Procrastinação, produtividade, longo prazo e ação: Procrastinar X fazer bem feito (1/6)

Esses dias fui impactado (para usar um termo moderno) por um anúncio em vídeo de um “guru” – confesso que esse eu não o conhecia, não é dos mais famosos, mas vi no perfil dele que já fez alguns milhões vendendo mentoria de desenvolvimento pessoal – que propunha a ideia de que Leonardo Da Vinci procrastinou na pintura da Monalisa, e ele chega a mencionar outros artistas. A ideia era argumentar que com o seu curso e mentoria a pessoa não mais procrastinaria.

 

Fui dar um Google para entender melhor o exemplo e cheguei a uma reportagem da saudosa Superinteressante, que apresentava o pintor justamente como o “maior procrastinador da história” – a Monalisa ficou pronta entre 3 e 4 anos depois de iniciada a obra.

Outros resultados da pesquisa apontam inclusive que o comportamento do pintor seria, na realidade, um sinal de déficit de atenção: ele facilmente trocava de projetos, sofria de interrupção do sono, entre outros fatores.

Eu lhe pergunto: o que você prefere? Um trabalho de um dia que é o boneco palito, ou um trabalho de 3-4 anos que seja a Monalisa?

 

“A pressa é inimiga da perfeição” é talvez um dos ditados que mais se apliquem aos dias de hoje, em qualquer circunstância.

 

Elenquei alguns cenários para ilustrar:

  • Investimentos: a curva de valorização (considerando ativos de qualidade, claro) tende a ser para cima – experimente olhar uma ação que está caindo há algumas semanas em um prazo de 5, 10 anos, por exemplo. Por isso os investimentos são pensados em longo prazo e requerem paciência. Claro, há quem aposte no day trade. Mas, é só ver os exemplos dos grandes investidores globais como Warren Buffet, George Soros e o brasileiro Luiz Barsi: todos têm consistência e persistência;

 

  • Composição de uma empresa (mesmo que uma startup): uma coisa é o capital de risco, para gerar escala rapidamente. Outra coisa é o business Building. As grandes empresas não nasceram em Wall Street ou na Faria Lima, elas começaram em uma garagem, um quintal, uma lanchonete pequena. Ainda, nenhum fazendeiro começa o negócio com 10 mil cabeças de gado. Sempre tem o primeiro passo, depois da persistência, com chuva e com sol, com seca e com problemas econômicos, ele chega lá;

 

  • Atletas: não recordo quem fala que a rotina do alto desempenho é monótona. Um atleta olímpico passa boa parte da vida na rotina de dormir, comer e treinar. Ele não vai para festas, ele não está nem aí para o que estaria “perdendo”. O foco é dali a 4 anos colocar uma medalha no pescoço. Aliás, imagine você saber que só faria algo “valendo” dali a 4 anos, e que teria que treinar até estar pronto? Ainda, imagine aqueles que treinam e que sabem que não vão subir no pódio? Ainda assim, treinam, porque dali a 8 anos eles podem estar. Mas, só se treinarem.

 

Entre outros tantos exemplos de longo prazo, desde o bebê que não sai correndo pela casa antes de engatinha até o processo de emagrecimento, parece que estamos misturando as coisas porque o atleta treina e tem rotina, enquanto Da Vinci procrastina.

 

Mas, o que haveria de diferente, se não a nossa percepção e julgamento? Não estaria Da Vinci, nessa “procrastinação”, treinando mentalmente?

 

O ponto aqui, ao meu ver, voltando ao anúncio crítico à procrastinação de Da Vinci, é que procrastinar seria se a Monalisa não tivesse ficado pronta, ou tivesse ficado, desculpem a expressão, uma porcaria.

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