BNDES vai priorizar apoio a micro, pequenas e médias empresas, diz Mercadante

Presidente do banco disse que apoio aos pequenos negócios será de R$ 65 bilhões via crédito indireto e reafirmou apoio à reindustrialização O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira (6), durante cerimônia de posse, que fomentar o desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas está entre as prioridades de sua gestão. “Vamos apoiar as micro, pequenas e médias empresas e as cooperativas de economia solidária com R$ 65 bilhões por meio de crédito indireto do banco e alavancagem via garantias do crédito privado”, afirmou Mercadante, destacando que são elas as “grandes geradores de emprego e renda no país”. Dentre as medidas pretendidas pela nova gestão do BNDES, Mercadante destacou que irá debater ajuste na Taxa de Longo Prazo (TLP) do banco de fomento. “Atualmente, a TLP apresenta enorme volatilidade e custo superior ao da dívida pública”, enfatizou. Mercadante afirmou que não pretende fazer com que o BNDES concorra com bancos privados, mas defendeu a necessidade de juros mais competitivos para as micro, pequenas e médias empresas. “Não queremos padrão de subsídios como no passado, mas uma taxa de juros mais competitiva para micro, pequenas e médias empresas”, enfatizou Mercadante. “Nós não pretendemos ficar disputando mercado com o sistema financeiro privado. Isso não é papel do BNDES. Precisamos de parceria e o BNDES pode contribuir para reduzir riscos, abrir novos mercados, alongar prazos e elaborar bons projetos para o mercado privado”, acrescentou. ‘Eximbank’ e reindustrialização Em seu discurso de posse, Mercadante defendeu a atuação do BNDES como “Eximbank”, fomentando o aumento das exportações do país, com foco no longo prazo, integrando as cadeias globais. “O Brasil é um dos principais exportadores de produtos agrícolas, mas os produtos de alto valor agregado também são importantes. O Brasil não pode ser só a fazenda do mundo”, disse . O novo presidente do BNDES também defendeu a necessidade de investimento na reindustrialização, voltado ao que classificou como “nova indústria” – “digital, descarbonizada, baseada em circularidade e, assim, intensiva em conhecimento”. “A participação da indústria nos desembolsos do BNDES era de 56% em 2016, caiu para 16% em 2021”, destacou Mercadante ao prometer retomar o aumento do investimento no setor industrial. ‘Empoderamento’ de mulheres, negras e negros Mercadante abriu seu discurso afirmando que “nunca mais teremos um palco sem negras e negros” e, se dirigindo para a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, uma das autoridades presentes no palco, afirmou que o BNDES vai combater a igualdade racial e de gênero dentro e fora do banco. “Seremos promotores de uma sociedade mais justa e inclusiva por meio de nossas linhas de crédito e das ações de fomento que empoderem mulheres, negras e negros desse país. Nós temos que empoderar o empreendedorismo da comunidade negra e das mulheres brasileiras”, disse. Embora tenha afirmado que não pretende fomentar competição entre o BNDES e os bancos privados, Mercadante disse que irá “competir positivamente” em relação às ações de fomento da igualdade de raça e gênero. “Vi que o Itaú lançou uma linha de crédito especial para mulheres e nessa parte nós vamos competir positivamente, vocês vão correr atrás porque nós vamos jogar firme”, declarou. Internamente, tal promoção se dará, segundo Mercadante, por meio de programa de estágio voltado a negros e negras e do estabelecimento de cotas na retomada de concursos públicos. “Esse nosso compromisso com a igualdade racial não vai ser só da porta para fora, como também da porta para dentro. Vamos propor um programa de estágios para negros e negras, retomaremos concursos que não acontece há mais de dez anos com cotas”, afirmou. Fonte: com informações do G1.com
Em evento do Esfera, Mercadante diz que BNDES terá como foco a indústria e não voltará ao passado

Futuro presidente do banco de desenvolvimento apresentou 5 novos diretores do órgão em encontro com empresários associados da Esfera Brasil nesta quarta-feira (21) Aloizio Mercadante, que assumirá a partir de 1º de janeiro de 2023 a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), participou de encontro organizado pela Esfera Brasil nesta quarta (21), em São Paulo. O ex-ministro aproveitou o encontro para apresentar aos associados da Esfera, em primeira mão, 5 dos próximos 8 diretores do banco, sendo que quatro deles são ligados ao mercado financeiro. Os futuros integrantes da diretoria são Alexandre Abreu, ex-presidente do Banco do Brasil e do Banco Original, José Luis Gordon, economista e presidente da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), Luciana Costa, presidente no Brasil do banco francês de investimentos Natixis, Luiz Navarro, ex-ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), e Natália Dias, CEO do Standard Bank Brasil. Durante o almoço, Mercadante anunciou ainda que os ex-ministros Tereza Campello e Nelson Barbosa serão titulares de diretorias no banco. O Empreendabilidade teve acesso a entrevista concedida pelo presidente indicado do BNDES ao Esfera Brasil sobre as prioridades do banco de desenvolvimento no novo governo. Mercadante lembrou do período histórico em que o BNDES representava mais ou menos 2% do Produto Interno Bruto do país na sua carteira de crédito, no financiamento às empresas, com muitos exemplos exitosos. Deu como exemplo o setor de papéis e celulose, que praticamente nasceu no BNDES, e a Embraer– apenas 8 países do mundo produzem aviões e a companhia chegou nesta posição com o apoio do BNDES -, além do setor de energia eólica, onde o país também se mostra competitivo. Mercadante defendeu a reindustrialização, lembrando que o setor primário chegou a representar 43% da carteira do banco, e hoje representa apenas 16%. “O BNDES já apoia em R$ 50 bilhões micro e pequenas empresas, cooperativas de crédito, para aumentar o volume de recursos. Nós temos o desafio da economia verde, da descarbonização, da inovação tecnológica, da indústria 4.0”, afirmou. “São muitos desafios para o Brasil voltar a ter uma indústria pujante, crescer aceleradamente, gerar emprego de qualidade, e o BNDES é um instrumento. Agora não tem espaço no Orçamento para financiar o BNDES, para os desafios das políticas públicas mais importantes, então o BNDES precisará ter uma boa gestão, aumentar a sua eficiência para poder ter mais recursos e buscar parcerias internacionais”, aponta o ex-ministro. Entre as prioridades, Mercadante também mencionou a liderança do Brasil na economia verde como ativo potencial para atratividade de investimentos internacionais, e que o banco terá papel relevante em aproximar o país do restante do mundo. “A nossa prioridade não será financiar serviço no exterior”, disse. Equipe Quatro profissionais vieram do mercado financeiro e há três mulheres nomeadas na diretoria do BNDES. Tereza Campello – ex-ministra, é professora de uma cátedra especial na USP na área de combate à fome e de políticas sociais; Luciana Costa – executiva do banco francês Natixis, que é o segundo maior conglomerado financeiro da Europa, com dois trilhões de euros. É o banco líder no mundo em economia verde; Natália Dias – 30 anos de experiência em sistema financeiro. Foi do Standard Bank Group, principal banco da África do Sul, e é experiente na estruturação no mercado de capitais; Nelson Barbosa – ex-ministro do Planejamento, com passagem pela Fazenda; Alexandre Abreu – foi presidente do Banco do Brasil, com passagem em bancos privados; José Luis Gordon – presidente atual da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), uma espécie de Embrapa da indústria; Luiz Navarro – foi da Controladoria Geral da União, é membro da Academia Internacional de Combate à Corrupção, reconhecida pela ONU, e um exemplo em compliance. Fonte: Com informações da Esfera Brasil