Startup Sami, de planos de saúde, capta R$ 90 milhões para crescer entre as grandes empresas

Série B foi liderada pelos fundos Redpoint eventures e Mundi Ventures; Agora, empresa pretende dobrar faturamento com novo canal de vendas e foco nas grandes empresas Tem sido um longo e duro inverno para as startups de saúde. Com a estiagem dos investimentos de risco, healthtechs brasileiras como Alice e Memed têm lançado mão de estratégias para conter a queima excessiva de capital. A mais notável delas: as demissões em massa, famigerados “layoffs”, adotados por boa parte das startups em busca de maior eficiência de caixa e redução de custos. A startup de saúde Sami também entra nessa conta, já que dispensou 15% do time há um ano. Mas agora há a chance da conta fechar. Depois de uma longa temporada sem captar investimentos — a startup estava há três anos sem qualquer financiamento externo — a Sami anuncia uma rodada de R$ 90 milhões (cerca de US$ 18 milhões) em rodada série B liderada pela Redpoint eventures e Mundi Ventures. Participaram também os fundos Alumni Ventures, Endeavor Catalyst, Digital Horizon, Tau Ventures, e investidores de longa data da empresa, como Monashees, Mancora Ventures e Valor Capital Group, e os executivos Kevin Efrus, da Accel; Ricardo Marino, do Itaú; Mauro Figueired, ex-diretor da Bradesco Saúde e Brad Otto, ex-executivo da área de Corporate Venture Capital (CVC) da americana UnitedHealth Group, dona da Amil. O que faz a empresa A Sami atua basicamente como uma operadora de planos de saúde focada em empresas de pequeno porte, microempreendedores e profissionais liberais. A ideia é atender a uma parcela desassistida pelos tradicionais planos de saúde empresariais, que usualmente têm preços elevados que dificilmente cabem na conta de companhias de menor porte. Sendo assim, a ideia da Sami é oferecer planos de cobertura de saúde a preços acessíveis. A aposta está em uma rede credenciada mais enxuta, de olho nos menores custos para o empregador na ponta. A healthtech conta com cinco hospitais credenciados na rede de São Paulo, mas os carros-chefes são os serviços de telemedicina dedicada à triagem de forma digital por meio de um atendimento primário e o de digitalização de histórico médicos de pacientes. Atualmente, 95% dos atendimentos feitos pela startup acontecem online. A essência da Sami está no atendimento primário à saúde, no qual usuários podem ser atendidos, via aplicativo, por um time de saúde multidisciplinar que inclui um médico de família, um coordenador e um enfermeiro. “Baseada em seu histórico de saúde e socioeconômico, e os cuidados preventivos e proativos são direcionados considerando tudo isso, para que a gente consiga olhar para a saúde dele de fato, de maneira integral, e não só tratar doenças”, explica Vitor Asseituno, cofundador da Sami. Entre os principais hospitais e parceiros incluídos nos planos da Sami, em São Paulo, estão: Beneficência Portuguesa Oswaldo Cruz Pro Matre Gympass (bem-estar físico) Cíngulo (saúde mental) Qual é a história do negócio A Sami foi fundada em 2018 pelos empreendedores Vitor Asseituno e Guilherme Berardo com o propósito de reformular o sistema de saúde privado do país. Com uma boa ideia, mas sem capital à disposição, o piloto da startup foi o de consultoria de inovação e dados para dois grandes planos nacionais. A experiência com as duas empresas permitiu o primeiro contato com uma ampla base de clientes e a testagem de uma tese de negócio baseada na oferta de planos próprios até 25% mais baratos que a média do mercado. Em 2020, com o aporte de R$ 86 milhões em uma série A envolvendo fundos como Monashees e Valor Capital Group, a Sami pôde colocar à prova seu modelo baseado em conexão de pacientes, laboratórios, hospitais e profissionais de saúde por meio de planos de saúde empresariais para pequenas companhias e microempreendedores individuais (MEIs). Em 2022, a healthtech também lançou um novo produto, o Sami Coral, voltado a grandes empresas, com o intuito de atender grandes executivos de empresas clientes em busca de atendimentos mais “premium”. Segundo com Javier Santiso, fundador da Mundi Ventures, o interesse na Sami se justifica pela experiência do time e sua capacidade de execução. “O Brasil é o terceiro maior mercado privado de saúde do mundo (apenas atrás de Estados Unidos e China) e entendemos que a Sami é a empresa com melhor tecnologia e produto para disruptar o setor, especialmente em um momento em que os incumbentes estão sofrendo bastante”, diz. O investimento na Sami é o primeiro da europeia Mundi Ventures no Brasil, e também parte de um esforço para investir até US $100 milhões na América Latina através de um fundo local focado em investimentos early stage. A iniciativa é liderada pela ex-Goldman Sachs e QuintoAnda Rafaela Andrade. “Em um momento tão difícil de captação de investimento para as startups, essa captação reforça o destaque e a performance da Sami e a confiança dos investidores no potencial da empresa”, diz Asseituno. Quais são os planos Com o aporte, a Sami pretende dar novo fôlego à sua estratégia voltada às empresas maiores. Também quer ampliar os investimentos em tecnologia para melhorar a experiência de seus 18.000 membros ativos. A incursão de novos canais de venda também está nos planos. A partir de agora, a startup também passa a vender planos de saúde por meio de corretores especializados em saúde. Até então, a venda era feita exclusivamente online ou vendas diretas. “Temos que estar onde o cliente quer comprar, seja no digital, seja no telefone, seja no corretor”, diz Guilherme Berardo, CEO da companhia, que acredita que o novo canal representará até metade das vendas da healthtech até o final do ano. Do lado dos resultados, a Sami espera mais um ano positivo. Em 2022, a empresa faturou R$ 60 milhões. Um ano antes, o faturamento havia sido de R$ 9 milhões. Até o final do ano, a Sami pretende ter 27.000 membros e um faturamento de R$ 120 milhões.  “Estamos mirando o breakeven e acreditamos que é provável que ele aconteça até o próximo ano, graças ao nosso modelo diferenciado. Fechamos 2022 muito bem, com um faturamento anualizado de R$ 60 milhões, e queremos chegar a R$120 milhões neste ano,” conclui Berardo. *Com informações da Exame

A vingança do fluxo de caixa livre

Valor tem a ver com lucro, mas em muitas situações abrimos mão do lucro de curto prazo, em troca de um resultado maior em médio e longo prazo Quando ensinava finanças corporativas, costumava indagar à turma: “Qual o principal objetivo do CEO de uma empresa?” Já utilizei essa pergunta várias vezes e a grande maioria das pessoas responde “lucro”, quando acredito que a resposta correta seria “valor”. De fato, “geração de valor” é o conceito mais abrangente na gestão de uma companhia. Valor tem a ver com lucro, mas em muitas situações abrimos mão do lucro de curto prazo, em troca de um resultado maior em médio e longo prazo. Isso acontece, por exemplo, quando priorizamos investimentos desenvolvimento de produtos, novas plataformas tecnológicas ou mesmo na construção de uma nova fábrica. Como calcular o valor de uma empresa? A melhor forma algébrica para se calcular o valor de um projeto ou empresa é, e continua sendo, o famoso fluxo de caixa de descontado. Uma empresa precisa gerar caixa em um determinado momento para que aquele caixa, ao ser descontado, contribua de forma positiva para o valor presente líquido da companhia. A definição da taxa de desconto a ser utilizada gera uma ampla discussão, mas deixemos esse assunto para outro momento. Penso que todos que já fizeram esse exercício sabem que o valor presente de um caixa futuro é altamente “deteriorado” pela taxa de desconto. O tempo custa caro. Em resumo, o lucro de uma companhia precisa aumentar muito para justificar o custo do diferimento desse capital. A indústria de venture capital é um subsegmento de private equity, que busca empresas disruptivas, com estruturas leves e que possam crescer exponencialmente. Por hábito, existe uma tolerância maior com a falta de geração de caixa compensada pelo crescimento explosivo dessas investidas. Afinal, muitas delas fazem a tal disrupção ao tornar acessível a um grupo maior de pessoas, algum tipo de serviço complexo, por preço ou por experiência do usuário. Várias dessas companhias se propõem a dominar um determinado mercado e o first-mover advantage acaba sendo uma grande vantagem competitiva. Nos últimos anos, vimos um verdadeiro frenesi na indústria de venture capital, que nos levou para o desafiador status atual. Em primeiro lugar, a redução da taxa de juros global, reduzia o “dano” ao caixa futuro no tempo. O sucesso de unicórnios, criaram uma corrida de investidores e fundos para essa nova oportunidade. Com isso, valuations passaram a ser pouco importantes: em um portfólio early stage onde se busca saídas por valores superiores a US$ 1bi, o preço de entrada pouco importava: US$ 5m, US$ 10m, US$ 20m podiam resultar igualmente em um caso incontestável de sucesso. Alguns fundos chegaram a defender o prazo de uma semana para a tomada de decisões de investimento. Outros passaram a aplicar a mesma lógica de fundos early stage em late stage, tratando o cálculo de preço de suas investidas de forma secundária. Pessoas físicas, por vezes, tentaram a sorte em startups, como se fosse trivial construir uma grande corporação. A verdade é que a velocidade das transações e a dificuldade de se construir modelos de fluxo de caixa descontado em empresas imprevisíveis e exponenciais, levou os investidores a usarem múltiplos de métricas financeiras. Conheço um sofisticado investidor que uma vez disse: “Primeiro calculávamos o valor de uma empresa usando múltiplos sobre seus lucros. Essas empresas deixaram de ter lucro e começamos a usar EBITDA. As mesmas empresas deixaram de ter EBITDA, passamos a usar múltiplos sobre receita. Breve serão utilizados os múltiplos sobre o número do prédio onde a empresa está instalada”. A ganância da humanidade em busca do novo acerto, nos levou para onde estamos. O dinheiro acabou, a taxa de juros subiu e aguardar pacientemente os lucros futuros se tornou matematicamente insustentável. Se em abril de 2023 temos 13.75% de taxa de juros Selic, deveríamos pedir algo em torno de 25% ao ano, para que possamos aceitar os riscos de execução e falta de liquidez. Vale lembrar que R$ 1.000,00 trazidos a valor presente por uma taxa de 25% ao ano em 10 anos, correspondem apenas a R$ 107,00 nos dias de hoje. A transformação dos mercados foi tão rápida quanto as mudanças impostas pela Covid ou geopolítica. Fundadores comprometidos com suas estratégias de construção agressiva de receita, viram suas fontes de caixa secarem. Os fundos, mesmo aqueles com dry powder (= capital disponível), retraíram seus investimentos buscando entender quais seriam as novas regras do jogo.  Com tudo isso, as empresas viram a pista disponível para sua decolagem reduzindo, o que levou inevitavelmente a um forte movimento de frenagem. Em maio de 2022, a Sequoia, um dos fundos que mais respeito, lançou uma cartilha para suas investidas, explicando a importância do caixa como forma de gerar sustentabilidade para os negócios. Na minha opinião, esse foi um marco de nosso retorno aos fundamentos em venture capital. A verdade é que a essência de venture capital na América Latina continua muito forte: seja pela concentração de negócios em empresas tradicionais, que deixam espaço para novos entrantes; seja pela migração de talentos egressos de universidades para o empreendedorismo; ou seja ainda pela tecnologia, que permite a construção de bancos sem agências e modelos de verticalização digitais, sem se precise assentar em um único tijolo. Mercados ineficientes pedem por mudanças, inovação e disrupção. Acredito que o pêndulo de ajuste tenha ido longe demais, ao ponto de permitir lançar para fora da pista, empresas e pilotos de qualidade. Há alguns meses, recebi um empreendedor que trabalhava fortemente para reduzir a queima de caixa de sua empresa. Ele se sentia injustiçado, dado que todos os fundos haviam pedido para ele “dançar conforme uma determinada música” e que ao se preparar para tal, tudo mudou repentinamente. Há quem diga que veremos uma extinção em massa de startups no segundo semestre de 2023 e primeiro semestre de 2024, justamente aquelas que não conseguirem captar recursos ou melhorar a saúde de seus unit economics. A boa notícia é que muitas das empresas mais fortes do mundo foram criadas em momentos de crise ou

Open innovation: crise no Silicon Valley Bank leva startups a saírem da zona de conforto

*Por Vinicius Giglio, CEO da KATE Capital, e Ana Debiazi, CEO da Leonora Ventures O Silicon Valley Bank (SVB) era um importante player no mercado de dívida de risco, fornecendo empréstimos em curto prazo para startups no mundo todo, sem exigir participação acionária. No entanto, recentemente a instituição financeira enfrentou problemas graves chegando à falência. Esse incidente ligou o alarme entre as startups que dependiam do banco para serviços essenciais, como contas bancárias, pagamentos e empréstimos. A questão tem afetado diretamente esse mercado que já enfrenta um desafio significativo em relação à liquidez. As empresas disruptivas e inovadoras muitas vezes carecem de ativos que possam ser facilmente convertidos em dinheiro, tornando difícil levantar o capital de giro necessário para manter suas operações em andamento. De acordo com a Harvard Business Review, a ênfase do SVB em atender às necessidades específicas das startups pode ter saído pela culatra. Embora pudesse oferecer serviços bancários e financeiros personalizados para as companhias, a estratégia também tornava o banco fortemente dependente desse segmento de clientes para gerar receita. Além disso, o mau funcionamento da plataforma tem impactado negativamente as startups, já que muitas dependem do SVB para se conectar com investidores e fornecedores. As consequências dessa crise estão levando as empresas a explorarem opções alternativas, que podem fazer os Fundos de Capital de Risco (VCs) reconsiderarem estratégias de investimentos. As startups ainda podem ter que aceitar termos de financiamentos desfavoráveis ou buscar novas possibilidades, como a tokenização de ativos. Essa modalidade envolve a conversão de ativos em tokens que podem ser comprados e vendidos na plataforma blockchain, proporcionando maior flexibilidade e acesso a uma gama mais ampla de investidores. A Fast Company destaca que o desastre do SVB é um alerta para o mercado de startups se adaptar a novos métodos de financiamento. Algumas companhias africanas já estão buscando diferentes opções bancárias para evitar a dependência excessiva do SVB. Para garantir a sobrevivência em longo prazo, o mercado de startups deve estar ciente da importância de diversificar suas opções financeiras. Por essas e outras, empresas do ramo de security tokens já estão ajudando a resolver esse problema trabalhando com a tokenização de startups e pequenas e médias empresas (PMEs). Além disso, as associações de anjos estão aproveitando recursos que permitem captação mais rápida do que nos mecanismos tradicionais, reforçando o ecossistema de empreendedorismo. O mercado de investimentos alternativos é caracterizado justamente por ativos que não são negociados em bolsas de valores convencionais. Ou seja, trata-se de ações, títulos e fundos imobiliários que têm mais potencial de retorno, mas também maior risco e iliquidez. Entre os investimentos alternativos, as startups têm sido uma das opções mais procuradas. De acordo com a KPMG, só em 2021, foram investidos US$ 291 bilhões em empresas emergentes em todo o mundo. É fato que investir em startups pode trazer grandes retornos financeiros, mas se trata de um investimento de alto risco porque o sucesso do negócio é imprevisível. No entanto, se a companhia decolar, o ganho é, sim, exponencial. Com expertise em unir a blockchain ao processo de investimento e negociação de participação acionária, empresas do ramo proporcionam segurança e transparência para as transações, facilitando ainda a divisão da propriedade entre os investidores. Diante disso tudo, para o bem geral das companhias em desenvolvimento, fica o alerta de envidar esforços para a diversificação dos serviços financeiros. Vinicius Giglio é engenheiro de produção e mestre em administração de empresas,  fundador e CEO da KATE Capital  Ana Debiazi é economista, CEO da Leonora Ventures e investidora e membro de conselhos de Startups

Crowdfunding cresce e vira opção de recurso de startups

Modelo ganha força após a pandemia e norma da CVM, que regulamentou as ‘vaquinhas online’ para investidores no Brasil   Na última década, os sites de “vaquinhas online”, como Catarse e Vakinha, popularizaram-se com intuito de reunir diferentes indivíduos para bancar projetos pessoais, como viagens dos sonhos e causas sociais. Agora, uma versão “2.0″ desse modelo ganha impulso: plataformas de “crowdfunding” (financiamento coletivo, em inglês) dedicadas a startups em busca de capital. O objetivo dessas plataformas de crowdfunding é o mesmo das tradicionais “vaquinhas”: reunir o maior número possível de pessoas para bancar ideias de empreendedores que usam tecnologia para ter escala no negócio. Em retorno, os financiadores recebem parte do investimento no longo prazo, da mesma forma que fundos de investimento tradicionais. No processo, quem cuida de tudo é a plataforma, simplificando as tarefas ao cuidar de contratos e das transações (e, claro, “mordendo” uma taxa do valor levantado). No Brasil, a plataforma Captable é uma das mais conhecidas no universo “startupeiro”. O site nasceu em julho de 2019 e, desde então, já movimentou quase R$ 100 milhões em 50 projetos, com especial aumento na procura durante a pandemia, quando o mercado de capitais dedicou as atenções ao setor de tecnologia. Agora, a firma projeta movimentar outros R$ 40 milhões somente em 2023. “A pandemia quebrou várias barreiras, principalmente no mundo financeiro. Antes, fazer um investimento em uma plataforma de crowdfunding poderia assustar essas pessoas”, explica o empresário Paulo Deitos, CEO e cofundador da Captable, propriedade da escola de inovação StartSe desde fevereiro de 2022. “Passado o susto inicial, os meses seguintes foram um sucesso para nós”, diz. Paulo Deitos é cofundador e CEO da startup de crowdfunding Captable  O cenário de baixa mundial dos juros, mais o impulso do setor de tecnologia durante o biênio pandêmico, turbinaram os investimentos de crowdfunding. Além disso, a instrução 588 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de julho de 2017, foi essencial para regularizar o setor, impondo limites sobre as plataformas de “investimento participativo”. A popularização de investimentos via crowdfunding no exterior também foi um empurrão para o segmento no País. Nomes como a californiana Wefunder, a israelense OurCrowd e a britânica CrowdCube ganharam mercado ao se dedicar a negócios de startups, mas é possível encontrar plataformas especializadas em diversos nichos, como empreendedoras mulheres (IFundWomen). “Aos poucos, essa cultura de diversificação de investimentos foi sendo replicada no Brasil”, diz Antonio Patrus, diretor da Bossanova, fundo brasileiro de investimentos dedicado a startups que, em agosto de 2022, comprou a plataforma de crowdfunding Platta Investimentos. Desde então, foram lançados dois projetos para captação, totalizando R$ 863 mil em volume e mais de 200 investidores. Embora o setor de investimento em crowdfunding (ou equity crowdfunding) esteja crescendo, o mundo da tecnologia navega em um momento de ventos contrários, com o mercado desacelerando em meio à alta global dos juros e ameaça de recessão econômica nos EUA. Isso significa que investidores tradicionais de startups repensam seus cheques e buscam negócios mais sustentáveis, portanto, com menos riscos. “Houve uma queda de 2021 para 2022 no valor total captado e no número de startups que captaram. Mas, ainda assim, o número de plataformas especializadas subiu de 15 para 21. Ou seja, essa queda foi um engasgo e estamos esperando por uma estabilização econômica para ter o crescimento desse tipo de investimento no Brasil”, explica Patrus. Vantagens para startups Para a maior parte das startups, o modelo de crowdfunding é uma forma de buscar não só os investidores, mas também de apresentar seus produtos para mercado e público em geral – o que ajuda a fisgar clientes já durante o processo de busca de capital. É o caso da Food to Save, que levantou R$ 1,3 milhão com 272 pessoas em maio de 2022 pela plataforma da Captable. Nascida em maio de 2021 com o intuito de combater o desperdício de alimentos, a startup levou menos de 24 horas para fechar a captação. Nesse período, o negócio de sacolas-surpresa da startup ganhou a capital paulista e se tornou um dos aplicativos mais baixados nas lojas da Apple e Google. “Em alguns casos, startups feitas para o mercado consumidor (B2C) acabam se alavancando com essa rede de investidores”, explica Cassio Spina, fundador e presidente executivo da Anjos do Brasil, organização dedicada a investimento-anjo. “Essa popularização do negócio é um benefício indireto do modelo de crowdfunding.” Outro ponto é a agilidade: no crowdfunding, as startups conseguem levantar cheques de maneira mais rápida, já que o modelo é menos burocrático que rodadas de investimento com fundos, o que pode levar até 12 meses — o que pode ser fatal para o negócio. “O tempo de um ano para uma startup é uma eternidade e isso pode ser uma oportunidade perdida”, diz Deitos, da Captable. Segundo o executivo, a janela de captação pelo modelo de crowdfunding vai de 60 a 80 dias. Encaixe no ecossistema Claro, o equity crowdfunding é uma forma de diversificar a carteira, é claro. Mas, sobretudo, pode significar uma entrada no mercado de investimento em startups, já que o modelo exige investimento mínimo de R$ 1 mil por startup investida. Para Patrus, da Bossanova, o modelo é a “democratização” do que já fazem fundos de investimento tradicionais, mas com as pessoas físicas à frente do aporte. “O crowdfunding é a primeira ferramenta de varejo para ter acesso ao universo de startups”, diz ele — na Platta, todas as startups prontas para captar são avaliadas pelos especialistas da Bossanova, que dá a “validação”. Cassio Spina concorda com a democratização. “O modelo participativo abre potencial para a existência de muitos investidores, uma vez que dá acesso a pessoas que não teriam o montante para fazer um investimento-anjo”, diz, citando os cheques de R$ 15 mil por pessoa nessa etapa. Continua após a publicidade Além disso, há a vantagem de não exigir que o investidor esteja tão próximo do negócio, papel que fica para investidores-anjo e fundos de investimento, que atuam como conselheiros para garantir o bom funcionamento do negócio da startup. “Já o investidor de crowdfunding não vai ter esse trabalho”. O que

Investimentos em startups caem pela metade em 2022

Falar que 2022 foi um ano ruim para as startups brasileiras não é nenhuma novidade. Entretanto, os números nos dão uma ideia do quão ruim as coisas ficaram no ano passado, quando a festa de investimentos que marcou 2021 esbarrou em um cenário econômico dos mais complexos. Segundo levantou a consultoria Sling Hub, o Brasil viu o seu volume total de investimentos em startups cair por mais da metade. Foram US$ 5,2 bilhões em valores aportados – em 2021 o volume total foi de US$ 10,5 bilhões. A retração do mercado brasileiro foi muito superior ao percentual de queda da América Latina como um todo, que foi de 35%, caindo de US$ 18,4 bilhões para US$ 12 bilhões em aportes. Analisando mais detalhadamente o relatório da Sling Hub, é possível ver que a queda foi puxada principalmente pelas falta de rodadas mais altas. Por exemplo, se em 2021 o Brasil viu 47 rodadas em que startups levantaram quantias acima de US$ 50 milhões, em 2022 foram apenas 26. Na América Latina, rodadas com este montante caíram de 93 para 62. Por outro lado, na faixa de US$ 1 milhão a US$ 5 milhões (seed e série A), as startups brasileiras e latinoamericanas não tiveram tanto do que reclamar no ano passado. No caso de aportes seed, o saldo geral foi até de crescimento. No Brasil foram 148 rodadas (ante 141 em 2021) e na América Latina foram 283 – em 2021 foram 238. Quanto aos valores médios de rodadas, investimentos anjo e seed viram os valores aumentarem – no caso do seed, a média de aporte ficou em US$ 2 milhões no Brasil, um crescimento de mais de 50% sobre a média de US$ 1,3 milhão em 2021. As roddadas de venture debt também cresceram consideravelmente, saindo de uma média de US$ 11,4 milhões no Brasil, para US$ 57 milhões. “Enquanto em 2021 a rodada média de todas as fases macro (exceto a série C) cresceu, em 2022 o cenário foi mais dividido. A dívida teve o maior aumento (2x) – especialmente no Brasil (5x) – seguido por pré-seed, equity crowdfunding e anjo (1,8x) e semente (1,5x). Os resultados de Série C foram estáveis, e as demais etapas todas encolheram, com os mais dramáticos resultados estando nas rodadas da série D+, um pouco acima da metade do que foi visto em 2021”, afirma a Sling Hub no relatório. Falando de tipos de startups, quem mais sentiu o baque em 2022 foram as fintechs. No Brasil, o volume de investimentos nestas startups despencou de US$ 4,1 bllhão para US$ 2,3 bilhões. Na América Latina a retração foi de US$ 8 bilhões para US$ 5,5 bilhões. Mas a queda mais violenta foi a das proptechs no Brasil: depois de um 2021 estelar, com US$ 1,2 bilhão em investimentos, as proptechs brasileiras amargaram apenas US$ 176 milhões em aporte em 2022. Unicórnio é o novo panda? Todo mundo fala que unicórnio é um animal raro, mas 2021 foi uma loucura. Na América Latina, foram 21 novas startups bilionárias – entre elas 10 brasileiras. Já em 2022, foi difícil ver o nascimento de novos unicórnios, tanto que lembrou outro animal que também tem muitas dificuldades em gerar novos exemplares de sua espécie: o panda. Há também a discussão sobre startups serem outro animal, o camelo. Em 2022 foram apenas 10 unicórnios latinos, entre eles só duas empresas brasileiras, a Neon e a Dock. México liderou com quatro (Jeeves, Nowports, Stori e Yaydoo), Chile trouxe a Betterfly, Argentina foi representada pela Technisys, Equador teve a fintech Kushki e Colômbia fechou a lista com a proptech Habi. No cenário geral latino-americano, houve queda em fusões e aquisições (de 343 para 299). Entretanto, o Brasil teve um aumento leve nesse tipo de transação, pulando de 229 para 236 M&As, puxado por fintechs, healthtechs e deep techs.   Fonte: Startups.com.br com reportagem de Leandro Souza.

Dia do Empreendedorismo Feminino: 8 mulheres no Venture Capital

As mulheres ainda são uma minoria no mundo das startups e da inovação. Isso é verdade não só quando olhamos para quem cria empresas empresas, como também do outro lado da mesa, assinando os cheques. Há poucas mulheres investidoras no venture capital. Nos Estados Unidos, as mulheres ocupam apenas 15.4% dos cargos de general partners de VCs, de acordo com dados do Pitchbook. No Vale do Silício, a proporção de GPs do sexo feminino aumentou de 15,4% para 17,1% entre 2020 e 2021, um avanço importante, mas ainda pequeno. Na contramão dessa realidade, investidoras e lideranças femininas vêm ganhando mais espaço e destaque no setor – e assumem um papel significativo para transformar o perfil do ecossistema. Segundo o Pitchbook, estudos sugerem que as fundadoras de startups tendem a procurar investidores do sexo feminino na hora de buscar aporte, e que as chances de uma empresa fundada por mulheres levantar capital com sucesso podem aumentar com uma investidora na mesa de negociação. Em homenagem ao Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino, conheça, a seguir, 8 mulheres investidoras que estão mudando a cara do ecossistema no Brasil e apoiando as fundadoras de startups em suas jornadas. 1. Itali Collini, Potencia Ventures Foto: Divulgação Com 10 anos de experiência no mercado financeiro, Itali Collini é diretora da Potencia Ventures e tem passagem pelo fundo de venture capital 500 Global, onde atuou como diretora de operações no Brasil e diretora de estratégia e inovação na América Latina. Como investidora-anjo, seu foco é apoiar startups fundadas por mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência que construam soluções para mercados promissores e usuários sub-atendidos. Seu portfólio inclui as startups Feel, Lady Driver, Gestar, Amyi, entre outras. Itali é investidora-anjo associada na FEA Angels e angel fellowship na Latitud, além de conselheira na Wishe – Women Capital e mentora na B2Mamy e na Associação Brasileira de Startups. 2. Gabriela Toribio, Wayra Brasil Foto: Reprodução LinkedIn Ex-gerente de inovação e consultora sênior na Votorantim, Gabriela Toribio passou os últimos 3 anos como chefe de capital de risco da empresa siderúrgica brasileira Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Hoje, ela é managing director na Wayra Brasil, hub de inovação aberta e fundo de investimento corporativo do Grupo Telefônica. Também à frente do Vivo Ventures, Gabriela é responsável por liderar o desenvolvimento do fundo, que tem capital comprometido de R$ 320 milhões para investir em startups em crescimento. A executiva é empreendedora e fundadora da Alimentos da Vila, que busca promover e expandir o acesso à alimentação saudável. Gabriela atua como coordenadora do comitê de CVC da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) e é professora da Fiap, onde leciona sobre empreendedorismo. 3. Luana Ozemela, iFood, BlackWin e DIMA Consultoria Foto: Reprodução/LinkedIn Em junho deste ano, Luana Ozemela lançou a BlackWin, primeira plataforma de investidoras-anjo negras do Brasil. Com ela, Luana busca apoiar mulheres negras a se tornarem investidoras-anjo e a se conectar ao ecossistema de inovação. Os aportes são direcionados a negócios liderados por pessoas negras, fomentando empreendedores e a promoção da equidade racial. Além da BlackWin, Luana é cofundadora e CEO da DIMA Consultoria, empresa de desenvolvimento econômico e social estabelecida no Brasil e no Qatar. A executiva é vice-presidente  in Residence do iFood no Brasil e ex-funcionária do BID, em Washington D.C., nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira, Luana nteragiu com dezenas de governos, doadores, investidores e ONGs nos EUA, na América Latina, África e no Oriente Médio. 4. Camila Farani Foto: Divulgação Empresária, empreendedora e investidora serial, Camila Farani é muito mais do que  é um dos “tubarões” do Shark Tank Brasil. Considerada uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina segundo a Bloomberg Línea, ela é sócia-fundadora da boutique G2 Capital, membro do conselho de administração do PicPay e sócia e investidora da Play9, estúdio de conteúdo e maior network do YouTube do Brasil. Além disso, Camila é cofundadora do Mulheres Investidoras Anjo (MIA), um movimento de fomento ao investimento anjo feito por mulheres, e fundadora do Ela Vence, plataforma criada para apoiar o desenvolvimento de lideranças femininas. Como investidora, seu portfólio conta com mais de 45 startups e R$ 35 milhões entre aportes individuais e com co-investidores nos últimos 10 anos. 5. Silvia Motta, Movile Foto: Reprodução/LinkedIn Com mais de 10 anos de experiência em diversos setores como educação, private equity, startups e consultoria de gestão, Silvia Motta tem passagens pela consultoria McKinsey & Company e Eleva Educação, e assumiu a posição de diretora de estratégia da The Coca-Cola Company no Brasil. Hoje, ela é diretora de investimentos da Movile e compõe os conselhos da Sympla, Afterverse, Mensajeros Urbanos e Sandbox & Co. Considerada uma das Top Women Investors na América Latina pela LAVCA, Silvia tem uma experiência prévia como empreendedora e fundadora da Ventus Learning, uma startup de educação online. 6. Laura Constantini Foto: Reprodução/LinkedIn Laura Constantini é sócia e cofundadora da Astella, gestora brasileira de venture capital que investe em empresas em estágio inicial. Ela já fez parte do conselho de empresas como Omie, Kenoby, e Skore, e hoje integra o board do JOTA e Sled. Além disso, Laura é conselheira na Endeavor, onde tem a oportunidade de apoiar outros empreendedores no ecossistema. Antes de chegar ao venture capital, ela escolheu o caminho das finanças. Formou-se em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e chegou ao Banco Santander no Brasil e em Nova York, onde foi research analyst. A mudança de carreira veio em 2005, quando entrou para o time da Cicerone Capital para trabalhar com fusões e aquisições. Foi trabalhando próxima ao venture capital que ela descobriu sua vocação, unindo seus conhecimentos de finanças com a visão humana. 7. Flavia Mello Foto: Reprodução LinkedIn Ao lado de Erica Fridman Stul, Mariana Figueira e Jaana Goeggel, Flavia Mello fundou o Sororitê, rede de investidoras-anjo que tem como objetivo fornecer acesso à fundadoras de startups, além de um espaço para troca e aprendizados. A executiva já investiu em diversas empresas com liderança feminina, incluindo a Feel, Herself, Holistix, Todas Group, SafeSpace, Oya Care, HerMoney e Se Candidate, Mulher!. Ao longo de sua trajetória, Flavia foi gerente sênior de vendas no Uber e client partner no Facebook. Além das big techs, ela trabalhou AllWomen, plataforma global para treinar, transformar e empoderar mulheres em tecnologia, como freelancer. 8. Jéssica Silva Rios, BlackWin Foto: Divulgação Jéssica Silva Rios já foi sócia e head de gestão de impacto social da Vox Capital, primeira

“Mercado para investir em startups está no melhor momento”, diz Fred Santoro (Raketo)

Em duas semanas, venture market de ex-AWS já recebeu contato de quase 1.000 startups interessadas em modelo de captação   Mesmo no cenário turbulento para o mercado global de venture capital, com redução de valuations, demissões em massa e dinheiro mais duro para os negócios, o baiano e ex-AWS Fred Santoro deu a largada para sua nova empreitada, a Raketo. A empresa, que conta com investimento de Tiago Galli (cofundador do C6 Bank), de Yan Tironi (fundador de companhias como Amigo Edu, Cubos Academy e PeerBnk, que também foi executivo do Citi e do Itaú BBA) e de Ricardo Wendel, fundador da Divi-hub, vai atuar sob o conceito de venture market, um ‘mercado’ onde startups terão opções para fazer captações de recursos. O modelo de negócios é de success fee, um percentual cobrado em cima do montante que a startup captar. De acordo com Fred a ideia é chegar a 25 startups brasileiras atendidas até o fim do ano que vem. “Não vou querer fazer mil startups por mês porque a ideia é estar próximo e porque teremos skin in the game, com investimento da própria Raketo nas rodadas”, diz. A operação focará principalmente nos estágios de pre-seed e seed, que oferecem melhores perspectivas de valorização de investimento no longo prazo (não está descartada a possibilidade de entrar em estágios mais avançados), com possibilidade de aportes privados, com investidores anjo, family offices e fundos de investimento; ou públicos, por meio de equity crowd investing.  A plataforma para investimento público está no ar, em parceria com a Divi-hub (startup na qual Fred é investidor e membro do conselho). Já há 3 companhias na prateleira: a hrtech Gria, a DNVB de bebidas Don Luiz e a proptech Élame. Os aportes podem ser feitos a partir de R$ 10 mil. Também há no horizonte uma atuação internacional, aproveitando a parceria com a Divi-hub, que aguarda liberação da SEC para atuar nos EUA (o que pode acontecer até o fim do ano) e também pretende ir para a Europa. Antes da divulgação de uma oferta, seja ela pública ou privada, a equipe faz o diagnóstico, preparação e avaliação para decidir qual o melhor caminho a ser seguido pela startup. Para isso, uma rede de 14 mentores vão apoiar os negócios. Na lista estão nomes como Bruno Stefani, da AB InBev; Fabiano Cruz, da Zoop, Etienne du Jardin, da MIMO e Nubia Mota, da Adobe, entre outros. Com a Raketo, Fred afirma que continuará a ajudar o ecossistema como fez durante os quase 3 anos em que esteve à frente do programa apoio a startups da AWS no Brasil. “Aprendi que existe um potencial muito grande nesse mercado, tive visibilidade, mas tenho um sonho de ter impacto construindo o meu próprio negócio. O propósito de ajudar startups continua e quero que os investidores passem a ter pelo menos 5% de exposição a esse segmento”, conta. Desde o anúncio do nome da companhia há duas semanas, no Startup Summit, cerca de 1.000 companhias o procuraram. “O mercado está em um momento maravilhoso. O investimento em seed aumentou 86%. O risco está afastando aventureiros. É uma super oportunidade para investidores entrarem e para quem pensa no longo prazo”.

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