Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: final (6/6)

Escrevendo essa série de artigos me veio à mente a tese das startups: “comece feio, mas comece.” Se a primeira versão está finalizada, você demorou demais para começar – frase comum no meio da inovação, principalmente para contradizer o processo burocrático vivido dentro das empresas, que costumam querer impor algo já pronto em vez de ir testando e melhorando o produto. Esse conceito é interessante, pois reúne tudo o que foi dito anteriormente: desde a tese de Pressfield de “fazer”, não pensar em fazer. Para se tornar um profissional, pratique. Saia da teoria. O que incomoda na decisão daquele que sonha empreender e que não coloca em prática é que ele sequer está testando. Aparenta querer algo pronto, e, por isso, muitas vezes, terceiriza o seu sonho. Voltando a Da Vinci e sua Monalisa, não estaria ele praticando (mesmo que mentalmente), enquanto não entregava a obra? Em todo o caso, o melhor é sempre começar. Todo dia será dia um, se você entender que está sempre partindo de um ponto para melhorar. E, se você quiser de verdade, não importa quanto tempo dure, ficará pronto. Melhor demorar melhorando, do que nunca começar.

Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: quem quer de verdade, faz (5/6)

Aqueles que realmente desejam algo encontrarão uma maneira de realizar. Vejam o que estamos discutindo: não é que Da Vinci não iria entregar a Monaliza. Ele entregou. Mas, no tempo dele. Ela estava lá, em primeiro plano. Não há, no entanto, apenas 2, 3 ou 4 planos nesse espectro da realização. É diferente de quando se arranja desculpas, que podem variar desde a falta de tempo até a falta de recursos – essas barreiras autoimpostas, isso é procrastinação. Mas, veja o caso por exemplo de situações urgentes ou que demandam uma ação imediata. Trazendo para o empreendedorismo, os tais “empreendedores por necessidade”, por exemplo. A pessoa não tem querer. A motivação é ter que agir. O ponto é que quando algo é uma prioridade real, não faltará tempo, energia ou recursos. Na última leva de cursos e estudos, tenho ouvido muito que quando dói, a pessoa dá um jeito. Dói no bolso, dói em sofrer, dói em necessidade. A dor é um catalisador natural para a ação. Se não doeu, a pessoa não agiu. É o caso, por exemplo, do eterno sonho do empreendedor mencionado anteriormente: se ele precisasse? Se perdesse o emprego? Se aquela fosse a única opção para ele? Já estaria pronto.  

Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: paradoxo do desejo (4/6)

O que é pior, o procrastinador ou o viajante arrependido? Aquele que para no meio do caminho? Ou, ainda, aquele que tem um sonho e sequer iniciou o processo para realizá-lo? Trazendo para a realidade, essa é a história de uma pessoa que tinha um sonho: queria abrir a sua própria empresa. Desde o início dos seus 40 anos (hoje ele está mais próximo dos 50), essa pessoa sonhava em ter seu próprio escritório, escrever livros, ajudar pessoas. A ideia nunca foi sequer para o papel. Ele conheceu uma outra pessoa, que estruturaria a ideia e estava disposta a arriscar tempo e talvez recursos para colocar o negócio de pé. Esse futuro sócio acreditou no sonho. Mas, o sonho é do sonhador E só ele pode realizá-lo. Novamente, terceirizar a realização das coisas não funciona em nada a partir do momento que você é um indivíduo e capaz de realizar seus desejos. O resultado disso? A ideia foi para o papel, o sonhador quis terceirizar a realização para o sócio. Anos depois, o sonho ainda não foi realizado. Aí surge a pergunta: Ele queria de fato realizar o sonho de empreender? Quando ouvi essa história, me recordei que sempre sonhei em ver uma baleia de perto. De perto mesmo: mergulhar, tocar. Aquele animal fantástico, materialização do que deve ser a obra divina. Centenas de toneladas, mas uma delicadeza que flutua e canta… O quão realizador não deve ser o contato visual com uma baleia azul? Bom, há diversos programas para observações de baleias na costa brasileira. Alguma vez eu me inscrevi em algum? Nunca! Acho que cheguei a pensar nisso. Mas, nunca realizei. Então, me dei conta: será que desejo mesmo isso? Ou será que apenas gosto de pensar na possibilidade? Não me sinto procrastinando. Apenas sonho. Mas, quiçá com essa consciência agora, quem sabe, de fato eu tome essa atitude.

Procrastinação, produtividade, longo prazo, ação: faça escolhas (3/6)

Atualmente, tenho tido contato com diversos profissionais que já estão na faixa dos 40 (assim como eu) e alguns já passados dos 50 anos. Todos com boas realizações em suas áreas, com vontade de dar um próximo passo, abrir um negócio, realizar um sonho. Uma dessas pessoas já é um empreendedor. Vendeu parte da sociedade em uma empresa, criou um negócio que está indo bem, e quer fazer uma nova investida. Começamos a conversar para destravar essa ideia e, em uma das reuniões, chegamos a comentar umas 30 possibilidades diferentes de negócio – de fazer receita a partir de um produto ou serviço. Todas essas ideias são possíveis? Podem ser. Mas, o projeto só será a “Monalisa” se nos concentrarmos em apenas uma delas. Como definir qual? Faça Escolhas. Como aprender a fazer boas escolhas, pequeno gafanhoto? Fazendo muitas escolhas ruins (e, sinto dizer, isso durará a vida toda). Tudo isso escrito, toda essa reflexão, para dizer que, talvez, apenas talvez, a procrastinação de Da Vinci seja uma escolha. O que sabemos é que Roma também não foi construída em um dia.

Procrastinação, produtividade, longo prazo e ação: Procrastinar X fazer bem feito (1/6)

Esses dias fui impactado (para usar um termo moderno) por um anúncio em vídeo de um “guru” – confesso que esse eu não o conhecia, não é dos mais famosos, mas vi no perfil dele que já fez alguns milhões vendendo mentoria de desenvolvimento pessoal – que propunha a ideia de que Leonardo Da Vinci procrastinou na pintura da Monalisa, e ele chega a mencionar outros artistas. A ideia era argumentar que com o seu curso e mentoria a pessoa não mais procrastinaria.   Fui dar um Google para entender melhor o exemplo e cheguei a uma reportagem da saudosa Superinteressante, que apresentava o pintor justamente como o “maior procrastinador da história” – a Monalisa ficou pronta entre 3 e 4 anos depois de iniciada a obra. Outros resultados da pesquisa apontam inclusive que o comportamento do pintor seria, na realidade, um sinal de déficit de atenção: ele facilmente trocava de projetos, sofria de interrupção do sono, entre outros fatores. Eu lhe pergunto: o que você prefere? Um trabalho de um dia que é o boneco palito, ou um trabalho de 3-4 anos que seja a Monalisa?   “A pressa é inimiga da perfeição” é talvez um dos ditados que mais se apliquem aos dias de hoje, em qualquer circunstância.   Elenquei alguns cenários para ilustrar: Investimentos: a curva de valorização (considerando ativos de qualidade, claro) tende a ser para cima – experimente olhar uma ação que está caindo há algumas semanas em um prazo de 5, 10 anos, por exemplo. Por isso os investimentos são pensados em longo prazo e requerem paciência. Claro, há quem aposte no day trade. Mas, é só ver os exemplos dos grandes investidores globais como Warren Buffet, George Soros e o brasileiro Luiz Barsi: todos têm consistência e persistência;   Composição de uma empresa (mesmo que uma startup): uma coisa é o capital de risco, para gerar escala rapidamente. Outra coisa é o business Building. As grandes empresas não nasceram em Wall Street ou na Faria Lima, elas começaram em uma garagem, um quintal, uma lanchonete pequena. Ainda, nenhum fazendeiro começa o negócio com 10 mil cabeças de gado. Sempre tem o primeiro passo, depois da persistência, com chuva e com sol, com seca e com problemas econômicos, ele chega lá;   Atletas: não recordo quem fala que a rotina do alto desempenho é monótona. Um atleta olímpico passa boa parte da vida na rotina de dormir, comer e treinar. Ele não vai para festas, ele não está nem aí para o que estaria “perdendo”. O foco é dali a 4 anos colocar uma medalha no pescoço. Aliás, imagine você saber que só faria algo “valendo” dali a 4 anos, e que teria que treinar até estar pronto? Ainda, imagine aqueles que treinam e que sabem que não vão subir no pódio? Ainda assim, treinam, porque dali a 8 anos eles podem estar. Mas, só se treinarem.   Entre outros tantos exemplos de longo prazo, desde o bebê que não sai correndo pela casa antes de engatinha até o processo de emagrecimento, parece que estamos misturando as coisas porque o atleta treina e tem rotina, enquanto Da Vinci procrastina.   Mas, o que haveria de diferente, se não a nossa percepção e julgamento? Não estaria Da Vinci, nessa “procrastinação”, treinando mentalmente?   O ponto aqui, ao meu ver, voltando ao anúncio crítico à procrastinação de Da Vinci, é que procrastinar seria se a Monalisa não tivesse ficado pronta, ou tivesse ficado, desculpem a expressão, uma porcaria.

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