Do Investment Banking à Inovação: O Papel da Captação na Construção da Nova Economia

Por Gabriel Prats*   Durante anos, atuei em bancos de investimento globais, estruturando transações complexas que movimentaram bilhões de dólares e moldaram setores estratégicos da economia. Essa experiência me permitiu enxergar de perto um aspecto fundamental da inovação: nenhuma ideia, por mais transformadora que seja, prospera sem acesso a capital. O ecossistema de inovação é movido por ciência, mas sustentado por finanças. Startups e scale-ups enfrentam um caminho árduo para transformar descobertas em negócios sustentáveis, e é nesse ponto que a expertise em captação de recursos e estruturação financeira faz toda a diferença. Ao longo da minha trajetória, percebi que há três fatores críticos para o sucesso na intersecção entre finanças e inovação: Clareza na tese de investimento – Investidores precisam compreender rapidamente o problema que a empresa resolve, o tamanho do mercado e o diferencial competitivo. Traduzir ciência em uma narrativa de negócios sólida é um dos maiores desafios para empreendedores técnicos. Estruturação eficiente da operação – Transações bem-sucedidas exigem planejamento jurídico, regulatório e estratégico. Isso envolve desde a escolha do veículo societário até a forma de governança e compliance. Alinhamento entre investidores e fundadores – Mais do que dinheiro, investidores aportam visão, rede de contatos e capacidade de execução. O “capital inteligente” é o que acelera empresas inovadoras para além das fronteiras locais. Hoje, na Nortian Biotech, coloco em prática esse aprendizado. Ao lado do time de cientistas e engenheiros, ajudo a traduzir tecnologia em projetos que dialogam com o mercado de capitais, atraem investidores estratégicos e conquistam o apoio de governos locais. Recentemente, conquistamos investimentos significativos e apoio institucional nos Estados Unidos para expandir nossa capacidade produtiva e gerar empregos em setores de alta tecnologia. Esse movimento deixa clara uma mensagem: inovação só se sustenta com a ponte entre ciência e finanças. O Brasil, com sua base científica robusta e vocação empreendedora, tem uma oportunidade única de ocupar uma posição de protagonismo global nesse cenário. O desafio é criar um ambiente que una empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas em torno de um objetivo comum: transformar conhecimento em impacto econômico, social e ambiental. Assim como aprendi nos bancos de investimento e agora vivencio no empreendedorismo em biotecnologia, sei que o futuro será construído por aqueles que dominarem essa arte: mobilizar capital para acelerar inovação. *Gabriel Prats é formado em Administração pela FGV e possui experiência prévia em Investment Banking, com passagens pelo Credit Suisse e Morgan Stanley.

PMEs inovadoras participam do Startup Summit 2023 em busca de investimentos e parcerias

A partir de hoje (23) até sexta-feira (25), 180 startups de todo o Brasil estarão na 6ª edição do Startup Summit, em Florianópolis (SC). A convite do Sebrae, as empresas foram selecionadas para participar do estande Capital Empreendedor, espaço onde vão ter a oportunidade de expor seus negócios para um público estimado em 10 mil pessoas. Além disso, elas poderão fazer conexões com os principais players de inovação do país, acompanhar palestras com grandes nomes do mercado do empreendedorismo inovador e ainda, participar de um Circuito de Investimentos com pelo menos 91 investidores já confirmados. O coordenador de Acesso a Crédito e Investimentos do Sebrae Nacional, Giovanni Beviláqua, explica que a seleção das startups levou em consideração o nível de maturidade das empresas para o estágio de financiamento via investimentos. Segundo ele, são pequenos negócios inovadores que em algum momento de seu desenvolvimento precisam de financiamentos, seja via crédito ou via investimentos. “São startups que participaram do Capital Empreendedor, programa que prepara pequenos negócios inovadores para se conectarem com o mercado de investimentos, mas também foram aceleradas em outras iniciativas do Sebrae, como o Inova Amazônia, o Catalisa ICT e o Startup Nordeste. Nossa atuação visa dar suporte desde a concepção do negócio até o financiamento de suas atividades e desenvolvimento”, esclarece o coordenador.   As 180 startups, selecionadas pelo Sebrae, representam o empreendedorismo inovador de todas as regiões brasileiras. Elas são oriundas de 21 estados do país, sendo a maioria do segmento de Saúde e Bem-estar, de Tecnologia da Informação e de Educação. O grupo também faz do Programa K+, que levará ao todo, mil startups totalmente de graça para o Startup Summit 2023. O CEO da Ayo, Iuri Magno. A empresa desenvolveu um app conecta empresas e entregadores parceiros. Foto: arquivo pessoal.   Da região Nordeste, por exemplo, partem 39 startups rumo à capital catarinense. Uma delas é a Ayo, uma logtech de Sergipe, que nasceu em plena pandemia da Covid-19 e transformou seu modelo de negócio durante o Capital Empreendedor. Antes disso, startup atuava apenas como um aplicativo de transporte interestadual, mas atualmente é um app que conecta empresas e entregadores parceiros, no chamado last mile, ou seja, no último trecho da entrega. Com clientes em Sergipe e Paraíba, a empresa recentemente chegou à Vila Velha, no Espírito Santo, e se prepara para enfrentar novos desafios. “Saímos de zero entregas em 2021 e hoje já alcançamos 150 mil entregas pela empresa, após a experiência no Capital Empreendedor. Estamos preparados para captar investimentos e expandir nossa operação. Já atingimos o breaking even e estamos com a rodada de investimentos aberta. Também vamos dispostos a fechar parcerias com grandes empresas de franquia ou corporações por todo o Brasil”, conta oAyo, Iuri Magno. Considerada uma das 100 empresas mais promissoras do Brasil, em 2022, de acordo com a lista elaborada por Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Época Negócios, EloGroup e Innovc, a startup Fiscontech, de Rondônia, será uma das empresas representantes do ecossistema de inovação da região Norte no estande do Capital Empreendedor. Com atuação nacional, a Fiscontech é responsável por uma plataforma especializada em automação de tarefas e processos fiscais e tributários, auxiliando na redução de custos de operações contábeis. Atualmente, a empresa encontra-se na fase “seed” e se prepara para abrir uma nova rodada de investimentos. De acordo com o CEO Alex Leite, as expectativas para a edição deste ano do Startup Summit incluem muito networking com investidores e potenciais parceiros, além de atualização de conhecimentos. “Queremos nos aproximar de investidores para uma próxima rodada de investimento e também buscar parceiros estratégicos. Pretendemos expandir a Fiscontech tanto do ponto de vista de novos produtos quando do crescimento do negócio”, considera Alex. Quando participou do Capital Empreendedor em 2021, a empresa ainda era “pré-seed” e foi uma das startups que conseguiram captar investimentos durante o programa. “Nós evoluímos muito como negócio, como produto e como pessoas. Eu diria que o Capital Empreendedor foi um divisor de águas para nós. Nosso time mais que dobrou, nossos clientes triplicaram e de lá para cá tivemos muito resultados positivos”, avalia Alex.   Serviço: Startup Summit 2023 Data: 23, 24 e 25 de agosto Onde: Presencial no Centrosul – Centro de Convenções em Florianópolis (SC) e online (com acesso gratuito a palestras da plenária principal) Mais informações aqui.  

Itaú emite R$ 2 bi para apoiar empreendedoras

Programa, que já apoiou 28 mil mulheres, faz parte da estratégia ESG do Itaú   O Itaú Unibanco (ITUB4) comunicou ao mercado nesta quinta-feira (2) que emitiu R$ 2 bilhões em Letras Financeiras (LF) Sociais, conhecido como “social bonds”, para apoiar o empreendedorismo feminino no Brasil.   Desse total, R$ 1 bilhão foi captado com a International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, e uma segunda rodada, de mais R$ 1 bilhão, foi captada junto ao mercado.   Segundo o comunicado, a operação, que foi feita sob o Framework de Finanças Sustentáveis do banco e faz parte da estratégia ESG do Itaú, conecta-se ao Programa Itaú Mulher Empreendedora, que apoia e fomenta o desenvolvimento de negócios liderados por mulheres por meio de iniciativas de aceleração e programas de capacitação e networking.   “A emissão de Letras Financeiras atreladas a benefícios sociais, assim como a ambientais e de governança, reflete o nosso compromisso para geração de impacto positivo, além de evidenciar o apetite crescente dos investidores por esse tipo de título de dívida”, diz o banco. O programa já apoiou mais de 28 mil mulheres a se profissionalizarem para gerir melhor os seus negócios.

Empresários defendem a união do Brasil em prol do crescimento

Em evento do Credit Suisse, Rubens Menin, Abilio Diniz e João Camargo cobraram segurança jurídica no país para atrair investimentos e novos negócios O empresário Rubens Menin, presidente da MRV Engenharia, afirmou nesta terça-feira (31) que é preciso união no país para que o Brasil possa voltar a crescer. “Não se faz uma grande nação sem união. Que tenhamos mais ideais comuns em 2023. É preciso melhorar o ambiente de negócios no Brasil para que a gente consiga surfar”, ressalta o fundador da CNN Brasil e do Banco Inter. Em evento organizado pelo Credit Suisse, na zona sul de São Paulo, o empresário Abilio Diniz, da Península e do Carrefour, cobrou segurança jurídica para que os empreendedores tenham condições de fazer novos negócios. “Investidor quer segurança jurídica. Se for julgado, que seja pela lei. Que haja segurança ambiental e também política, se tiver isso, o dinheiro vem para cá”, disse. O painel “Brasil: os próximos 10 anos” foi mediado por João Camargo, executive chairman da CNN Brasil e presidente do Conselho da Esfera Brasil. Ele destacou o quanto os contribuintes serão prejudicados com o retorno do voto de qualidade do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), proposta apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “A Receita poderá votar duas vezes. Cobra de quem paga imposto e não vai atrás do sonegador. Ao achar estranho o planejamento tributário de uma empresa, ela solta um auto de infração estratosférico. Isso atrapalha o balanço da empresa, diminui o rating de classificação e ela carrega isso por 7 anos até chegar ao Carf”, explica João Camargo Rubens Menin também se mostrou contrário à volta do voto de qualidade e afirmou que a medida traz insegurança jurídica, ainda mais em um país com a complexidade tributária e de legislação do Brasil: “Carrega a espada na cabeça e a flecha no balanço da empresa. É um retrocesso”, conclui. Reforma Tributária No painel, os empresários defenderam a realização de uma reforma tributária, de preferência, acompanhada da reforma administrativa, para reduzir o tamanho do Estado e os gastos. “A carga tributária chegou ao limite. Temos que melhorar a base de arrecadação e simplificar, como é nos Estados Unidos. Aqui temos guerra fiscal entre os estados. Dificilmente sairá uma reforma ampla. O Estado precisa ser menor e gastar menos. Isso já pensando lá na frente em como diminuir os impostos”, destaca Menin. Juros e Banco Central Já Abilio Diniz lembrou que a alta taxa de juros é prejudicial sobretudo às classes mais vulneráveis. “O Banco Central deveria começar a baixar as taxas. O que a inflação nos ensinou é que ela é mortal para as classes menos favorecidas. Mas avançamos, a inflação foi de 13% para 6% em seis meses, mas está voltando, não é mais cadente. Isso é perigoso e um momento complicado para empreender”, ressalta. O executivo da MRV se disse favorável à independência do Banco Central por entender que os juros não são a causa, mas a consequência do status interno. “Os juros são altíssimos no Brasil. Isso sangra as famílias, as empresas, o desenvolvimento. É preciso baixar os juros de forma sustentável, criar as condições”, pontua. Investimentos Apesar da guerra da Ucrânia, Diniz foi otimista em relação ao cenário mundial e lembrou a reabertura da China, que é um grande importador. O empresário ressaltou também que o Brasil é um país atraente para o mercado, com 200 milhões de habitantes e avanços tecnológicos, mas cobrou mais investimentos. “Tínhamos 25% do PIB em investimentos. Caiu para menos de 20% e a maior parte do dinheiro vem da iniciativa privada. Temos que ter investimento em gestão e educação. Tem que olhar para o ensino básico, para as crianças”, afirma. Entre as oportunidades de negócios que possam atrair capital para o Brasil estão os setores de saneamento básico e a infraestrutura, entre eles aeroportos e ferrovias. Desigualdade Os empresários pontuaram que o Brasil precisa reduzir a desigualdade social para crescer, com geração de emprego. A filantropia foi uma das soluções apresentadas.

Investimentos em startups caem pela metade em 2022

Falar que 2022 foi um ano ruim para as startups brasileiras não é nenhuma novidade. Entretanto, os números nos dão uma ideia do quão ruim as coisas ficaram no ano passado, quando a festa de investimentos que marcou 2021 esbarrou em um cenário econômico dos mais complexos. Segundo levantou a consultoria Sling Hub, o Brasil viu o seu volume total de investimentos em startups cair por mais da metade. Foram US$ 5,2 bilhões em valores aportados – em 2021 o volume total foi de US$ 10,5 bilhões. A retração do mercado brasileiro foi muito superior ao percentual de queda da América Latina como um todo, que foi de 35%, caindo de US$ 18,4 bilhões para US$ 12 bilhões em aportes. Analisando mais detalhadamente o relatório da Sling Hub, é possível ver que a queda foi puxada principalmente pelas falta de rodadas mais altas. Por exemplo, se em 2021 o Brasil viu 47 rodadas em que startups levantaram quantias acima de US$ 50 milhões, em 2022 foram apenas 26. Na América Latina, rodadas com este montante caíram de 93 para 62. Por outro lado, na faixa de US$ 1 milhão a US$ 5 milhões (seed e série A), as startups brasileiras e latinoamericanas não tiveram tanto do que reclamar no ano passado. No caso de aportes seed, o saldo geral foi até de crescimento. No Brasil foram 148 rodadas (ante 141 em 2021) e na América Latina foram 283 – em 2021 foram 238. Quanto aos valores médios de rodadas, investimentos anjo e seed viram os valores aumentarem – no caso do seed, a média de aporte ficou em US$ 2 milhões no Brasil, um crescimento de mais de 50% sobre a média de US$ 1,3 milhão em 2021. As roddadas de venture debt também cresceram consideravelmente, saindo de uma média de US$ 11,4 milhões no Brasil, para US$ 57 milhões. “Enquanto em 2021 a rodada média de todas as fases macro (exceto a série C) cresceu, em 2022 o cenário foi mais dividido. A dívida teve o maior aumento (2x) – especialmente no Brasil (5x) – seguido por pré-seed, equity crowdfunding e anjo (1,8x) e semente (1,5x). Os resultados de Série C foram estáveis, e as demais etapas todas encolheram, com os mais dramáticos resultados estando nas rodadas da série D+, um pouco acima da metade do que foi visto em 2021”, afirma a Sling Hub no relatório. Falando de tipos de startups, quem mais sentiu o baque em 2022 foram as fintechs. No Brasil, o volume de investimentos nestas startups despencou de US$ 4,1 bllhão para US$ 2,3 bilhões. Na América Latina a retração foi de US$ 8 bilhões para US$ 5,5 bilhões. Mas a queda mais violenta foi a das proptechs no Brasil: depois de um 2021 estelar, com US$ 1,2 bilhão em investimentos, as proptechs brasileiras amargaram apenas US$ 176 milhões em aporte em 2022. Unicórnio é o novo panda? Todo mundo fala que unicórnio é um animal raro, mas 2021 foi uma loucura. Na América Latina, foram 21 novas startups bilionárias – entre elas 10 brasileiras. Já em 2022, foi difícil ver o nascimento de novos unicórnios, tanto que lembrou outro animal que também tem muitas dificuldades em gerar novos exemplares de sua espécie: o panda. Há também a discussão sobre startups serem outro animal, o camelo. Em 2022 foram apenas 10 unicórnios latinos, entre eles só duas empresas brasileiras, a Neon e a Dock. México liderou com quatro (Jeeves, Nowports, Stori e Yaydoo), Chile trouxe a Betterfly, Argentina foi representada pela Technisys, Equador teve a fintech Kushki e Colômbia fechou a lista com a proptech Habi. No cenário geral latino-americano, houve queda em fusões e aquisições (de 343 para 299). Entretanto, o Brasil teve um aumento leve nesse tipo de transação, pulando de 229 para 236 M&As, puxado por fintechs, healthtechs e deep techs.   Fonte: Startups.com.br com reportagem de Leandro Souza.

O que a taxa Selic tem a ver com o mundo das Startups? Tudo, inclusive que elas podem ser bons ativos

(Crédito: pexels-tima-miroshnichenko)   O mercado vem acompanhando desde o segundo trimestre uma redução de capital disponível para startups. O saldo de demissões em consequência disso, estima-se, ultrapassa mais de mil pessoas – isso nos números oficiais. Na boca miúda, alguns falam que chega ao dobro. A redução ocorre principalmente em unicórnios (startups que valem mais de US$ 1 bilhão) e em reconhecidas companhias inovadoras – na lista, estão 5 Andar, Loft, LivUp, Facily, VTex, Olist, Paypal, Kavak, Favo (que fechou as operações no Brasil) entre outras. Um dos aspectos que mais influenciou a diminuição de recursos e a concentração de caixa em operações “lean” – usando um termo comum para os startupeiros – e a cobrança de resultados é que o dinheiro está mais caro. Nas palavras de Amure Pinho, da Investidores.vc, é hora de “hold your horses” (segurem os seus cavalos), ou seja, de ter gastos mais racionais, planejados e sensatos. O anúncio do Copom ao fim da reunião de 03 de agosto, de aumento da taxa de juros Selic para 13,75% e de prolongamento do horizonte de inflação para até 2024 pegou o mercado financeiro de calça curta: esperava-se que o ciclo de juros se encerrasse por agora, mas com esse novo cenário as expectativas mais otimistas são de mais um ou dois ajustes, com teto de 14% ou 14,25%. Isso significa que o céu está retrógrado para as startups? Na verdade, não. Só significa que acabou a festa do dinheiro fácil e que o modelo de que quem tem mais dinheiro vai chegar mais longe precisa ser revisto. Como manda a natureza, quem vai mais longe é quem sabe se adaptar. E, no que diz respeito a empresas que precisam entregar resultados e dar retorno aos investidores isso pode significar um grande salto de maturidade. Ao mesmo tempo, do lado dos investidores, significa olhar para os ativos de outra forma. Voltando ao conceito de Startups,  a definição mais atual diz respeito a “um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza”. Ora, se parte de uma tese sobre uma solução, para resolver um problema, que tem que se provar sustentável. É aí que entra a queima do dinheiro, pois a coisa acontece em tempo real: de MVP a ajustes de rota, testes de campo e de narrativas. Tudo isso em busca de um negócio que se prove lucrativo ou sustentável. Como tudo que envolve tecnologia, as mudanças são rápidas. Nos últimos 10 anos, evoluiu-se para um framework e jornada que mostra se o negócio pode dar certo ou não, ou se tem mais chances de dar certo ou não. Um dos aspectos é a escalabilidade, o outro é procurar resolver um problema com tecnologia que não seria resolvido se a tecnologia não existisse (quem imaginaria os meios de pagamento como são hoje há 20 anos atrás, quando se discutia que o Vale Refeição e Alimentação, que era em papel, passava a ser em cartão?), buscando algum ineditismo. Entre tantos outros aspectos, o modelo de negócios é o que dirá como a startup vai gerar valor, ou seja, vai transformar o que faz em dinheiro. E a repetição disso, gerar escala, tem que ter custo barato. O quão lucrativo o negócio é, no fim das contas, vem da velha planilha custos X receita.   Investimentos Alternativos Voltando para o mercado financeiro, cuja vida é de incertezas, uma carteira formada por startups poderia dar certo? Tudo leva a crer que sim. Dois casos já contados pela Investidores.vc para o Valor Pipeline mostram que o Pool liderado por Amure Pinho tem uma tese e, por mais risco que estejam dispostos a tomar pela própria natureza do modelo de startups, há certo conservadorismo na análise dos potenciais ativos. Um dos casos foi a venda da Gama Academy para a Anima Educação, que deu retorno de 21 vezes o valor investido. A aquisição da Bagy pela Locaweb resultou em 17 vezes o aporte. Num contexto onde fundos tradicionais, com gestores experientes, vem dando retornos de longuíssimo prazo, ou sofreram na pandemia, ou, ainda, têm experimentado uma fuga de capital visto a variedade de ativos disponíveis no mercado, esse tipo de investimento pode se popularizar, basta se consolidar o conceito – ora, o mercado crypto conseguiu. Na Investidores.vc, a média de alocação é de 5% do capital investido dos membros. “A gente quer transformar esse negócio numa coisa cada vez mais digital e criar modelos preditivos de análise de empresas”, afirmou Amure Pinho para o Pipeline. O Mercado Bitcoin, exchange brasileira de cryptos e tokens, já sinalizou a possibilidade de lançar uma bolsa de startups. Já existem os equity crowdfunding, regulamentados pela CVM, e que estão disponíveis em plataformas como a Bloxs ou a Captable, que fazem rodadas de investimentos e captação para ativos reais como mercado imobiliário, geração de energia e outros, e alguns ativos alternativos como é o caso da Prosolutti Capital, que antecipa recebíveis de processos judiciais e se monetiza quando o caso é encerrado, resolvendo o problema de quem precisa de um dinheiro antecipado e está esperando a solução da justiça. Ou seja, o dinheiro pode estar caro, mas, ter ideias e mostrar para os investidores que pode se obter retorno com elas ainda é um bom negócio. E, enquanto uns choram, outros vendem lenços.   Ricardo Meireles – Publisher do Empreendabilidade É consultor e estrategista de conteúdo, gestão de conhecimento e relações com stakeholders. Comunicador pela UNIFACS (2002), especializado em Estratégia e Planejamento (Miami Ad School/2017), pós-graduado em Economia (FGV/2018) e certificado em Branding (Insper/2018). Também é sócio-fundador da Pandora Comunicação.

Mais de 90% das empresas querem investir em startups

Pesquisa da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) mostra o cenário do investimento corporativo em startups no país Por Maria Clara Dias | Exame Publicado em 02/02/2022 Com a pandemia deixando as empresas de cabelo em pé na busca por soluções para atender o público e, ao mesmo tempo, manter a eficiência, a inovação que vem das startups tem sido mais do que bem-vinda. Nesse cenário, o investimento feito por empresas em startups, o chamado corporate venture capital (ou CVC), tem crescido a um ritmo considerável e 61% das empresas brasileiras já têm algum tipo de iniciativa. Entre as que não têm, 92% já estão de olho nisso. Os dados são da pesquisa “Corporate Venture Capital no Brasil”, elaborada pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) e seu recém-lançado comitê dedicado ao assunto. Em 2015, o número de iniciativas de investimento corporativo ainda era incipiente, mas a reviravolta causada pela pandemia e a digitalização acelerada dos negócios reverteu esse cenário. O relatório mostra que mais da metade (55%) das iniciativas empresariais de investimento em startups surgiu nos últimos dois anos. Para chegar ao resultado, a ABVCAP analisou as respostas de mais de 30 empresas associadas. Na esteira da digitalização dos negócios, o modelo Corporate Venture Capital é cada vez mais procurado por empresas que querem acelerar empreendedores e, em contrapartida, criar conexões com ideias e soluções que beneficiem o negócio. Muitas companhias criam novas verticais estratégicas e ambientes de testes a partir do investimento em startups. Essa decisão é o que leva 75% das empresas a declarar que possuem objetivos mistos (financeiros e estratégicos) ao criarem braços de CVC. “Foi realmente uma surpresa”, diz Sandro Valeri, coordenador do Comitê de CVC da ABVCAP. “Imaginávamos que empresas ainda consideravam apenas o resultado financeiro como benefício do CVC, mas a situação é diferente, e já há uma visão de longo prazo”. De acordo com Valeri, a maturidade do ecossistema de inovação brasileiro também contribui para o bom momento do CVC no país. Em 2021, o mercado de investimento de risco em startups movimentou volume recorde e o Brasil teve 11 novos unicórnios — a conjuntura inspira empresas a copiar a bem-sucedida ideia de fomentar pequenas companhias de base tecnológica. A pesquisa mostra que os valores comprometidos pelas empresas em iniciativas de Corporate Venture Capital ainda são tímidos. Cerca de metade dos CVCs têm menos de R$ 100 milhões investidos, enquanto apenas 30% afirmam possuir mais de R$ 100 milhões alocados em fundos e iniciativas para esse fim. A justificativa, mais uma vez, está no fato dos CVCs brasileiros ainda serem recentes. A mesma lógica se aplica ao analisar a quantidade de exits concluídos (última etapa do investimento): 80% das empresas ainda não realizaram nenhuma saída. “É comum, afinal, essas empresas ainda não concluíram o ciclo de investimento”, diz Valeri. De acordo com a ABVCAP, o ciclo médio de investimento de empresas em startups dura de cinco a dez anos. O futuro do CVC Daqui para a frente, a tendência é que a indústria de CVC abandone o status de “nascente” para “pujante”. A expectativa é de que o número de iniciativas de Corporate Venture Capital cresça na casa “das dezenas” em 2022, segundo Rosario Cannata, coordenador do Comitê de CVC da ABVCAP. “Isso acontecerá porque as iniciativas de CVC irão equilibrar o desejo de grandes empresas por resultados imediatos e estratégias de longo prazo”. Segundo os especialistas da ABVCAP, as quantias comprometidas para iniciativas de CVC também devem crescer, na medida em que o ritmo de expansão das startups continua acelerado e as próprias iniciativas corporativas ganham mais solidez da porta para dentro. “Hoje vemos que esse valor é pouco, mas as quantias baixas estão associadas ao risco, porque empresas não podem comprometer muito capital em iniciativas recentes”, diz Cannata. “No futuro, essa quantia será bem maior”. Ao que tudo indica, a aversão ao risco também deixará de ser uma realidade. Hoje, a maioria das startups investidas por braços de CVC estão em estágios iniciais de desenvolvimento, em rodadas Pré-Seed, Seed, e série A e B, com valores que chegam aos R$ 10 milhões. O cenário, segundo a ABVCAP, deve mudar. “A convivência com esse modelo, o grande número de projetos e os bons resultados vão motivar a chegada do CVC a rodadas série C em diante”. fonte: Exame (https://exame.com/pme/apetite-startups-cresce-90-das-empresas-querem-investir/)

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