Brasileiros no exterior terão apoio para empreender fora do país

Medida do Ministério das Relações Exteriores pretende estimular as exportações brasileiras. Projeto piloto na Irlanda contará com apoio do Sebrae O Brasil tem cerca de 4,5 milhões de brasileiros vivendo atualmente fora do país. Segundo o embaixador Luís Gorgulho Fernandes, Secretário de Comunidades Brasileiras e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores (MRE), desse contingente, pelo menos 70% vivem nos Estados Unidos e Europa. “Esses brasileiros precisam de apoio para empreender. E o que é interessante é que os negócios que estão criando são voltados para atender os brasileiros que vivem lá”, explicou. O projeto piloto será lançado nos próximos meses na Irlanda e terá como objetivo principal apoiar esses emigrantes que vivem no país e querem empreender. “Sabemos que estamos vivendo um outro momento, com uma política externa renovada e mais solidária. Por isso, estar com o Itamaraty é estar com o Brasil”, destacou o presidente do Sebrae, Décio Lima. Na ocasião ele lembrou que os pequenos negócios representam 99% de todos os empreendimentos brasileiros, respondem por quase 30% do PIB e 54% dos empregos com carteira assinada. Reunião do presidente do Sebrae, Décio Lima, com os embaixadores Luís Gorgulho Fernandes e Laudemar Aguiar. (Fotos: Larissa Oak) O Embaixador Laudemar Aguiar, secretário de Promoção Comercial do MRE, declarou que ao apoiar os empresários que querem empreender no exterior, o Sebrae também ajudará nas exportações do país, pois os negócios são voltados para a comunidade brasileira, que sempre busca consumir os produtos que lembrem o gostinho de casa. “Por isso, a importação é uma consequência lógica dos negócios gerados”, explicou o Embaixador. O presidente do Sebrae destacou a importância dessa ação, que vai representar também a ampliação da exportação do país. “O ramo desses negócios está concentrado, em especial, nas áreas da alimentação e beleza. Isso representará resultados práticos para os empresários de pequenos negócios”, concluiu Décio. Para dar início a esta nova fase da parceria do Sebrae com o MRE, já está disponível para os membros da comunidade brasileira que querem retornar ao país e empreender, o Portal Sebrae no Mundo. A plataforma pode ser utilizada, com os conteúdos disponibilizados em inglês e espanhol, como ferramenta de soluções empresariais em iniciativas de cooperação técnica. Empreendabilidade Comenta O número de brasileiros que moram fora do país cresceu aproximadamente 38,5% em 12 anos, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores. Em 2009, a comunidade brasileira no exterior somava pouco mais de 3,18 milhões de indivíduos. Em 2021, esse número já passava dos 4,4 milhões. Um dos maiores desafios do imigrante é, justamente, encontrar estabilidade em um novo país, documentação e diversos outros fatores influenciam na busca por emprego. A iniciativa de apoiar brasileiros que moram no exterior a empreender é fundamental, pois incentiva o empreendedorismo e garante a subsistência dessas pessoas que buscaram começar a vida do zero em outro lugar. Se adaptar à cultura do país, dominar o idioma, criar uma rede de contatos e clientes e se familiarizar com o regime tributário do país são pontos fundamentais para empreendedor brasileiro no exterior. Portanto, ter um órgão como o Sebrae, atuando em conjunto com o Ministério de Relações Exteriores fortalece o empreendedorismo e motiva os brasileiros mundo afora.
Levar franquia brasileira para os Estados Unidos: Vantagens e cuidados que devem ser considerados

A primeira assinatura de contrato no modelo de franquia aconteceu em 1850, nos Estados Unidos. A fabricante de máquinas de costura Singer estendeu a venda dos seus produtos em todo o solo nacional, expandindo sua marca com um baixo investimento. Com o movimento, outras empresas passaram a adotar esse sistema, como as gigantes Coca-Cola e McDonalds’s. O formato é um dos mais seguros, otimizados e efetivos para empreendimentos. Com isso, muitas pessoas consideram a hipótese de levar suas marcas para o exterior e, de acordo com a Associação Brasileira de Franquias, os Estados Unidos é o principal destino dessas franquias. De acordo com Daniel Toledo, advogado que atua na área do Direito Internacional, fundador da Toledo e Associados e sócio do LeeToledo PLLC, escritório de advocacia internacional com unidades no Brasil e nos Estados Unidos, o ponto mais importante ao levar uma franquia para os EUA é analisar com cautela a escolha de onde esse empreendimento será aberto. “Cada estado tem uma característica e sua população tem costumes que podem decidir o sucesso ou fracasso de um negócio. Abrir uma franquia de um restaurante brasileiro, por exemplo, em um estado que não conta com uma população do Brasil, será mais difícil de estruturar e solidificar o negócio se comparado a um estado que conta com uma grande comunidade brasileira”, pontua. Ele acredita que a escolha do nicho de atuação também é de grande importância na hora de levar uma franquia para os EUA. “Seguindo o exemplo de um restaurante, a comida brasileira, normalmente, está muito distante da realidade do dinamismo encontrado nos Estados Unidos. Muitas pessoas costumam comer rápido, porque os pagamentos são efetuados por horas trabalhadas. Ir a uma churrascaria ou comer uma feijoada não é algo feito diariamente por aqui e isto pode ser um problema para o negócio nesse segmento. É importante estudar e entender o público americano na hora de escolher que tipo de franquia será levada ao país”. Para o advogado, trazer um negócio para os Estados Unidos aumenta as chances de lucro e expansão. Algumas franquias brasileiras foram para os Estados Unidos, porém não alcançaram o mesmo sucesso que possuem em solo nacional. “A falta de planejamento e altos investimentos sem orientação especializada fizeram com que grandes redes, como Coco Bambu e Girafas, cessassem suas operações nos EUA”, explica. “Mas, além de ser uma excelente possibilidade para a aprovação de um visto, pode ser uma boa opção para aumentar os ganhos e dolarizar o próprio patrimônio”, lembra o especialista De acordo com Toledo, o melhor caminho é apresentar um plano de negócios a um advogado para, assim, encontrar as alternativas mais eficientes. “Escolher a franquia certa para levar aos Estados Unidos é algo crucial, e um profissional poderá indicar os melhores perfis de franqueadoras para apresentar à população americana”.