André Albuquerque: “Venda da Suplax amplia foco na Acquion”

André Albuquerque: Suplax se tornou uma das líderes white label de suplementos alimentares do mercado nacional (foto: divulgação)   O jovem empresário André Albuquerque, o sócio-fundador e investidor Ronaldo Oliveira e o acionista e conselheiro Mario Quintanilha anunciam a venda da Suplax, uma das líderes na produção de suplementos alimentares e nutracêuticos (categoria que agrupa vitamínicos, poliminerais e suplementação saudável como aminoácidos, fibras, ômega-3, antioxidantes e outros), para o fundo americano Zeppelin. A negociação, cujo valor não foi divulgado, ocorreu durante o segundo semestre e foi concluída no final do ano. A venda abrange a marca e seus ativos, incluindo a fábrica localizada em Santana de Parnaíba, dentro de um pátio de 22 mil m², os equipamentos e todas as patentes da empresa, o que contempla o método de fabricação e as licenças dos órgãos responsáveis. Suplax A Suplax nasceu em 2017, quando André, que foi Forbes Under30 em 2021, e seus sócios iniciaram o projeto em Goiás, quarteirizando em uma indústria parceira. No segundo semestre de 2017, importaram uma máquina chinesa com tecnologia exclusiva e em seguida assumiram um pátio industrial de uma grande marca do mercado de suplementos que havia decretado falência. Aos poucos a idealização foi ganhando força e o crescimento também, não demorou para que começassem a construir uma indústria própria em São Paulo no início de 2018, mais precisamente em Santana de Parnaíba. O primeiro passo foi investir em um modelo industrial de padrão farmacêutico para o setor de suplementos alimentares, atitude de caráter inovador no ramo. Assim foi possível elevar os níveis de qualidade e capacidade produtiva, tornando-se referência no segmento e assumindo a liderança do mercado. Hoje a Suplax é referência na categoria — não é à toa que a marca vem crescendo significativamente ano após ano e alcançando uma média de 110% de crescimento anual desde 2018. Com capacidade produtiva de mais de 1 mil toneladas, a empresa mantém mais de 300 empregos diretos e indiretos e atua em toda a verticalização do produto, realizando pesquisas, testes, aprovações, branding e até mesmo a embalagem e a distribuição para os clientes. São fabricados produtos para mais de 150 marcas, nos mais diversos formatos: em pó, em cápsulas, comprimidos, líquidos, sachês etc. Novos passos Com a venda da Suplax, André se dedicará à recém-inaugurada Acquion Foodtech, produtora de insumos à base de colágeno e gelatina com alto grau de pureza para os mercados farmacêuticos, suplementos, cosméticos e alimentos. A nova companhia tem como meta estar entre os líderes do mercado no Brasil em três anos e no mundo nos próximos cinco anos. Além dela, André também dará foco à sua Holding Acquion Capital Group, que vem visando novos investimentos com foco contínuo na inovação da indústria e da chamada “velha economia”. “A história da Suplax é consequência de uma gestão com foco em qualidade, produtividade, resultado e pessoas. Cada decisão, independentemente da esfera, buscou centralizar o ser humano como o elo mais importante. Ficamos satisfeitos com a realização da venda, que confirma nossa compreensão das oportunidades no setor de insumos e suplementos alimentares e a relevância do Brasil no mercado mundial”, afirma Albuquerque.

Jovem aposta na velha economia para transformar alimentos saudáveis

Antes de completar os 25 anos neste mês de agosto de 2022, André Albuquerque, que veio de uma família simples de Nova Iguaçu na Baixada Fluminense, trabalhou quando adolescente na pequena empresa familiar de retalhos de tecidos e plástico, conquistou uma bolsa universitária nos Estados Unidos jogando futebol, montou uma empresa de limpeza de vidros e janelas no exterior e, no Brasil, investiu em uma indústria de suplementos alimentares. André apareceu em 2021 na lista “Forbes Under 30” como um dos jovens brasileiros proeminentes, e se diferencia dos empreendedores da sua idade pelo foco na chamada “Velha Economia”. Enquanto a maioria dos jovens está procurando um emprego ou se aventurando em startups, ele já teve diversos negócios e já empregou mais de 300 pessoas ao longo de sua trajetória e hoje lidera junto a outros sócios a maior terceirizadora de alimentos saudáveis do país, a Suplax. Em conversa exclusiva com a Bússola, André lembra que tudo na sua vida foi acontecendo rápido porque sempre esteve disposto a tomar riscos e a trabalhar o quanto fosse necessário. “A fórmula simples funciona: acordar cedo, produzir, trabalhar duro e vender”, diz.   Bússola: Você começou a empreender muito jovem. Que aprendizados isso te trouxe? André Albuquerque: Minha percepção de que trabalhar é bom veio do exemplo da minha família. Até hoje meu pai tem um negócio que começou com uma lojinha de bairro que vendia sobras de retalhos de plástico e tecidos. Enquanto ele (o pai) gerenciava, meu avô dirigia o caminhão, minha mãe atuava no balcão, minha avó era a vendedora, eu entregava panfletos. Cada um tinha o seu papel para o negócio funcionar. Eu trabalhei lá na infância e adolescência, dos 6 aos 14 anos, além de estudar, claro. Minha mãe não me deixava largar a escola, e correta estava ela, a educação é muito importante e só passamos a valorizar após velhos. O retorno vem quando se acorda cedo, produz, vende e trabalha duro, pois não existe fórmula mágica. Não tive dificuldades de entender meu papel nessa roda, aprendi cedo a ter responsabilidade. Como diz o Abílio Diniz: uns sonham com o sucesso, nós acordamos cedo e trabalhamos duro para consegui-lo.   Bússola: Com tanto espaço para inovação e no mercado digital, por que essa paixão e escolha pela “velha economia”? De onde veio a coragem de empreender ainda mais nesse setor? André Albuquerque: A inovação pode vir de diversas formas, e esses avanços nas “techs” são muito importantes, têm gerado escala para soluções que não se imaginava há 15, 20 anos. Mas, a velha economia não deixa de ser o motor da sociedade. Aliás, há muito espaço para se inovar, em modelos de negócio, relações de trabalho e no aumento de eficiência de produção, entre outros aspectos. Costumo dizer que o simples funciona, muitas pessoas olham para o mercado de startup enquanto poucos estão olhando para a velha economia. Por esses e outros motivos escolhi empreender na indústria de alimentos. Ninguém tem certeza de que um negócio vai dar certo. Para isso, você precisa tentar e, se errar, consertar rápido e tentar de novo. A persistência é uma das principais aliadas de um negócio de sucesso e a velocidade também.   Bússola: Conte um pouco mais sobre a história da Suplax. Como vocês chegaram a bons resultados em tão pouco tempo? O que mais te orgulha na empresa? André Albuquerque: Sabendo da empresa de limpeza que havíamos montado nos Estados Unidos, entre 2015 e 2016 um amigo que já trabalhava no ramo de suplementos alimentares me ligou com a ideia de importar uma nova máquina para alugar a uma indústria terceira, para ganhar com o lucro oriundo da produção. Surgiu a oportunidade de assumirmos toda a indústria de uma marca que já era referência no país, mas que estava em processo de falência por má gestão. A partir daí, aproveitamos os ativos e buscamos montar uma estrutura para entregar os melhores produtos para o mercado. Logo crescemos e fizemos um novo pátio fabril em São Paulo, investimos muito em qualidade e infraestrutura, inclusive atendemos hoje as restrições da indústria farmacêutica, que é a mais exigente, e poucas indústrias de Suplementos no país conseguem atender. O negócio foi pensado para oferecer toda a jornada produtiva para os clientes e hoje somos a única indústria com capacidade de oferecer o processo inteiro e de forma rápida – fazemos desde o registro da marca até a distribuição, produzindo em todos os formatos de produtos (cápsula, pó, comprimido, efervescente, softgel, sachê, sticks, pellets, líquido e outros) para os setores de suplementos esportivos, vitamínicos e alimentos saudáveis sem possuir uma marca própria. Hoje, a Suplax está alocada em um parque fabril de quase 22 mil m2, com localização excelente para logística – a planta fica em Santana da Parnaíba, na grande São Paulo, com saída para as principais rodovias, com capacidade produtiva de mais de 1.000 toneladas/mês. Meu orgulho é ver essa operação funcionando, fechando o ano com mais de 200 funcionários que trabalham felizes para atender, de forma recorrente e com excelência, mais de 100 marcas.   Bússola: O presidente Jair Bolsonaro anunciou recentemente (em 19 de agosto) que o governo federal zerou os impostos de importação de suplementos alimentares, como Whey Protein, e de outros itens de nutrição esportiva. Como isso impacta o mercado? André Albuquerque: Avaliamos como positiva a medida, visto que impacta diretamente nos custos de matéria-prima. Isso possibilita ao consumidor ter acesso a produtos melhores, com preços mais acessíveis, o que é muito importante para movimentar o setor, lembrando que o Brasil está entre os  maiores consumidores do mundo de suplementos alimentares e alimentos saudáveis, crescendo expressivamente ano a ano, mas boa parte da população ainda não tem acesso a produtos mais saudáveis por conta dos preços.   Bússola: Vemos muita gente reclamar do ambiente de negócios no Brasil. Como você enxerga o cenário e o contexto econômico brasileiro para o empresário? André Albuquerque: A realidade está aí, nem sempre ela será boa, mas é ela que temos que encarar. Independentemente do ambiente,

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