Empreender sem desculpas: “Experiências compartilhadas aceleram processo”

O Empreendabilidade conversou com Ana Cristina Rosa, mentora de empreendedores portuguesa que atua na capacitação de profissionais que desejam investir e iniciar seu próprio negócio. Ela é jornalista de formação e coaching, e esteve no Brasil para lançar seu primeiro livro, o “Empreender sem desculpas”. Em passagem por 3 cidades, Ana pode analisar as características dos empreendedores brasileiros e faz uma comparação interessante entre as diferentes culturas. Porém, com alguns desafios parecidos entre os países. “Aqui em Portugal, cerca de 70% das pequenas empresas e microempreendedores desistem dos seus negócios nos três primeiros anos. É um número alarmante e isto é uma realidade que me preocupa”, afirma, vinculando sua preocupação a sonhos e investimentos que impactam famílias. “Alguém teve um sonho, muitas pessoas dão salto de fé, abandonam emprego para começar a empreender, investem todo seu dinheiro pedem financiamentos, porque acreditam que aquilo vai dar um lucro”, explica. Perfil Europeu Ana Cristina, que nasceu e vive em Algarve, extremo sul de Portugal, mas que dá mentoria para empreendedores de diversos países, viu no brasileiro um perfil e o tino para negócios semelhantes aos europeus, destacando a maior economia do nosso país. “Senti em São Paulo e no Rio Grande do Sul muito semelhante com a Europa, aquilo que já estava acostumado aqui. Sou portuguesa e vivo em Portugal, mas já vivi e trabalhei na Inglaterra, Irlanda, Polônia, então fui tendo uma visão internacional. E São Paulo com uma rapidez muito grande”, destacou. A mentora ainda citou Rio de Janeiro e Bahia como locais com perfis de empreendedorismo mais leve. “Senti no Rio e na Bahia, que o espírito empreendedor está presente na veia do brasileiro. Mas, nesses locais, de uma maneira mais descontraída. O espírito está presente em todos eles, mas foi o que senti nesses estados”, completa. Conceito do Salto Quântico Ana Cristina ainda revelou uma teoria que desenvolveu e aplica nas mentorias que faz com empreendedores mundo afora: a teoria do Salto Quântico, que projeta novos profissionais, através da mentoria de empreendedores mais experientes, que possuam habilidades similares. “Eu acredito que todos nós temos uma área de expertise. Ou seja, ao longo da nossa vida, através de desafios, conquistas e conhecimentos, nós vamos desenvolvendo a nossa expertise em determinada área. Então, se outras pessoas podem beber dessa nossa experiência e chegar onde nós chegamos, por que hão de percorrer este longo caminho sozinhas?”, explica. O livro é um compilado de insights e de diferentes perfis de empreendedores. Ouça mais na entrevista completa, que está disponível no YouTube e no Spotify.
Lide Lisboa: criação de empregos e melhoria do ambiente de negócios no Brasil

Autoridades e grandes empresários brasileiros demonstraram otimismo em adotar os pequenos negócios como base para o desenvolvimento socioeconômico do país O segundo e último dia da Lide Brazil Conference teve como foco o desafio do Brasil de gerar empregos e perseguir o crescimento econômico para reduzir as desigualdades socais. O evento, que aconteceu nos dias 3 e 4, em Lisboa, reuniu centenas de líderes públicos e executivos para debater oportunidades de negócios em Portugal e na União Europeia. Representantes do governo brasileiro sinalizaram melhorias para o ambiente de negócios, enquanto renomados executivos, como Luiza Trajano e Abílio Diniz, elogiaram a capacidade do Sebrae em alavancar milhões de pequenos negócios brasileiros, considerados a principal força motora do país. O direcionamento dos painéis do Lide Conference para o desenvolvimento e a segurança social diz muito sobre a importância desse tema, ressaltou o presidente do Sebrae, Carlos Melles. “A palavra de ordem aqui foi a criação de empregos. O Sebrae está alinhado e pronto para contribuir com este processo”, cravou, destacando a imprescindibilidade do setor. Melles comemorou o convite da direção do Lide, para participar do Fórum de Empreendedorismo, a ser realizar em setembro, em Roma. “O Sebrae busca agora olhar para fora do Brasil e viabilizar a internacionalização da pequena empresa. O Fórum em Roma terá lugar num país onde 45% do PIB exportador é gerado pelos pequenos negócios. Este é um bom exemplo a ser seguido”, destacou Meles. O presidente do Sebrae, Carlos Melles, e o ministro do STF, Gilmar Mendes. (fotos: Fernando Donasci) O otimismo também deu o tom na fala da ministra de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: “Vamos garantir um melhor e mais seguro ambiente de negócios no Brasil, atuando em três pilares: transparência absoluta; arrumar a casa, sob o ponto de vista fiscal; e a reforma tributária”. O combate à fome e à segurança alimentar estiveram presentes nas falas de outros convidados neste sábado, como Abílio Diniz (presidente do Conselho da Península Participações); Giorgio Medda (CEO da Azimut Group Europa); Luiza Trajano (Presidente do Conselho do Magazine Luiza); Luiz Carlos Trabuco (Presidente do Conselho do Bradesco). Holofote para o Sebrae e para os pequenos negócios O Sebrae voltou a ser destaque no segundo e último dia da Lide Brazil Conference. Abílio Diniz comentou a maior agilidade dos pequenos negócios em relação às grandes empresas e reforçou que “a atuação do Sebrae é muito importante para direcionar esses empreendedores”. Por sua vez, Luiza Trajano se intitulou ‘garota propaganda’ do Sebrae, ao compartilhar o orgulho da parceria firmada com a Magazine Luiza, abrindo as portas do market place da Magalu para as MPE aumentarem suas vendas, inclusive permitindo exportar para Portugal e outros países da Europa. Também presente na Conferência, o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, comentou a importância das micro e pequenas empresas para a economia fluminense. Segundo ele, sua gestão vem adotando medidas benéficas para o segmento, como a redução da carga tributária, a digitalização de serviços públicos estaduais e a redução do tempo de abertura de empresas no estado para apenas 25 minutos. Sob essa ótica, Castro destacou o papel do Sebrae em capturar a real vocação do empreendedor a partir das potencialidades econômicas de cada região do país. “O Sebrae faz este papel com excelência”, sinalizou. A visão foi reforçada pelo presidente da Febraban, Isaac Sidney: “O Sebrae é um ente que se relaciona com todos os governos e tem capacidade de dar escala a muitas empresas, que passam a poder se alavancar”.