“Ninguém quer ter mais impostos, mas precisamos equilibrar as contas”, afirma Campos Neto

Em almoço com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo nesta terça-feira, 15, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, reforçou a importância da questão fiscal para a queda dos juros. “O governo precisa garantir uma arrecadação ‘muito grande’ (para atingir os compromissos estabelecidos)”, afirma. Para ele, esse é o motivo da descrença do mercado financeiro quanto às contas públicas. As metas de equilíbrio de contas apresentadas pelo governo no arcabouço fiscal, que aguarda aprovação final da Câmara dos Deputados, visam levar ao superávit na dívida primária do país, o que diz respeito ao balanço de despesas e receitas, sem considerar os gastos com os juros da dívida pública. As estimativas apresentadas por Campos Neto, com base em dados do Tesouro Nacional e do BC, é que a despesa primária está projetada em 3,3% para 2024, quando a meta do governo é zerar o déficit. Ainda para 2023, a projeção do governo é de um resultado primário negativo, com compromisso de variação entre -0,25% a -0,75% do PIB. Para atingir esse compromisso, é necessário um adicional de receita na casa de R$ 100 bilhões. No evento, Campos Neto também defendeu que o Banco Central não tem favoritismo por juros altos. Na pandemia, a taxa Selic ficou em 2%. “Os juros são o remédio amargo. Mas para a queda ser longa e estável, é preciso endereçar questão fiscal”, disse. O executivo também lembrou da importância do BNDES para o desenvolvimento. “O BNDES deve ir aonde mercado não está, mas muito crédito direcionado impacta juros”.   Nota do Empreendabilidade: a estratégia de política econômica do Banco Central, conservadora, vem sendo elogiada pelos demais países e por financistas de todo o mundo. Antecipou-se a queda dos juros na pandemia, ampliando o dinheiro disponível no mercado, e a alta começou antes, visando controlar a inflação que vem impactando os negócios globalmente. Agora, enquanto no Brasil iniciou-se os cortes, outras nações ainda estão enfrentando a alta.

Alta taxa de juros freia crescimento da economia

Pequenos empreendedores têm receio de buscar crédito e medo de endividamento Apesar dos indicadores econômicos apresentarem melhora nos últimos boletins, uma das maiores pedras no sapato ainda deve continuar assombrando os empreendedores: a taxa de juros, que deve se manter no patamar de 13,75%, pelo menos nos próximos 45 dias. A previsão é de que o BC inicie um ciclo de corte dos juros a partir de agosto, quando a Selic recuaria para 13,50% ao ano. Após reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece hoje (21), a decisão sobre a Selic deve ser anunciada no final da tarde, apontando para uma última manutenção da taxa de juros atual. Os valores têm afastado pequenos empreendedores da busca por crédito, por medo de endividamento e falta de condições para o pagamento dos empréstimos. Pesquisas realizadas pelo Sebrae mostram que a alta taxa de juros praticada no Brasil tem feito com que os donos de pequenos negócios pensem mais na hora de buscar crédito. Nos meses de abril e maio deste ano, 73% dos empreendedores não buscaram crédito. “O Brasil precisa voltar a crescer, e o Banco Central precisa ser mais sensível com os micro e pequenos empresários brasileiros. Com esses juros aí ninguém cresce, talvez nem o sistema financeiro, apenas alguns tubarões que estão ganhando muito, além disso, tomar crédito nesse ambiente é submetê-los à falência”, afirma o presidente do Sebrae, Décio Lima. “Nós, do Sebrae, somos um forte apoio aos pequenos empresários e empreendedores brasileiros. Por isso, defendemos a redução da taxa de juros. Para ajudar o país crescer, os pequenos precisam ser prioridade. Os pequenos negócios geram 80% dos empregos brasileiros, em média, todos os meses. Com essa taxa nas alturas ninguém cresce, pelo contrário, muitos desistem de empreender”, acrescenta Décio Lima. Em 2022, cerca de 7,6 milhões de empresas foram tomadoras efetivas de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Desse total, 7,3 milhões são pequenos negócios (95,7%), compreendendo os microempreendedores individuais (828,7 mil), microempresas (3,9 milhões) e empresas de pequeno porte (2,5 milhões). De acordo com projeção do mercado financeiro, a inflação desse ano caiu 1%, e do ano que vem, 4%. Tais números dão indícios de um cenário econômico mais positivo no segundo semestre e em 2024, o que pode animar os empreendedores atuais e prospectos também. O dólar também vem apresentando quedas significativas e alcançando os valores mais baixos dos últimos anos, o que demonstra a valorização do real e da economia brasileira. Porém, ainda há uma cortina de incerteza pairando sobre os empreendedores, que devem encontrar cenários mais positivos nos próximos meses.

Taxa de juros alta atinge diretamente os pequenos negócios

Selic está fixada em 13,75% ao ano desde agosto passado e inibe o consumo e o acesso ao crédito Mais dificuldades no acesso a crédito, menos consumo e dinheiro circulando na economia e redução de empregos. Esses são alguns dos reflexos de como a taxa básica de juros, a Selic, fixada pelo Banco Central em 13,75% ao ano, pode afetar diretamente as micro e pequenas empresas. Essa percepção já é captada por quem está na ponta. Há 31 anos no mercado, Renato e Lucas Gibertoni são donos da AIDU, indústria de alimentos localizada em São Paulo (SP). Atualmente, a maior parte da receita vem da fabricação para grandes empresas, sobretudo com produtos alimentícios em aerosol. Sobra demanda, mas falta crédito. “A Selic nos afeta bastante no crédito para expansão. Precisamos crescer, mas os juros cobrados pelos bancos estão muito altos”, avalia o empresário Lucas Gibertoni. “Crédito para capital de giro nem se fala, está insustentável. No início do ano, não tivemos muita saída de produtos, alguns boletos atrasaram, então pegamos empréstimo mesmo assim. E isso acabou atrasando alguns planos que tínhamos para a AIDU. Temos que ser muito guerreiros para sobrevivermos a um sistema tão adverso”, completa o empreendedor. A visão de Lucas sobre a taxa de juros também pode ser percebida pelo Índice de Confiança das Micro e Pequenas Empresas (IC-MPE) de abril, que apresentou um ligeiro recuo de 0,8 ponto, caindo de 88,5 para 87,7 pontos, de acordo com a Sondagem Econômica da MPE, realizada mensalmente pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O coordenador de Acesso a Crédito e Investimentos do Sebrae, Giovanni Beviláqua, explica que a Selic é uma taxa básica (mínima) e que para os pequenos negócios, a taxa média está em 35% ao ano: “Esses valores praticados são um impeditivo para o empreendedor acessar o crédito”. “Com a taxa de juros da Selic alta, há um desestímulo das instituições financeiras e dos tomadores de financiamento. É sempre uma tomada de decisão que deve ser feita com muita cautela”, contextualiza. Beviláqua sugere que os empreendedores procurem orientações para a tomada de decisão. Além disso, é importante estar atento à gestão financeira da empresa, à organização dos processos e ao controle de estoques, que pode ajudar a ter um fluxo de caixa saudável e ter subsídios sobre a requisição de empréstimos. “Todo crédito tomado hoje se torna uma dívida que será paga ao longo do tempo. Por isso, deve ser muito bem planejado”, explicou. Entenda melhor: Taxa de juros alta = menos acesso ao crédito, menos consumo e dinheiro circulando na economia e uma redução de empregos; A Selic, que é a taxa básica de juros, está fixada em 13,75% ao ano. No entanto, a média de juros para as MPE está em 35% ao ano; A gestão financeira e o controle de estoques ajudam a manter um fluxo de caixa saudável e ter subsídios na hora de solicitar crédito.

Falta de clientes dificulta empreendedorismo

Juros altos para frear consumo prejudicam donos de pequenos negócios Desde agosto do ano passado, a preocupação com a falta de clientes tem aumentado entre os donos de pequenos negócios em todo o país. Segundo a 3ª edição da pesquisa Pulso, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os meses de agosto de 2022 e abril de 2023, a falta de clientes passou de 24% para 31% como um dos fatores que mais têm dificultado o funcionamento do negócio. Esse quesito ocupa a segunda posição atrás apenas do aumento dos custos, que foi mencionado por 38% dos entrevistados e que apresentou uma redução de quatro pontos percentuais quando comparado com a primeira edição da pesquisa. “As famílias estão cada vez mais endividadas e os juros altos atrapalham ainda mais, pois freiam o consumo e espantam os clientes. Esse é um dos motivos que o aumento de custos tem perdido força, enquanto a preocupação de ter para quem vender tem crescido”, observa o presidente do Sebrae, Décio Lima. O medo da falta de clientes tem segurado os empreendedores a repassarem os aumentos de custos para os clientes. Apesar de 78% alegarem que tiveram incremento nos gastos com insumos, combustíveis, aluguel e energia nos últimos 30 dias, quase metade afirmou que não repassou esse impacto para os clientes e 41% parcialmente. Apenas 8% repassaram totalmente o aumento de custos. Em agosto do ano passado, eram 76% reclamando do aumento de custos, 43% não repassando, 47% parcialmente e 9% totalmente. O contexto de falta de clientes e pressão do aumento de custos também prejudicaram o faturamento dos pequenos negócios: 42% apresentaram queda se comparado com o mesmo período do ano passado e apenas 25% tiveram aumento. Somente dois segmentos dos 22 analisados na pesquisa apresentaram aumento de faturamento: Indústria Alimentícia e Serviços empresariais. A variação média de queda foi de -10%. Metodologia Os dados da pesquisa foram coletados entre os dias 24 de abril e 2 de maio de 2023, por meio de formulário on-line. Foram respondidos 7.537 formulários dos 26 estados e do Distrito Federal. O erro amostral é de +/- 1% para os resultados nacionais e o intervalo de confiança é de 95%.

Alta taxa de juros afeta confiança dos donos de pequenos negócios

Sondagem Econômica mostra que índice de confiança de abril teve ligeira baixa Após dois meses de aumento, em abril, o Índice de Confiança das Micro e Pequenas Empresas (IC-MPE) apresentou um ligeiro recuo de 0,8 ponto, caindo de 88,5 para 87,7 pontos, segundo da Sondagem Econômica da MPE, realizada mensalmente pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Dos três setores analisados, apenas os pequenos negócios do Serviços apresentaram um aumento de 0,3 ponto. Indústria da Transformação e Comércio tiveram, respectivamente, quedas de 1,6 e 3,8 pontos. O resultado de abril reflete um arrefecimento nos setores de Comércio e da Indústria de Transformação e de uma estabilidade do setor de Serviços. O presidente do Sebrae, Décio Lima, destaca que os pequenos negócios estão em compasso de espera por uma melhora, que poderia vir, por exemplo, com uma redução das taxas de juros. “A taxa Selic a 13,75% é extremamente agressiva aos pequenos negócios, à economia brasileira e à soberania nacional. Os pequenos negócios são os principais geradores de novos empregos no Brasil. Os juros praticados atualmente prejudicam o segmento e dificultam o acesso a crédito. É natural que os empreendedores se sintam inseguros em relação ao futuro”, observa Lima. Comércio Após duas altas consecutivas, a confiança das micro e pequenas empresas do setor de Comércio (MPE-Comércio) caiu 3,8 pontos em abril para 83,3 pontos, o menor nível desde janeiro de 2023 (81,8 pontos). Analisando os segmentos, o varejo restrito foi o responsável pela maior contribuição da queda do índice esse mês. Na contramão do setor, os segmentos de material para construção e veículos, motos e peças (lojas de autopeças e pequenas revendedoras). Por região, três das quatro pesquisadas acompanharam o setor, com destaque, para o Sudeste, que teve queda de 5,3 pontos. Essa foi seguida por Norte/Centro-Oeste e Sul, com recuos de 4,4 pontos e 3,7 pontos, respectivamente. E contrapartida, Nordeste teve alta de 2,9 pontos. Serviços Após dois meses de alta, a confiança das micro e pequenas empresas do setor de Serviços (MPE-Serviços) ficou relativamente estável em abril ao variar 0,3 ponto, para 89,7 pontos, maior nível desde outubro de 2022 (99,4 pontos). “Essa resiliência do MPE-Serviços acaba sendo influenciada pelos serviços prestados às famílias, mas a sustentabilidade desse resultado positivo acaba sendo desafiadora diante do cenário econômico prospectivo de altos juros e crédito caro”, frisa o presidente do Sebrae. Sob a ótica dos segmentos, dois avançaram e três recuaram. A principal alta foi observada no segmento serviços às famílias. Serviços profissionais e outros serviços se mantiveram estáveis. Os segmentos serviços de informação e comunicação e serviços de transporte recuaram. Em relação às regiões, as altas do setor foram observadas nas regiões Sul, Sudeste e Norte/Centro-Oeste, que cresceram de 1,1 ponto, 0,8 ponto e 0,5 ponto, respectivamente. Somente a região Nordeste recuou (-4,7 pontos). Indústria de Transformação Assim como no comércio, a confiança das micro e pequenas empresas da Indústria de Transformação (MPE-Indústria) caiu em abril: 1,6 ponto, para 86,7 pontos. Por segmento, outros foi o que mais contribuiu para queda do MPE-Indústria. Essa piora também ocorre no segmento de metalurgia e produtos de metal. Em contrapartida, os segmentos de alimentos, refino e produtos químicos e vestuário avançaram. Na análise regional, as variações são dispersas, sendo as maiores quedas observadas nas regiões Sudeste e Nordeste, onde a maioria das empresas desse setor se encontram: caíram 6,6 pontos e 6,2 pontos, respectivamente. Já no sentido oposto, as regiões Norte/Centro-Oeste e Sul avançaram: 5,3 pontos e 1,5 ponto, respectivamente.

Banco Central está próximo de começar corte de juros, diz ex-presidente do BC

Loyola citou a queda do IPCA e o impacto do ambiente menos inflacionário no exterior. “O real não deve desvalorizar este ano, pode até valorizar, o que é favorável para a inflação aqui” Banco Central está muito próximo de iniciar redução dos juros, segundo o economista e ex-presidente do BC, Gustavo Loyola, atualmente sócio da Consultoria Tendências. Loyola participa de evento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Loyola citou a queda do IPCA e o impacto do ambiente menos inflacionário no exterior. “O real não deve desvalorizar este ano, pode até valorizar, o que é favorável para a inflação aqui”. O arcabouco fiscal não é perfeito, mas pelo o que foi apresentado é suficiente para manter o controle da dívida pública, segundo Loyola. “Esses fatores somados trazem elementos que ajudam a começar a queda dos juros a partir de julho ou agosto”, diz ele apostando numa Selic a 10,5% ao fim de 2023 e quedas adicionais em 2024. Hoje o Boletim Focus Taxa de juro neutra Em termos reais, a estimativa da taxa de juro neutra deveria ser em torno de 4% ao ano, por estimativas do BC, que já vê alguns aumento por questões fiscais. *Com informações do Exame

Caixa anuncia alivio para MPEs; Presidente quer flexibilidade para dívidas

No mesmo dia em que o banco anunciou redução de juros para MPEs, Presidente da instituição defendeu ajuste no Pronampe para dar mais flexibilidade para renegociar dívidas A Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça-feira, 11, que vai reduzir juros para micro e pequenas empresas (MPEs). Em parceria com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), o banco público vai oferecer linhas de crédito com uma redução de até 33% nos juros. Mais de 2,1 milhões de micro e pequenas empresas associadas da CACB podem contar com essas condições especiais. O objetivo da parceria é estimular o crescimento das micro e pequenas empresas, com soluções diferenciadas em crédito e atendimento, informou o banco. Quais são as condições especiais para MPEs? Linhas de capital de giro estão disponíveis para contratação com taxas a partir de 1,21% a.m. Investimentos para compra de máquinas e equipamentos podem ser contratados com taxas a partir de 1,34% a.m. O banco também anunciou condições diferenciadas na contratação do GiroCAIXA FAMPE, linha de capital de giro sem destinação específica e que dispensa apresentação de garantia pelo tomador. O empréstimo é destinado para micro empreendedores individuais, micro empresas e empresas de pequeno porte, com faturamento até R$ 4,8 milhões, com taxas a partir de 1,87% a.m. Renegociação de dívidas e defesa de ajuste no Pronampe O anúncio dos juros mais baixos acontece no mesmo dia em que a presidente da Caixa, Rita Serrano, esteve em reunião da Frente Parlamentar do Empreendedorismo. Na ocasião, ela disse que há um grupo de empresas inadimplentes, mas que o banco está “amarrado” diante das regras atuais. Para Rita, a lei que criou o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) precisa de ajustes para flexibilizar a renegociação de dívidas em atraso na modalidade. “Tem que aprimorar a lei que criou o Pronampe para flexibilizar os prazos. Temos um grupo de empresas inadimplentes, mas estamos amarrados”, afirmou. O Pronampe foi criado como programa emergencial na pandemia de covid-19 e depois tornado permanente. No fim de março, o Senado aprovou o aumento de 48 para 72 meses o prazo máximo para o pagamento dos empréstimos. O texto ainda estipulou carência de 12 meses para o início do pagamento do financiamento.

Empresários defendem a união do Brasil em prol do crescimento

Em evento do Credit Suisse, Rubens Menin, Abilio Diniz e João Camargo cobraram segurança jurídica no país para atrair investimentos e novos negócios O empresário Rubens Menin, presidente da MRV Engenharia, afirmou nesta terça-feira (31) que é preciso união no país para que o Brasil possa voltar a crescer. “Não se faz uma grande nação sem união. Que tenhamos mais ideais comuns em 2023. É preciso melhorar o ambiente de negócios no Brasil para que a gente consiga surfar”, ressalta o fundador da CNN Brasil e do Banco Inter. Em evento organizado pelo Credit Suisse, na zona sul de São Paulo, o empresário Abilio Diniz, da Península e do Carrefour, cobrou segurança jurídica para que os empreendedores tenham condições de fazer novos negócios. “Investidor quer segurança jurídica. Se for julgado, que seja pela lei. Que haja segurança ambiental e também política, se tiver isso, o dinheiro vem para cá”, disse. O painel “Brasil: os próximos 10 anos” foi mediado por João Camargo, executive chairman da CNN Brasil e presidente do Conselho da Esfera Brasil. Ele destacou o quanto os contribuintes serão prejudicados com o retorno do voto de qualidade do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), proposta apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “A Receita poderá votar duas vezes. Cobra de quem paga imposto e não vai atrás do sonegador. Ao achar estranho o planejamento tributário de uma empresa, ela solta um auto de infração estratosférico. Isso atrapalha o balanço da empresa, diminui o rating de classificação e ela carrega isso por 7 anos até chegar ao Carf”, explica João Camargo Rubens Menin também se mostrou contrário à volta do voto de qualidade e afirmou que a medida traz insegurança jurídica, ainda mais em um país com a complexidade tributária e de legislação do Brasil: “Carrega a espada na cabeça e a flecha no balanço da empresa. É um retrocesso”, conclui. Reforma Tributária No painel, os empresários defenderam a realização de uma reforma tributária, de preferência, acompanhada da reforma administrativa, para reduzir o tamanho do Estado e os gastos. “A carga tributária chegou ao limite. Temos que melhorar a base de arrecadação e simplificar, como é nos Estados Unidos. Aqui temos guerra fiscal entre os estados. Dificilmente sairá uma reforma ampla. O Estado precisa ser menor e gastar menos. Isso já pensando lá na frente em como diminuir os impostos”, destaca Menin. Juros e Banco Central Já Abilio Diniz lembrou que a alta taxa de juros é prejudicial sobretudo às classes mais vulneráveis. “O Banco Central deveria começar a baixar as taxas. O que a inflação nos ensinou é que ela é mortal para as classes menos favorecidas. Mas avançamos, a inflação foi de 13% para 6% em seis meses, mas está voltando, não é mais cadente. Isso é perigoso e um momento complicado para empreender”, ressalta. O executivo da MRV se disse favorável à independência do Banco Central por entender que os juros não são a causa, mas a consequência do status interno. “Os juros são altíssimos no Brasil. Isso sangra as famílias, as empresas, o desenvolvimento. É preciso baixar os juros de forma sustentável, criar as condições”, pontua. Investimentos Apesar da guerra da Ucrânia, Diniz foi otimista em relação ao cenário mundial e lembrou a reabertura da China, que é um grande importador. O empresário ressaltou também que o Brasil é um país atraente para o mercado, com 200 milhões de habitantes e avanços tecnológicos, mas cobrou mais investimentos. “Tínhamos 25% do PIB em investimentos. Caiu para menos de 20% e a maior parte do dinheiro vem da iniciativa privada. Temos que ter investimento em gestão e educação. Tem que olhar para o ensino básico, para as crianças”, afirma. Entre as oportunidades de negócios que possam atrair capital para o Brasil estão os setores de saneamento básico e a infraestrutura, entre eles aeroportos e ferrovias. Desigualdade Os empresários pontuaram que o Brasil precisa reduzir a desigualdade social para crescer, com geração de emprego. A filantropia foi uma das soluções apresentadas.

Abílio Diniz: “Momento é complicado para empreender por conta dos juros”

Para conter o avanço da inflação, os bancos centrais de todo o mundo tiveram que aumentar os juros. Mas o remédio tem seus efeitos colaterais negativos. E um deles é tornar a vida de quem quer empreender mais difícil. Ainda mais no Brasil. “Os juros reais são quase o maior do mundo. É muito pesado para empreender”, disse o ex-GPA e atual vice-presidente do conselho do Carrefour, Abílio Diniz. Ele participou hoje pela manhã da conferência anual do banco Credit Suisse em São Paulo. O painel foi mediado por João Camargo, fundador do grupo Esfera e presidente do conselho da CNN, e contou com a participação de Rubens Menin, presidente do conselho da MRV, do banco Inter e dono da CNN. Questionado pelo Startups se seria o caso de não empreender por conta do momento, Abílio disse que essa decisão depende muito da disposição e do momento de quem vai se lançar nessa jornada. Se vale de alguma coisa, apesar de toda a celeuma de demissões e contenção nos investimentos, a opinião deste Startups continua sendo de que nunca houve melhor momento para empreender, ou investir em novos negócios que tenham a tecnologia como base de suas operações. O mundo não vai ficar menos digital, nem mais simples nos próximos anos e décadas. As oportunidades estão aí para serem abraçadas. Menin reforçou o coro dos juros altos dizendo que, em 50 anos empreendendo, não viu muitas os juros reais na casa dos 8%. “Isso é muito. Sangra as famílias, as empresas”, avaliou. Para ele, o medicamento é correto, mas o tempo do tratamento não pode ser muito longo para não matar o paciente. Nos EUA, o FED já dá sinais de que o ciclo de aumento nos juros pode ter se encerrado. Aqui no Brasil, ainda não há uma manifestação clara. Abílio disse acreditar na independência do Banco Central e que a equipe liderada por Roberto Campos Neto tem todas as condições técnicas para avaliar quando será o momento de corrigir a rota. Para Menin, não adianta fazer essa redução na marra. É preciso criar as condições para que isso aconteça, fazer o dever de casa interno. E isso passa por pontos como a reforma tributária, reforma administrativa, controle de gastos e endividamento do governo e segurança jurídica e política no país. Para Rubens e Abílio, o momento é de união, de criar um pacto social que permita que o Brasil aproveite fortalezas como o mercado interno grande para concretizar a promessa que foi feita quando a sigla BRICS estava em alta.  Os dois foram unânimes em dizer que o Brasil é o país com melhores oportunidades no atual momento. “O primeiro mundo é aqui. Temos tudo do primeiro mundo aqui e não deve nada a ninguém”, disse Abílio. Ele destacou que há muito dinheiro no mundo e ele quer vir para o Brasil. Mas é preciso saber atraí-lo. E isso passa pelas questões do dever de casa interno. Abílio disse não ter medo do atual governo e se classificou como um liberal com tendências keynesianas. Menin também foi em uma direção parecida, dizendo que é fundamental aumentar a participação da iniciativa privada nos investimentos, mas que, em um país como o Brasil, o estado precisa ter um papel na redução das desigualdades.

O que a taxa Selic tem a ver com o mundo das Startups? Tudo, inclusive que elas podem ser bons ativos

(Crédito: pexels-tima-miroshnichenko)   O mercado vem acompanhando desde o segundo trimestre uma redução de capital disponível para startups. O saldo de demissões em consequência disso, estima-se, ultrapassa mais de mil pessoas – isso nos números oficiais. Na boca miúda, alguns falam que chega ao dobro. A redução ocorre principalmente em unicórnios (startups que valem mais de US$ 1 bilhão) e em reconhecidas companhias inovadoras – na lista, estão 5 Andar, Loft, LivUp, Facily, VTex, Olist, Paypal, Kavak, Favo (que fechou as operações no Brasil) entre outras. Um dos aspectos que mais influenciou a diminuição de recursos e a concentração de caixa em operações “lean” – usando um termo comum para os startupeiros – e a cobrança de resultados é que o dinheiro está mais caro. Nas palavras de Amure Pinho, da Investidores.vc, é hora de “hold your horses” (segurem os seus cavalos), ou seja, de ter gastos mais racionais, planejados e sensatos. O anúncio do Copom ao fim da reunião de 03 de agosto, de aumento da taxa de juros Selic para 13,75% e de prolongamento do horizonte de inflação para até 2024 pegou o mercado financeiro de calça curta: esperava-se que o ciclo de juros se encerrasse por agora, mas com esse novo cenário as expectativas mais otimistas são de mais um ou dois ajustes, com teto de 14% ou 14,25%. Isso significa que o céu está retrógrado para as startups? Na verdade, não. Só significa que acabou a festa do dinheiro fácil e que o modelo de que quem tem mais dinheiro vai chegar mais longe precisa ser revisto. Como manda a natureza, quem vai mais longe é quem sabe se adaptar. E, no que diz respeito a empresas que precisam entregar resultados e dar retorno aos investidores isso pode significar um grande salto de maturidade. Ao mesmo tempo, do lado dos investidores, significa olhar para os ativos de outra forma. Voltando ao conceito de Startups,  a definição mais atual diz respeito a “um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza”. Ora, se parte de uma tese sobre uma solução, para resolver um problema, que tem que se provar sustentável. É aí que entra a queima do dinheiro, pois a coisa acontece em tempo real: de MVP a ajustes de rota, testes de campo e de narrativas. Tudo isso em busca de um negócio que se prove lucrativo ou sustentável. Como tudo que envolve tecnologia, as mudanças são rápidas. Nos últimos 10 anos, evoluiu-se para um framework e jornada que mostra se o negócio pode dar certo ou não, ou se tem mais chances de dar certo ou não. Um dos aspectos é a escalabilidade, o outro é procurar resolver um problema com tecnologia que não seria resolvido se a tecnologia não existisse (quem imaginaria os meios de pagamento como são hoje há 20 anos atrás, quando se discutia que o Vale Refeição e Alimentação, que era em papel, passava a ser em cartão?), buscando algum ineditismo. Entre tantos outros aspectos, o modelo de negócios é o que dirá como a startup vai gerar valor, ou seja, vai transformar o que faz em dinheiro. E a repetição disso, gerar escala, tem que ter custo barato. O quão lucrativo o negócio é, no fim das contas, vem da velha planilha custos X receita.   Investimentos Alternativos Voltando para o mercado financeiro, cuja vida é de incertezas, uma carteira formada por startups poderia dar certo? Tudo leva a crer que sim. Dois casos já contados pela Investidores.vc para o Valor Pipeline mostram que o Pool liderado por Amure Pinho tem uma tese e, por mais risco que estejam dispostos a tomar pela própria natureza do modelo de startups, há certo conservadorismo na análise dos potenciais ativos. Um dos casos foi a venda da Gama Academy para a Anima Educação, que deu retorno de 21 vezes o valor investido. A aquisição da Bagy pela Locaweb resultou em 17 vezes o aporte. Num contexto onde fundos tradicionais, com gestores experientes, vem dando retornos de longuíssimo prazo, ou sofreram na pandemia, ou, ainda, têm experimentado uma fuga de capital visto a variedade de ativos disponíveis no mercado, esse tipo de investimento pode se popularizar, basta se consolidar o conceito – ora, o mercado crypto conseguiu. Na Investidores.vc, a média de alocação é de 5% do capital investido dos membros. “A gente quer transformar esse negócio numa coisa cada vez mais digital e criar modelos preditivos de análise de empresas”, afirmou Amure Pinho para o Pipeline. O Mercado Bitcoin, exchange brasileira de cryptos e tokens, já sinalizou a possibilidade de lançar uma bolsa de startups. Já existem os equity crowdfunding, regulamentados pela CVM, e que estão disponíveis em plataformas como a Bloxs ou a Captable, que fazem rodadas de investimentos e captação para ativos reais como mercado imobiliário, geração de energia e outros, e alguns ativos alternativos como é o caso da Prosolutti Capital, que antecipa recebíveis de processos judiciais e se monetiza quando o caso é encerrado, resolvendo o problema de quem precisa de um dinheiro antecipado e está esperando a solução da justiça. Ou seja, o dinheiro pode estar caro, mas, ter ideias e mostrar para os investidores que pode se obter retorno com elas ainda é um bom negócio. E, enquanto uns choram, outros vendem lenços.   Ricardo Meireles – Publisher do Empreendabilidade É consultor e estrategista de conteúdo, gestão de conhecimento e relações com stakeholders. Comunicador pela UNIFACS (2002), especializado em Estratégia e Planejamento (Miami Ad School/2017), pós-graduado em Economia (FGV/2018) e certificado em Branding (Insper/2018). Também é sócio-fundador da Pandora Comunicação.

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