Economia azul: como o ecossistema de inovação pode impulsioná-la?

O ambiente de inovação é uma esfera colaborativa que incentiva a criação de novas tecnologias e negócios. Nesse sentido, reunindo todos os atores responsáveis pelo desenvolvimento de projetos inovadores, o ecossistema possui papel central no aperfeiçoamento social e econômico. Mas, afinal, o que é economia azul e qual sua relação com a inovação? O conceito da economia azul se baseia na imitação do funcionamento da natureza, assemelhando-se ao princípio da economia circular. Isto é, convertendo resíduos em materiais eficientes, capazes de desenvolver e impulsionar a economia de forma sustentável. Resumindo, a economia azul promove o crescimento econômico baseado na preservação dos ecossistemas marinhos e, consequentemente, na sustentabilidade ambiental. Logo, a economia azul visa promover um novo sistema econômico, totalmente desconectado do conceito de usar e jogar fora continuamente os bens que a natureza nos oferece. É, portanto, o principal motor para a recuperação dos ecossistemas e, sobretudo, para a sensibilização sobre a importância dos recursos dos oceanos e costas, que vão muito além da pesca e do turismo, por exemplo. Não à toa, ela possui papel fundamental para as empresas que buscam inovar, por meio da sustentabilidade. Porém, não basta apenas garantir o equilíbrio dos ecossistemas, uma vez que esta prática deve ser democratizada, a partir de infraestruturas, tecnologia e práticas sociais e ambientalmente conscientes. Ainda sensível no Brasil, o tema requer estímulos e compromisso não somente das comunidades que dependem do mar para subsistência e manutenção de suas tradições culturais, como também das indústrias que produzem lixo marinho, poluição por plástico, contaminação por resíduos etc. Inclusive, essa discussão se torna cada vez mais essencial, ao passo que de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a estimativa é que, até 2040, os mares recebam entre 23 e 37 milhões de toneladas de plástico por ano, um número três vezes maior que o atual, e que traz inúmeras reflexões sobre um cenário de desgaste mundial. É inegável que o oceano é a principal via de comércio exterior, fonte de alimento, energia e recursos minerais. Por isso, criada para incentivar um modelo econômico que respeite o meio ambiente, a economia azul adota uma abordagem distinta, principalmente para o empreendedorismo sustentável e a inovação. Enfatizando a forma de se fazer mais com menos, de combinar riqueza com diversidade, de ver os resíduos como recursos e, em última análise, a integração de todo o sistema a nível global, o conceito impulsiona a economia do mar brasileiro e, em especial, dos ecossistemas de inovação, possibilitando inclusive vantagens competitivas. A criação de peixes, mariscos e algas de forma sustentável é um dos grandes exemplos da economia azul, que envolve o uso de técnicas capazes de minimizar os impactos ambientais, promovendo assim inúmeros benefícios, como a saúde dos ecossistemas marinhos, energias renováveis e exploração de fontes de energias, a exemplo da eólica offshore. Além das energias retiradas das ondas e marés, que possuem o potencial de reduzir significativamente a dependência de combustíveis fósseis. Lembrando que estas e inúmeras outras frentes também impactam de forma positiva, como no caso da gestão inteligente de portos e transportes marítimos. Quais são os desafios? Excepcionalmente, a mudança é necessária no nosso modelo econômico, exigindo a separação do desenvolvimento socioeconômico humano da degradação do meio ambiente e dos ecossistemas. Afinal, vivemos em uma sociedade que nos aproxima de um caminho sem volta, quando o assunto é a degradação do planeta, devido à exploração dos recursos naturais e a geração de resíduos. Hoje, o equilíbrio ecológico é a única forma possível de reverter a mudança climática. Porém, isso não depende de uma única pessoa, mas sim, de toda a população, juntamente das empresas presentes no mundo. Ou seja, é necessário uma educação global ao redor do tema. Portanto, a economia azul tem como atual missão ser acessível a todos os tipos de consumidores, copiando assim a eficiência da natureza em seu processo. Logo, o ecossistema de inovação pode ajudá-la de forma colaborativa, onde todas as startups e empresas que quiserem inovar, terão acesso. Além disso, ao entenderem também o resíduo como um recurso, inspirado no ecodesign e no ambiente natural, esse modelo apostará em inovações de baixo custo que geram empregos e benefícios por meio da sustentabilidade. *Com informações do portal Exame
Impacto sustentável: iniciativas que transformam o agronegócio

Conheça algumas tecnologias a favor da agricultura e da pecuária no Brasil A agropecuária é essencial para movimentar a economia do país. Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostra que, no acumulado de janeiro a março de 2023, as exportações do setor movimentaram US $17 bilhões do total de US $76,4 bilhões comercializados pelo Brasil no primeiro trimestre. Por outro lado, vários problemas ambientais estão atrelados à expansão da agropecuária e à utilização de métodos para o cultivo e criação de animais. Na agricultura, os vilões são o desmatamento, as queimadas e a utilização de agrotóxicos que contaminam o solo, o lençol freático e os rios. Já na pecuária, a substituição da cobertura vegetal pelas pastagens também contribui para intensificação do aquecimento global porque os animais liberam gás metano. Em resumo, se, por um lado, temos uma necessidade latente de produzir alimentos para atender a demanda global, do outro, precisamos, urgentemente, preservar a natureza. Com isso, novos manejos e inovações tecnológicas aparecem e se tornam grandes aliados do produtor responsável. “Nosso grande desafio não é apenas pensar em formas de reduzir o impacto de todas as nossas atividades, mas reduzir esse impacto acelerando a geração de renda para as pessoas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da população. Onde há desenvolvimento, educação e geração de renda existe preservação e cuidado com o meio ambiente”, avalia Milton Steagall, CEO do Grupo BBF (Brasil BioFuels), empresa que tem como objetivo descarbonizar a Floresta Amazônica e mudar a matriz energética da região Norte do Brasil por meio de iniciativas como a produção de biocombustíveis para a geração de energia renovável. Responsabilidade ambiental A agenda ambiental está na ordem do dia no mundo todo e há um grande desafio geral que é o aumento da produção, com a redução do impacto ambiental. Por isso, é imprescindível o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para o setor do agronegócio. A Inteligência Artificial, drones e sensores e softwares de agricultura digital são algumas das alternativas. “A liderança brasileira na produção de alimentos e matérias-primas está alicerçada em ciência e tecnologia e são essas áreas que vão nos permitir dar um novo salto de crescimento, nos posicionando como referência no contexto da bioeconomia”, explica Steagall. Abaixo, alguns exemplos a favor da agricultura e da pecuária no Brasil: Captura de carbono: O CO2 capturado reduz significativamente as emissões de gases do efeito estufa, contribuindo para diminuição dos impactos do aquecimento global. Além disso, é possível lucrar com essa alternativa porque o carbono pode ser transformado em novos materiais plásticos muito utilizados nas indústrias. Prova de Emissão de Gases (PEG): A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) lançou um método para medir a emissão de gás metano em bovinos de raças europeias. A tecnologia, denominada Prova de Emissão de Gases (PEG) ajuda na seleção de reprodutores, unindo ganho de peso à menor produção do gás durante a digestão. Agricultura 4.0: A agricultura digital é um conjunto de tendências tecnológicas no agronegócio: maquinários de última geração, softwares de gestão e análise e sistemas que utilizam inteligência artificial para melhorar a gestão dos insumos, reduzir desperdício e aumentar a eficiência no uso de recursos. Com essas tecnologias, é possível elevar a produção, aumentar a rentabilidade e, claro, reduzir o impacto das atividades rurais sobre o meio ambiente. Entre as ferramentas que revolucionaram as operações, é possível encontrar grandes produtores que usam drones, sistemas de gestão, mecanismos e dispositivos para atividades remotas, automóveis e máquinas, entre outras. Neste contexto, é possível contar com sistemas regenerativos que possuem o compromisso de melhorar os resultados produtivos, ecológicos e sociais. Essas práticas integradas trazem medidas para aumentar a saúde do solo, sequestrar carbono da atmosfera, manter a qualidade da água, conservar e expandir a biodiversidade e melhorar a qualidade de vida. Energia Solar: Sistemas de geração de energia solar reduzem os impactos na natureza porque são uma fonte inesgotável e com zero risco de poluição é considerada inesgotável. A energia solar ainda ajuda na redução de gastos com a conta de luz, chegando a uma economia de até 99%. Horta inteligente: Produzir o seu próprio alimento, seja em hortas comunitárias ou caseiras, contribui para a redução da pobreza, melhora a saúde e, claro, auxilia na preservação do meio ambiente. A prática, inclusive, é recomendada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A horta inteligente, por exemplo, com sistema autoirrigável, é uma alternativa simples e eficiente, vendida por iniciativas como a da empresa Yes We Grow. “Nunca tivemos tanto veneno em nossa alimentação e a agricultura urbana doméstica traz consciência alimentar e ecológica. E em muitos casos, cultivar em casa, nem que seja um pezinho de manjericão mostra que a economia pode ser enorme”, finaliza Rafael Pelosini, CEO e Fundador da Yes We Grow. *Com informações da Exame
Fundação lança banco de dados de startups circulares

Circular Startup Index, criado pela Fundação Ellen MacArthur, quer conectar startups a empresas e investidores A Fundação Ellen MacArthur, organização internacional sem fins lucrativos que atua no desenvolvimento da economia circular, lançou um banco de dados de startups circulares — o Circular Startup Index. A plataforma tem o objetivo de ajudar empresas e investidores a conhecer as startups, impulsionando a aceleração e inovação nesse nicho. “Projetar um futuro circular requer inovação radical para repensar como nossa economia funciona. Milhares de startups circulares já estão fazendo isso. Mas elas precisam de mais apoio e investimento”, diz Ella Hedley, gerente de projetos da Fundação Ellen MacArthur. O índice, disponível no site da Fundação, apresenta startups que fazem parte da sua comunidade. Cada uma delas foi selecionada por incorporar um ou mais princípios da economia circular – a eliminação de resíduos e poluição, a circularidade de produtos e materiais e a regeneração da natureza – em sua proposta de negócios. Atualmente, há 500 startups catalogadas de diferentes setores. Entre elas, estão sete startups brasileiras: 4 Hábitos para Mudar o Mundo, B.O.B – Bars Over Bottles, B.Recycled, Boomera, Circular Brain, eureciclo e Natcrom Soluções Sustentáveis LTDA. *Com informações da Revista PEGN
Dona do Bis investe R$ 400 mi em programa de inclusão de fornecedores

Programa Investir com Propósito quer encontrar 20 empresas de fornecedores diversos para estabelecer negócios com a Mondelēz Brasil A Mondelēz Brasil – dona de marcas como Oreo, Bis, Club Social, Halls, Lacta, Tang e Trident – irá investir mais de R$ 400 milhões no programa Investir com Propósito ao longo de 2023 para apoiar fornecedores negros, mulheres, PCD, LGBTI+ e indígenas e estabelecer negócios. Serão selecionadas 20 companhias das seguintes cidades pernambucanas: Pombos, Caruaru, Moreno, Recife, Vitória de Santo Antão e municípios vizinhos da cidade de Vitória de Santo Antão (PE), onde está localizada uma das fábricas da companhia. As inscrições para a primeira fase vão até o dia 23/01 pelo site da Linkana. Já na segunda fase do processo, que acontecerá no dia 26/01, as empresas participantes terão a chance de fazer uma espécie de pitch comercial, onde apresentarão os negócios à diversas áreas da multinacional. O evento acontecerá na fábrica da empresa, em Vitória de Santo Antão (PE). “As companhias terão a mesma visibilidade e poderão fechar novas parcerias com essas companhias. O nosso objetivo em contratar empresas diversas é impulsionar o crescimento da Mondelēz por meio de flexibilização e inovação, que são vantagens oferecidas por esses negócios. O evento será também uma vitrine para outras oportunidades”, diz Gilson Alencar, gerente de compras da Mondelēz Brasil. Outras companhias como BRF, Fante, Nissin Foods, Owens Illinois, Pitu, Roca e Isoeste, foram convidadas e estarão presentes no evento. As empresas podem se inscrever em duas categorias diferentes: empresas diversas e empresas de economia inclusiva. Na primeira delas, o negócio deve ser ativamente administrado ou controlado por 51% de mulheres, pessoas com deficiência, LGBTQIAP+, pretos e indígenas. Já na segunda, pequenas e médias empresas devem ter faturamento anual de até R$ 360 mil para se tornarem elegíveis. Dentre as áreas de atuação das companhias participantes, estão: serviços de manutenção, saúde, meio-ambiente, segurança do trabalho, materiais de laboratórios, resíduos, engenharia, usinagem, logística, serviços gráficos, de alimentação/coffee break e de materiais de escritório. Histórico de investimentos em diversidade Segundo a Mondelēz Brasil, em 2022, foram investidos mais de R$48 milhões somente nos estados de Pernambuco, Bahia e Alagoas em contratação de fornecedores diversos, enquanto o total de investimentos para o ano foi de R$350 milhões. “Isso possibilitou entregas com mais criatividade e qualidade, favorecendo a aproximação com nossos clientes. Nossa meta é fornecer oportunidades àqueles com dificuldade em expandir seus negócios. Queremos não só gerar oportunidades, mas também impactar toda a comunidade”, diz Alencar. Apesar da iniciativa ter sido lançada em 2022, esse é o primeiro evento para contratação de fornecedores diversos. Outras iniciativas Em 2022, a Mondelēz lançou um e-book para auxiliar negóios na aplicação da inclusão de fornecedores diversos em suas instituições. Além disso, também em parceria com a Linkana, foi criado um software que mapeia e pré-certifica fornecedores diversos. Como resultado das ações de valorização de fornecedores diversos, foram contratadas 277 empresas lideradas por mulheres, 48 lideradas por pessoas pretas e 6 por PCD durante o ano passado. Para se inscrever, basta clicar aqui. Fonte: Exame.com, com reportagem de Fernanda Bastos (https://exame.com/esg/dona-da-oreo-e-bis-busca-fornecedores-negros-mulheres-pcd-lgbti-e-indigenas/)
Empreendedor abre lavanderia autônoma que planta uma árvore a cada dez lavagens
Com o nascimento do seu filho, o cineasta Mario Zugair, 46 anos, sentiu a necessidade de realizar uma transformação em sua vida. Ele queria criar um negócio que se encaixasse com as tendências de comportamento de consumo e, ao mesmo tempo, ajudasse a regenerar o meio ambiente, com uma filosofia de “devolver para o planeta”. Assim, fundou, em 2021, a Leafy Eco, rede de lavanderias autônomas, que funciona sem a necessidade de funcionários. Faz pouco mais de nove meses que a primeira unidade foi aberta na região de Higienópolis, em São Paulo. De lá para cá, a marca ganhou mais duas unidades de rua, e uma está instalada dentro de um condomínio. Ainda no primeiro trimestre de 2023, outra deve ser aberta na região da Vila Madalena, também na capital paulista. A proposta da rede é a seguinte: a cada dez ciclos de lavagem e secagem, uma muda de árvore nativa da mata atlântica é doada. “Tínhamos o objetivo de doar 300 mudas em 2022, e chegamos a mais de 700”, diz o empreendedor. A meta, de acordo com ele, é chegar a 1,2 mil árvores plantadas em 2023. A ação ocorre em parceria com o Sítio Árvores Gerais, em Florestal (MG). A Leafy doa as mudas e fornece orientações para o plantio no entorno de nascentes, margens de rios ou ainda na formação de sistemas agroflorestais. O público beneficiado diretamente é formado por pequenos agricultores e ONGs. A rede documenta os plantios em suas redes sociais. Leia também Franquias de lavanderias da Omo passam a higienizar sofás e estofados Franquia de lavanderia econômica oferece serviços a partir de R$ 2 Cada uma das lavanderias de rua demandou um investimento médio de R$ 120 mil, e a que está dentro de condomínio custou cerca de R$ 70 mil. “O faturamento está em torno de R$ 20 mil a R$ 25 mil por loja.” Ele explica que os espaços das lavanderias são pensados para promover a interação entre os clientes, transformando o ambiente em um potencial local de socialização. O valor dos serviços é de R$ 29,90 para cada dez quilos de roupa. “O tempo total de utilização é de aproximadamente uma hora entre lavagem e secagem. Considerando um ciclo completo, o usuário pode lavar até 10 kg de roupas, o que daria por volta de 25 peças, em média”, diz. Zugair acredita que o negócio vai conseguir decolar amparado nos anseios das novas gerações, que “se preocupam com o planeta e são mais desapegadas de bens materiais”. Apesar disso, ele diz que o público tem sido bem heterogêneo, de diversas idades e perfis. “Temos donas de casa que têm aderido ao serviço, com alta frequência.” Zugair sabe que o mercado já apresenta fortes concorrentes, como as redes de franquias Lavô, eLav, Maria Lavadeira e a OMO Lavanderia, ligada à Unilever. Ele aposta que a pegada sustentável da Leafy Eco será o grande chamariz. “É um segmento que oferece otimização de tempo, principalmente nas grandes metrópoles do país. Agora, chegou o momento desta praticidade se tornar uma aliada do meio ambiente” diz. Neste momento, o empreendedor está formatando a empresa para crescer com franquias e está em negociação com uma aceleradora especializada no segmento. “Estamos estudando para não crescermos desenfreadamente e perdermos o viés sustentável, que é realmente o foco do nosso negócio, mais do que o monetário.” Fonte: PEGN | reportagem de Paulo Gratão