Muitas teses corporativas surgiram na pandemia “madura” – período que eu mesmo determinei para definir o momento após o susto inicial dos primeiros meses de vírus, do “fique em casa” e dos sentimentos turbulentos de um “novo normal” e pensamentos catastróficos.
Junto ao retorno (lento) da lucidez e ao aparecimento de uma certa consciência das mudanças que realmente seriam perenes, a “great resignation” surgiu e arrefeceu.
Mas, outro termo ganhou vitrine, principalmente relacionado ao perfil de trabalho das novas gerações: o “quiet quitting”.
A discussão chegou a um dos valores essenciais para as coisas darem certo: a diligência. E isso nos preocupa.
A impressão é que ninguém quer se responsabilizar: pelo trabalho, pelo relacionamento, pelas consequências de seus próprios atos.
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A ideia desse artigo veio, inclusive, de um papo com uma pessoa para a qual ofereço consultoria em um novo negócio. Ela tem sócios, mas é quem bota a mão na massa. Todos querem participar do resultado, mas poucos assumem o trabalho para chegar até lá. Já afastou algumas delas, mas o padrão se repete: todo mundo quer a obra pronta.
O cuidado e atenção aos detalhes – coisa que essa pessoa é craque – é uma caraterística muito comum em qualquer empreendimento. De novo, volto ao escritor Steven Pressfield: a guerra da arte é FAZER a arte. Volto a Leonardo da Vinci: procrastinou, ou fez no tempo dele?
A diligência não é apenas uma qualidade desejável. É um fator imperativo para o sucesso: seja de um relacionamento, de uma empresa, de uma realização pessoal.
Não se trata apenas da execução metódica e precisa de tarefas. Vai além disso: o cuidado com qualquer coisa que você esteja fazendo é evidente quando a coisa fica pronta.
No documentário Arnold, da Netflix, o fisioculturista-ator-político Exterminador do Futuro Mister Universo começa o primeiro episódio contando com detalhes o cuidado com o qual a sua mãe dobrava as roupas, limpava o piso da casa. Isso é diligência.
Quando eu falo que o comportamento empreendedor tem mais a ver com como a pessoa faz as coisas do que o fato de abrir uma empresa, diligência faz parte disso.
Quando a pessoa gosta de algo, quer atingir um resultado com muita vontade, ela é diligente.
Além de tudo, é muito mais confiável uma pessoa que cuida, que trata com zelo, que dá atenção, do que quem faz o contrário.
Fuja de quem faz quiet quitting. Seja diligente. Dá certo.