Faturamento das pequenas empresas cresce 2,8% no primeiro semestre e há espaço para mais
Os empreendedores brasileiros aguardavam por boas notícias depois de um 2022 marcado pela alta da taxa básica de juros, desemprego acima de 9% e incertezas diante da eleição presidencial. Encerrado o primeiro semestre de 2023, dá para dizer que a espera por notícias positivas foi menor do que o previsto. Com a resiliência do mercado de trabalho local e a inflação demonstrando sinais de fraqueza, os donos de pequenas e médias empresas viram o faturamento semestral crescer 2,8% na comparação anual.
O resultado antecipado ao Valor Investe superou as projeções dos economistas responsáveis pelo Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). O índice considera a movimentação financeira real dos negócios (descontada a inflação) dos negócios com faturamento de até R$ 50 milhões anuais em quatro grandes setores: comércio, indústria, infraestrutura e serviços.
“Começamos o ano com um cenário de crescimento muito mais contido, com grandes desafios para as PMEs e projeções macroeconômicas bem mais pessimistas. Passado o primeiro semestre de 2023, vemos uma certa sustentação dos resultados destes negócios, algo semelhante ao que aconteceu com a economia como um todo”, explica Felipe Beraldi, economista e gerente de Indicadores e Estudos Econômicos da Omie, plataforma de gestão (ERP) na nuvem.
O IODE-PMEs, que funciona como um termômetro econômico das pequenas e médias empresas, mostra que há diferenças de desempenho entre os setores: enquanto a indústria avançou 1,8% (ante o primeiro semestre de 2022), serviços registrou crescimento de 1,4%.
“Os dados de crescimento formam um condicionante importante não só do ponto de vista macroeconômico, mas também para as empresas B2B [empresas que vendem soluções para outras empresas] listadas na bolsa de valores, que por vezes formam um todo produtivo”, pondera o especialista.
Empreendabilidade Comenta
A locomotiva do Brasil, o carro chefe da economia do país está nos micro e pequenos negócios. As 6 milhões de MPEs existentes no Brasil são responsáveis por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado (16,1 milhões), números que atestam a força e a importância de voltar os olhos aos pequenos.
No comércio. a representatividade é ainda mais expressiva: as micro e pequenas empresas são as principais geradoras de riqueza no setor, e correspondem por 53,4% do PIB. No PIB da Indústria, a participação das micro e pequenas (22,5%) já se aproxima das médias empresas (24,5%).