% do total (6.068) e as empresas de pequeno porte (EPP) respondiam 19,1% (5.345). Apesar dos números ainda pouco expressivos, os pequenos negócios avançaram na internacionalização se comparado a dados de dez anos atrás, quando, do compilado de negócios exportadores (18.220), apenas 2.068 eram MEI ou microempresas (11,4%) e 3.037 eram EPP (16,7%). Política A Política Nacional de Cultura Exportadora tem entre seus objetivos melhorar as políticas públicas para as micro, pequenas e médias empresas. Além da criação do Comitê, o Decreto nº 11.593 amplia e aprimora as políticas voltadas para internacionalização e prevê a promoção das exportações e a disseminação da cultura exportadora; a capacitação e o treinamento para empresas interessadas na atividade de exportação; o compartilhamento de boas práticas; o fomento à participação em eventos de promoção comercial; a aproximação entre empresas exportadoras e instituições ofertantes de serviços relacionados à exportação; e a identificação de oportunidades para fomento da cultura exportadora e para exportação de produtos e serviços. Planejamento O analista do Sebrae enumera dois passos importantes para o empreendedor que está pensando em adentrar o mercado estrangeiro: o planejamento para a internacionalização, permitindo que o pequeno negócio consiga acessar esse mercado; e a escolha acertada do produto ou serviço mais competitivo lá fora. “O empresário vai enfrentar um mercado concorrencial muito maior, então tem de estar muito bem-preparado na entrega desse produto ou na prestação desse serviço e, principalmente, no pós-venda”, aconselha Gustavo Reis.

“Caminho para MPEs exportarem mais passa por ampliar cultura exportadora”, afirma Gustavo Reis do Sebrae

Pequenos empreendedores podem exportar? Segundo levantamento realizado pela secretaria de comércio exterior (Secex) do Governo Federal em parceria com o SEBRAE, quase 41% dos exportadores nacionais são microempreendedores individuais e Micro e Pequenas Empresas. Entre os anos de 2008 e 2022, a quantidade de pequenos negócios exportadores cresceu três vezes mais do que as médias e grandes empresas que vendem seus produtos e serviços para o exterior. Em entrevista para o podcast da agência Sebrae de notícias, Gustavo Reis, analista do Sebrae Nacional explica como a exportação pode ser um caminho interessante para o crescimento de negócios das MPEs. 1. Apesar de os números de pequenos negócios que atuam no comércio exterior ser alto, o volume de exportações é relativamente baixo. Pode explicar porque isso acontece? Gustavo Reis: Apesar de esse número de exportação das MPEs ser alto no contexto do comércio exterior, o valor baixo mostra uma necessidade de agregar mais valor às exportações. Então, aquele produto, aquele serviço, que consiga entregar um valor maior para o cliente, de repente uma tecnologia, um produto que resolve algum problema, alimento que vem com um diferencial, isso agrega valor, o Empresário passa a ganhar mais em cima daquele produto, ele começa a ampliar o seu mercado e ficar mais competitivo. Existe, sim, uma necessidade ainda de melhorar essa performance. É um desafio de médio e longo prazo, que o Sebrae, junto com outros parceiros, vem desenvolvendo para que a cultura exportadora faça parte do cotidiano do empresariado brasileiro. 2. Qual é a importância da participação dos pequenos negócios no mercado externo a importância da participação do pequeno negócio no mercado externo? GR: O primeiro passo é desmistificar o comércio exterior, para que outros empresários olhem para esse número e vejam que isso não é coisa só de grandes empresas, para commodities. Pequenos negócios e empresas de menor porte, que tenham produtos e serviços que são diferenciados, podem acessar esse mercado internacional. Isso pode acontecer através de uma exportação direta, como é o caso desses números apresentados, ou através de exportações indiretas, por trades comerciais, exportadoras, o exporta fácil… O número mostra que esse empresário vem mudando a mentalidade. 3. Quais são os principais desafios enfrentados pelos pequenos negócios no comércio exterior? Qual é a melhor forma de superá-los? GR: O principal desafio do pequeno negócio no comércio exterior, no caso na exportação, é posicionar o seu produto ou seu serviço da melhor maneira possível, uma vez que ele está exposto a uma concorrência maior. Então, vai ser super importante ele comunicar de forma adequada com seu cliente com seu mercado, achar bons parceiros comerciais, identificar melhores pontos de venda e melhores estratégias de inserção nesse mercado internacional. Os desafios são vários, mas isso não quer dizer que seja impossível. Existem processos manuais, formas de você conseguir acessar essas informações para que esse processo seja feito de forma sustentável.   4. O que é possível ser feito para que a participação dos pequenos negócios no comércio exterior possa avançar ainda mais? GR: O Brasil tem um desafio de inserir mais pequenos negócios na balança do Comércio Exterior. Mas, não só pequenos. Quando a gente olha a totalidade de empresas existentes no Brasil – que já passaram dos 15 milhões, em torno de quase 20 milhões de empresas – e você tem apenas 30 mil empresas exportadoras, isso é um desafio País, não só dos pequenos negócios. Então, o desafio passa a ser como é que a gente consegue criar regras que sejam mais fáceis, mais entendíveis, que não atrapalhem essa competitividade empresarial. Legislações que consigam chegar a todo tipo de empresa, todo porte. Financiamentos, porque a questão da exportação traz o desafio de deixar seu produto, seu serviço, seus processos, mais inovadores para chegar nesse mercado internacional de forma mais competitiva. Há a questão de baratear a logística, seja nos modais aéreo, terrestre ou naval. Como é que a gente consegue colocar mais pequenas empresas para que acessem de forma mais saudável, mais sustentável, os tipos de serviço às questões internacionais. O Brasil vem no movimento forte, com várias instituições trabalhando de forma conjunta e coordenada para que a gente consiga ultrapassar esse desafios. É o caso do próprio Sebrae, trabalhando junto com CNI, com Apex, com o governo federal, que vem construindo estratégias para que esse processo seja possível de ser atingido, de ser feito por pequenos negócios.   Fonte: Agência Sebrae de Notícias

Lide Lisboa: criação de empregos e melhoria do ambiente de negócios no Brasil

Autoridades e grandes empresários brasileiros demonstraram otimismo em adotar os pequenos negócios como base para o desenvolvimento socioeconômico do país   O segundo e último dia da Lide Brazil Conference teve como foco o desafio do Brasil de gerar empregos e perseguir o crescimento econômico para reduzir as desigualdades socais. O evento, que aconteceu nos dias 3 e 4, em Lisboa, reuniu centenas de líderes públicos e executivos para debater oportunidades de negócios em Portugal e na União Europeia. Representantes do governo brasileiro sinalizaram melhorias para o ambiente de negócios, enquanto renomados executivos, como Luiza Trajano e Abílio Diniz, elogiaram a capacidade do Sebrae em alavancar milhões de pequenos negócios brasileiros, considerados a principal força motora do país. O direcionamento dos painéis do Lide Conference para o desenvolvimento e a segurança social diz muito sobre a importância desse tema, ressaltou o presidente do Sebrae, Carlos Melles. “A palavra de ordem aqui foi a criação de empregos. O Sebrae está alinhado e pronto para contribuir com este processo”, cravou, destacando a imprescindibilidade do setor. Melles comemorou o convite da direção do Lide, para participar do Fórum de Empreendedorismo, a ser realizar em setembro, em Roma. “O Sebrae busca agora olhar para fora do Brasil e viabilizar a internacionalização da pequena empresa. O Fórum em Roma terá lugar num país onde 45% do PIB exportador é gerado pelos pequenos negócios. Este é um bom exemplo a ser seguido”, destacou Meles. O presidente do Sebrae, Carlos Melles, e o ministro do STF, Gilmar Mendes. (fotos: Fernando Donasci) O otimismo também deu o tom na fala da ministra de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: “Vamos garantir um melhor e mais seguro ambiente de negócios no Brasil, atuando em três pilares: transparência absoluta; arrumar a casa, sob o ponto de vista fiscal; e a reforma tributária”. O combate à fome e à segurança alimentar estiveram presentes nas falas de outros convidados neste sábado, como Abílio Diniz (presidente do Conselho da Península Participações); Giorgio Medda (CEO da Azimut Group Europa); Luiza Trajano (Presidente do Conselho do Magazine Luiza); Luiz Carlos Trabuco (Presidente do Conselho do Bradesco). Holofote para o Sebrae e para os pequenos negócios O Sebrae voltou a ser destaque no segundo e último dia da Lide Brazil Conference. Abílio Diniz comentou a maior agilidade dos pequenos negócios em relação às grandes empresas e reforçou que “a atuação do Sebrae é muito importante para direcionar esses empreendedores”. Por sua vez, Luiza Trajano se intitulou ‘garota propaganda’ do Sebrae, ao compartilhar o orgulho da parceria firmada com a Magazine Luiza, abrindo as portas do market place da Magalu para as MPE aumentarem suas vendas, inclusive permitindo exportar para Portugal e outros países da Europa. Também presente na Conferência, o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, comentou a importância das micro e pequenas empresas para a economia fluminense. Segundo ele, sua gestão vem adotando medidas benéficas para o segmento, como a redução da carga tributária, a digitalização de serviços públicos estaduais e a redução do tempo de abertura de empresas no estado para apenas 25 minutos. Sob essa ótica, Castro destacou o papel do Sebrae em capturar a real vocação do empreendedor a partir das potencialidades econômicas de cada região do país. “O Sebrae faz este papel com excelência”, sinalizou. A visão foi reforçada pelo presidente da Febraban, Isaac Sidney: “O Sebrae é um ente que se relaciona com todos os governos e tem capacidade de dar escala a muitas empresas, que passam a poder se alavancar”.

Cachaçaria aposta em bebidas com diamante por R$13 mil

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), entre janeiro e novembro desse ano, foram US$ 18,47 milhões exportados, o maior volume dos últimos 12 anos Uma bebida que surgiu no Brasil entre os anos de 1516 e 1532 e que além de conseguir se manter no terceiro lugar no ranking de destilados mais consumidos no mundo até hoje, tem conquistado cada vez mais outros países. Estamos falando da cachaça, bebida que bateu recorde de exportação em 2022, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac). Entre janeiro e novembro desse ano, foram US$ 18,47 milhões exportados, o maior volume dos últimos 12 anos. Além disso, no comparativo com o ano passado, houve um crescimento de 54,74% na exportação da bebida. O Brasil hoje conta com mais de 6 mil marcas de cachaças espalhadas por todo o país. E para conseguir o feito de se tornar um destilado respeitado mundo afora mesmo competindo com grandes marcas e bebidas clássicas, as marcas nacionais tiveram que apostar em inovação e receitas elaboradas. “Até então, quando o assunto era cachaça, as pessoas só pensavam em uma bebida industrializada e de baixo custo. Hoje, com a popularização das marcas artesanais, os consumidores tem um outro olhar sobre ela, e esse diferencial acabou atraindo consumidores de outros países”, explica o diretor da Weber Haus, Evandro Weber. A empresa localizada em Ivoti, no Rio Grande do Sul, existe desde 1848, mas foi quando os netos do criador da marca decidiram criar a marca Weber Haus, em 2001, é que o conceito de criação de uma cachaça mudou completamente. “Com a virada do milênio nossa ideia foi renovar tudo, mudar as embalagens, apostar em novas receitas e em uma nova forma de apresentar as bebidas”, pontua Weber. A mudança gerou frutos, e fez com que a empresa ganhasse o mercado internacional. Hoje, as cachaças da Weber Haus são comercializadas na Alemanha, Japão, Bélgica e Inglaterra. Um dos diferenciais da empresa foi apostar em cachaças como se fossem um artigo de luxo para colecionadores e até uma alternativa de investimento rentável. A cachaça Weber Haus extra premium 12 anos foi lançada em 2013, e além de ter sido envelhecida seis anos em barricas de carvalho francês e seis anos em barricas de balsamo, ela é vendida em uma luxuosa caixa customizada em edição limitada de apenas duas mil garrafas. “No ano em que ela foi lançada, ela custava R$700,00, e agora ela custa R$2.700,00, sendo comercializada no varejo por até R$3.600,00, ou seja, em nove anos, ela teve uma valorização de 520%”, explica Weber. Seu outro artigo cobiçado pelos amantes da cachaça é a Weber Haus Diamant 21 years old. Numerada em 1.000 garrafas, ela foi colocada nos melhores tóneis da marca em 2000, e só foi tirada em 2021. A bebida vem em uma garrafa no formato de diamante em um estojo de madeira espelhado. A versão com um diamante de 3,65mm incrustado na garrafa custa R$ 12.948,00 e a versão simples sai por R$ 8.948,00. A garrafa de número 0001 foi leiloada por R$66.948,00. Nova fábrica sustentável Com o objetivo de conseguir produzir o volume necessário para atender o mercado externo, a Weber Haus começou esse ano o projeto de uma nova fábrica na cidade de Ivoti. O investimento do projeto que deve levar aproximadamente 10 anos é de R$35 milhões. A nova fábrica será totalmente 4.0, automatizada, e com foco na sustentabilidade. “Nós utilizamos o bagaço, a palha e o caldo que sobra da destilação na produção de um composto que é utilizado como adubo na plantação da cana-de-açúcar”, explica Weber. Hoje, a Weber Haus costuma moer 12 toneladas de cana, e com esse novo projeto, vai ampliar mais 100 toneladas. Além do projeto da nova fábrica, esse ano, a Weber Haus decidiu criar o setor de inovação. Com o objetivo de evitar perdas ou prejuízos por conta de decisões precipitadas, a destilaria adotou uma ferramenta utilizada pela Nasa em seus projetos.

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